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Empenhos a Soros

por Nuno Castelo-Branco, em 16.09.18

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 O tema da semana terá sido a catadupa de histrionismos a respeito da Hungria. Muito se perorou quanto a um país que antes de tudo estabelece aquilo que para desespero dos irados, foi popular e soberanamente decidido nas urnas. Bastará aos críticos olharem a composição do Parlamento de Budapeste e facilmente se tornará perceptível o que até à data tem sido decidido pelos representantes do povo magiar. O pretexto parece ser a questão da separação de poderes, onde alegadamente o executivo estabelece parâmetros no Judicial. Mais ainda acrescenta-se vagamente o ataque às universidades, sabendo-se de antemão que o alvo é apenas uma, precisamente aquela que pertence a uma rede complexa onde se incluem ONG, think tanks, uns tantos media e não se sabe ainda o que mais, tendo todos os pretéritos algo em comum: a ligação a um magnata que em teoria também é húngaro e poderoso sponsor de vários grupos que em Estrasburgo vão dando ares da sua graça. Daí à organização, financiamento e intensificação do contrabando humano por razões políticas, é apenas um passo. 


Os eurodeputados portugueses, por uma mera questão de pudor e da mais elementar decência, deveriam evitar o supracitado ponto da confusão de poderes, pois eles mesmos, parte interessada no esquema vigente, silenciam o estranhíssimo caso que implicou amargos de boca e irritações subitamente relevadas como suave milagre. Porquê? Porque houve decisivo empenho - no sentido oitocentista do termo - de Belém e S. Bento que desbloquearam o retomar daquilo que verdadeira e unicamente lhes interessa: os negócios com Angola. 


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publicado às 22:50

A Queda da Casa de Habsburgo

por Nuno Castelo-Branco, em 07.08.14

Na passagem do centenário da eclosão da I Guerra Mundial e no seguimento do filme há uns dias postado sobre o Kaiser Guilherme II, aqui fica um trabalho britânico datado de 1968. The Fall of the House of Habsburg, um desastre cujas repercussões chegam aos nossos dias.

 

Francisco José I e Otão de Habsburgo, o arquiduque que viveu todo o século XX com uma ideia muito própria daquilo que é ou deveria ser a Europa. Tive o prazer de com SAIR ter longamente conversado em duas ocasiões, em 1983 e 1984, esforçando-se sempre por relembrar a língua portuguesa que falava desde criança. Grande amigo de Portugal, fazia plenamente o milenar ideal de imperador da velha Europa cristã. Otão teria sido o grande  Kaiser que faltou ao continente.

 

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publicado às 21:00

 

O último painel das Conferências do Estoril 2013, introduzido por László Cebrian, da Fundação Cascais, terá sido dos que contou com mais audiência, e não era para menos, tendo em consideração os intervenientes de peso: Viktor Orbán, o Primeiro-Ministro da Hungria que levou a cabo a revisão da Constituição que muita polémica tem alimentado, e Frederik de Klerk, antigo Presidente da África do Sul, peça essencial no processo que levou ao fim do apartheid e Prémio Nobel da Paz em 1993.

 

O discurso inicial de Orbán foi curto, incisivo e sistematizado, baseando-se na partilha de seis teses/ideias:

 

1 – A dívida de todos os países da União Europeia totaliza 11 triliões de euros. Os 17 países da zona euro geram 1,8 biliões de euros de dívida todos os dias, o que significa 400 biliões de euros de dívida por ano, e isto para poder continuar a financiar em larga medida as despesas com o chamado Estado Social. A estrutura financeira europeia é insustentável e estamos a sofrer crescentes pressões em virtude dos desafios demográficos, pelo que a Europa corre o risco de não se conseguir manter sequer biologicamente.

 

2 – Apesar de esforços significativos, os líderes europeus não têm sido capazes de alterar este cenário porque a sua resolução implica grandes riscos que podem levar a uma insustentável instabilidade social. O conceito de Estado Social como o conhecemos acabou. Para superar este modelo assente em dívida devemos construir um workforce state e substituir os direitos adquiridos pelo mérito. Apontando as reformas na Hungria como exemplares a este respeito, Orbán salientou a substituição de um sistema fiscal complexo e confuso por um baseado numa flat tax e a reestruturação do sistema educacional que veio dar particular relevo ao ensino vocacional, procurado adequar o ensino ao mercado de trabalho.

