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Trump ganhou a Eurovisão

por John Wolf, em 09.05.18

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A Netta de Israel deve ganhar o certame musical, enquanto Trump achocalha o acordo nuclear respeitante ao Irão. A Alemanha, a França e o Reino Unido, aparentemente fora do baralho da decisão do presidente dos Estados Unidos, acabam por servir o processo com arte e engenho  - o pé ocidental, metido na porta de Teerão, não me parece ser fruto de uma escorregadela, de um desacordo flagrante -, serve o guião do copo meio-cheio ou do copo meio-vazio. O que acaba de suceder, enquanto Pompeo assenta arraial na Coreia do Norte, tem o condão de realinhar a política externa norte-americana. Desde Reagan que poderemos traçar uma continuidade, usando uma expressão académica portuguesa - as constantes e linhas de força da política externa, interrompida pelo duplo mandato de Barack Obama. Ou seja, registamos uma espécie de intervencionismo não intervencionista, que descarta o valor de alianças e tratados, mas que não assume por completo o isolacionismo. A denúncia do "Joint Comprehensive Plan of Action (J.C.P.O.A.)" não significa a ausência de movimento. As sanções económicas do nível red alert, deverão, expectavelmente, provocar ondas em toda a região do Médio Oriente, e em particular agudizar as tensões entre a Arábia Saudita e o Irão que já se encontram em zaragata por procuração, quer na Síria quer no Iémen. Não nos esqueçamos que a Rússia já se encontra sob a égide de sanções dos EUA e a Ucrânia recebe armamento para se defender do agressor. No entanto, ontem houve algumas frases de Trump que foram sacadas da era George W. Bush, quando este apresentou o argumento inatacável da existência, sem margem para dúvidas, de armas de destruição maciça no Iraque, para validar uma operação militar de grande envergadura. Desta vez não me parece que Trump venha a invadir o Irão - os outros que paguem a factura. No entanto, ainda não poderemos definir uma doutrina Trump, mas podemos ensaiar um esboço. Donald Trump joga por antecipação, fruto de uma certa imprevisibilidade, alimentado por uma certa carga emotiva, para depois, analistas e afins, tentarem a todo o custo extrapolar um modelo de racionalidade, parente próximo da estratégia, como se esta existisse na íntegra. Em todo o caso, a excentricidade atípica gera efeitos não estimados e fluxos inesperados. Veremos o que Trump resgata da incursão coreana. Encontramo-nos, sem dúvida, na semi-final do festival Eurovisão da geopolítica. Cada um concorre com a cantiga que lhe convém e no fim porventura teremos mais perdedores do que ganhadores. Como diria Nassim Taleb - Trump doesn´t want to have his skin in the game, mas quer a todo o custo que os outros arrisquem o pescoço.

Photo credits: Metro

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publicado às 13:49

Ponto contraponto

por Nuno Castelo-Branco, em 03.08.14

Está Pacheco Pereira na SIC-N a narrar um mundo desaparecido: o das sociedades muçulmanas que há sessenta, cinquente, quarenta, trinta e cinco anos eram nas grandes cidades, muito abertas aos padrões europeus. Como exemplo, JPP fala da condição feminina, mas poderia ir mais longe. Gostava de o ouvir acerca dos paradoxos do regime do Xá Reza Pahlavi e já agora, ele que aproveite para fazer uma abordagem comparativa entre o Irão de ontem e de hoje. 

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publicado às 20:20

O Irão terá a bomba... sem o Xá

por Nuno Castelo-Branco, em 25.11.13

 

Os corredores diplomáticos de há perto de três décadas, confirmavam as suspeitas lançadas pela Casa Imperial iraniana. Sobretudo por duas razões, os norte-americanos da catastrófica administração Carter ter-se-iam interessado pela queda do Xá Mohamed Reza Pahlevi: a primeira respeitaria à cada vez maior proeminência do Irão no Médio Oriente, estando em vias de obter uma confortável independência face à tutela estabelecida por Washington após a queda de Mossadegh. O Xá era poderoso, estava cada vez mais crítico - tinha relações com os israelitas, mas atrevia-se a criticar a exclusivista política americana na região - e agia demasiadas vezes segundo o exclusivo interesse do seu país,  sendo isso intolerável. Segundo aquilo que normalmente se alega, "falou demais", não hesitava em apontar as falhas internas dos seus teóricos aliados.

A segunda razão consistia nas ambições nucleares que o soberano acalentava, prevendo a rápida modernização do país e insistindo numa fonte de energia alternativa ao petróleo que exportava. Não se excluía também a possibilidade de passada a fase da energia para fins pacíficos, o Irão ingressar no restrito clube das potências nucleares. Para outro país daquela parte do mundo, isso seria intolerável. Conseguiu-se impedir o caminho gizado pelo Xá, mas acabou por ser o Paquistão o beneficiário. 

 

O Irão alcançou uma importante vitória em vários sectores. Diplomaticamente quebrou a unidade ocidental, conseguiu esbofetear o Estado de Israel e iniciou uma fase de degelo que externamente oferece alguma legitimidade ao regime absolutamente  tutelado pelo clero xiita. Economicamente as vantagens são imensas, conseguindo aquilo que o regime de Saddam jamais obteve, ou seja, o levantamento de sanções que antes de tudo estavam a minar gravemente o regime, fazendo desesperar uma população que hoje se encontra muito longe dos padrões de consumo e de progresso material e social dos tempos do Xá. Esta conferência poderá significar a salvação do regime islâmico e as autoridades locais estão muito justamente eufóricas. O Ocidente cedeu e numa época de profunda crise, os negócios estabeleceram o diktat

 

As garantidas dadas pelo governo de Teerão, não valem a folha de papel em que foram escritas. Todos o sabemos, embora os ocidentais tentem dourar-nos a pílula. 

 

Não é apenas Israel que teme os resultados desta conferência internacional. Todos os vizinhos do Irão estão receosos pelo evoluir de uma situação que queiram ou não queiram os norte-americanos, acabará por conceder a Teerão a arma final. Tratando-se apenas de uma questão de tempo, não são de descartar alguns realinhamentos estratégicos na zona.

Há perto de oitenta anos, a Alemanha remilitarizou a Renânia, denunciou - com toda a justiça, há que dizê-lo - o Tratado de Versalhes e daí rapidamente passou à ofensiva diplomática, económica e militar. É este o longínquo paralelo que em primeiro lugar a quase todos ocorre: Munique. 

 

Não deverá ser muito difícil proceder a um exercício de imaginação acerca daquilo que a administração de Obama significará para a história, mas de um dado podemos estar certos: com alguma baraka para os iranianos, o risonho Sr. Obama concedeu-lhes a bomba atómica. Bem pode correr escadas acima para bordo do Air Force One. Missão cumprida. 

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publicado às 19:05

Desmancha "prazeres"

por Nuno Castelo-Branco, em 10.10.13

Anda meio mundo encantado com o relações públicas de Khamenei, mas há que entender o que verdadeiramente se passa quanto à frenética procura do chamado appeasement. 

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publicado às 18:20

Do you fly?

por Nuno Castelo-Branco, em 20.12.12

 

O Onik Sahakian era um incontornável protagonista de episódios picarescos. Fosse onde fosse, quando menos esperava era colocado em situações imprevistas e a colecção de episódios é tão vasta que seria capaz de encher um volume com estorietas  mais ou menos surrealistas.

 

Isto passou-se em Nova Iorque, em plena Park Avenue. Desde que se estabeleceu em Portugal, tornou-se num ávido consumidor de tudo aquilo que era próprio da nossa terra, mesmo que isso apenas correspondesse a estereótipos pela imensa maioria ignorados. Homem de talhe pequeno, resolveu-se a comprar um capote alentejano e numa das visitas à Big Apple, aproveitou a oportunidade para se passear com o abafo "tipicamente português". Infalivelmente atraiu a atenção de alguns transeuntes, entre os quais, três garotos que durante alguns minutos cirandaram à sua volta, fixamente olhando para o capote. Já um tanto ou quanto incomodado, Onik resolveu parar por uns momentos e perguntou-lhes o que pretendiam.

