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A queda do Muro de Madrid

por John Wolf, em 30.09.17

Park-Guell-Barcelona-wall.jpg

 

Retrospectivamente saberemos interpretar a importância do que sucede na Catalunha.

publicado às 18:12

Catalunhex

por John Wolf, em 21.09.17

 

Não é preciso ser constitucionalista ou estudioso de sistemas políticos para entender o que sucede na Catalunha. Basta olhar para a história e aceitar que são precisamente conflitos e rupturas que estão na origem de Estados, e que a base nacional tem sido o fundamento para a sua fundação, tendo em conta o que resulta desse marcador importante que é a Paz de Westfália de 1648. Por mais que o governo central de Madrid tente proibir a consulta popular à independência da Catalunha, a mesma não deve depender de autorizações "excêntricas", ainda que legitimadas pelo poder político - nenhum governo, dada a sua natureza integracionista, autorizaria um movimento secessionista (seria uma contradição de génese política). Assistimos, deste modo, à sindrome do gato escaldado pelo Brexit. Madrid não quer que aconteça o que sucedeu em Londres. A Monarquia Constitucional de Espanha e o governo que dela resulta, consagrada como modelo de Democracia de pleno direito, demonstra de um modo preocupante que certas práticas de censura e controlo dos tempos de Franco ainda continuam válidas. Não se pode admitir, que na dita Europa civilizada, embalada pela União Europeia, a perseguição política aconteça. A Catalunha é uma das jóias da coroa, um contribuinte importante para o PIB espanhol e é sobretudo essa dimensão económica que está em causa. Não existe nada de romântico ou lírico na união de regiões "à força", de territórios e gentes que perseguem outros sonhos. Se o referendo não acontecer de um modo pacífico, rapidamente a situação evoluirá para o caos e a expressão ainda mais violenta do que aquela até agora registada. Se porventura chegarem à mesa de negociações da independência, quero ver qual será o preço que o governo de Madrid exigirá, qual o valor em causa e quais os demandantes que se seguirão. A Europa das Regiões, essa bandeira agitada para dar ares de descentralização do poder político, tem agora um belo exemplo para hastear. A Catalunha é uma nação. E existem muitas outras por essa Europa fora.

publicado às 16:47

Putin e a independência da Escócia

por John Wolf, em 14.09.14

Os movimentos falsamente separatistas ou de anexação que se têm vindo a desenovolver nos limites da Europa convencional ou para além da sua matriz política, instigados e levados a cabo pela Rússia, na Geórgia, na Ucrânia, com uma nítida expressão na Crimeia em tempos mais recentes, embora desligados dos pressupostos nacionais europeus, podem ser reconduzidos aos mesmos. O referendo escocês, respeitante à sua independência, intensificou reinvindicações antigas e certamente fará eclodir novas solicitações de autonomia. Ambrose Evans-Pritchard releva, de um modo abrangente, quais os candidatos à fragmentação da Europa. Uma interpretação excêntrica e ousada destes eventos de dispersão, obriga os decisores da União Europeia a ter de pensar uma lógica inversa na (de) construção europeia. A haver expressão democrática e positiva no sentido da independência nacional de um conjunto de povos residentes na União Europeia, o Tratado da União Europeia torna-se parcialmente obsoleto ou conceptualmente irrelevante. As forças centrifugas e de concentração política que se acham firmadas na constituição europeia, estão a ser ultrapassadas pela realidade. Embora seja impensável uma intervenção britânica para proteger os direitos dos cidadãos que residem na Escócia, Putin lança no seio da Europa ocidental o perfume dos seus argumentos e da sua acção. De um modo pensado ou não, a verdade é que a analogia entre um cenário e outro, poderá ser resgatada para plantar divisões nas hostes da centralidade da União Europeia. Existem muitos modos de levar a guerra ao inimigo, e a Rússia não hesitará em partilhar os seus métodos com as partes interessadas. Numa lógica ainda mais ultrajante, imaginemos o apoio que a grande Rússia poderia emprestar aos diferentes movimentos nacionais que se encontram espalhados pelo mainland da Europa ocidental. Eu sei que talvez seja uma extrapolação exagerada, a roçar os limites da racionalidade teutónica, mas todas as possibilidades devem ser colocadas em cima da mesa. De Berlim a Londres, da Catalunha ao reino dos Algarves.

publicado às 09:52

 

Parabéns aos blogs do Sapo pelos seus 10 anos de existência!

