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1983

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.16

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 Estávamos em 1983, na fase final da Guerra Fria. Não costumo falar das minhas experiências, mas neste caso abrirei uma excepção. Fui convidado pelo então deputado Borges de Carvalho, para participar num seminário da NATO a realizar-se em Pont-à-Mousson, nas cercanias de Nancy, numa abadia magnífica e adaptada para este tipo de encontros. Um serviço onde a gastronomia e civilidade francesa era acompanhada por um horário de trabalho intenso com professores e militares provenientes de alguns dos países-membro da coligação ocidental. Como colegas portugueses tive um sobrinho do presidente da A.R. de então e o actual primeiro-ministro António Costa. 


Naquele momento a NATO encontrava-se sob esmagadora pressão militar, política e mediática após uma fase de refluxo da presença do ocidente em todo o mundo, perda de influência à qual não foi estranha a derrota americana no Vietname e mais importante ainda, como então sublinhei a quem pacientemente quis ouvir-me, a catastrófica perda de todas as possessões de um dos países fundadores da Aliança Atlântica, deixando assim oaqueles que deveriam ter sido os interesses euro-americanos perigosamente fragilizados nas vias de acesso do grande comércio internacional marítimo, para além da evidente segurança militar que a existência de portos, costas e ilhas amigas representavam. Abertamente o afirmei a quem do outro lado do Atlântico ali chegou para um misto de doutrinação, aulas e talvez prospecção de futuros quadros de confiança. Nunca mais fui convidado para coisa alguma e muitos anos mais tarde percebi o porquê, mea culpa,  quando os outros dois portugueses, então muito mais parcos nas palavras, bem depressa chegaram aos lugares que pretenderam. Nestas reuniões aparentemente procuravam alguns yes, Sir! e a minha personalidade não lhes pareceu cumprir este requisito. 

O que lhes terei dito que tenha soado tão mal aos seus ouvidos? 

Começando por criticar rispidamente toda a política norte-americana quanto ao seu relacionamento institucional com um aliado formal como era, sempre foi e é Portugal, foi em silêncio que escutaram a minha longa lista de protestos plenamente justificados com números e factos e sempre em termos comparativos com as outras prioridades internacionais das administrações que teoricamente se sucederam na Casa Branca. A posição dos EUA na Indochina, os erros crassos, quando não abusos descarados, na relação americana com todos os países da zona, confirmando o fetiche soviético pelo dominó; o disparatado boicote do esforço de guerra português na guerra em África, precisamente em três frentes onde o ocidente poderia ter feito a diferença; o estranho caso da quase gratuita Base das Lajes, sempre em comparação com o despejar de biliões de dólares para sempre irremediavelmente perdidos em Subic Bay e Cam Rahn; a total falta de informações relevantes, obrigatoriamente no âmbito da aliança a fornecer a Portugal e bem pelo contrário, a passagem delas para o campo adversário por intermediários vizinhos dos portugueses. 

Em algumas conversas fora das salas, dois dos militares então presentes concordaram com praticamente tudo o que lhes dissera e encolhendo os ombros - não encontro imagem mais apropriada - disseram-me que não podiam corrigir o mal já feito e ultrapassado em quase uma década. O pior é que estes reconhecidos erros terão durado o tempo suficiente para serem corrigidos ou minorados, atendendo à evolução claramente negativa do conflito na Indochina e a duas consecutivas guerras no Médio Oriente, onde Israel em 1973 seria salvo in extremis, mercê de uma massiva ponte aérea na qual os Açores jogaram uma parte muito relevante, sem que por isso Washington sequer aconselhasse o seu preferencial aliado a moderar a retórica anti-portuguesa nas Nações Unidas. Retorquiu um deles que para o Pentágono, Portugal apenas era uma landing beach a saturar com bombas e mísseis antes do desembarque dos G.I. Assim mesmo, a seco e um tanto ou quanto já sem paciência para a repetição do reconhecimento dos apontados erros. 

