Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Supina estupidez

por Nuno Castelo-Branco, em 11.06.13

 

É bem conhecida a evolução da direita portuguesa durante a 1ª República. Também se sabe ao que essa mesma direita se acomodou durante a 2ª República, quase ditando - pela sua quase volatilização - a queda do país num lúgubre totalitarismo logo após o 25 de Abril. 

 

Na 3º República, a direita portuguesa conseguiu aproximar-se da sua já longínqua antepassada dos tempos da Monarquia Constitucional e hoje já não consegue viver sem o sistema eleitoral que ocasionalmente lhe concede o poder de forma rotativa. Por incrível que a muitos isto possa parecer, a direita portuguesa gosta do sistema, vai a eleições e tem participado de forma impoluta no jogo partidário. Nada disto seria preocupante - antes pelo contrário - se os seus adversários da esquerda, seja ela a constitucional ou a outra, a seguidora de modelos ditatoriais, não procurasse a todo o transe empurrar a direita do regime, para outro tipo de opções. É precisamente isto o que tem feito ao longo de mais de três décadas de regime balizado pela Constituição de 76. Sempre que consegue uma maioria parlamentar, essa direita é de imediato atacada pelo seu exercício do poder conquistado através do voto popular. É para muitos coisa cristalina que o poder deve ser exclusivo de uma certa esquerda, tal como na 1ª República o país inteiro foi refém do PRP.

 

Jamais se ouviu qualquer líder partidário de qualquer um dos dois partidos da direita, vir a terreiro bramar quanto à legitimidade eleitoral de um primeiro-ministro socialista. Jamais. A opinião pública portuguesa nunca foi pela direita parlamentar mobilizada para nas ruas - ou através da cacofonia mediática - fazer cair um governo eleito pelos votos  que num dado momento, concederam S. Bento à esquerda. Sempre que o Partido Socialista ocupou o poder executivo, jamais se assistiu a uma campanha permanente e insultuosa para aquilo que deve ser a democracia, ou seja, a legitimidade da escolha dos eleitores. Nunca alguém se atreveu a declarar publicamente, a ilegitimidade do voto popular que um dia nomeou Soares, Guterres ou Sócrates como primeiros-ministros de Portugal. Podiam ser contestadas as suas políticas, mas o absurdo da alegação da ilegitimidade política, nunca foi ousado por quem se lhes opunha. 

 

É natural o desejo do regresso ao poder, conhecendo-se o que este para muitos significa. No entanto, talvez não fosse anacrónico sugerir à nossa esquerda, uma certa tomada de consciência acerca da irritação que incute numa direita que bastas vezes já mostrou ser capaz de atrair metade do eleitorado, mesmo daquela gente que em tudo depende do Estado. É que à força de não encarar a direita como aquela outrora representada sem dramas pelo Partido Regenerador, esta esquerda poderá um dia ter de enfrentar uma outra direita bastante diferente, frustrada pela inglória e teimosa tentativa de se adaptar ao jogo da alternância. O jogo foi claramente viciado, esta é uma verdade incontestável.

 

A destruição da direita liberal, parece ser a primordial missão de gente do calibre dos secretários-gerais do PC ou do BE, mas tal se torna num absurdo quando provém das chefias socialistas, sejam as que teoricamente estão no exercício dos cargos, sejam as outras, há muito reformadas, mas insistentemente persistentes na reserva mental, egoísta ambição e supina estupidez.

 

Tudo isto parece ser demasiadamente simplista, mas nem por isso menos verdadeiro.

publicado às 18:56

João Miranda strikes back

por João Pinto Bastos, em 31.01.13

João Miranda entregou-se decididamente à desonestidade intelectual. Peço desculpa pelo tom algo exagerado, mas, com pérolas destas, começa a ser difícil discernir o tão propalado liberalismo de algibeira do blasfemo João Miranda. Nem me vou dar ao trabalho de rebater ponto por ponto, quem tiver paciência para tal que o faça, mas, à semelhança do que o Jorge Costa fez aqui, não posso deixar de sublinhar que é preciso algum topete para fazer crer aos leitores incautos que a redução do défice orçamental português tem sido acompanhado pela diminuição da dívida. Que eu saiba, isto, claro, a avaliar pelos dados fornecidos pelas entidades que vão estudando estes assuntozinhos - João, consulte esses dados, por favor -, a dívida nos últimos anos, sobretudo nos últimos dois, aumentou exponencialmente, para não dizer brutalmente. É que com tanto contorcionismo teórico, ainda veremos João Miranda a proclamar a bondade de uma tributação confiscatória, ou por que não, a necessidade do aumento da dívida, numa lógica "Sócrates" de que a dívida existe para ser gerida. Enfim. 

publicado às 21:01






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas