Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Sobre a General Motors

por Samuel de Paiva Pires, em 02.06.09

 

(imagem picada daqui)

 

O argumento de que se estão a salvar postos de trabalho pode parecer convincente à primeira vista. Mas parece-me que o Maradona está de facto cheio de razão (via O Insurgente):

 

"O João Miranda tem razão nesta merda. Não há nada que justifique os estados se porem por aí a evitar a falência de empresas industriais (os bancos e o caralho é capaz de ser diferente, mas não sei explicar porquê). Por motivos lúdicos sempre acompanhei de longe as opções estratégicas da industria automóvel, e a verdade é que a General Motors, para além de fazer carros de merda, sempre apostou no desenvolvimento de produtos para pretos que cantam rap ou brancos que vão caçar ursos polares. Era óbvio que eles andavam a navegar numa onda momentanea, e que o futuro estaria nas opções da Toyota, da Honda e, sim, da Ford (a Ford faz bons carros). A ideia, para mim estúpida, mas que é, essencialmente, nacionalista e anti-globalizante, de que salvar a GM com dinheiro público se justifica porque se estão a salvar postos de trabalho, esquece não só que os lugarzinhos que se salva em Detroit são lugares que não serão criados noutros pontos do globo, mas, principalmente, que se está a premear a incompetência e a punir quem foi mais inteligente. Esta merda é tão simples quanto parece. É mesmo uma das poucas questões em que se pode ser simplista sem faltar à nuance. A GM está na falência porque faz maus carros, carros que as pessoas não querem. Uma coisa é gastar dinheiro dos contribuintes a salvar da miséria e da humilhação as pessoas com menos soluções próprias para se manter com dignidade a si e aos seus, outra, protuberantemente diferente, é gasta-lo para que se continue a produzir cacos de metal inuteis. Se querem dar esmolas, que o façam às claras."

 

E ainda o Tiago Moreira Ramalho:

 

"Depois das maroscas de criar instituições financeiras quase fictícias para poder obter ajudas estatais, a General Motors anuncia a sua falência. Não vou gritar vitória, porque não se trata de uma vitória. Há milhões de pessoas que irão ficar no desemprego e numa fase complicada do ciclo económico.
No entanto, é de esperar, que desespero!, que quem defendeu a torto e a direito o esbanjamento do dinheiro dos contribuintes perceba agora que isso é adiar o inevitável. Nos EUA foram as ajudas ao sector automóvel que se resultaram falhadas. Cá, mais perto, foram as ajudas à Qimonda que não evitaram nada. Percebam: se uma empresa está prestes a falir, não é por lhe atirarmos dinheiro dos impostos que ela vai sobreviver. Muito, muito dinheiro foi deitado ao lixo.
Agora, intervencionistas de todo o mundo, só vos resta a união. A união que permita, mais uma vez, branquear os efeitos das ideias que defendem. Não custa nada. Já têm um calo do tamanho do século XX.
"

 

Não venham dizer que a culpa é do tão falado neo-liberalismo. Não se vê nenhum liberal a advogar nacionalizações. As falências são formas de correcção e auto-regulação dos próprios mercados. Se querem ajudar os trabalhadores apanhados no momento negativo do ciclo económico então dêem o dinheiro directamente a estes por via de programas de apoio social.  Aliás, o liberalismo na sua génese continha como grande princípio a ideia  de caridade e solidariedade, conceitos que as sociedades modernas desvirtuaram e que se tornaram de certa forma pejorativos - infelizmente. Agora não desculpem as asneiras de gestores e administradores premiando-os com a manutenção artificial das empresas que já não têm viabilidade e para cima das quais se lançaram milhões de dólares dos contribuintes que para pouco ou nada serviram, com a simples justificação de que é para manter os postos de trabalho. Qual é a parte da ideia de "inútil distorção de mercado" que os senhores intervencionistas ainda não perceberam?

 

Leitura complementar:

 

GM's Bakruptcy Ends an Assisted Corporate Suicide

 

Seven reasons GM is headed to bankruptcy

publicado às 23:12

Falácias dos nossos tempos

por Samuel de Paiva Pires, em 09.04.09

 

Se há algo que está na moda é injuriar esse tal de «neo-liberalismo» e, principalmente, o mercado livre. Muitos dos que defendem o mercado livre mas advogam por aí contra o neo-liberalismo, tendo a perfeita noção que não se sabe bem o que é o neo-liberalismo (a não ser, como aponta José Manuel Moreira em "Social: a palavra-doninha" (Leais, Imparciais e Liberais), um conceito para o qual a maior parte dos críticos do liberalismo remete todos os tipos de políticas que não são do seu agrado), começam também a refrear os seus ímpetos à medida que se vão apercebendo que podem já ter ido demasiado longe, acabando por colocar o próprio conceito de mercado livre em causa - o que ainda serve os propósitos de certas ideologias predadoras do indivíduo.

 

Parece-me por isso bastante oportuno este artigo, de onde destaco o seguinte:

 

You may recall that as the crisis initially unfolded, there was a reflexive reaction on the part of many to blame deregulation, without presenting any evidence for that position. Black makes numerous references to a lack of regulation as being responsible for the mess, but does bring up specific examples. Black quite naturally brings with him the bias of a regulator, so it is necessary to examine what he says in order to evaluate his assertions. I have summarized some of his key points below, in the order in which they surfaced in the interview, while adding my own thoughts after each.

This crisis was driven by fraud … on the part of mortgage loan originators, rating agencies, investment banks, and AIG:

 

Black attributes the collapse to fraud and equates this with a lack of regulation. However, as Sheldon Richman pointed out in connection with the Madoff scandal, this is a false equivalence. "Dear Ms. Maddow:
Why do you call the government’s failure to pursue fraud allegations in the Madoff case "deregulation"? Laws against fraud – that is, against the acquisition of someone else’s property by deceitful means – have never been regarded as "regulation" or limits on free-market activity. They were simply part of the free market’s common-law prohibition against violating person and property. Regulation, on the other hand, consists of government interference with private parties setting their own nonfraudulent terms of exchange in the market. By equating abstention from investigating fraud with laissez faire, you have allowed your ideology to blind you. Maybe this would be a good topic for discussion on your program." In other words, failure to investigate and prosecute fraud is a fundamental breakdown in the rule of law, much as it would be to do likewise for cases of murder or conventional robbery. It is not a characteristic of a free market. If we want to get to the bottom of the problems, as I believe Black sincerely does, we need to be very careful about diagnosing the problems correctly and a prerequisite for doing so is using accurate language. This is not mere quibbling about semantics.

 

(...)

 

These problems were a result of ideologies which swept away regulation. Regulation and law enforcement mean that cheaters don’t prosper and allow capitalism to function properly and honest purveyors to succeed:


As discussed earlier,
free markets DO punish fraud, so if there was an ideology that was responsible for the non-punishment of fraud, it is not a free market one.


Free markets also punish reckless behavior by allowing companies and individuals to endure the consequences of their actions, not get bailed out. This is another way that they allow honest and prudent people to succeed.


Free markets also allow for open competition which over time will produce better businesses. On the other hand, for example, giving regulatory preferences to certain rating agencies will create a cartel instead, making it more likely for the poor performance of said companies noted after the crash of the Technology Bubble to continue.

publicado às 23:34






Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas