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Blasfémia jurídica

por John Wolf, em 24.10.17

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O bastonário da Ordem dos Advogados está a ser muito suave no tratamento que concede ao magistrado autor da blasfémia jurídica. A invocação de adúlterio para desculpabilizar a violência doméstica revela uma doença ética bastante mais grave. No entanto, o bastonário dos advogados Guilherme Figueiredo afirma que Neto de Moura não reúne as condições para voltar a julgar violência doméstica, mas concede ao magistrado o perdão no que diga respeito a processos de outra natureza. No meu entender, a prevaricação do magistrado é de tal ordem grave que deveria ser suspenso da sua função. O problema, embora resida na aprovação da violência doméstica por força da argumentação descabida e inaceitável da circunstância do adultério, tem ramificações diversas. A citação moral da Bíblia constitui em si um delito que lesa a constituição da república portuguesa. Que eu saiba, o Estado português é laico. Nessa ordem de ideias, colocam-se distintas possibilidades de execução análoga. Qualquer escritura sagrada poderia ser invocada e servir de fundamento para validar decisões judiciais. Teríamos de aceitar a fé budista do magistrado X ou a reverência protestante do magistrado Y. A contaminação moral a que assistimos pura e simplesmente não pode acontecer. A própria hierarquia da Igreja Católica em Portugal tarda em pronunciar-se de um modo categórico. Eu entendo que na mesma escala de valores que omite a pedofilia, nem sequer pestanejem perante o acervo do adultério que agora foi arrastado para o domínio da criminalidade, dos tribunais. Confirmamos, e tornamos a confirmar, que o próprio sistema jurídico, que deveria proteger os cidadãos, tal como a Protecção Civil, deve ser intensamente auditado e recalibrado. Não podemos admitir este atentado, como tantos outros ataques perpetrados pelos bastiões que deveriam ser o garante moral  da dignidade das nossas sociedades. Neto de Moura apela descaradamente à violência doméstica servindo de bandeja aos prevaricadores mais uma arma de arremesso. Regressamos aos tempos do Índice, para alargar o léxico e validar a  prática da violência doméstica - vergonhoso, inaceitável.

publicado às 07:34

Façam a justiça….

por Nuno Castelo-Branco, em 26.07.16

 

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...de dar aos Estados o nome que escolheram. Quando a franja noroeste da Península Ibérica se auto-proclamou como país independente, auto livremente se denominou Portugal, com tal nome sendo conhecida até aos nossos dias. Quando a Holanda se auto-proclamou independente da coroa espanhola, fê-lo com o nome de Províncias Unidas e mais tarde, proclamada a Monarquia, como Reino dos Países Baixos. Idem quanto aos EUA, Bélgica, Roménia, Bulgária, Israel, todos os países latino-americanos, Guiné-Bissau (1973) e uma multidão de outros auto-proclamados: conservam hoje o mesmíssimo nome com que auto se proclamaram. 

Temos então um caso insólito e por sinal, sintomático do ponto a que a Europa chegou. Um país que foi criado em territórios pertencentes à Síria e o Iraque, possui um poderoso exército; um país que possui um ministério da propaganda e outros serviços inerentes à condição de Estado; um país que tem um dirigente e uma bandeira internacionalmente conhecida; um país que bate moeda e descaradamente procede a transacções internacionais e conta com a geral animosidade do Ocidente nos quais se engloba a Rússia, vê muito injustamente ser-lhe negada a denominação que ele próprio escolheu. É islâmico? É, qual a dúvida? É um embaraço? Nem por isso, apenas o sendo para o imperante espírito collabo - nomeadamente das autoridades francesas -, para os timoratos e fosquinheiros que pontilham os departamentos estatais europeus e pior ainda, para a genericamente imbecilizada e frouxa opinião, essa sim auto-proclamada  politicamente correcta

