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Portuguese do it better than spanish

por John Wolf, em 12.11.14

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Foi na faculdade que descobri a profissão de intérprete de conferência. Estava no segundo ano do curso de Relações Internacionais quando os meus serviços foram requeridos impromptu. Em 1994, a Universidade Lusíada de Lisboa organizou uma conferência alusiva à arquitectura política da Europa no pós-União Soviética. Para o efeito convidaram um dos conselheiros políticos de Gorbachev, o Prof. Alexander Likhotal, para proferir um discurso sobre o tema, mas, inadvertidamente, os organizadores da conferência esqueceram-se de que necessitariam de um intérprete para o professor russo, uma vez que outros oradores servir-se-iam da língua portuguesa para endereçar as suas palavras ao auditório. Na qualidade de aluno bilingue fui chamado para dar uma mão, e converter as mensagens em língua inglesa para o convidado russo. A técnica de interpretação que empreguei chama-se chuchotage - murmurar directamente para o ouvido do destinatário. O processo é exigente e extenuante, mas descobri um filão profissional interessante e bem pago. No dia seguinte, à americana (sem cordelinhos, cunhas ou amigos), fui bater de porta em porta para oferecer os meus serviços de intérprete, e à laia de beginner´s luck, fui contratado à primeira. A agência de interpretação que me recrutou pôs-me em campo passado pouco tempo. De trabalho em trabalho fui crescendo, tendo tido várias tarefas interessantes. Por exemplo, a interpretação do discurso de tomada de posse do ex-presidente dos E.U.A. George W. Bush em directo na SIC Notícias, ou, mais recentemente, a interpretação consecutiva das conferências de imprensa pre-match and post-match de José Mourinho no âmbito do jogo de futebol entre o Sporting e o Chelsea para a Liga dos Campeões, cujos destinatários foram os espectadores da SKY News, de entre outros de diversas antenas internacionais. Mas o que me traz aqui hoje não se prende necessariamente comigo. Tem a ver com a defesa das virtudes linguísticas dos portugueses. Da minha experiência de intérprete de inglês-português-inglês (ENG-PT-ENG), e com mais de 200 conferências em cima dos ombros, posso concluir, sem reservas de opinião, que os portugueses têm talento para línguas "estrangeiras". Nem queiram comparar um espanhol e um português no que diz respeito ao uso da língua de Shakespeare. Os intérpretes sabem que uma das piores favas que pode sair no bolo é terem de levar com um espanhol a proferir um discurso em inglês. Pode ser que o interlocutor fale em inglês, mas a coisa soa sempre a castellano  e causa grandes transtornos cognitivos aos intérpretes. Esta é a verdade, independentemente de estudos académicos que possam conhecer a luz do dia. Numa das conferências em que tive de gramar um espanhol a "discursar" em inglês, levei uma cotovelada da minha colega intérprete, porque, totalmente convencido dos meus préstimos, estava literalmente, e palavra a palavra, a "traduzir" de inglês para inglês, tal era a espanholização da língua - parecia mesmo outra língua. Os portugueses, por seu turno, chegam a qualquer destino e, volvido muito pouco tempo, integram a língua de destino no seu espírito. Conheço múltiplos casos de sucesso. Um amigo, emigrado para a Alemanha há mais de uma década, passados seis meses já tratava a língua alemã por tu. Tenho mais exemplos no bolso, alusivos ao especial talento dos cidadãos portugueses para aprender línguas que não a de Camões, camones, mas quedo-me por aqui. Se me derem a escolher, nem sequer hesito, os portugueses ocupam um lugar no pódio. Quanto aos espanhóis, perdoem-me o desabafo, são uma dor de cabeça quando se põem a chalrar em inglês.

publicado às 08:58

Yes, Minister Crato!

por John Wolf, em 19.09.13

Sobre a obrigatoriedade ou não da língua inglesa no programa curricular ou extra-curricular do sistema de ensino em Portugal, e sendo a língua inglesa a minha materna, procurei sempre analisar as razões do sucesso dos portugueses na aquisição de idiomas estrangeiros. Não tenho dúvidas que a aprendizagem em tenra idade será um dos factores. É na aurora cognitiva que os implantes sinápticos e linguísticos decorrem de um modo mais eficiente. Essa possibilidade não deve ser enjeitada, bem pelo contrário, deve ser integrada de um modo compulsivo e incontornável. Existem porém outros factores de familiariedade com a língua inglesa que devem ser tidos em conta - o papel dos media. Veja-se o exemplo do critério (acertado, na minha opinião) de não tocar nas versões originais dos filmes. A legendagem (quando bem feita) serve para ensinar uma língua estrangeira. Quem conhece a realidade alemã ou polaca, é confrontado com esse triste exercício de dobragem, para além da língua polaca não colar bem aos lábios de James Bond. Esta forma de entrega em casa da papinha feita, não obriga o tele-espectador a desenvolver capacidades simultâneas de entendimento das mensagens. A interpretação simultânea (designada erradamente por tradução simultânea) lida com esse processo cognitivo de um modo muito intenso. Sei do que falo - queimei os neurónios nessa actividade durante 15 anos. Qualquer neuro-cientista (perguntem ao António Damásio, que é da casa) ou cognitivista, pode descrever e confirmar, que a actividade de "tradução" in loco, exige às cabeças pensadoras a utilização de ambos os lóbulos cerebrais. Portanto, é disso que se trata e não de saber se o menino ou a menina se desenrascam numa troca de palavras com uns bifes numa qualquer praia algarvia. O que está em causa é retirar ou não um módulo de aprendizagem transversal que extravasa as competências da língua e da mensagem propriamente dita. Se a língua inglesa não era uma componente obrigatória no sistema de ensino deveria passar a sê-la. Neste caso, tenho de dar razão à Catarina Martins do Bloco de Esquerda - é um retrocesso civilizacional. Enquanto o resto do mundo está à rasca porque não entende Mandarim, os chineses percebendo a lógica inversa, estão a cavalgar as fases de aprendizagem da língua inglesa. O ministro da educação pode se servir de todos os eufemismos legais decorrentes deste ou daquele diploma, mas não pode comprometer o futuro da comunicação dos cidadãos nacionais. Quanto a esta matéria, acho justo que se bata o pé e não se diga: sim, senhor ministro.

publicado às 08:39

1 - Tiago, não há erro de concordância algum. Deixe de imaginar coisas.


2 - O parágrafo abaixo é para aqueles indivíduos que deviam ter estado mais atentos nas aulas de Inglês, e que podiam evitar certas figuras se se dessem simplesmente ao trabalho de verificar aquilo de que falam/escrevem. Entretanto, parece que muita gente ainda não percebeu que eu tenho o hábito de confirmar, em várias fontes, praticamente tudo aquilo que escrevo que considere necessitar de confirmação - o que é uma parte substancial de tudo o que escrevo. Mania de liberal que socraticamente sabe que nada sabe e que, sendo humano, está fadado a cometer erros.

 

Sobre o possessivo nos nomes singulares em inglês:


«Many respected authorities recommend that practically all singular nouns, including those ending with a sibilant sound, have possessive forms with an extra s after the apostrophe so that the spelling reflects the underlying pronunciation. Examples include Oxford University Press, the Modern Language Association, the BBC and The Economist.[18] Such authorities demand possessive singulars like these: Senator Jones's umbrella; Tony Adams's friend. Rules that modify or extend the standard principle have included the following: (...)»

publicado às 04:06






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