Neste período cheio de incertezas, a Base das Lajes vai sendo notícia de forma discreta, não procurando - e bem - as autoridades de Lisboa agitar oceanos que apenas poderão muito prejudicar o nosso país no seu todo territorial. Tem alguém a mais pequena dúvida disso? A viagem de Costa à China não serviu apenas para o estreitamento de relações comerciais luso-chinesas, disso deveremos estar tão certos como o Sol despontar a leste todos os dias.

Existe um facto incontornável que pela sua perenidade de imediato deverá estar sempre presente a quem, seja quem for o partido que domine o poder em Lisboa, se encontre em qualquer tipo de negociações em relação à preciosa possessão portuguesa situada em pleno Atlântico norte: mesmo que os EUA retirem todo o pessoal que tem povoado a Base das Lajes, decerto Washington ali manterá um corneteiro e um soldado que ali diariamente hasteie a bandeira estrelada. Os símbolos conformam toda a importância que têm e neste caso, a Base é de facto um local privilegiado no preciso momento em que o alargamento do Canal do Panamá promete intensificar ainda mais as ligações marítimas do resto do mundo com a até hoje abastada Europa, agora, apesar da censura dos media, sob um ataque total proveniente do exterior. Poderão argumentar os portugueses e os seus hipotéticos convidados, venham eles de onde vierem, com  intenções meramente científicas ou comerciais, mas deverão sempre ter em conta que os americanos jamais admitirão um único corneteiro, para além do seu, naquelas ilhas. Muito menos ainda, aviões, navios, blindados, mísseis, soldados ou técnicos militares que sequer de longe possam representar uma passagem de testemunho. Esta é a realpolitik com que temos de nos conformar e se são totalmente desejáveis e imprescindíveis as novas relações de comércio e troca de conhecimentos entre Portugal, a China, a Índia, a Rússia, o Brasil e até outros países europeus que connosco ainda participam na bastante incerta U.E., a questão da posse militar do arquipélago açoriano é um escolho imenso, intransponível. Para além da praticamente segura perda dos Açores, o nosso país não pode ser um alvo de qualquer tipo de campanha hate ou ter Lisboa a servir de alvo como foi Belgrado. 

Hoje a NATO tal como existe é questionável, urge mesmo a sua rápida reforma após as colossais decepções decorrentes da queda do comunismo soviético. Há que avisar todos os nossos aliados acerca desta urgência incontornável e de preferência, numa reunião magna, diante do mundo.

Previa-se a anexação do território da zona soviética da Alemanha e a neutralização ao estilo finlandês dos países do Pacto de Varsóvia, outrora servos de Moscovo. Não foi isso o que aconteceu, para grande desilusão russa, preparada como estava para aceitar a retirada do território da RDA, mas que hoje vê com legítima inquietação a grotesca, aberrante tentativa de incluir a Ucrânia numa aliança que parece cada vez mais tentacular e devemos dizê-lo sem rebuços, unilateral e capa de desculpa para acções que apenas a um dos seus membros interessam. Muito legitimamente, os russos sentem-se ameaçados directamente e para isso bastará passarmos nós, os aliados ocidentais, as nossas vistas sobre a lista de bases ocidentais espalhadas de ocidente a leste e a sul da Rússia. Em política, a psique funciona e nalguns casos é mesmo um factor determinante.

A NATO surgiu com propósitos defensivos, até de garantia de progresso material e liberdade numa Europa destruída pela guerra e ódios seculares. Cumpriu plenamente o seu papel e obteve, graças à persistência e claras insuficiências e contradições internas do sistema soviético, uma vitória certamente esperada. Nos anos de 1989, 1990 e 1991 bateram-se palmas de alegria, cantaram-se hinos, unificou-se uma nação dividida arbitrariamente e num ápice desapareceram os Estados totalitários que oprimiam os próprios povos, mantendo-os numa abjecta sujeição a um suserano externo, fatalmente incompetente no que interessava - o conforto material, a liberdade de expressão e circulação -  e brutalmente impiedoso. 