Pois deixemo-nos então de subterfúgios que à légua denotam fraqueza, temor e rendição própria dos appeasers e demos-lhe finalmente o nome: Estado Islâmico, o mesmo que hoje, ao cometer um ofensivo crime que lhe é tão comum e que conta com acções semelhantes e aos milhares no Médio Oriente - não na Europa -, acabou de ostensivamente declarar guerra à força mais poderosa do planeta. 

publicado às 17:52

Primitivismo do Bloco de Esquerda

por John Wolf, em 26.02.16

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Não é preciso ser católico praticante para avistar o primitivismo do Bloco de Esquerda (BE). Não é este o modo de celebrar a eucaristia da adopção por casais do mesmo sexo. O mau gosto, a falta de respeito e pudor, e a baixeza de nível deste modo de propaganda inscreve-se no repertório de truques rudimentares. Em plena época de clivagens entre distintas religiões na cena geopolítica, o BE abre a caixa de Pandora da bandalheira. Hoje os católicos, amanhã os muçulmanos e na semana seguinte os judeus. Mas existe uma outra dimensão que confirma uma enorme falta de sensibilidade. A Esquerda, que se autoproclama defensora dos ostracizados económica e socialmente, esquece, que grande número dos "pobre coitado" deste país, atravessando momentos de grande privação, serve-se da fé enquanto bengala para superar os obstáculos da vida. A instituição religiosa (seja ela qual for) merece essa consciência colectiva. O Bloco de Esquerda, porventura inspirado pelos cânticos de Charlie Hebdo, confirma que criativos de comunicação política não existem naquela casa. Se era para causar estardalhaço a qualquer custo, poderiam ter consultado a paternidade bombista das irmãs Mortágua. Não se brinca com a fé dos homens - mesmo não tendo Igreja, como é o meu caso.

publicado às 10:59

Vácuo?

por Nuno Castelo-Branco, em 13.04.15

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Este trabalho tem sido feito de forma discreta, mas eficaz. A crise tornou-o mais visível e sem disso termos dado conta, está presente em múltiplos sectores da nossa sociedade: bancos alimentares e de distribuição de vestuário, assistência a toxicodependentes, creches, lares de acolhimento e permanente assistência de idosos, grupos desportivos, enfim, uma grande diversidade de acções promovidas e garantidas por grupos católicos organizados pela hierarquia ou que foram surgindo da iniciativa de portugueses interessados em ajudar quem deles necessita. Anteontem, uma reportagem RTP que nos deu a conhecer um grupo de padres que jogam futebol nas horas vagas, vencedores de um campeonato internacional e congregadores de equipas de jovens paroquianos. Ontem, a notícia de uma concentração de motards que para espanto de muita gente, contam sempre com a presença de um sacerdote distribuindo bênçãos e água benta. Hoje mesmo, a divulgação de um grupo que se dedica à assistência aos reclusos nos estabelecimentos de detenção da zona de Leiria.

À maioria poderá isto parecer como marginal, anedóticas notas de rodapé informativo e sem qualquer importância numa sociedade fortemente laicizada, objecto de todo o tipo de mensagens que indicam a igualdade das religiões como primícia que consubstancia o próprio regime. Este é um evidente disparate, um pobre verniz que não resiste a um olhar mais atento. De facto, as aparências iludem, pois a igreja continua a estar muito presente e ao contrário do país de naturalização do Sr. Valls, a histeria laica é por aqui bastante comedida e circunscrita a um punhado de zelotas sem real peso nacional. Se partidos como o PPD, CDS, PPM e MPT nem por sombras alguma vez se atreverão a qualquer tipo de crítica ácida, mesmo o PC conhece melhor que todos os seus competidores eleitorais, o que representa a igreja católica em Portugal. A partir dos acontecimentos de 1975, como por milagre terminou a sua momentânea verve anti-clerical. É um partido com uma longa história, é a associação política mais antiga do país, temporalmente apenas ultrapassada pela Causa Monárquica. Restam-nos então umas escassas dúzias de excitados no partido do Largo do Rato - sem que entre eles se contem dirigentes à imagem de Afonsos Costas de outros desastrosos tempos - e uns poucos marginais desmiolados do género bloquista, enfileirados em grupúsculos que se vão revezando a cada década. 