 

Timidamente, um deles avançou e apontando para o capote, deixou a enigmática questão.

 

- Excuse me Sir, do you fly?

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publicado às 09:00

O repasto do príncipe

por Nuno Castelo-Branco, em 19.12.12

 

A coroa imperial dos Qadjar

Durante os perto de vinte anos de amizade, o Onik foi o central protagonista de inúmeros episódios que para sempre ficarão gravados na minha memória. Um deles aconteceu na sua famosa cozinha, centro nevrálgico do seu apartamento na Rua do Salitre. Ali frequentemente se reuniam os amigos em fartas comezainas e conversas que duravam horas infindas. Existe uma lista infindável de histórias onde o burlesco, o drama e o fait-divers bastas vezes surrealista, andam demasiadas vezes numa tão improvável como normal companhia.

 

Já há alguns anos, o Onik telefonou-me todo entusiasmado, exigindo a minha urgente comparência em sua casa. De Nova Iorque chegara um amigo de muitas décadas, de seu nome Ali Mumtaz, persa de gema e segundo uma esperada e fidedigna garantia onikiana, ..."absolutely royalist like we are". Eu residia a  uns quinhentos metros de distância e em pouco minutos lá toquei na campainha, deparando com um sorridente recém chegado, já fatalmente dedicado aos labores culinários que prenunciavam uma longuíssima conversa. Como seria de esperar, as palavras rapidamente enveredaram por aquele infalível caminho que o mútuo interesse pela História obriga e logo me apercebi da invulgar bagagem cultural que Ali carregava, centrando a Pérsia  como ponto de interesse exclusivo da nossa conversa. O homem infatigavelmente ia cozinhando à medida que devorávamos o que nos servia e com esta ou aquela provocação do desde sempre sarcástico Onik, surgiam atalhos ou caminhos desavindos no decorrer das falas. O repasto, lauto como poucas vezes tive o prazer de degustar, consistia num infindável número de delícias persas, onde o arroz, o frango, queijos frescos e todo o tipo de vegetais, especiarias e frutos secos, testemunharam aquela esmagadora presença de uma cultura forte de milénios, a única que a par da China, ainda hoje prossegue o seu caminho desde a Antiguidade. Que manjares, que harmonia de sabores, um refinamento inigualável, digno dos melhores conhecedores da matéria!

 

Horas depois, quase estourando devido a um providencial pantagruelismo a que raramente me faço rogado, comentava-se a deposição da dinastia Qadjar e a ascensão dos Pahlavi ao Trono do Pavão. Como sinal para um breve interregno destinado à reposição de forças, deixei cair a questão:

 

- Ali, mas finalmente o que aconteceu a essa gente, os Qadjars?

 

De imediato Onik teve um daqueles frequentes lampejos em que se notava o prazer por me ter apanhado num indesejável pé em falso. Com uma sonora gargalhada entre o diabólico e o condescendente, retorquiu:

 

- Nuno, they are closer than you can imagine! 


Era verdade. O cozinheiro e diluviano contador de histórias e mitos, era um dos bisnetos do Xá da deposta dinastia. Como estocada final, sublinhava a sua total lealdade aos Pahlavi, os sucessores dos seus avoengos. 

 

Por umas horas fiquei prostrado, até todo o processo recomeçar. Assim foi durante três dias. 

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publicado às 12:01

Gaza

por Nuno Castelo-Branco, em 19.11.12

Naquela minúscula, quase insignificante faixa de terra que de imediato nos faz recordar uma região homónima que nos encheu páginas de livros de história com os nomes de Mouzinho de Albuquerque e da sua Némesis, o Gungunhana, volta a ouvir-se o silvo dos mísseis e o metralhar das armas automáticas. Se a situação no Médio Oriente já se encontrava num crescendo de belicosidade, a incursão israelita em Gaza, insere-se num padrão de escalada que apenas poderá ter como alvo o Irão e os seus aliados regionais. 

