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Pastagem republicana

por Nuno Castelo-Branco, em 15.10.11

Querem cortar na despesa? Comecem por aqui, pela casta dirigente: fim dos carros e chauffeurs para todos, mas mesmo "todos abaixo" de secretário de Estado, fim dos telemóveis por conta "pública", fim das ajudas de custo para a casinha, refeições, médico fora do SNS, fim dos subsídios de deslocação, fim das viagens pagas, aumento dos impostos para os reformados de luxo do regime, corte de 50% da dotação presidencial, fim da política do subsídio per se, corte radical nos salários e mordomias dos gestores das empresas públicas. São apenas algumas dúzias de dezenas de milhões de Euros, coisa pouca. Mas darão o exemplo, contrariando a visão que o Prof. Cavaco Silva tem do regime, bem explícita nestas singelas palavras proferidas nos Açores:

 

"Hoje reparei no sorriso das vacas, que estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto. Fiquei surpreendidíssimo por ver que as vacas avançavam, uma atrás das outras…"

publicado às 22:34

Grandiosa manif de portadores de "esfinges"

por Nuno Castelo-Branco, em 15.10.11

 

 

 

 

Fui almoçar com o meu irmão e para variar, o cardápio incluíu arroz malandrinho e uns tantos "jaquinzinhos". Uma delícia. Trocos recebidos, o Miguel verificou que a maior parte das moedas "grandes" - 1 e 2 Euros -, eram espanholas, ostentando a "esfinge" do rei João Carlos I. Esta da "esfinge" tem que se lhe diga, pois era assim mesmo que uma "setôra" de Medieval da FLL se referia às moedas de outros tempos, sublinhando aquela característica tão rara na numismática portuguesa. Bem vistas as coisas e pela primeira vez na nossa História, temos nos bolsos a "esfinge" de um Rei espanhol, uma vez que nos tempos da Casa de Áustria, as moedas circulavam em Portugal ostentando o nome do soberano e única e exclusivamente, as armas nacionais. Moedas portuguesas sem qualquer espanholada ou inutilidades do Franco-Condado, Flandres, Milão, Nápoles, etc. Nestes tempos modernos, as coisas já não são bem assim, ficando-se a lusa paródia do selo de D. Afonso Henriques, batido nas pequenas moedas de cobre. Essas sim, são a maioria, tilintantes símbolos de 37 anos de ridentes sucessos.

 

Decidi voltar para casa a pé, como é meu hábito. A Rua da Rosa e o Príncipe Real pejados de turistas, passeando encantados por este verão tardio. Ao chegar ao Rato, deparei com um modesto cordão policial, pois ali estava a cabeça da "grandiosa manifestação de indignados". O espectáculo de sempre, uns tantos rastas, os já costumeiros velhotes "colas" do Partido também do costume e alguns que iam em calmíssima charla, sorvendo os gelados comprados ali mais abaixo, nos cafés da Rua Braancamp. Para a necessária reportagem a incluir num post blogueiro lá para o fim do dia, alguns empunhavam umas indignamente expensive máquinas de fotografar com mega-objectivas, enquanto se ouviam uns tantos batuques acompanhando incompreensíveis palavras de desordem. Lá estava o Tomás Vasques aparentemente satisfeito, vestindo uma t-shirt negra que o coloca na posição de enigmático  partisan do Partido Nacional Fascista do Duce Benito Mussolini. Se não era o Tomás, era um irmão-siamês.

 

A coisa foi de arromba, eram biliões e biliões de protestantes, enchendo aquele vastíssimo espaço compreendido pelo Largo do Rato e a esquina onde se situa o prédio Heron Castilho de Sócrates, enfim, quase ao nível de uma espécie de comemoração da vitória do Cascalheirense sobre o Penacovense.

 

Chegando atrasados ao núcleo duro do passeio, dois rapazes passaram apressadamente, empunhando a chamada Bandeira da Restauração que por sinal, bem podia transformar-se uma vez mais, no símbolo unificador de um povo a ficar farto de bancos, negócios bolsistas, Estado boyzeiro, chulices "sprédicas" tão convenientemente à moda dos tais "indignados" do Maio 68, bloombergerismos plutocráticos, presidentes amigos de amigos inapresentáveis, etc.

 

Não resisti a uma modesta participação na coisa e limitei-me a um sonoro ..."até que enfim se vê uma bandeira decente"!