Os principais monumentos nacionais são igrejas, conventos e mosteiros. Os soldados continuam a contar com capelães. As vilas e aldeias ainda batalham pela permanência ou substituição deste ou daquele padre. Fátima é reverenciada como jamais o foi durante a 2ª República, beneficiando claramente da projecção mediática, precisamente da tecnologia e da ciência que segundo a esperança de alguns, varreria a crença.  Não há dia em que a televisão não faça o país cair de joelhos diante do Papa Francisco, centro de toda a atenção de gente como Soares, Marcelo, Moreira e outros bem-aventurados comentadores da coisa pública. Nuno Álvares é beatificado e Portugal estoura de orgulho, lutando todos os canais televisivos pelo maximizar dos tempos de antena. O Cardeal-Patriarca pode sempre contar com a máxima projecção informativa, mesmo que esta parta das emissões da RTP. Tal como muitas freguesias, os hospitais públicos têm nomes de santos. Não existe cerimónia oficial que não conte com a presença de prelados da hierarquia e é ainda hoje impossível imaginarmos qualquer tipo de exigências acerca do fim do toque de sinos, o impedir de procissões desfilando ruas fora, ou a não celebração do Natal e da Páscoa. 

Este Estado é muito antigo, possui uma solidez dificilmente contestável. Portugal tem sabido enfrentar todas as ameaças que parecem demasiadamente poderosas noutros países europeus. Apesar do escasso número de praticantes, os portugueses têm a consciência daquilo que a identidade católica representa na coesão nacional e do Estado. Se, tal como eu, a grande maioria apenas conhece o Pai Nosso e a Avé Maria, isso não quer dizer verificar-se no nosso país aquele catastrófico vácuo em que aparentemente caiu a França. Em suma, por cá não existe qualquer lugar a preencher por outros. Tal como  nós, eles também conhecem a realidade. Para que conste. 

publicado às 15:08

A Reforma da Igreja Católica Portuguesa?

por John Wolf, em 13.03.14

Não professo nenhuma religião em particular, mas sou adepto ferveroso da universalidade, do humanismo e da transformação que deve marcar as nossas vidas. A partida do Cardeal Patriarca de Lisboa D. José Policarpo poderá servir para a Igreja Católica Portuguesa admitir uma nova doutrina de intervenção. O Papa Francisco veio agitar as consciências e relembrar a singularidade da simplicidade do homem. A energia vital que espalha transcende os cânones da Igreja Católica e mobiliza não crentes para desígnios que dispensam o magistério dos rituais. Cada homem, sem capa ou batina, pode intervir em nome do bem comum. É essa a mensagem que o Papa Francisco transmite. Será que existe em Portugal um eclesiástico que se possa apresentar ao país com essa mesma luz de inspiração? Em tempo de falência de instituições, a reforma da Igreja Católica portuguesa seria mais que bem-vinda. Gostava sinceramente de ver um Cardeal capaz de fazer uso de uma linguagem mais adequada aos nossos tempos. A distância hierárquica que o Papa Francisco encurta, na sua devoção aos fiéis, é algo que deve ser emulado, seguido como exemplo de pleno renascimento. As pessoas caídas em desgraça económica e social precisariam também de uma nova expressão de fé. E, na minha opinião, esse é um papel que a Igreja Católica portuguesa pode desempenhar. Os homens, grandes e pequenos, devem caminhar lado a lado nesse caminho incerto. Um país declaradamente católico como Portugal, deveria abraçar a revolução da mensagem e do estilo que definem o Papa Francisco. A vida dos crentes tornar-se-ia, na minha opinião, um pouco mais leve. Ganharia ainda mais sentido.