 

3 – Existe uma dicotomia entre liderança institucional e liderança pessoal. A União Europeia é baseada na primeira. Estes dois tipos de liderança devem ser equilibrados. Se houver um problema quanto à primeira, pode ocorrer instabilidade, e neste caso será necessário que existam fortes líderes pessoais, visto que as instituições não serão suficientes para superar a crise. Os problemas causados pelo desequilíbrio entre os dois tipos de liderança podem resultar em crises graves.

 

4 – A mudança de valores na Europa está relacionada com a crise. O mainstream na União Europeia postula que o reforço das identidades nacionais aumenta as possibilidades de conflitos. Uma das conclusões principais da crise é que este é um entendimento errado. Uma Europa forte só o pode ser com base em nações fortes. Relembrando Robert Schuman, ou a Europa é cristã ou não haverá Europa.

 

5 – É necessário aumentar a cooperação entre os países fora da zona euro, que devem poder implementar as políticas fiscais que desejem e harmonizar-se entre si.

 

6 – Depois da crise nada será como antes, mas apesar do nosso esforço, a recuperação será um procedimento muito moroso. Foi um erro histórico os países da antiga órbita não terem entrado logo na União Europeia no início dos anos 90, visto que a União teria aproveitado nessa altura o potencial de crescimento daqueles países e hoje enfrentaria a crise em melhor posição. O alargamento aos Balcãs deve ser uma prioridade para a União Europeia.

 

No período de debate, que foi bastante vivo e interessante, Orbán assinalou também que esta é a maior crise que viu na sua carreira política, que é preciso envolver as pessoas para a resolver, o que implica tratar os sentimentos negativos que perpassam grande parte da Europa. Salientando que a Hungria e Portugal enfrentam desafios semelhantes, o Primeiro-Ministro húngaro afirmou que ao criar-se uma moeda comum, quando a crise surge não se pode parar o processo de integração, pelo que há que enveredar por uma política fiscal comum. Isto revela o quão importante para o nosso futuro foi a decisão portuguesa de aderir ao euro, pois não podemos sair desta, não podemos desvalorizar a moeda e temos de aumentar a competitividade sem possuirmos uma série de instrumentos que muito o facilitariam, pelo que a única opção acaba por ser seguir em frente e tentar usufruir das hipóteses criadas pela zona euro. A lição a retirar das situações de Portugal e Espanha é a de que quando os países se juntam ao euro e não são suficientemente desenvolvidos, mais cedo ou mais tarde vão sofrer. Por isto mesmo, para Orbán a Hungria não deverá aderir ao euro sem ter no mínimo um PIB de 90 por cento da média europeia. Mas por ora os países que não fazem parte da zona euro devem ter mais espaço de manobra para criar as suas próprias políticas económicas e fiscais, o que tem sido constantemente negado pela Comissão Europeia.

 

Questionado a respeito das iniciativas que estão a ser tomadas para combater a xenofobia e o racismo na Hungria, o antigo combatente contra a hegemonia soviética respondeu que apenas conhece uma política efectiva, a tolerância zero, e que o conceito de dignidade humana é uma peça angular da Constituição e do sistema legal do seu país, embora tenham ido mais longe que os restantes países Europeus ao considerarem que para além da dignidade humana individual existe também a dignidade humana das comunidades. Isto significa que na Hungria se pode exigir legalmente a reparação em relação a uma ofensa à dignidade humana por ser pertencer a uma comunidade. Ademais, também que para evitar o extremismo à direita é necessário que exista um centro-direita cívico e cristão.

 

Destaque ainda para um momento que gelou a sala, mas permitiu vislumbrar a craveira de estadista convicto que muitos reconhecem a Orbán, quando alguém lhe perguntou, de forma muito pouco diplomática, qual o seu problema com homossexuais e pessoas sem-abrigo. Resposta do Primeiro-Ministro húngaro: "O meu problema com pessoas sem-abrigo é que não têm casa. A Constituição da Hungria obriga a que procurem abrigo, e em resultado disto temos um elevado número de abrigos públicos e um reduzido número de pessoas sem-abrigo. Quanto a homossexuais, não percebo a questão, mas se pensa que existe algum sentimento negativo contra estes, permita-me apenas salientar que a Constituição afirma simplesmente que o casamento é entre um homem e uma mulher, e esta é uma tradição com milénios de que nos orgulhamos e que quisemos inscrever na nossa Constituição. É algo único na Europa." Posteriormente mencionou ainda que o mainstream do pensamento político europeu vislumbra um progresso na transição da vida cristã para a secular, dos sentimentos nacionais para as comunidades internacionais e de valores familiares para algo misto e o que se fez na Hungria foi recuperar e sublinhar a importância dos valores tradicionais da família como o núcleo mais importante da sociedade e um nacionalismo saudável. "Somos uma nação orgulhosa e queremos manter a nossa identidade, mesmo fazendo parte da União Europeia", concluiu Orbán, que deixaria ainda como mensagem aos jovens presentes a necessidade de cada um definir os seus objectivos de vida e lutar por estes, pela sua visão do mundo e pela Europa em que acredita.