 

Aqui seguem as minhas dez razões de felicitação:

 

1. A posição independente da equipa de gestores dos blogs SAPO que concede voz (e texto!) às mais diversas e excêntricas orientações políticas e culturais - Os blogs Sapo são por isso contribuintes líquidos para a Democracia em Portugal.

 

2. O modo como os blogs "desalinham" os opinião makers, colocando-os em contraste com posições discordantes.

 

3. A promoção do debate transversal que coloca em diálogo os blogs de natureza distinta.

 

4. O estímulo à produção de conteúdos alternativos ao mainstream (até ao dia em que os blogs se tornam mainstream!)

 

5. A oferta da possibilidade ao cidadão comum de se fazer ouvir em representação dos seus interesses particulares ou de outra ordem colectiva.

 

6. O canal de interacção que os blogs SAPO representa na comunicação entre o poder político e os destinatários do mesmo.

 

7. A produção intelectual a que estão obrigados os bloggers e a sua procura no equilíbrio da mensagem a veicular.

 

8. A perfeita integração dos conteúdos dos blogs na corrente sanguínea das redes sociais.

 

9. A dimensão não onerosa do projecto blogs SAPO que oferece a possibilidade de configuração e design a título gratuíto.

 

10. E por último; a dinâmica de procura de inovação da equipa dos blogs SAPO que rompe fronteiras em busca da excelência e do verdadeiro serviço público.

publicado às 14:56

Controlo de pensamento

por John Wolf, em 29.07.13

Não são apenas os colossos financeiros que devem nutrir a nossa desconfiança. Não são apenas os bancos de Wall Street e as agências de rating que devem ser o alvo da nossa preocupação. Vivemos num mundo de fusões e aquisições, de intervenientes cada vez maiores que detêm o controlo sobre o nosso dinheiro, sobre as nossas ideias e sobre as nossas preferências. Sirvo-me do mais recente exemplo de gigantismo que está prestes a subjugar ainda mais o nosso mundo; a fusão das duas maiores agências de publicidade do mundo para se tornarem na maior de todas. Os mercados, e em particular os consumidores, estarão deste modo ainda mais à mercê de uma força irresistível, uma espécie de cartel do champô e da pasta dentífrica. É isso que está em causa num ambiente de défice democrático, onde a força de uma minoria esmaga as aspirações dos pequenos, as liberdades individuais. O mesmo sucede no meio editorial - também estamos sujeitos a uma lavagem, embora neste caso seja mental, cultural. Os principais grupos editoriais do mundo decidem o que os neurónios do resto do mundo devem consumir. Numa sala pejada de executivos, decisões importantes são tomadas para acalmar os ânimos, domar os leitores mais irreverentes - os potenciais destabilizadores de sistemas de poder. São estes grupos de comunicação que formatam o nosso modo de pensar, de reinvindicar. São estes monstros que decidem por nós o que é válido e o que deve ser obviado. Embora os editores se afirmem como intelectualmente independentes, em abono da verdade não passam de agentes de interesses dissimulados em literatura light, parágrafos inofensivos - para não causar muito dano. Nesta época de convulsões, em que apontamos baterias a políticos e banqueiros, seria bom que não perdêssemos a perspectiva, a vista dos actores que jogam no mesmo tabuleiro de controlo e opressão. A liberdade intelectual já não é o que era. O pensamento e a reflexão profundos estão ao serviço do bottomline, do saldo positivo. Estes monstros apenas têm uma coisa pregada na mira da balança; o lucro. A qualidade é um tema secundário, não tem importância, desde que se possam embalar as expectativas cada vez mais baixas de indivíduos levados na incoerência. Uma corrente onde não abunda massa crítica, espessa. 