publicado às 09:32

Pensava eu que Portugal era um país laico. Que a separação entre o Estado e a Igreja estava constitucionalmente consagrada. Acho irónico que o bispo das forças armadas venha a público professar a sua fé na queda do governo. O mesmo bispo deveria servir-se do mesmo confessionário para elencar todos os males da nação e sem excluir nenhuma cor política. Nessa visita crítica ao país deveria recuar aos primórdios das prevaricações e incluir a Inquisição, os governos socialistas e certas presidências da república. Pelo tom da sua missa, os pecadores que votaram no presente governo não são bem-vindos na sua paróquia. Do alto da sua torre de marfim pode espernear à vontade, mas talvez seja sensato substituir o telhado de vidro do seu estabelecimento por uma outra cobertura. Quando se agita o cocktail de política e a igreja católica os resultados podem ser amargos. Em plena época de escandaleiras e castelos que desmoronam, não me surpreenderia se os dinheiros religiosos começassem a ser escrutinados. Sabemos todos que o próprio processo revolucionário em curso, que teve a participação de forças mais ou menos ocultas (por exemplo, a mãozinha dos americanos), foi "condicionado" pela canalização de dinheiros de reacção através da porta da capela. Januário Torgal Ferreira também faz parte do governo. Do governo que opera na sombra de um conceito de impunidade e imunidade. O debate sobre fiscalidade e a Igreja católica deve vir a lume sem demoras, assim como a clarificação de todos os crimes e abusos sexuais cometidos por ministros e padres dessa fé. Apenas um homem de consciência totalmente tranquila pode adiantar-se e postular os caminhos da ressurreição política. Não sei se D. Januário preenche os requisitos.

publicado às 09:34

Euro fora

por Nuno Castelo-Branco, em 23.03.13

A Igreja Ortodoxa cipriota bem poderia providenciar alguns conselhos à Conferência Episcopal Portuguesa. 

publicado às 23:51

Patati, patatá

por Nuno Castelo-Branco, em 13.03.13

Está na TVI24 - no programa Política Mesmo -, uma abespinhada Maria João Sande Lemos a cacarejar toda uma série de inanidades sem nexo, exclusivamente obcecada pelas rendas, ouros e fumos que nos ligam ao Antigo Egipto, Mesopotâmia e Império Romano. Não percebendo do que se trata, em definitivo fica-se pelos pormenores, pelo "fogo de vista".

publicado às 23:35

Privilégios de um padreca comunista

por João Quaresma, em 18.07.12

 

Imagine-se o que seria se qualquer outro elemento das Forças Armadas dissesse um décimo do que disse o bispo Januário sobre o Governo.

Quem defende a liberdade de expressão e o direito de opinião do bispo das Forças Armadas, esquece-se - ou não sabe - que os militares estão formalmente impedidos de tomarem posições políticas: não têm esse direito, não têm essa liberdade de expressão. O ministro Aguiar-Branco colocou a questão nos devidos termos: deve esclarecer se é bispo das FA ou se é comentador político. Se é major-general para receber os famosos 4400€ de pensão e carro com motorista, então também o é para obedecer ao Regulamento de Disciplina Militar e sofrer as sanções por a ele desobedecer.

 

Escusado será dizer que não estou a ver este ou outro governo a querer mandar um bispo cumprir pena num presídio militar, mas o mínimo que a situação exige é que a hierarquia católica que se defina sobre este político de batina. E já não falo do que se pode interpretar da passividade e do silêncio do Cardeal Patriarca sobre as declarações do camarada Januário sobre o Governo. Se não se demarca, significa que subscreve-as?