 

No que concerne à intervenção de Frederik de Klerk, em minha opinião não tão interessante como a de Orbán e mais permeada por um certo tom diplomático, consubstanciou-se numa passagem em revista da História da África do Sul e no seu testemunho sobre o fim do apartheid. O antigo Presidente da África do Sul salientou que o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética tiveram um impacto crucial no processo de transformação do seu país, levando todas as partes envolvidas a perceber que não podia haver uma revolução ou uma solução armada para os problemas que enfrentavam, restando sentarem-se à mesa das negociações e alcançarem um entendimento.

 

Adepto do Consenso de Washington, não deixou de assinalar que a África do Sul nada teve a ver com os factores que conduziram à crise financeira de 2008, mas esta teve um impacto negativo na África do Sul ao sabotar a causa do mercado livre e da disciplina fiscal, reforçando os que acreditam na propriedade pública e numa grande dimensão de intervenção estatal.

 

Frederik de Klerk declarou também que os líderes políticos têm grandes responsabilidades por deverem ter a habilidade e a capacidade de melhorar as vidas dos cidadãos, embora frequentemente os levem por um sentido completamente errado, que há uma premente necessidade de cooperação que possa dar resposta a problemas globais, e a respeito da União Europeia afirmou que esta lhe parece "um híbrido entre uma federação e uma confederação, um híbrido que não pode ter sucesso."

 

A concluir, destaque ainda para a resposta do laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1993 a respeito da possibilidade de um novo conflito racial após a morte de Nelson Mandela: "O apartheid morreu, não será revivido na África do Sul. Acredito que o maior legado de Mandela foi o seu compromisso com a reconciliação entre todos para que sejam cidadãos com os mesmos direitos. Acredito que quando ele morrer, este legado unirá todos os sul-africanos no luto por um dos maiores sul-africanos de todos os tempos."

 

(publicado originalmente no Cables from Estoril)

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publicado às 17:19

Começou a "campanha da Hungria"

por Nuno Castelo-Branco, em 11.01.12

Após os blitz lançados sobre os "referendos não" da Dinamarca e Irlanda - quem se recorda? -, teve agora início, o ataque à Hungria. Argumenta-se com alíneas referentes a questões de dinheiro, regulamentação bancária e aspectos do foro jurídico, mas sendo estes os pretextos, a verdade é outra: a soberania. A Hungria votou em massa na actual maioria e as consequências reflectiram-se na Constituição. Não se imagina o que esta pressão de Bruxelas, ou melhor, de Berlim e Paris poderão ocasionar, mas é quase certa a resistência. Em muito pior situação estavam os húngaros em 1956 e só a tiro de canhão o Império da altura - não era a CEE/UE, mas a URSS - impôs o que queria, ou seja, a submissão.

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publicado às 18:18

Hoje, em Viena

por Nuno Castelo-Branco, em 16.07.11

Vai hoje a sepultar, aquele que foi uma das grandes referências de uma certa ideia de Europa Unida que não chegou a existir. Uma Europa de pátrias e de nações, imbuída daquele sentido de pertença que outrora de Lisboa a Varsóvia, todos considerava como partes de uma Respublica Christiana.

 

Homem invulgar e pouco compreendido por quem hoje se rende a cocktails e aos acenos a patéticas sumidades de incerta futura reputação, Otão de Habsburgo foi talvez o derradeiro representante de um espírito de missão próprio da era medieval, abdicando do conforto ou da glória pessoal, mas jamais da obrigação do cumprir de um dever que julgou sagrado e acima das contingências da baixa política e dos ciclos económicos ou de guerras que sempre combateu.