 

Este episódio teve início já há alguns dias, sabendo perfeitamente os dirigentes do Hamas que o lançamento de mísseis contra alvos israelitas teria uma rápida resposta. A estratégia não poderá deixar de a todos parecer intencional e assim estamos perante o possível alastrar do conflito sírio a um âmbito mais vasto e muito mais perigoso, no qual os contendores principais serão os israelitas e os persas. Talvez o governo de Netanyhau esteja a contar com a profunda desconfiança e espectável neutralidade dos países árabes, temerosos de um Irão armado de armas nucleares e apoios na Síria, Iraque e Líbano. A chuva de 500 mísseis que caíram em Israel, não poderá deixar de ser encarada como uma intencional provocação e os dirigentes iranianos poderão ter tido alguma influência no despoletar de mais esta crise.

 

A verdade é que esta guerra parece ser conveniente a ambas as partes e a incursão na Faixa de Gaza poderá ser o prelúdio de uma operação mais vasta, esperando os israelitas uma retaliação do Hamas e ser assim responsabilizado o tutor iraniano. Há quem avente a certeza de uma guerra cirúrgica visando as instalações nucleares que o regime dos aiatolás fez espalhar pelo seu território, mas não existe qualquer certeza acerca do verdadeiro potencial bélico com que Teerão conta, além de serem possíveis ataques directos directos ao território de Israel, dada a situação dos aliados do Irão no Líbano e na Síria. Neste último país, este distrair das atenções para outras áreas do Médio Oriente, poderá servir os interesses do regime de Assad, levando-o a um supremo esforço  que liquide a oposição interna e os seus apoiantes brigadistas, armados e financiados por alguns países pró-ocidentais. Resta-nos então aguardar a evolução dos acontecimentos e verificadas as díspares posições dos países muçulmanos, a capacidade ou vontade da administração norte-americana do exercício da sua influência sobre israelitas e outros aliados .

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publicado às 10:53

Está tudo doido...

por Pedro Quartin Graça, em 29.04.12

Líder da CIA convertido ao Islão

De acordo com o Courrier Internacional, "Roger, 66 anos, é o responsável mais importante e menos visível da CIA. Chefia o Centro de Combate ao Terrorismo desde 2006 e é responsável pelo programa de ataques com aviões não tripulados no estrangeiro.

Por cada nuvem de fumo que se segue a um ataque com um avião não tripulado da CIA, dezenas de pequenas espirais de fumo mais pequenas apontam para o local onde se encontra uma figura esguia, parada num pátio do quartel-general da agência, em Langley, Virgínia. Este viciado em nicotina, com a barba por fazer, tem quase 60 anos e os fatos pretos que usa dão-lhe o ar de dono de uma agência funerária.

Chefe do Centro de Combate ao Terrorismo (CTC) da CIA há seis anos, este homem tornou-se, de facto, o coveiro daAl-Qaeda. Roger, o primeiro nome da sua identidade fictícia, é simultaneamente o mais importante e o menos visível dos responsáveis de segurança nacional de Washington. Foi o principal arquiteto da ofensiva da CIA com aviões não tripulados e chefiou a perseguição a Osama Bin Laden. Foi também graças a ele, em grande medida, que a Administração Obama fez dos atentados dirigidos a alvos específicos a pedra de toque da sua política antiterrorismo.

Os colegas descrevem Roger como um poço de contradições. Este fumador inveterado passa horas a correr numa passadeira mecânica. Apesar do seu manifesto mau feitio, tem sido capaz de garantir apoios suficientes para se manter no cargo. Dirige uma campanha de ataques aéreos, que já matou milhares de islamitas radicais e provocou a cólera de milhões de muçulmanos, mas converteu-se ao Islão. 