 

Adenda: hoje, a Conferência Episcopal Portuguesa demarcou-se das acusações, afirmando que foram feitas a nível individual e não exprimindo o entendimento da CEP.

publicado às 13:30

Aviso a Espanha: depois, não se admirem (outra vez?!)

por Nuno Castelo-Branco, em 07.03.12

A partir de 1932, tudo fizeram para que o desenlace fatal ocorresse, com o conhecido cortejo de horrores, a intervenção de Estaline, de Hitler e a destruição do país. Estas imagens, não são notícias que cheguem a RTP's e outros canais, nem tampouco aos jornais. As bestas andam à solta, esperando uma terceira oportunidade. Claro que por cá também existem umas alimárias bem gordas, "chupistas de classe" e sempre prontas a solidariedades várias. Até escrevem em jornais e comentam aqui e ali. Iguais, mas sem coragem de assumir o que desejariam fazer.

 

 

 

publicado às 14:08

Porque também já estou um pouco farto deste tema

por Samuel de Paiva Pires, em 12.01.12

Cristina, passando ao lado da acusação de branqueamento, não voltando a entrar no argumento metodológico, complementando o texto de Pessoa com o que se segue e, concluindo que o mundo não é a preto e branco, permita-me o estrangeirismo provinciano de dizer que I rest my case:

 

1. Agência Lusa, 19 de Maio de 2004, via Rui Monteiro:

 

No dia 19 de Maio de 2004, a convite de António Arnaut, o pretendente ao trono de Portugal, D. Duarte Pio, deslocou-se à sede do Grande Oriente Lusitano (GOL) – Maçonaria Portuguesa, no que constituiu a primeira visita de um membro da Casa de Bragança a esta instituição maçónica.

“Não há hoje nenhum contencioso entre a Maçonaria e a Casa de Bragança”, declarou à agência Lusa António Arnaut, para reiterar que aquela “não esteve envolvida” na morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, ocorrida há 100 anos no Terreiro do Paço.

Na sua opinião, “qualquer mal-entendido que existisse” na sociedade portuguesa, desde que dois membros da Carbonária, Manuel Buíça e Alfredo Costa, cometeram o duplo atentado, em 01 de Fevereiro de 1908, “ficou dissipado com a visita cordial” de D. Duarte Pio às instalações do GOL, em Lisboa.

Segundo o antigo grão-mestre, a “reconciliação da Maçonaria Portuguesa com a Casa de Bragança” concretizou-se nessa altura.

“A visita do representante da Casa de Bragança, que almoçou no Palácio Maçónico, teve o significado de uma reconciliação efectiva e apagamento de quaisquer equívocos”, sublinhou.

Há quatro anos, António Arnaut declarou que a visita do herdeiro da coroa “teve um grande significado histórico”, já que a Maçonaria, “embora injustamente”, tem sido responsabilizada pela morte do rei D. Carlos e do filho primogénito.

D. Duarte Pio foi recebido no Palácio Maçónico por dignitários do GOL, como o presidente do Tribunal Maçónico, o presidente da Grande Dieta e membros do Conselho da Ordem, além do grão-mestre.

Vincando a não participação da Maçonaria no regicídio, António Arnaut disse à Lusa que o actual grão-mestre do GOL, o historiador António Reis, demarcou-se da “romagem discreta” que um grupo de cidadãos realiza hoje às campas dos regicidas Manuel Buíça e Alfredo Costa, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.

“A Maçonaria era contra a ditadura de João Franco e pela restauração da democracia”, precisou.

Frisando que alguns membros da Casa de Bragança pertenceram no passado à Maçonaria, Arnaut recordou, por exemplo, que o próprio visconde Ribeira Brava (avô de Isabel de Herédia, mulher de D. Duarte Pio) integrou o fracassado movimento de 28 de Janeiro de 1908, quatro dias antes do regicídio, que visava o derrube da Monarquia.

 

2. Agência Ecclesia, 10 de Janeiro de 2012:

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, criticou hoje em Fátima a “influência direta” da Maçonaria em “coisas políticas”, mas descartou a exigência de que os políticos se assumam como maçons.

