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Da série "Este manifesto é uma valente bullshit" (3)

por Samuel de Paiva Pires, em 14.02.11

Comentário de Zephyrus, a este post:

 

«Claro que urge fazer alguma coisa. Mas a discussão está enviesada. Não vejo estes jovens a reclamar por não termos um mercado de arrendamento; pela inexistência  de um mercado fundiário, o que impede investimentos na área agrícola a quem não tem terrenos; contra o quadro fiscal e a burocracia que asfixiam muitos projectos empresariais; pela injustiça que constituem os apoios e regalias de certos projectos privados de grandes grupos económicos, como os PIN ou o Autódromo do Algarve, enquanto as PME que exportam lutam diariamente pela sua sobrevivência; etc, etc, etc. Se o Estado abrisse amanhã as portas da função pública, veríamos o fim das reclamações. Muitos do nossos empresários construíram casas onde empregam dezenas de almas, partindo de uma pequena garagem, um pequeno armazém, tendo apenas o quarto ano de escolaridade, começando a trabalhar aos 11, 12, 13 anos, sem nunca terem férias ou mesmo fins-de-semana livres. E mesmo contra todas as adversidades, chegaram aos 40, aos 50 ou aos 60 anos com a sua pequena fortuna, merecida, depois de uma juventude perdida a trabalhar sem direito a idas ao ginásio, noitadas ou bilhetes para o Rock in Rio. Também sou jovem, tenho menos de 30 anos e faço parte da dita «geração parva», mas lamentavelmente, estou em crer que a minha geração errou nos objectivos pelos quais deve lutar. Não defendo o regresso às condições de vida de há 30 ou 40 anos, mas a actual pasmaceira (e diletância) de parte da minha geração é vergonhosa.»

publicado às 00:29

Da série "Este manifesto é uma valente bullshit" (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 13.02.11

Depois de, numa esquizofrénica discussão no Facebook, um dos promotores desta manifestação ter dito que não pretendem propôr nada, deixo aqui o comentário de J. Cardoso ao post anterior:

 

«Os sintomas que este manifesto (e respectivos apoiantes) apresenta são bem representativos de um dos grandes problemas do país. A saber, a falta de iniciativa individual e o constante esperar que os problemas sejam resolvidos por outros (nomeadamente  por essa entidade mitológica que é o Estado).

A leitura do manifesto e uma breve conversa com alguns dos seus apoiantes evidencia a falta de vontade de agir e arriscar por conta própria, o medo de agarrar o seu destino com as suas mãos, o pavor de tomar decisões  e aceitar as suas consequências, tão bem descrito por Ayn Rand no seu Atlas Shrugged.

Tive a oportunidade de conversar pessoalmente com alguns apoiantes e à mera sugestão de intervir de forma cívica, designadamente pedindo explicações ou exigindo responsabilidades dos seus representantes eleitos ou, pior ainda, tomando acções consequentes como formação de um partido e apresentando o seu programa a eleições (já que têm tanto a reclamar e manifestar e tendo em consideração o que dizem sobre a classe política, por certo teriam sucesso e poderiam efectuar a renovação por que tanto clamam) escondem-se atrás de uma frase reveladora: "Mas não me cabe a mim formar um partido ou o que seja... temos é que forçar os políticos a mudar a situação, a actuar (...)" de acordo com as suas exigências.

Uma vez mais é tão mais fácil reclamar do que agir , a vontade de mudança não parece ser assim tanta, parece apenas a necessidade de garantir os mesmos privilégios (ou direitos, na sua versão de Newspeak) que outros antes tiveram. 

Porquê tomar os problemas como seus e actuar tentando resolver estes como qualquer sociedade civilizada faria, se é tão mais simples fácil sair à rua e reclamar que outros actuem e resolvam?

Os problemas que o país enfrenta são sérios, mas não é saindo à rua que os resolveremos. Enquanto todos não se capacitarem que são parte activa no problema e  que por eles, pelas suas acções (e não por meras reclamações) passa também a solução não iremos longe.

Mas de arregaçar as mangas, agir e assumir as responsabilidades das suas acções isso é que não... infelizmente os Deolinda esqueceram-se de uma frase na sua musica: Que parva que sou que fico à espera que alguém me resolva os problemas...»

publicado às 23:45

Da série "Este manifesto é uma valente bullshit"

por Samuel de Paiva Pires, em 13.02.11

Este manifesto, aproveitando a onda gerada pela música dos Deolinda, além de não propôr nada, serve também o propósito de convocar a geração enrascada para um daqueles ajuntamentos inconsequentes de algumas horas, que nem comichão fazem ao establishment. De resto, segue na esteira do que já aqui assinalei.

 

Se, de facto, somos a geração mais qualificada de sempre (uma bela presunção, como se o ter uma licenciatura, mestrado ou doutoramento fosse, per se, indicador de competência), será que ninguém consegue ir para lá dos preconceitos ideológicos de esquerda e realizar acções consequentes, como organizar um movimento ou partido com um programa/plano para reformar o Estado e assegurar um desenvolvimento sustentável do país?

 

Eu não o faço, pura e simplesmente porque sou um desses "perigosos fássistas neo-liberais". À partida já estou condenado à derrota. Infelizmente, os quadros mentais esquerdistas, construtivistas e utópicos continuam a fazer escola.

publicado às 19:06






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