Durante a sua ascensão, não deixou de ter desaguisados com personalidades influentes, como David Petraeus, quando este foi comandante militar das forças dos EUA no Iraque e no Afeganistão e pôs algumas vezes em causa a visão muito pessimista da agência sobre estas duas guerras. Os dois homens tiveram de fazer concessões mútuas, na altura em que Petraeus foi nomeado diretor da CIA."

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publicado às 15:43

Guerra iminente

por Pedro Quartin Graça, em 19.02.12

Indiferente às sanções económicas, o Irão avança, de forma provocadora, no Canal do Suez. O comandante da Armada iraniana, almirante Abibollah Sayyari, afirma que a incursão de dois navios de guerra no Mediterrâneo visou "mostrar o poder da República Islâmica do Irão". Infelizmente agora é apenas uma questão de tempo. Ou o Irão recua neste seu comportamento, hipótese improvável, ou Israel não tardará a reagir. E, se tal acontecer, a guerra, de extensão territorial tão imprevisível quanto trágica, será inevitável. 

 

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publicado às 08:44

Next, please!

por Eduardo F., em 23.10.11

Há mitos cuja extraordinária persistência, apesar de há muito terem sido cientificamente arrasados, se revelam bem perigosos. Por exemplo, o gráfico abaixo, é apresentado por alguns como "A Prova" de que uma intervenção estatal a grande escala - a II Grande Guerra - permite "resolver" os problemas associados a uma grande e profunda recessão económica (como a que atravessamos). Este senhor - não por acaso muito admirado pela anterior troupe socratina, pela actual equipa dirigente do PS, na forma mitigada de "austeridade inteligente", e permanentemente incensado no Público (como voltou a acontecer na edição de hoje) -, não tem andado a escrever nos últimos anos outra coisa que não isto.

 

Pacheco Pereira, na sua crónica de ontem no Público, tentou prescrutar as razões de ser da intervenção da NATO na Líbia sem todavia fornecer uma interpretação conclusiva. Com o devido respeito, creio que a resposta está na intersecção das doutrinas wilsonianas do nation building (de que Clinton foi um activo praticante) e do complexo militar-industrial de que falava Eisenhower no seu discurso presidencial de despedida, que constituem o sustentáculo do imperialismo americano que toma como seus "interesses" tudo o que se passa nos quatro cantos do mundo. A igreja keynesiana, entretanto, encarrega-se de justificar que tudo afinal ocorre a bem da actividade económica americana .

 

 

Curiosamente, esta senhora, candidata à nomeação presidencial pelo partido republicano, e nos antípodas ideológicos de Paul Krugman, acha que o Iraque e a Líbia deveriam agora reembolsar o governo americano das despesas incorridas na sua "libertação" pelos pressurosos EUA. Já John McCain, candidato republicano derrotado em 2008, acha que o dia em que Obama anunciou a retirada do Iraque (será mesmo desta vez?) marcou "um nocivo e triste revés para a posição dos Estados Unidos no mundo". Next, please! O Irão parece ser um "excelente" candidato.

 

Informação adicional: aqui, por Jon Stewart.

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publicado às 19:47

What's next?

por Nuno Castelo-Branco, em 27.02.11

Os próximos da lista

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publicado às 01:00

Farah Pahlavi documentary

por Nuno Castelo-Branco, em 19.02.11

Ahmadinejad e o seu bando de rufiões, bem poderão estar de partida nos tempos mais próximos e suspeita-se que tal não acontecerá com jasmins, rosas ou lírios. Assim, talvez seja útil conhecermos outras realidades.

 

Infelizmente, não é possível aqui deixamos a versão inglesa deste documentário. O link foi desactivado, mas neste momento conturbado, convém o seu visionamento AQUI. Este excelente trabalho, apresenta-se dividido em 9 partes e está disponível no Youtube. Vejam com atenção o filme 4 e concluam acerca dos nossos aliados norte-americanos, Jimmy Carter, etc. Elucidativo.

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publicado às 12:38

Irão

por Nuno Castelo-Branco, em 17.02.11

 

Aflito com o que está para vir, o regime dos aiatolás convoca manifestações. Lembram-se da manifestação convocada por Ceausescu?