“Como políticos, se são maçons, se são católicos ou se são do Sporting, não vejo que isso tenha uma relevância muito grande”, disse o cardeal-patriarca aos jornalistas, no final da reunião do Conselho Permanente da CEP.

Para este responsável, “outra coisa" é que "a Maçonaria, enquanto tal, teve influência direta em coisas políticas; isso está mal”.

 

3. Público, 10 de Janeiro de 2012:

 

O ex-presidente da Assembleia da República Mota Amaral, que assume a sua ligação ao Opus Dei, considerou nesta terça-feira que não há motivo para se lançar uma “caça” a quem está ligado às obediências maçónicas em Portugal.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o social-democrata e ex-presidente do Governo Regional dos Açores referiu-se a um acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que impediu o carácter obrigatório de os políticos declararem ligações à maçonaria.

“Quanto à questão em abstracto, acho que não é altura de lançarmos uma espécie de caça à maçonaria. Não é motivo para tanto”, respondeu.

Interrogado se considera perigosas as ligações da maçonaria à política, Mota Amaral contrapôs que “é preciso transparência”.

“Falo por mim. Pertenço ao Opus Dei há mais de 50 anos e toda a gente sabe isso. O meu ponto de partida é a transparência, é aquilo que pratico”, acrescentou.

publicado às 00:02

Codex Iuris Canonici

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 12.09.11

A homosexualidade, que fique esclarecido, não é de forma alguma motivo para pedido de dissolução de matrimónio.

 

A tendência homosexual, só dentro de certos parâmetros que desenvolvo de seguida, poderá ser enquadrada canonicamente na “incapacidade para assumir as obrigações essenciais do matrimónio por causas de natureza psíquica” (cân 1095, ponto 3.), como um dos motivos que pode ser invocado para dissolver um matrimónio à luz do direito canónico (portanto respeitante exclusivamente à comunidade eclesial).

 

As anomalias psíquicas a que este ponto diz respeito podem ser (mas não se esgotam aí) de natureza psicossexual, em que um desejo passa a vício, compulsão, obsessão, e que acaba por dominar a vida de uma pessoa, impedindo-a de cumprir com as suas obrigações matrimoniais. Isto não difere, no seu princípio, de outras anomalias psíquicas que afectem, por exemplo, a capacidade de alguém cumprir com normalidade a sua actividade profissional, ou desenvolver relações sociais saudáveis.

 

Não existe, por parte da Igreja, qualquer imposição para a correcção de uma tendência homosexual – que o/a jornalista da Lusa (oh, surpresa!) tomou a liberdade (artística) de inferir estrategicamente ao discurso do presidente da APC; poderá, pelo contrário, e a partir da vontade expressa da pessoa afectada por uma determinada anomalia psíquica, ser utilizado um conjunto de métodos de correcção dessa anomalia. Os métodos passam necessariamente por uma avalição psiquiátrica, de modo a poder avaliar-se o grau e a natureza da anomalia (e assim, se for o caso, corrigir a causa e não exclusivamente o efeito) e, se for considerado necessário, a aplicação de medicamentos “que lhe permita recusar essa tendência que o próprio mostre vontade de eliminar”.

 

Isto reflecte, portanto, um valor fundamental e imprescindível de toda a doutrina Cristã – a liberdade individual.

publicado às 15:30

O Centenário da Lei da Separação Igreja-Estado

por Nuno Castelo-Branco, em 18.04.11

Um interessante artigo de Pedro Picoito, traça o quadro geral da lei que envenenou as primeiras décadas do século XX português. A sua promessa ajudou a destruir a Monarquia Constitucional, a sua promulgação esmagou a 1ª República e ajudaria à instauração da 2ª República, conhecida como Estado Novo. Para que Portugal não esqueça.

publicado às 20:48

Republicana ladroagem

por Nuno Castelo-Branco, em 08.04.10

Logo em Outubro de 1910, as novas autoridades do regime instaurado pelos obuses de 75mm, expropriaram uma colossal quantidade de bens pertencentes à Igreja. Nem mencionando as depredações que levaram à fogueira estátuas, preciosas alfaias e paramentos religiosos, há que mencionar pilhas de livros, inconábulos, arquivos, etc. No entanto, entre os bens mais cobiçados, encontravam-se os imóveis que foram logo ocupados por organismos estatais ou apêndices parasitários do novo regime, como "comissões para a promoção do ensino", ligas várias e outras necessidades prementes de agrado à devorista clientela que ainda medra sob várias denominações aggiornadas.