 

Risos de satisfeita aprovação. Isto vai, foi um excente dia para a marca Olá.

publicado às 16:58

Já agora, parvoíce "for free"

por Nuno Castelo-Branco, em 15.10.11

Estes desenrascados  e for free "indignados" do telemóvel, computador, play-station e viagens low-cost da "United for globalchange", ainda não disseram o que pretendem. Aquilo que não querem, já sabemos e compreendemos, até porque provem de outros "indignados" de 1968. Falam em lutar pelos "direitos" e por uma "verdadeira democracia", mas jamais disseram o que entendem por representatividade, qual o esquema económico e social pretendido, a sua posição acerca  da "odiosa questão" da propriedade, etc. Nem uma palavra acerca de um bem escondido modelo que todos sabemos estar "em carteira". Pelos vistos, o voto é coisa que já não serve e bem vistas as coisas, nem sequer podem ter "uma posição". São o todo que faz o nada.

 

De tanto berrarem no Rossio, ainda lhes dá uma coisa e lá lhes sairá o lanche McDonalds goela fora. 

publicado às 10:20

Geração à rasca = geração parva

por Samuel de Paiva Pires, em 23.08.11

No DN: «Os organizadores do protesto Geração à Rasca fizeram ouvidos de mercador aos apelos de Passos Coelho para serem evitadas as convulsões sociais e já agendaram um novo protesto. A luta está marcada para 15 de Outubro, data limite da entrega do Orçamento do Estado.

Com o anúncio de cortes como nunca se viu nos "últimos 50 anos", como prometeu Passos Coelho, ficou lançado o mote para novas vagas de mobilização social. "Razões para sair à rua não vão faltar", disse ao DN João Labrincha, um dos rostos da manifestação de 12 de Março. O "programa ambicioso de cortes" e o aumento do IVA sobre o gás e a electricidade são políticas que, segundo Labrincha, vão contra a "vontade expressa de Passos de manter a coesão social".»

 

Estes jovens ainda não sabem de que cortes se trata e em que áreas serão, mas já estão a reivindicar sabe-se lá o quê. Mais, começaram nos últimos dias a ser dados bons sinais pelo Governo - extinção da Parque Expo e o fim de várias concessões rodoviárias - enquanto todos vamos aguardando pelo anunciado relatório sobre os institutos, organismos e empresas estatais a extinguir, e pelo Orçamento Geral do Estado para 2012, mas estes jovens comunistas e bloquistas (sim, só os tolos e quem não conhecesse os organizadores do protesto é que podiam achar que este não tinha orientação política) com a típica mentalidade de quem quer continuar a viver da teta do Estado - ou melhor, do dinheiro dos outros - como se esta nunca acabasse, já estão a planear protestos. Vivem alheados da realidade. Não são a geração à rasca. São mesmo a geração parva.

publicado às 13:03

Geração à rasca (?)

por Nuno Castelo-Branco, em 24.07.11

Não, não se trata de uma aglomeração no Grande Bazar de Constantinopla.

 

Foto tirada na passada sexta-feira, 22 de Julho de 2011. Bairro Alto, pouco antes da meia noite. De uma ponta à outra ponta da Rua do Diário de Notícias. "Resmas" que por cá felizmente se indignam de outra forma.

publicado às 21:11

Verdadeiramente à rasca! *

por Pedro Quartin Graça, em 25.03.11

- Então, foste à manifestação da geração à rasca?

- Sim, claro.

- Quais foram os teus motivos?

- Acabei o curso e não arranjo emprego.

- E tens respondido a anúncios?

- Na realidade, não. Até porque de verão não dá jeito: um gajo vai à
praia, às esplanadas, as miúdas são giras e usam pouca roupa. Mas de
inverno é uma chatice. Vê lá que ainda me sobra dinheiro da mesada que
os meus pais me dão. Estou aborrecido.

- Bom, mas então por que não respondes a anúncios de emprego?

- Err...

- Certo. Mudando a agulha: felizmente não houve incidentes.

- É verdade, mas houve chatices.

- Então?

- Quando cheguei ao viaduto Duarte Pacheco já havia fila.

- Seguramente gente que ia para as Amoreiras.

- Nada disso. Jovens à rasca como eu. E gente menos jovem. Mas todos à
rasca.

- Hum... E estacionaste onde? No parque Eduardo VII?

- Tás doido?!  Não, tentei arranjar lugar no parque do Marquês. Mas
estava
cheio.

- Cheio de...?

- De carros de jovens à rasca como eu, claro. Que pergunta!

- E...?

- Estacionei no parque do El Corte Inglês. Pensei que se me
despachasse cedo podia ir comprar umas coisinhas à loja Gourmet.

- E apanhaste o metro.

- Nada disso. Estava em cima da hora e eu gosto de ser pontual.
Apanhei um táxi. Não sem alguma dificuldade, porque havia mais jovens
à rasca atrasados.

- Ok. E chegaste à manif.

- Sim, e nem vais acreditar.

- Diz.

- Entrevistaram-me em directo para a televisão.

- Muito bom. O que disseste?

- Que era licenciado e estava no desemprego. Que estava farto de pagar
para as reformas dos outros.

- Mas, se nunca trabalhaste, também não descontaste para a segurança
social.

- Não? Pois... não sei.

- ..... E então, gritaste muito?

- Nada. Estive o tempo todo ao telemóvel com um amigo que estava na
manif do Porto. E enquanto isso ia enviando mensagens para o Facebook
e o Twitter pelo iPhone e o Blackberry.

- Mas isso não são aparelhinhos caros para quem está à rasca?

- São as armas da luta. A idade da pedra já lá vai.

- Bem visto.

- Quiriquiri-quiriquiri-qui! Quiriquiri-quiriquiri-qui!

- Calma, rapaz. Portanto despachaste-te cedo e ainda foste à loja
Gourmet.

- Uma merda! A luta é alegria, de forma que continuámos a lutar Chiado
acima, direitos ao Bairro Alto. Felizmente uma amiga, que é muito
previdente, tinha reservado mesa.

- Agora os tascos do Bairro aceitam reservas?

- Chamas tasco ao Pap'Açorda?

- Errr... E comeram bem?

- Sim, sim. A luta é cansativa, requer energia. Mas o pior foi o
vinho. Aquele cabernet sauvignon escorregava...

- Não me digas que foste conduzir nesse estado.

- Não. Ainda era cedo. Nunca ouviste dizer que a luta continua? E
continuou em direcção ao Lux. Fomos de táxi. Quatro em cada um, porque
 é preciso poupar guito para o verão. Ah... a praia, as esplanadas, as
miúdas giras e com pouca roupa...

- Já não vou ao Lux há algum tempo, mas com a crise deve estar meio
morto, não?

- Qual quê! Estava à pinha. Muita malta à rasca.

- E daí foste para casa.

- Não. Apanhei um táxi para um hotel. Quatro estrelas, que a vida não
está para luxos.

- Bom, és um jovem consciente. Como tinhas bebido e...

- Hã?! Tu passas-te! A verdade é que conheci uma camarada de luta e...
bem... sabes como é.

- Resolveram fazer um plenário?

- Quê? Às vezes não te percebo.

- Costuma acontecer. E ficaram de ver-se?

- Ha! Ha! Ha! De ver-se, diz ele. Não estás a ver a cena. De manhã
chegámos à conclusão que ela era bloquista e eu voto no Portas. Saiu
porta fora. Acho que foi tomar o pequeno-almoço à Versailles.

- Tu tomaste o teu no hotel.

- Sim, mas mandei vir o room service, porque ainda estava meio
ressacado.

- Depois pagaste e...

- A crédito, atenção. Com o cartão gold do Barclays.

- ... rumaste a casa.

- Sim, àquela hora já não havia malta à rasca
a entupir o tráfego.

 

* E não me venham com lições de moral a propósito deste post porque, em matéria de precariedade, bato todos os records.

publicado às 17:54

Geração à rasca?

por Nuno Castelo-Branco, em 15.03.11

Os jornais divulgam a notícia: os jovens portugueses são na Europa, os campeões na compra de carros novos. Aguardemos pelos resultados do estudo, naquilo que se refere a IPAD, IPHON, computadores e outras engenhocas do género.

publicado às 14:46

Uma não-manifestação em 6 pontos

por Samuel de Paiva Pires, em 13.03.11

 

1 - Uma manifestação que junta pessoas de todo o espectro ideológico, pessoas alegadamente sem ideologia ou partido político, pessoas que foram lá pela sua própria razão pessoal (desde os jovens desempregados, aos descontentes com Sócrates, passando pelos descontentes com todo o regime e pelos que nem sabiam por que razão estavam ali), mas que, de uma forma ou de outra, acharam por bem manifestar o seu descontentamento com a situação geral do país, não é uma manifestação . É o Festival do Avante

 

2  - Uma manifestação que leva gente a exultar com este confrangedor manifesto, que nada propõe para o país, não é uma manifestação. É uma estupidificação.

 

3 - Uma manifestação com um elevado grau de organização - parem lá com a alarvidade de dizer que foi uma manifestação espontânea - que não consegue ser consequente, que não concebe uma única proposta a não ser as que as premissas do manifesto deixam adivinhar - de índole estatista - que não tem sustentação e coerência interna, e cujos organizadores se refugiam no argumento de que não se acham no direito de propôr seja o que for, mas antes querem que os políticos façam algo para mudar a situação, não é uma manifestação. É uma capitulação perante o Estado e perante aqueles que nos têm vindo a (des)governar. Até dou de bandeja que seja positivo o elevado civismo a que assistimos, a expressão geral de descontentamento e a alegria que perpassou a mesma. Mas esta apenas reforça a legitimidade do Estado, no sentido de os governantes intervirem ainda mais na sociedade com políticas de boas intenções, que a mais das vezes levam a resultados imprevistos e não necessariamente satisfatórios - veja-se a actual situação que o país vive.

 

4 - Uma manifestação que proporciona um espectáculo em que muita gente verbaliza as verborreias desconexas que há muito tempo vinha contendo, não é uma manifestação. É um falhanço do regime. A incapacidade da maior parte dos jovens da minha geração de ter um método, um processo de alcançar os objectivos que pretendam (se é que pretendam alguns), e a incapacidade de serem donos da sua própria vida - criem uma empresa, emigrem, façam por singrar na vida - e de não ficarem à espera do Estado-paizinho, demonstra o generalizado falhanço do sistema de educação, e os efeitos nefastos do assistencialismo (importantíssimo ler isto).

 

5 - Uma manifestação em que muitos participantes repetem até à exaustão a falácia de pertencerem à "geração mais qualificada de sempre", não é uma manifestação. É uma presunção de estatuto artificial que devia envergonhar qualquer um dos seus vociferadores. A verdade é que somos a geração mais certificada de sempre. O que não quer dizer que sejamos a mais qualificada ou competente. A geração dos nossos pais e avós teve cursos muito mais exigentes e que lhes conferiram muito mais competências do que os actuais cursos conferem. E os que nem cursos superiores tinham, possuem na generalidade mais competências do que nós. Nas últimas décadas generalizou-se e massificou-se o ensino superior, diminuindo-lhe a qualidade. Alardear uma certificação formal, que na maioria das vezes deixa adivinhar uma confrangedora capacidade de trabalho, método e competência, não é uma manifestação. É uma demonstração de snobismo pseudo-aristocrático.

 

6 - Uma manifestação em que o principal mote da mesma é uma geração que, não tendo um método ou capacidade de pensar (ponto 5), não fala no que realmente contribui para a actual situação, como por exemplo, a rigidez da legislação laboral e a idiótica lei das rendas, que não está minimamente preocupada com o estapafúrdio endividamento externo a que o actual (des)governo nos submete (ah pois, não querem saber de política, não é verdade?) e para a qual a resposta ao estatismo socialista dos últimos 37 anos é mais socialismo (ler isto), não é uma manifestação. É uma receita para a desgraça.

publicado às 16:18

O Avante Sex Festival este ano chega mais cedo

por Samuel de Paiva Pires, em 11.03.11

 

Há uns meses, escrevi um texto sobre o Avante, por muitos lido, divulgado e criticado. Neste, entre várias outras coisas, critiquei aqueles que, não sendo comunistas, também contribuem para o PCP através da participação nesse ajuntamento colectivo, desculpando-se muitos com o "vou lá só pelo convívio" e coisas do género. Acaba, portanto, por ser uma festa com pessoas de todos os quadrantes políticos.

 

Ora, este ano o Avante chega mais cedo. A preceder todos os festivais musicais de Verão e festas partidárias, eis que no Sábado, 12 de Março, iremos assistir a uma gigantesca libertação de libido e adrenalina, da esquerda à direita. Le Bon e Freud explicaram como se comportam as massas, descrevendo os processos psicológicos que ocorrem nos indivíduos que as compõem. Resumidamente, o que acontece é uma perda de discernimento e da vontade própria individual, dissolvendo-se os indivíduos numa massa, acabando estes por regredir até um estado mental primitivo onde predomina o inconsciente, que permite aceitar sem entraves as ideias que passam dos líderes para a massa. Freud explica este processo pela regressão da libido, em que cada indivíduo acaba por estar relacionado com os outros através de laços libidinais. A massa adquire desta forma um sentimento de invencibilidade, precisamente pela regressão mental que ocorre, sendo extremamente sugestionável, pelo que tão facilmente pode ser heróica quanto criminosa.