Hoje começamos a ouvir ao longe o inconfundível rufar dos tambores da guerra. Num momento em que os russos nunca viajaram tanto, num momento em que os russos livremente lêem e escrevem tudo o que entendem, num momento em que os russos são uma sociedade de consumo muito exigente e valiosa para o conjunto europeu, num momento em que os russos investem, compram e viajam na Europa, estamos perante aquilo que durante os anos de chumbo que foi a Guerra Fria jamais sucedeu: a iminência de um conflito militar de larga escala, onde, queiram ou não queiram os mais optimistas, as armas nucleares serão usadas, mesmo que pontualmente. Não serão apenas utilizadas na Europa, mas também além Atlântico, ...precisamente onde mais lhes dói, segundo o dizer de um conhecido russo.  A Síria será então um pretexto tão ínfimo como o Caso Gleiwitz. 

Em 1939, o governo então presidido por Salazar encontrou-se perante o dilema de se situar entre a potência tutelar, o então enfraquecido Reino Unido que connosco fazia fronteiras na África e na Ásia e uma Alemanha plena de vigor e espírito expansionista. Salazar sabia que não podia quebrar com os ingleses como sempre prepotentes na chantagem sobre o nosso império e em simultâneo, também tinha a plena consciência do que poderia advir para Portugal ao antagonizar-se com o Reich.

Declarada a guerra a 3 de Setembro, o Presidente do Conselho foi à Assembleia Nacional e ali manifestou a fidelidade portuguesa à Velha Aliança e em simultâneo declarou a neutralidade. Pois é disso mesmo que os nossos aliados têm a imperiosa necessidade de recordar e que o então meu colega de três semanas, António Costa, hoje primeiro ministro, deverá, em caso de inopinada e impensável necessidade,  integralmente copiar. Mesmo morrendo, salvaremos a face em relação aos poucos que ficarem para contar a história. 




publicado às 22:11

Resposta a indignados "antifascistas"

por Nuno Castelo-Branco, em 20.08.08

 

O tema Salazar continua a sua senda de controvérsias, despertando paixões arrebatadas ou demencial repulsa. Decorridos precisamente quarenta anos desde o fim do seu consulado como Presidente do Conselho de Ministros, é estranhamente difícil proceder a qualquer tipo de consideração - julgamento seria pretensiosamente descabido -  acerca das políticas prosseguidas durante as diversas fases do regime do Estado Novo. Como já suspeitava, o post relativo ao posicionamento de Portugal na II Guerra Mundial, ocasionou algumas reacções via e-mail a que me vejo obrigado a responder de forma sucinta. 

 

1. João Leitão.

Este nosso leitor acusa-me de "criptofascismo", como se a minha pobre pessoa tivesse algo a perder no campo dos negócios ou vida social. Enfim, esse alegado cavernicolismo cerebral é facilmente conectado com hipocrisia ou carácter ínvio e de duvidosa credibilidade. São estas grosso modo, as suas palavras.

O fascismo teve o seu tempo e surgiu num contexto económico, logo político e social, que é bem conhecido. Consistiu numa lógica reacção - e para muitos dos seus entusiastas - , num refúgio perante ameaças que se vinham acumulando desde meados de oitocentos. Como bem sabe, a ordem social do liberalismo, com o seu edifício constitucional de liberdades instituídas por Lei, permitiu a ascensão de sectores sociais ao poder, acelerou as grandes transformações  na indústria e comércio, libertou os espíritos de peias  tacitamente aceites durante séculos. Essa ordem burguesa, garantindo a forma representativa de governo, reconheceu também e de forma bastante clara, a perenidade das instituições tradicionais, das quais hoje, as monarquias belga e espanhola são lídimas representantes. O papel do Chefe do Estado foi salvaguardado, a Igreja - para os crentes e para os não crentes - foi considerada respeitosamente como legado de um passado que permitiu os novos e ansiosamente irrequietos presentes. O negregado "sistema liberal oitocentista" viu eclodirem novas formas de manifestação artística e a sua transposição às grandes oportunidades oferecidas pelas maravilhosas inovações tecnológicas da revolução industrial, desde os químicos, à electricidade ou à construção em ferro. Desta forma, torna-se compreensível a estupefacção perante a emergência de sectores iconoclastas desse alvorecer da Belle Époque - 1848 e 1871 foram alguns dos mais audíveis sinais de alarme - e na profícua sementeira nacionalista do bonapartismo, foram colher o alimento ideológico que evoluindo também mercê dos condicionalismos impostos pela situação política internacional, fizeram irromper o fascismo. Na realidade, este movimento não obedeceu nem surgiu ao  sabor do desejo ou impulso deste ou daquele Chefe, mas sim, foi lentamente evoluindo ao longo de décadas, cristalizando-se sob este nome, na Itália de Mussolini. É certo que os horrores da revolução bolchevique precipitaram a sua tomada do poder como partido organizado aliás, à semelhança dos seus congéneres vermelhos. Não me alongando, o fascismo teve a sua época.