 

Dele para sempre me ficará na memória, a afabilidade e o interesse mostrado por um rapaz português que no já longínquo ano de 1983 e em representação da então Nova Monarquia se dirigiu a Fulda, participando numa grande reunião da União Paneuropeia. Procurando falar no hesitante português que ainda recordava, naquele fresco Domingo passado a bordo de um navio de cruzeiros no Reno, Otão questionou-me longamente acerca de Moçambique e com a curiosidade que foi sempre a sua base essencial para o conhecimento, mostrou um inesperado e surpreendente interesse acerca de uma família que deixara a Europa quando ainda reinava em Viena o seu tio-bisavô, o Kaiser Francisco  José. Teceu algumas considerações resignadas sobre uma forma de descolonização que julgava como um tremendo erro que atingia a Europa como um todo, espantando-me com a sua perfeita consciência acerca dos momentos por nós vividos no PREC. De Portugal conservava a gratidão nostálgica da sua infância no exílio e tinha um certo sentimento de pertença a uma já desaparecida consciência deste país e do seu povo. Falou-me da sua viagem à então África Portuguesa, onde visitando um chefe tribal, foi tratado como um membro da família, pois sendo parente muito chegado dos nossos Reis, beneficiou daquela rara distinção que o tornava num igual, num primo. Coisas portuguesas, talvez inconcebíveis por muitos europeus que ainda não compreenderam que o nosso fugaz momento de pouco mais de dois milénios, já terá terminado. Aquela conversa que também contou com a participação da sua filha mais militante pela Causa, a Arquiduquesa Walburga, chegou a um certo ponto onde alguns temas, completamente imprevistos pela evidente intimidade, levaram o grande Homem a discorrer sobre as suas relações familiares, tendo a Arquiduquesa dito peremptoriamente que o seu pai era ..."o mais Bragança de toda a família. Sai à minha avó Zita". Era verdade e podemos dizer que se celebram exéquias por um notável membro da grande Casa de Bragança. Otão de Habsburgo-Lorena descendia de Dª Maria II pela linha paterna, enquanto a mãe, a Imperatriz Zita, era neta de D. Miguel I e prima direita de D. Duarte Nuno.

 

Se a Áustria-Hungria pode ser considerada como uma pujante precursora imolada no altar do egoísmo e da vingança de vencedores sem visão, Otão - aquele que nada temeu e soube enfrentar as grandes tiranias do século XX - poderia muito bem ter sido a primeira pedra de um edifício que hoje, quase todos duvidam ter qualquer possibilidade de construção. Nestes dias do fim, mal suportamos um quase hortícola  Rompuy, quando podíamos ter simbolicamente iniciado um outro caminho com aquele que descendia de Otão I o Grande, de D. Afonso Henriques, S. Luís, Carlos V, D. João IV, Luís XIV e de mulheres como Dª Filipa de Lencastre ou a Imperatriz Maria Teresa.

30 de Dezembro de 1916, Otão nas cerimónias da coroação de seus pais como Reis da Hungria

 

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publicado às 00:01

Sopram bons ventos.

por Cristina Ribeiro, em 26.06.11

Lembrando o post do Felipe.

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publicado às 14:44

   

 

Territórios habitados desde o Drang Nach Osten por populações alemãs há mais de sete séculos, a região dos Sudetas, a Silésia, a Pomerânia e a Prússia Oriental foram esvaziadas dos seus proprietários pelos acordos celebrados entre as potências vencedoras da II Guerra Mundial.

 

Apesar da inicial repugnância do governo polaco no exílio (Londres), a Polónia ocupada pelo Exército Vermelho, foi obrigada a aceitar as novas fronteiras ditadas por Estaline, o que pressupunha uma deslocação em direcção ao ocidente. Impune da partilha celebrada com Hitler em 23 de Agosto de 1939, a URSS ocupou uma vasta região  que desde a Finlândia  ao Mar Negro, lhe ofereceu vastos territórios e populações não russas, cumprindo-se o desígnio estratégico de futuras intervenções na Europa Central e balcânica. Consequentemente, a indiferença total pelos direitos das populações e pela própria Carta do Atlântico que daria origem à ONU, encetou uma política de desapossamento de terras com a clara intenção de uma posterior colonização com elementos étnicos mais conformes  com a necessária fidelidade a Moscovo. É assim que os países bálticos verão alterada a componente étnica de cada um, com o estabelecimento de grandes contingentes russos que hoje ainda são um elemento desestabilizador a favor da política do regime de Putin. Aos assumidos morticínios da população civil alemã do leste do Reich, seguiu-se a limpeza étnica que o novo governo vassalo em Varsóvia, gostosa e brutalmente seguiu contra toda a legalidade estabelecida pela própria lei internacional gizada pelos vencedores.

