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Os bons selvagens

por João Quaresma, em 05.12.12

A propósito deste post do Nuno sobre o apoio de François Hollande à internacionalização (i.e., o roubo) da Amazónia brasileira, recupero uma notícia de Março sobre os negócios que os "puros e inocentes" índios brasileiros têm feito:

 

«O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcio Meira, afirmou nesta quarta-feira (14) que 36 contratos firmados entre empresas estrangeiras e aldeias indígenas como negociação de crédito de carbono na Amazônia são considerados nulos e serão analisados individualmente pela Advocacia-Geral da União (AGU).

A compra de terras indígenas por empresas estrangeiras veio à tona no domingo (11) após reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”. O texto informava que índios da etnia munduruku venderam uma área localizada em Jacareacanga (PA), equivalente a 16 vezes o tamanho da cidade de São Paulo, para a empresa irlandesa Celestial Green Ventures (CGV) por US$ 120 milhões.

Em entrevista concedida em Brasília, Meira disse que não existe regulamentação sobre a venda de terras por indígenas e por isso o governo vai verificar que medidas serão tomadas neste caso. O contrato previa como garantia à CGV “benefícios” sobre a biodiversidade, além de acesso irrestrito ao território indígena. Em contrapartida, os indígenas teriam que se comprometer a não plantar ou extrair madeira das terras nos 30 anos de duração do acordo.(...)

De acordo com o Funai, ao menos 30 contratos como esse já foram firmados e estão sendo acompanhados pelos departamento jurídico da fundação há pelo menos um ano e meio. Juntas, essas áreas correspondem a 520 mil km² -- quase o tamanho total do estado da Bahia [e uma área maior que a de Espanha].

A instituição informa ainda que o principal risco deste tipo de acordo com indígenas é falta de proteção às populações, que podem ser enganadas ao assinar contratos de exploração em suas terras, além dar abertura para a biopirataria (exploração ilegal de recursos naturais da floresta).»

 

Aguarda-se ansiosamente a visita de Hollande aos seus novos amigos.

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publicado às 03:13

A Dam e o imperialismo Made in USA

por Nuno Castelo-Branco, em 30.12.11

A muito aristocrática Dam faleceu precisamente há um ano, vitimada por um fulminante cancro mamário. Sabendo que os americanos odeiam as Monarquias - e cá em casa ela estava no topo da pirâmide -, aqui está uma bastante plausível explicação para o súbito desaparecimento da minha gata.

 

Chávez deve ter razão e o estranho acontecimento caseiro, faz-me pensar acerca das maléficas interferências imperialistas na saúde de pessoas e animais. Tal como a pobre Dam, o Grande Petroleiro Chávez, o Grande Fumador Castro, a Grande Poufiasse Kirchner, a President"a" Dilma, um tal Lugo do Paraguai e o Sr. Lula da Silva, têm sido as vítimas mais notórias de tumores cancerígenos. Eu próprio deveria apresentar-me como queixoso, dada a paulatina perda de massa capilar e pior ainda, o lento e irreversível avanço do seu processo de embranquecimento. Deve andar por aí um veneno qualquer no Corn Flakes, no shampoo e talvez até, no papel higiénico.

 

Há quase noventa anos, Lenine também sucumbia a um notório ataque imperialista, com o seu cérebro transformado numa liquefeita sopinha ranhosa. As ou os agentes da exploração capitalista haviam-lhe transmitido a sífilis, sabendo-se que a Rússia czarista estava pejada de agentes pré-CIA, a postos e de pernas escancaradas para o ataque.

 

Há que dizer que a Dam era sem dúvida, infinitamente mais bonita, bondosa, limpa e inocente do que todos os outros acima mencionados.

 

Uns bandidos, estes americanos.

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publicado às 13:31

O Mundo a Pretibranco

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 02.12.11

O problema deste post do Bruno Carvalho não é tanto o conteúdo quanto as motivações. Para Bruno Carvalho só existe um inimigo, O Imperialismo! na forma de EUA, UE e Israel. Todo aquele que lhe mostre o dente merece o selo de aprovação 5 Dias, independentemente de quão repugnante o seu rosnar.

 

Bruno Carvalho defende a necessidade de estabelecer-se o lado da barricada em que cada um se encontra, de forma a que possa encaixar-se todas as peças no seu devido lugar, de um lado ou do outro, sem ter de para isso se recorrer ao penoso exercício de pensar.

 

Pura ilusão, pensar que pode obter-se qualquer tipo de revolução válida partindo deste tipo de argumentação. Pelo contrário, bem ao jeito orweliano, incendiários desta índole cumprem melhor que ninguém as intenções dos alvos que visam abater – de um lado e do outro. O mundo dividido nos bons e nos maus, simplificado ao extremo da estupidez, só contribui para a cada vez maior ausência de idéias próprias, o debate político reduzido à capacidade de criar slogans. Jingle Politics no seu melhor.

 

Imagino qual terá sido o espanto, para os lados do 5 Dias, ao saberem da recente visita de D. Duarte à Síria – certamente terá provocado um ou outro curto-circuito no complexo conteúdo programático de tão esclarecidas mentes. Assim se justificará, pelo menos, o estranho silêncio.

 

Para terminar, deixo aqui parte de um divertido comentário ao post em causa:

 

"E é por causa de troncos de árvore como você, fascinados com os ayatollahs e com tudo o que cheira a anti-imperialismo consentâneo com o seu livro de citações, que a chamada Primavera Árabe está condenada a transformar-se em ícone de t-shirt." - lpb

 

 

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publicado às 14:47

Next, please!

por Eduardo F., em 23.10.11

Há mitos cuja extraordinária persistência, apesar de há muito terem sido cientificamente arrasados, se revelam bem perigosos. Por exemplo, o gráfico abaixo, é apresentado por alguns como "A Prova" de que uma intervenção estatal a grande escala - a II Grande Guerra - permite "resolver" os problemas associados a uma grande e profunda recessão económica (como a que atravessamos). Este senhor - não por acaso muito admirado pela anterior troupe socratina, pela actual equipa dirigente do PS, na forma mitigada de "austeridade inteligente", e permanentemente incensado no Público (como voltou a acontecer na edição de hoje) -, não tem andado a escrever nos últimos anos outra coisa que não isto.

 

Pacheco Pereira, na sua crónica de ontem no Público, tentou prescrutar as razões de ser da intervenção da NATO na Líbia sem todavia fornecer uma interpretação conclusiva. Com o devido respeito, creio que a resposta está na intersecção das doutrinas wilsonianas do nation building (de que Clinton foi um activo praticante) e do complexo militar-industrial de que falava Eisenhower no seu discurso presidencial de despedida, que constituem o sustentáculo do imperialismo americano que toma como seus "interesses" tudo o que se passa nos quatro cantos do mundo. A igreja keynesiana, entretanto, encarrega-se de justificar que tudo afinal ocorre a bem da actividade económica americana .

 

 

Curiosamente, esta senhora, candidata à nomeação presidencial pelo partido republicano, e nos antípodas ideológicos de Paul Krugman, acha que o Iraque e a Líbia deveriam agora reembolsar o governo americano das despesas incorridas na sua "libertação" pelos pressurosos EUA. Já John McCain, candidato republicano derrotado em 2008, acha que o dia em que Obama anunciou a retirada do Iraque (será mesmo desta vez?) marcou "um nocivo e triste revés para a posição dos Estados Unidos no mundo". Next, please! O Irão parece ser um "excelente" candidato.

 

Informação adicional: aqui, por Jon Stewart.

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publicado às 19:47






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