 

"For every monarchy overthrown the sky becomes less brilliant, because it loses a star. A republic is ugliness set free." - Anatole France

 

"Reza Pahlavi, Crown Prince of Iran, said Iran’s youth were determined to get rid of an authoritarian government tainted by corruption and misrule in the hope of installing a democracy.

 

The only alternative is a future Iran that is endowed with a parliamentary democratic system,” he said. “But it is up to the people to decide if the final form is to opt for a parliamentary monarchy. It is a matter of if it has merits and can play a role.”

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publicado às 14:53

Reza Pahlavi

por Nuno Castelo-Branco, em 15.02.11

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publicado às 11:59

Agora, Praça Azadi: em Teerão

por Nuno Castelo-Branco, em 14.02.11

O Público nada diz, pouco importa. A notícia não é "revolucionária". O DN noticia milhares e milhares de pessoas - em directo de Teerão, informam-me de 300.000 -, uma compacta multidão que berra "morte ao ditador". Como não existe qualquer hipótese  de se tratar de algo anti-americano ou anti-europeu, veremos como reagem os media ocidentais. Vejam as imagens, são impressionantes.

 

O que vier, que valha a pena, regressando o Irão da idade média a que há 30 anos se remeteu.

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publicado às 19:22

1979-2011: estamos amarrados a um cadáver

por Nuno Castelo-Branco, em 11.02.11

Congratulations, Mr. Obama, you're a follower of Mr. "peanuts" Carter

 

Dentro de dias é bem possível a "alá-u-akbarização" da vida egípcia. Portugal, um "fiel aliado", está amarrado a um cadáver. Tanto pior.

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publicado às 18:46

Um dos argumentos mais utilizados contra o regime do Xá do Irão, consistia na visibilidade social da imperatriz Farah Diba. Os mulás revolviam-se em biliosos ódios pela sua presença em local destacado, nas cerimónias oficiais. Detestavam a sua obra social junto dos idosos, das mulheres e da infância, precisamente porque isso liquidava o papel do clero xiita nas populações resignadas à submissão. Execravam a sua protecção às artes "imorais e ímpias" - ópera, teatro, ballet, pintura - e a decisiva influência que exercia quanto à liberalização legislativa na igualdade de género. Para cúmulo, o Xá Mohamed Reza Pahlavi coroou-a, tornando-a numa igual. O monarca foi longe demais e hoje o Irão é controlado por uma sanguinolenta máfia, cuja cabeça visível é o taxi-driver Ahmadinedjad.

 

Se atentarem bem às imagens que chegam da Praça Tahrir, não se vislumbra uma única mulher sem um trapo na cabeça ou não vestindo um balandrau do pescoço aos pés. Lá estão alguns simulacros de avançadotas  balzaquianas vociferantes, mas ordeiras servidoras dos homens que ali acampam. O mulherio toma conta das bebidas, comidas, limpezas, e pouco mais. Afinal, é esse o papel que a sociedade, muito distante daquela que existiu há milhares de anos no mesmo território, reserva à mulher. Apesar do regime instituído em 1952 - que remeteu as activas  Faridas e Fauzias par o limbo da história -, nada que se compare com aquilo que os pressurosos "Irmãos" lhes destina.

 

Um exemplo bem próximo, chega da Jordânia. Segundo mais um oportuno e bem-vindo copy-paste do Diário de Notícias, um importante grupo composto por 36 chefes tribais beduínos, exige que o rei Abdulá II cerceie as actividades da consorte real, a rainha Rania. A alegação é tirada a papel químico daquelas outras inventadas por Khomeiny, quando nos anos setenta enviava de Paris, venenosos discursos contra a imperatriz Farah Diba. Segundo o douto e esclarecido parecer dos homens do deserto, Rania procura "construir centros de poder pessoal" e claro está, os homens das tribos ameaçam com um fantasma de crise social, à imagem do que se passa no Egipto e na Tunísia. Este ranger de dentes não é novo, pois durante o reinado de Hussein I, os fundamentalistas diziam o mesmo acerca da rainha Noor, obsessiva capa de revista e presença incontornável nas obras sociais do Estado.

