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Afeganistão: uma oportunidade perdida

por Nuno Castelo-Branco, em 04.12.09

 

Sob o resignado olhar de M. Zahir Xá, Karzai é empossado da presidência

 

Quando após a queda do regime talibã, Mohammed Zahir Xá convocou a Loya Jirga, parecia iminente a tentativa de regresso ao almejado, mas para sempre perdido status quo de 1973. Avessos a tudo aquilo que respeite a costumes e tradições de outrem, os norte-americanos opuseram-se terminantemente à devolução da chefia do Estado afegão ao espoliado monarca. Preferiram atribuir uma novel presidência a Karzai, um homem de confiança e que é susceptível de defender os pontos de vista das empresas energéticas que procuram estabelecer-se firmemente na Ásia Central.

 

Contrariando aquilo que já era consensual entre os chefes tribais, os EUA negaram a possibilidade da restauração de uma monarquia que antes de tudo o mais, garantiu quatro ininterruptas décadas de paz no Afeganistão e a tranquilidade do sistema tribal.

 

A situação actual é catastrófica. Além do deteriorar das relações inter-tribais que encorajam a recruta de novos combatentes talibã, a fastidiosa guerra eleitoral que conduziu Obama à Casa Branca, enviou sinais contraditórios a todos aqueles que no terreno lutam pela hegemonia. Além de um Paquistão visivelmente assolado pela subversão e dissidência, os americanos pouco podem contar com os países vizinhos que a norte, ainda se encontram numa fase de consolidação da situação criada pelo desaparecimento da União Soviética. Sem a cooperação russa, chinesa ou indiana, os EUA dependem uma vez mais dos sempre secundarizados aliados que na Europa enfrentam uma opinião pública hostil, porque conhecedora da realidade no terreno. Obama pede auxílio para um regime que obedeceu desde a sua instauração, aos seus critérios de avaliação que antes de tudo, vão encontro dos interesses económicos dos EUA. Se no terreno parecem existir desinteligências com contingentes aliados - o exército britânico, por exemplo -, um obstáculo ainda maior é a opinião pública que na Europa não parece disposta a investir numa aventura de indefiníveis contornos.

 

Obama mobiliza mais 30.000 efectivos e simultaneamente, marca a data de retirada. Política errática, ao sabor dos noticiários e do politicamente conveniente, consistiu este anúncio de fuga prevista,  num erro fatal e capaz de afastar ainda mais, qualquer tipo de vontade de auxílio substancial por parte dos aliados da NATO. 

 

Resta apenas saber, o que verdadeiramente decidirá a administração invisível e permanente que ao longo de sucessivos mandatos presidênciais, acaba por conformar a política do departamento de Estado.

publicado às 17:20

 

 

Do nosso colega australiano Radical Royalist, este interessante post sobre o conflito afegão:

 

The Age’s Europe correspondent in Brussels, Julian Borger, read an article on Afghanistan in the British newspaper The Guardian , which he passed on to Australia for publication intoday's edition of the Melbourne newspaper. 

The US and its European allies are preparing to plant a high-profile figure in the heart of the Kabul Government in a direct challenge to Afghan President Hamid Karzai. The creation of a new chief executive or prime ministerial role is aimed at bypassing Mr Karzai. … Many US and European officials are disillusioned with the extent of the corruption and incompetence in the Karzai Government, but most now believe there are no credible alternatives, and predict the Afghan President will win re-election in August.

[A] diplomat said alternatives to Mr Karzai had been explored and discarded: ‘No one could be sure that someone else would not turn out to be 10 times worse.’"

It speaks volumes that these Western politicians, diplomats and journalists ignore what the majority of the Loya Jirga delegates wanted for their country: The return of the Monarchy. 

According to the German political magazine Der Spiegel, Prince Mustafa Zahir claimed 1,347 deputies out of 1,500 of the Loya Jirga that gathered in 2002 to discuss the countries future had voiced their support in parliament for his grandfather as head of state. “Who exactly pushed his grandfather aside, he won't say -- what he means is that the Americans wanted Karzai and no one else from the very beginning. ‘But as a normal citizen,' he says now, he has been'disappointed' by the Karzai regime.” Prince Mustafa Zahir is a King in waiting and a formidable alternative to Mr Karzai. 

publicado às 12:57






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