 

Posto isto, o que me parece é que Sábado irá ocorrer uma grande festarola, com efeitos semelhantes a uma vitória do Benfica no campeonato, que vai deixar muita gente contente. Ora vejamos:

 

1) Será uma iniciativa que estimulará a economia: operadores de transportes públicos e gasolineiras vão ter uma facturação acrescida ao normal; tipografias, serigrafias e empresas de publicidade já estarão a ter uma facturação elevada com a produção de panfletos, t-shirts, bandeiras e afins; cafés, restaurantes e tascas vão ganhar imenso com a venda de cervejas durante a manifestação e de jantares a seguir a esta; os bares do Bairro Alto, Cais do Sodré e Santos vão ter uma noite em cheio, assim como as discotecas; pensões e hotéis também sofrerão um aumento de reservas.

 

2) Os jovens contestatários vão libertar a sua adrenalina e libido, quer pela participação na manifestação, quer pelas actividades sexuais que acontecerão a seguir a esta;

 

3) Membros do BE, PCP, PNR e outros grupos que se têm colado a esta manifestação, vão também libertar as suas frustrações e sentimentos revolucionários, na senda de Marx, Lenine, Trotsky ou Hitler e Mussolini, tendo como recompensa a sensação de fidelidade aos seus líderes ideológicos;

 

4) A PSP e o SIS vão encarar isto como um treino em que colocarão em prática muitos dos seus instrumentos e técnicas, oleando as respectivas máquinas e deixando os respectivos funcionários com um sentimento de dever cumprido pela imposição da sua autoridade;

 

5) José Sócrates vai inventar umas medidas quaisquer e dizer que as manifestações fazem parte da festa da democracia; Cavaco Silva vai continuar a ladainha de incentivo à contestação por parte dos jovens; os bloquistas e comunistas que verdadeiramente estão por trás da manifestação sentir-se-ão realizados, ao mesmo tempo que não percebem que a aparente contestação é uma forma de reforço da legitimidade do regime e dos governantes actuais.

 

6) Por último, e talvez o ponto mais importante no meio desta parvoíce toda: Lisboa e Porto vão ser as capitais europeias do sexo. No fundo, a quebra de adrenalina no fim da manifestação será compensada com a libido libertada posteriormente, acordando toda a gente com um rasgado sorriso e uma sensação de que realmente revolucionaram alguma coisa, quando tudo permanecerá na mesma. 

 

 

publicado às 01:10

Resumo do Prós e Prós Geração Parva

por Samuel de Paiva Pires, em 01.03.11

Se querem mudar as coisas metam-se na política, disse Isabel Stilwell. É isso mesmo. Mas se alguns destes jovens alguma vez mandarem neste país, avisem-me que é para eu pedir asilo político à Suazilândia.

publicado às 00:40

Geração Parva

por Samuel de Paiva Pires, em 28.02.11

Meia dúzia de parvos estão a mostrar como a minha geração pode mesmo, na generalidade, ser apelidada de parva, no Prós e Contras. Mandam umas patacoadas generalistas, entusiasmam-se como quem lê Le Bon avidamente, não propõem nada para alterar a situação não da geração, mas do país. Mais, armam-se em palhacinhos com piadas, risos e palmas. É isso pessoal, continuem assim que "agora sim, damos a volta a isto".

 

 

 

 

publicado às 23:31

Da série "Este manifesto é uma valente bullshit" (3)

por Samuel de Paiva Pires, em 14.02.11

Comentário de Zephyrus, a este post:

 