 

A actual rainha é palestiniana e como tal, tem sempre defendido os direitos dos refugiados residentes na Jordânia, hoje a maioria da população. Num típico acesso de tribalismo, os beduínos hachemitas enviaram uma petição ao monarca, declarando-se como os "verdadeiros jordanos". Tudo isto não passa de uma manobra de diversão, pois o ponto essencial consiste no papel que a rainha tem desempenhado nas acções pelos direitos das mulheres e na obra social, laica, exercida junto das populações. Tudo o mais é secundário, quando os rígidos princípios de organização social a que a religião dá forma, é colocado em causa. No caso jordano, os contestatários parecem ter alguma facilidade na difusão deste tipo de mensagem. Apesar do regime moderado e pacífico, o reino é um país pobre, sem recursos petrolíferos e bastante dependente dos seus vizinhos. Muito se tem conseguido na modernização do aparelho do Estado e nas cautelosas reformas sociais, mas este súbito impulso que de fora chega, poderá causar sérias perturbações. Uma vez mais, a Irmandade Muçulmana aparece em todo o seu flamante reaccionarismo e pelas "Europas", pode sempre contar com o previsível aplauso de uma certa "esquerda anti-americana". A questão é saber até que ponto as camadas urbanas do reino, estarão dispostas a tolerar um discurso retrógrado e coonducente a uma implacável ditadura?

 

Já alguém imaginou a rainha Rania de burca, ou envelopada de negro num balandrau?

 

* Por aqui, continua tudo na mesma. Para descontrair-mos, um texto piroso e lamechas, vulgar e sem algo de inesperado: "utopia" (que bem poderá acabar em killing fields), "terra da fraternidade" (está-se mesmo a ver...), "chá de borla" (e música pimba local), "desconhecidos que se abraçam" (por isso sai, sai da minha vida!), "êxtase tranquilo" (o que é isso?), "um imenso sorriso" (we are the world, we are the children) e por "Feicebuques", "Ai-fáives", "éme-ésse-énes", "páuer-póntes" fora. Só lá falta a "Grândola", entre uma dentadura postiça da Caixa, chaparros e um burro.

 

Não sendo a peça artística assinada, dir-se-ia que o Público enviou Corin Tellado ao Cairo.

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publicado às 12:52

Khomeiny continua a matar

por Nuno Castelo-Branco, em 04.01.11

Era um adolescente, quando partiu com a família para um exílio que parecia temporário. Dias depois daquela fatídica e fria manhã de 1979, chegavam as primeiras notícias de fuzilamentos sumários, linchamentos públicos, prisões indiscriminadas e tortura de amigos, parentes e colaboradores do regime do seu pai, o Xá Mohamed Reza Pahlavi. Correram o mundo, ignóbeis fotos de corpos mutilados ou crivados de balas, assim como de faces desfiguradas de homens e mulheres seviciados pelos capangas dos triunfantes aiatolás.

 

Nos Estados Unidos, corriam sérios rumores acerca da tergiversação da patética e criminosa administração Carter, sempre pronta a ceder a qualquer chantagem que pudesse evitar o beliscar dos interesses económicos norte-americanos no Médio Oriente. É hoje aceite, ter sido ponderada a entrega do monarca e de toda a sua família aos rufiões que instalados em Teerão, rapidamente faziam o país regredir à Idade Média, proclamando uma "lei de Deus" tão radicalmente impiedosa, como os seus instintos de facínoras profissionais. A família Pahlavi foi viajando de país em país, eximindo-se às arbitrariedades de Carter e da sua quadrilha de pusilânimes, precisamente no momento em que o Xá rapidamente sucumbia à depressão e ao cancro que lhe ditava o fim da vida. Valeu-lhes o grande homem, digno sucessor dos faraós de outrora, o presidente Anwar el-Sadat.