publicado às 14:37

Mas, o René Levesque catalão

por João Pinto Bastos, em 25.11.12

O desfecho da contenda eleitoral catalã não me causou grande estupefacção. Era expectável a recusa do eleitorado em embarcar em aventuras secessionistas de desfecho incerto. Por mais que se diga o contrário, os tempos não estão para grandes exaltações de espírito. Mas apostou todas as fichas numa separação política consagrada pelo voto. Erro crasso. Nos dias que correm o método "Levesque" não funciona. Aliás, nunca funcionou. O condottieri catalão já devia saber que sufragar a nacionalidade não é boa política. O dia 25 de Novembro de 2012 é para os catalães chauvinistas aquilo que o dia 24 de Maio de 1980 foi para os quebequenses: o penoso fim de uma ilusão.

publicado às 23:14

Seja feita a sua flamante vontade

por Nuno Castelo-Branco, em 04.07.11

Todos achamos uma certa graça à irreverência de Alberto João. Quantas vezes concordámos com uma ou outra frase dita a propósito? Apesar disso, não podemos continuar a ser colocados perante ameaças de "factos consumados" e de truques que aviltam o todo nacional, Madeira incluída. Pensamos ser necessário levá-lo muito a sério e assim, tal como aconteceu noutras paragens e sendo sempre os "continentais" aborrecidos com tanta insistência, há que facultar-lhe o exercício de um referendo quanto à independência do arquipélago afro-europeu. A linha vermelha há muito foi ultrapassada.

 

Um referendo informal e dependendo do resultado, a necessária modificação constitucional que permita a secessão. Os do costume estão atentos à situação portuguesa e nesta hora que exige união, Jardim está a ajudá-los.

 

O que é demais já chega e cremos que será conveniente ser a direita a tratar deste desagradável assunto.

publicado às 08:07

O caminho para a servidão de Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 22.10.10

 

Portugal cumpriu-o em grande nestes últimos 36 anos. Não chegámos a ter um sistema comunista, mas também não tivemos um sistema liberal. Seguimos, portanto, a 3.ª via, sobre a qual Hayek afirmou levar inexoravelmente à servidão. Senão, vejamos: Os portugueses tornaram-se dependentes da banca portuguesa. Esta, por sua vez, tornou-se dependente da banca europeia e mundial. O Estado, ajudando à festa, com os seus interesses pouco transparentes, mascarados pela ideia do Estado Social - que cada vez mais acho que é melhor arquitectado num sistema liberal, que não confunda Estado Social com Estado dos Comensais Interesses Vigentes, que vai alargando competências para dar emprego aos boys e extorquir os contribuintes para os manter - agravou a dependência, inserindo-nos na CEE como forma de consolidação do regime, a troco de praticamente nada, e entregando ainda de bandeja os sectores tradicionais da nossa economia, como as pescas e agricultura. Com o Euro - com o qual estou genericamente de acordo, note-se - perdemos os tradicionais instrumentos de manipulação monetária, que em muito ajudam nas crises económicas, mais uma vez agravando a dependência.

 

A esmagadora maioria da população está dependente do Estado, e este, por sua vez, está dependente do estrangeiro. A dependência financeira acentua a falta de liberdade. Sem liberdade económica, não há liberdade política. Ou seja, perdemos a soberania e a independência.

 

O meu sentido agradecimento a todos os irresponsáveis políticos desta não eterna III República: o resultado das vossas acções constitui-se, desde logo, como observação empírica da resposta a uma das questões de partida da minha dissertação de mestrado, subordinada, precisamente, ao pensamento de Friedrich Hayek. Infelizmente, para os portugueses.

publicado às 20:29






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