Em Portugal, nunca existiu Fascismo tal como o italiano ou alemão. Mesmo o caso alemão pode ser considerado como uma variante mais identificável pela forma ritual, que pelo verdadeiro conteúdo da ideologia racista ao movimento inerente, ambições de colonização dentro do espaço europeu e total repúdio pela ordem diplomática/internacional consagrada pelos Tratados e pela tradição. O regime do Estado Novo obedeceu à imperiosa necessidade de saneamento de uma situação absolutamente caótica e hoje dificilmente compreensível pela nossa sociedade. Habituados a uma prolongada paz social, à praticamente ausente inflacção e a uma já resignadamente aceite forma de rotativismo - tal como acontecia na Monarquia -, é quase impossível imaginar a situação vivida pelos nossos avós e bisavós, onde a coacção, o medo, as perseguições e uma ameaçadora miséria, faziam-nos desejar a instauração de uma "situação de normalidade".

O caso do posicionamento de Salazar perante a guerra, é paradigmático daquilo que o interesse nacional sempre foi, é e continuará a ser, acima de qualquer luta partidária ou ideológica. Muito provavelmente teria sido a política de uma Monarquia Constitucional que não tinha caído em 5 de Outubro de 1910. Teria sido também a única política de uma 1ª república que tivesse a duvidosa oportunidade de se regenerar e "viver habitualmente", isto é, sem a recorrente violência nas ruas e nos espíritos. A nossa neutralidade perante a Guerra, foi benéfica e honrosa e se o João Leitão se interessar, poderá consultar aquilo que as diversas chancelarias, desde a alemã à britânica e italiana, tinham a dizer da política portuguesa. Quando das negociações do armistício italiano de 1943, Lisboa foi o local privilegiado para os contactos entre a Casa de Sabóia - a soberania - e os Aliados e não são segredo para ninguém, as movimentações lisboetas dos diplomatas do rei Miguel da Roménia e do regente Horthy da Hungria. Se escolheram Portugal como porto seguro para a saída de uma situação catastrófica, isso quer dizer algo, pois poderiam muito bem ter optado pela consagrada neutral Suíça ou pela social-democrática Suécia. Quanto a estes neutrais, sabe bem que foram activos colaboradores do esforço de guerra do Reich, pois a par do vital minério de ferro sueco, a Wehrmacht foi abundantemente servida de munições suíças e suecas, canhões Bofors suecos, etc. Este comércio foi muitíssimo mais comprometedor que o envio de conservas e de umas toneladas de volfrâmio ou de alguns produtos coloniais, aliás com o pleno conhecimento dos ingleses. Não, Portugal foi eleito como ponte entre dois mundos desavindos e a figura austera de Salazar foi uma referência.  Quanto ao alegado - o J.L. diz mesmo Sieg Heil! - de Salazar perante a Alemanha, muito se pode dizer, desde as negociações para as Lajes - um tremendo desastre para os U-Boot -, até às múltiplas distinções de que foi alvo por parte dos britânicos que o condecoraram durante a guerra pelas mãos do próprio irmão do rei Jorge VI  e o nomearam doutor Honoris Causa pela mais prestigiada universidade inglesa. Portugal seria também, um membro fundador da NATO, afinal um prolongamento da Grande Aliança anglo-americana de 1941-45. 