 

Quantos edifícios foram deixados ao mais completo abandono e depredação? Muitos, demasiados. Despiram-nos da decoração, talhas douradas e outras riquezas que para sempre se perderam após o saque, aproveitando uma mão cheia de gatunos bem instalados. Um desses imóveis foi a Igreja de Campolide, imponente construção que se ergue nas imediações da Penitenciária de Lisboa. Está sob a alçada do sempre  esquivo Ministério das Finanças que durante tantas décadas deixou cair o "imóvel de interesse público" (séc. XIX) na situação com que hoje deparamos. É certo que continuam os useiros rodriguinhos da "falta de verba", "situação jurídica" e outras desculpas do estilo, chegando-se ao cúmulo - suprema ilegalidade - da igreja nem sequer se encontrar registada na Conservatória do Registo Predial, ou na matriz predial. Sabemos o que por outras palavras, isso significa: a construção praticamente "não existe", habilidade que outras entidades - como a Câmara Municipal - tem usado para demolições dentro da área histórica. Com a hipotética extinção da Penitenciária, já se calculam as manobras especulativas a que a CML se propõe com os seus amigos do costume.  Lembrem-se do que se passa na Duque de Loulé, onde o 35 caiu vítima do camartelo, após a sua retirada do Inventário Municipal. Hoje, um miserável mamarracho (Fundo BES do primo Salgado) está em construção naquele terreno.

 

O Provedor de Justiça solicitou ontem ao dr. Teixeira dos Santos, a restituição gratuita da igreja de Campolide ao Patriarcado, mas a tutela não está nada interessada em qualquer tipo de justiça. Quer continuar a enfardar, mesmo se neste caso, lucrar com o roubo dos seus predecessores. O mesmo se passa com a Real Quinta de Caxias - ao abandono pelas Forças Armadas - , cujo legítimo e roubado proprietário é o Duque de Bragança. O Estado - "nós" - quer devolver a igreja de Campolide à respectiva paróquia, mas exige dinheiro pelo ressarcimento do roubo que vergonhosa e abusivamente perpetrou. Por aquilo que não consegue manter, exige mais de 46.600 contos (233.000€)! O descaramento é total.

 

Ladrões, devolvam o que roubaram!

publicado às 19:58

Uma boa surpresa

por João Pedro, em 14.12.09



D. Manuel Clemente ganhou o Prémio Pessoa 2009, atribuído pelo jornal Expresso. Uma boa surpresa, mas inteiramente merecida, por uma figura que há anos, discretamente, tem realizado um notável trabalho como teólogo e historiador, nomeadamente nas relações entre a Igreja e a sociedade. Ultimamente ganhou notoriedade como Bispo do Porto, tornou-se uma voz difundidas na sociedade (até em questões polémicas, como a ideia do referendo ao casamento homossexual) e é presença assídua em debates e discussões sobre temas tão diversos como religião, ciência, os problemas sociais do Grande Porto, etc. Uma óptima escolha para o próprio, evidentemente, mas também para o Porto, o país e a igreja portuguesa; é que talvez assim se compreenda finalmente a contribuição ética, social e cultural que esta tem dado a Portugal, e que tantas vezes é vilipendidada ou subvalorizada.