 

O caso checo não foi diferente. Violações, roubos e assassinatos indiscriminados contra os alemães da Boémia e da Morávia, fizeram desaparecer uma população que durante séculos contribuiu poderosamente para a prosperidade daquela antiga região do império austríaco.

 

Não foram apenas os alemães o alvo das perseguições, morticínios, violações de direitos básicos e roubo. Húngaros, italianos, romenos da Moldávia, ucranianos, polacos dos antigos territórios do leste da Polónia pré-1939 ou os finlandeses da Carélia, sofreram as consequências da Nova Ordem ditada pela União Soviética, com o beneplácito das sempre ignaras e desinteressadas administrações norte-americanas de Roosevelt e dos seu herdeiro Truman.

 

O chamado Tratado de Lisboa, o desesperado sofisma para garantir alguma viabilidade a um projecto que apenas poderá ser comum para uns tantos, concedeu aos checos, excepções que desmentem cabalmente o princípio igualitário da Lei, sempre tão anunciado como a essencial base de construção de uma União que se desejaria forte e onde a equidade se sobreporia sempre ao livre arbítrio da prepotência.

 

A cedência diante da chantagem de Praga e também de Varsóvia, somada ao deplorável exemplo exercido contra os dinamarquesas e mais recentemente sobre a Irlanda, desmente todo o desfiar do rosário de boas intenções. Pior, mina indelevelmente pela desonra, a Comissão Europeia, o Parlamento de Estrasburgo e os governos do verdadeiro directório que não soube ser firme na primordial e indiscutível questão dos Direitos Humanos.

 

Os portugueses foram há três décadas, os protagonistas da maior deslocação de populações europeias desde o fim da II Guerra Mundial. Em silêncio, como é timbre da nossa pacata gente, aceitámos a afronta e todos os dias ainda deparamos com os arrogantes sátrapas e carrascos que contra toda a legitimidade nos fizeram aceitar o bafo dos "novos ventos da história", sob pena do total abandono e mais que provável desaparecimento do mundo dos vivos.

 

Durante mais de um século e aqui mesmo ao lado, os portugueses de um determinado território viram-se despojados dos seus direitos nacionais, sendo-lhes interditado o ensino da sua língua pátria. Desenraizados e separados pelo abismo cavado pelo ocupante, os oliventinos conservaram os nomes, as velhas recordações. Cuidam dos seus antigos monumentos que ainda ostentam as pedras de armas do Estado que os fez erguer perpetuamente. Deixaram de ser uma parte dos povos de expressão portuguesa, é certo. No entanto, ao contrário de outros, permaneceram nas suas casas e terras. A tradicional brutalidade castelhana não chegou ao ponto de os fazer desaparecer fisicamente.

 

A partir deste "caso checo", deixemo-nos de ilusões. A Europa mais não é senão um enunciado de boas intenções e prometidos negócios que conduzirão ao previsível fracasso final. Trata-se de uma mera questão plutocrática.

 

Como última nota, saliente-se a presteza com que o Estado português colaborou nesta decisão. Compreende-se.

 

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publicado às 15:56

 

 Otão de Habsburgo, bisneto de D. Miguel I (pela mãe) e trineto de D. Maria II (pelo pai), é filho de Carlos I e de Zita de Bourbon-Parma. Em Novembro de 1916, tornou-se no príncipe herdeiro do império austro-húngaro, mas o fim da I Guerra Mundial, obrigou a família imperial ao exílio na Suiça e depois, na Madeira.

 

Com um mandato de captura passado por Berlim,  em 1940 refugiou-se em Portugal, com um visto passado por Aristides de Sousa-Mendes. Hitler condenara-o à morte devido à oposição de Oto ao Anschluss. Durante a II Guerra Mundial, procurou aconselhar o presidente Roosevelt acerca da realidade da Europa central e do leste, mas o pacto dos Aliados com Estaline, levou à contemporização face ao avanço dos russos em direcção ao ocidente, derrubando regimes e instaurando a nova ordem em todo os países conquistados.

 

Depois da guerra, regressou à Alemanha e fundou a União Paneuropeia, à qual presidiu entre 1986 e 2004. Foi deputado da CSU bávara ao Parlamento Europeu.

Na actualidade, o arquiduque Otão de Habsburgo tem alertado quanto à natureza do regime de Putin, advertindo a Europa de que se encontra à mercê de uma nova tirania que se baseará no renascimento do poder militar e no expansionismo territorial herdado dos tempos do império soviético.

 

Vive em Poecking, na Baviera.

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publicado às 15:24






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