«Claro que urge fazer alguma coisa. Mas a discussão está enviesada. Não vejo estes jovens a reclamar por não termos um mercado de arrendamento; pela inexistência  de um mercado fundiário, o que impede investimentos na área agrícola a quem não tem terrenos; contra o quadro fiscal e a burocracia que asfixiam muitos projectos empresariais; pela injustiça que constituem os apoios e regalias de certos projectos privados de grandes grupos económicos, como os PIN ou o Autódromo do Algarve, enquanto as PME que exportam lutam diariamente pela sua sobrevivência; etc, etc, etc. Se o Estado abrisse amanhã as portas da função pública, veríamos o fim das reclamações. Muitos do nossos empresários construíram casas onde empregam dezenas de almas, partindo de uma pequena garagem, um pequeno armazém, tendo apenas o quarto ano de escolaridade, começando a trabalhar aos 11, 12, 13 anos, sem nunca terem férias ou mesmo fins-de-semana livres. E mesmo contra todas as adversidades, chegaram aos 40, aos 50 ou aos 60 anos com a sua pequena fortuna, merecida, depois de uma juventude perdida a trabalhar sem direito a idas ao ginásio, noitadas ou bilhetes para o Rock in Rio. Também sou jovem, tenho menos de 30 anos e faço parte da dita «geração parva», mas lamentavelmente, estou em crer que a minha geração errou nos objectivos pelos quais deve lutar. Não defendo o regresso às condições de vida de há 30 ou 40 anos, mas a actual pasmaceira (e diletância) de parte da minha geração é vergonhosa.»

publicado às 00:29

Da série "Este manifesto é uma valente bullshit" (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 13.02.11

Depois de, numa esquizofrénica discussão no Facebook, um dos promotores desta manifestação ter dito que não pretendem propôr nada, deixo aqui o comentário de J. Cardoso ao post anterior:

 

«Os sintomas que este manifesto (e respectivos apoiantes) apresenta são bem representativos de um dos grandes problemas do país. A saber, a falta de iniciativa individual e o constante esperar que os problemas sejam resolvidos por outros (nomeadamente  por essa entidade mitológica que é o Estado).

A leitura do manifesto e uma breve conversa com alguns dos seus apoiantes evidencia a falta de vontade de agir e arriscar por conta própria, o medo de agarrar o seu destino com as suas mãos, o pavor de tomar decisões  e aceitar as suas consequências, tão bem descrito por Ayn Rand no seu Atlas Shrugged.

Tive a oportunidade de conversar pessoalmente com alguns apoiantes e à mera sugestão de intervir de forma cívica, designadamente pedindo explicações ou exigindo responsabilidades dos seus representantes eleitos ou, pior ainda, tomando acções consequentes como formação de um partido e apresentando o seu programa a eleições (já que têm tanto a reclamar e manifestar e tendo em consideração o que dizem sobre a classe política, por certo teriam sucesso e poderiam efectuar a renovação por que tanto clamam) escondem-se atrás de uma frase reveladora: "Mas não me cabe a mim formar um partido ou o que seja... temos é que forçar os políticos a mudar a situação, a actuar (...)" de acordo com as suas exigências.

Uma vez mais é tão mais fácil reclamar do que agir , a vontade de mudança não parece ser assim tanta, parece apenas a necessidade de garantir os mesmos privilégios (ou direitos, na sua versão de Newspeak) que outros antes tiveram. 

Porquê tomar os problemas como seus e actuar tentando resolver estes como qualquer sociedade civilizada faria, se é tão mais simples fácil sair à rua e reclamar que outros actuem e resolvam?

Os problemas que o país enfrenta são sérios, mas não é saindo à rua que os resolveremos. Enquanto todos não se capacitarem que são parte activa no problema e  que por eles, pelas suas acções (e não por meras reclamações) passa também a solução não iremos longe.

Mas de arregaçar as mangas, agir e assumir as responsabilidades das suas acções isso é que não... infelizmente os Deolinda esqueceram-se de uma frase na sua musica: Que parva que sou que fico à espera que alguém me resolva os problemas...»

publicado às 23:45

Da série "Este manifesto é uma valente bullshit"

por Samuel de Paiva Pires, em 13.02.11

Este manifesto, aproveitando a onda gerada pela música dos Deolinda, além de não propôr nada, serve também o propósito de convocar a geração enrascada para um daqueles ajuntamentos inconsequentes de algumas horas, que nem comichão fazem ao establishment. De resto, segue na esteira do que já aqui assinalei.

 

Se, de facto, somos a geração mais qualificada de sempre (uma bela presunção, como se o ter uma licenciatura, mestrado ou doutoramento fosse, per se, indicador de competência), será que ninguém consegue ir para lá dos preconceitos ideológicos de esquerda e realizar acções consequentes, como organizar um movimento ou partido com um programa/plano para reformar o Estado e assegurar um desenvolvimento sustentável do país?

 

Eu não o faço, pura e simplesmente porque sou um desses "perigosos fássistas neo-liberais". À partida já estou condenado à derrota. Infelizmente, os quadros mentais esquerdistas, construtivistas e utópicos continuam a fazer escola.

publicado às 19:06






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