 
 
 
PS: ao que parece, ainda nem todos perceberam isso, e continuam a lançar postzinhos em forma de punhais, com o dissimulado mas perceptível pensamento de "como é que vão dar um prémio a um tipo da ICAR"?

publicado às 01:31

RTP coiceia o "presidente"...

por Nuno Castelo-Branco, em 18.05.09

 

Pelo que parece, a proeminência dada ontem à Casa Real durante as comemorações oficiais do Cristo-Rei, aborreceu alguma gente. Pelo que se diz, estava a televisão do Estado a entrevistar o senhor D. Duarte, quando o presidente chegou, sem que a RTP fosse logo a correr em acto de submissão, para transmitir o transcendente acontecimento. O que poderá interessar aos portugueses, a cobertura da chegada ao local do Capa d'Ócio? A RTP fez bem em ignorar a dita individualidade. Não é ele o chefe de um Estado que se diz laico e onde a igreja católica deve ser considerada apenas como uma entre outras? Então não se admire.

 

E é melhor que se vá preparando para pior, pois a sua prevista visibilidade na comemoração do famigerado centenário ainda lhe reservará uns enxovalhos bem mais gravosos. Não é nada de pessoal, apenas um ajuste de contas com a justiça dos homens. Habituem-se.

 

Agora fica o sr. Cavaco Silva a saber qual o seu lugar. Sem fitas, foguetório ou  vanitas.

publicado às 01:36

Liberalismo, laicidade, pseudo-censores e afins

por Samuel de Paiva Pires, em 14.02.09

A respeito da polémica que para aí vai em relação às declarações da Igreja, porque muita gente já disse de forma bem melhor o que penso, aqui ficam algumas sugestões de leitura, deixando apenas umas breves notas, para começar, a de que como bom liberal, concordo em absoluto com o Michael Seufert:

 

…mas só queria dizer que, não sendo religioso, acho perfeitamente normal que a hierarquia da igreja indique quais partidos melhor representam as suas ideias. Sindicatos, corporações, clubes, etc, etc, fazem o mesmo. Só mails recebidos de professores (organizados ou não, nem interessa) a apelar contra o PS, são às dezenas.

 

Faz-me confusão esta gente que confunde laicidade (separação da Igreja do Estado) com a negação total das opiniões da Igreja apenas porque vão contra as dos que se consideram herdeiros da tal "ética republicana". O que é feito da democracia e da liberdade de expressão? Eu que, nem sendo particularmente religioso, embora seja crente, tendo como apenas natural o facto de sermos uma sociedade com uma matriz cultural católica, e independentemente de ser ou não a favor do casamento entre homossexuais, não vejo qual é o problema da Igreja manifestar a sua opinião. Aliás, a Igreja, em Portugal, historicamente ocupou-se de áreas como a educação e a saúde, e sempre foi um dos tais corpos intermédios que diminuem a perigosidade do Estado contra o indivíduo, goste-se ou não do poder que a Igreja também detém em si. Não deixa de ser irónico que nestes tempos de crise sejam precisamente as instituições ligadas à Igreja quem mais apoia os menos afortunados. E não deixa também de ser irónico que se verifique uma maior liberdade de expressão precisamente nuns quantos países como o Reino Unido em que não há separação entre a Igreja e o Estado (embora haja certas pessoas como Vital Moreira que consideram os britânicos completamente atrasados). E, não deixa ainda de ser irónico que o "pai" do regime, Mário Soares, tenha sido das pessoas que melhor soube lidar com a Igreja. Os censores demagogos como o ministro da propaganda Santos Silva talvez devessem aprender com ele. 

 

A ler:

 

Apolíticos?, Joaquim, no Portugal Contemporâneo.

 

Regras legais universais, João Luís Pinto, n'O Insurgente.

 

A ICAR é contra o casamento homossexual. E depois?, Miguel Madeira, no Vento Sueste.

 

*texto e título posteriormente corrigidos em virtude do comentário do João Pedro em relação ao laicismo e laicidade.

publicado às 17:51






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