Nasci muito depois do fascismo ter sucumbido em Roma ou se preferir, na Chancelaria de Berlim. É um mundo ou uma forma de estar e organizar gentes e mentes que nos são hoje tão remotas, como o próprio oitocentismo liberal, com o qual, apesar de tudo, ainda temos muitas afinidades nos nossos comezinhos quotidianos de consumismo ou sobrevivência. Estamos aqui a dialogar por isso mesmo e é bom que disso o João Leitão não se esqueça.

 

2. Maria José Lopes 

 

A cartilha da "colaboração portuguesa" com a Alemanha nacional-socialista, tem para si - uma assumida comunista -, algumas características que decerto lhe agradarão. O seu partido, logo após a assinatura do pacto Molotov-Ribbentrop, dedicou-se durante dois anos, aos mais desabridos ataques à posição inglesa no conflito, omitindo convenientemente os intuitos claramente expansionistas de índole imperial do Reich. Se por milagre conseguir encontrar e ler alguns exemplares do Avante! (1939-41), ficará edificada com o conteúdo da prosa claramente pró-Eixo (nas entrelinhas, pois isso convinha aos tutores soviéticos) e com um pouco de sorte,  deleitar-se-á com a opinião de um certo trânsfuga que dá pelo nome de Álvaro Cunhal. 

O seu "partido irmão francês", o PCF,  forneceu o núcleo duro da colaboração durante o drôle de guerre e do seu seio sairiam os fundadores - Jacques Doriot, por exemplo -  do PPF, a sucursal do NSDAP em França. Para não falarmos dos embaraçosos e conhecidos casos de sabotagem comunista nas fábricas de material de guerra, preciosa ajuda moral e material à Alemanha.

Como curiosidade e apesar de se encontrar nos antípodas da sua paixão política, a própria Dinamarca, com um governo socialista, colaborou com o Reich sob o regime de ocupação, sem que as autoridades democráticas de Copenhaga vissem nisso qualquer problema. Pelo contrário, furtaram-se desta forma à administração de um gauleiter  ou de um Reichsprotektor nomeado por Berlim. E muito mais há para dizer e principalmente, quanto à descarada colaboração soviética-alemã antes de Junho de 1941.

 

A sua última preocupação: saber se eu tinha sido membro de alguma "organização fascista" do Estado Novo.  

Como já caracterizou apressada e alarvemente o Estado de Novo de "fascista", terei que ceder nesse ponto tão crucial para o julgamento da minha insignificante pessoa. Sim, de facto fui, como todos os meninos a partir dos seis anos de idade, membro da MP de Moçambique, que, caso lhe seja facto desconhecido, era uma organização de cariz marcadamente cívico e que nivelava pela igualdade todos os seus membros, fossem eles brancos, negros, indianos, mestiços ou chineses. Graças a esse alegado "fascismo", existia a Caixa Escolar para os mais carenciados. Graças a esse "fascismo" tínhamos aquilo a que hoje risonhamente - porque se trata de facto de uma farsa - se chama OTL's. Existiam actividades tão diversas como ginástica, escultura, pintura, música, teatro de fantoches, modelismo, canoagem, aulas de natação, caminhadas, campismo, etc. Jamais tivemos qualquer aula de doutrinação e o mais longe que os monitores foram, consistiu na promoção da ideia de igualdade dos portugueses de todas as raças, como então se dizia. Tudo isto nos remete para um outro universo bem conhecido (?) da Maria José Lopes, para os "Pioneiros" dos países comunistas, onde a par das actividades lúdicas que mantinham as crianças longe da ociosidade, existia a lavagem cerebral e o incentivo patriótico à denúncia dos seus. Mais lhe digo, para seu final contentamento, que ainda possuo alguns elementos daquele uniforme que me ficava tão bem: o cinto e o emblema em tecido, da camisa (pendão de D. João I). Console-se com este crime.

 

* Para conhecer um Salazar inédito para muitos, recomendo a leitura do livro que surge na imagem.

 

 

publicado às 11:34






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