 

Durante toda a sua juventude e idade adulta, Ali Reza foi condicionado em todos os seus movimentos, temendo-se uma tentativa de eliminação física ou rapto ordenado pela teocracia xiita. Homem cultíssimo, poliglota e preparado para o exercício de funções de relevo, viu coarctada a sua vontade, sujeitando-se a uma deprimente "prisão domiciliária", aliás partilhada por uma irmã que em Paris se suicidaria, cedendo à pressão.

 

Ali Reza Pahlavi suicidou-se esta manhã.

 

Khomeiny continua a matar, irmanando as suas vítimas, sejam elas os filhos do grande Imperador, os estudantes atirados para a revoltante miséria, as mulheres lapidadas ou gente que resiste à opressão que tarda em ser deposta.

 

Aqui deixamos a nossa simpatia a S.M. Reza Shah II. Para aqueles que decidirem enviar uma mensagem a essa senhora corajosa e brilhante que é S.M. a Xabanu Farah Pahlavi, o Estado Sentido aqui deixa o contacto:

 

fpahlavi@hotmail.com

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publicado às 22:04

Irão: os crimes dos aiatolás

por Nuno Castelo-Branco, em 23.02.10

 The Los Angeles Times managed to interview the solicitor of Arash Rahmanipour. The young man was executed on 28th January 2010 along with fellow Monarchist Mohammad Reza Ali Zamani (37).

“Lawyer Nasrin Sotoudeh (46) is filled with rage over the treatment of her client, 20-year-old Arash Rahmanipour, who was not defended in court and then was quietly put to death.”
"The defendant met with his lawyer once for 15 minutes before he was sentenced to death and hanged.
"When the lawyer complained to authorities, they ignored her. When she tried to enter the courtroom where he was being tried, they threatened her with arrest. And when she spoke out publicly at what she described as a gross miscarriage of justice, they shut off her cellphone.

"Rahmanipour was arrested in April, weeks before the disputed June presidential election and the mass protests that erupted afterward. Nonetheless, he was tried during the mass court proceedings against opposition supporters last fall and sentenced to death on charges of being a mohareb, someone who takes up arms against God.
"After the sentence was read out in court,
 Rahmanipourpulled himself together, Sotoudeh said. He wrote a letter to his father, Davoud, describing himself as Arash the Archer, a character from Persian legend, who stretched the string of his bow to send an arrow to the farthest distance, sacrificing himself for his nation.
"Immediately after an appeals court upheld the conviction three months later, he was executed.
"At noon, 
Rahmanipour's father called Sotoudeh. To her surprise, he spoke hopefully about visiting his son that day. They had spoken Monday, and Rahmanipour had told him he'd be allowed to see his parents on Thursday.
"He had no idea that his son had been executed hours earlier."

 

No Radical Royalist

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publicado às 21:31

Ajudar o Irão

por Nuno Castelo-Branco, em 15.02.10

 

 Enquanto vai usando dos subterfúgios próprios de regimes párias, a despótica teocracia de Teerão intimida a população, promovendo execuções em série. Como claro sinal de aviso à oposição interna e externa, o governo dos aiatolás ataca em múltiplas frentes, servindo o nuclear como pretexto para acusar o Ocidente de ingerência na política interna do país. A situação no Irão, deixou há muito de ser um problema local ou da região, pois  o desenvolvimento de sistemas de ataque de longo alcance, consiste numa série ameaça à Europa, aliada dos EUA.

 

Geralmente indiferentes a problemas que lhes parecem longínquos, os portugueses poderiam hoje empenhar-se mais na causa dos direitos daqueles que têm arriscado a vida para o regresso do Irão a um sistema mais consentâneo com a sua história milenar.

 

Aqui deixamos o apelo à colaboração de todos, assinando por Portugal a petição on-line e manifestando o nosso repúdio pela vaga de execuções aagendada.

 

Ajudar  aqueles que lutam, é defendermo-nos da prepotência. Colaborem!

 

http://www.servisis.co.uk/greenwave/greenmail_po.html

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publicado às 15:14






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