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CONTAGEM DESCRENTE - livro de John Wolf

por John Wolf, em 08.12.13

 

 

Quinta-feira, dia 12 de Dezembro pelas 18h30 no auditório 1 da Universidade Lusíada, Rua da Junqueira 188-196 Lisboa

  

 

 

 Entrevista bio transmitida na RTP

 

 

 

publicado às 18:15

A iliteracia professoral

por João Pinto Bastos, em 07.11.13


O tópico menos abordado da crise que, desde há alguns anos a esta parte, atemoriza o nosso querido Portugal é o abaixamento intelectual das gentes lusitanas. Esse abaixamento desdobra-se em múltiplas expressões, algumas delas bem preocupantes, mas há uma que, pela relevância que tem e pelo olvido deliberado a que tem sido sujeita, ganhou, a meu ver, foros de cidade. Falo, pois, do menoscabo a que os clássicos da literatura nacional (sobretudo na escola, o local em que é suposto transmitir avidamente os conhecimentos pretéritos às gerações vindouras) têm sofrido por banda daqueles que deveriam ser, natural e obrigatoriamente, os seus maiores apologistas. Ler como li, e ver como vi, que responsáveis da Associação de Professores de Português crêem que é um claro retrocesso voltar à leitura de Eça, Camões, Vieira, Pessoa, Herculano, Antero ou Garrett, faz-me pensar até que ponto o país regrediu vários degraus nos faróis da civilização. Este desconchavo cultural é o resultado mais paradigmático de décadas de facilitismo no ensino e na sociedade. Mais do que uma crise de valores e referências perdidas, o facilitismo dos nossos dias é um sintoma da degenerescência que o espectáculo niilista de uma sociedade luzidia e opulenta produziu no âmago de uma cidadania alienada. Hoje, não se lê, não se trabalha, e não se porfia afincadamente na prossecução de um objectivo plenamente consciencializado, em suma, nada vale a pena porque, ao arrepio do dito pessoano, a alma é muito pequena. Mas o que mais preocupa é a leviandade com que as ditas elites, ou, pelo menos, aquelas que passam por tais, descuram as minudências mais comezinhas de um arremedo de cultura. Encarar o ensino como um palco de fraca exigência e de leituras fáceis e rectilíneas, é despir a mente dos jovens formandos de tudo o que há de mais sublime e intelectualmente estimulante. Sair desta modorra analfabeta não será uma tarefa fácil, que possa realizar-se a breve trecho, pela simples razão de que não há, na sociedade presente, os estímulos necessários a uma renovação da alma nacional. Mas o certo é que, com ou sem associações burrificantes, os Camões, Eças e Camilos continuarão a ser uma referência para os poucos moicanos que ainda restam. Porque, ao inverso daqueles espantalhos que impõem programas de baixo alcance intelectual, nós sabemos que sem literatura não há alma que se eleve, e sem uma alma forte não há país que se afirme vigorosamente no concerto das nações.

Publicado aqui

publicado às 15:38

A Reforma do Palhaço

por John Wolf, em 25.05.13

Até escrevi um livro sobre o tema, caro Cavaco Silva...

 

 

...se quiser ler.

publicado às 14:54

 

Oscar Wilde, "The Critic as Artist":

 

«Ernest: Gilbert, you treat the world as if it were a crystal ball. You hold it in your hand, and reverse it to please a wilful fancy. You do nothing but rewrite history.

 

Gilbert: The one duty we owe to history is to rewrite it. That is not the least of the tasks in store for the critical spirit. When we have fully discovered the scientific laws that govern life, we shall realise that the one person who has more illusions than the dreamer is the man of action. He, indeed, knows neither the origin of his deeds nor their results. From the field in which he thought that he had sown thorns, we have gathered our vintage, and the fig-tree that he planted for our pleasure is as barren as the thistle, and more bitter. It is because Humanity has never known where it was going that it has been able to find its way.

 

Ernest: You think, then, that in the sphere of action a conscious aim is a delusion?

 

Gilbert: It is worse than a delusion. If we lived long enough to see the results of our actions it may be that those who call themselves good would be sickened with a dull remorse, and those whom the world calls evil stirred by a noble joy. Each little thing that we do passes into the great machine of life which may grind our virtues to powder and make them worthless, or transform our sins into elements of a new civilisation, more marvellous and more splendid than any that has gone before. But men are the slaves of words. They rage against Materialism, as they call it, forgetting that there has been no material improvement that has not spiritualised the world, and that there have been few, if any, spiritual awakenings that have not wasted the world's faculties in barren hopes, and fruitless aspirations, and empty or trammelling creeds. What is termed Sin is an essential element of progress. Without it the world would stagnate, or grow old, or become colourless. By its curiosity Sin increases the experience of the race. Through its intensified assertion of individualism, it saves us from monotony of type. In its rejection of the current notions about morality, it is one with the higher ethics. And as for the virtues! What are the virtues? Nature, M. Renan tells us cares little about chastity, and it may be that it is to the shame of the Magdalen, and not to their own purity, that the Lucretias of modern life owe their freedom from stain. Charity, as even those of whose religion it makes a formal part have been compelled to acknowledge, creates a multitude of evils. The mere existence of conscience, that faculty of which people prate so much nowadays, and are so ignorantly proud, is a sign of our imperfect development. It must be merged in instinct before we become fine. Self-denial is simply a method by which man arrests his progress, and self-sacrifice a survival of the mutilation of the savage, part of that old worship of pain which is so terrible a factor in the history of the world, and which even now makes its victims day by day, and has its altars in the land. Virtues! Who knows what the virtues are? Not you. Not I. Not any one. It is well for our vanity that we slay the criminal, for if we suffered him to live he might show us what we had gained by his crime. It is well for his peace that the saint goes to his martyrdom. He is spared the sight of the horror of his harvest.»

publicado às 13:38

Imaginação, perfectibilidade, literatura e política

por Samuel de Paiva Pires, em 26.01.13

Da introdução de Louis Menand a The Liberal Imagination de Lionel Trilling:

 

«For a key perception of the book is that most human beings are not ideologues; intellectual coherence is not a notable feature of politics. People’s political views may be rigid but they are not necessarily rigorous. They tend to derive from, or to be reflections of, some mixture of sentiment, custom, and moral aspiration. Trilling’s point is that this does not make those views any less potent in the political world; on the contrary, it’s the unexamined attitudes and assumptions – the things that people take to be merely matters of manners or taste, and nothing so consequential as political positions – that require and repay critical analysis. “Unless we insist that politics is imagination and mind”, as he puts it in his essay on Partisan Review, “we will learn that imagination and mind are politics, and of a kind we will not like.”

 

In Trilling’s view, the assumption all liberals share, whether they are Soviet apologists, Hayekian free marketers, or subscribers to Partisan Review, is that people are perfectible. A liberal is someone who believes that the right economic system, the right political reforms, the right curriculum, the right psychotherapy, and the right moral posture will do away with unfairness, snobbery, resentment, prejudice, tragic conflict and neurosis. A liberal is a person who thinks that there is a straight road to health and happiness. The claim of The Liberal Imagination is that literature teaches that life is not so simple – for unfairness, snobbery, resentment, prejudice, tragic conflict and neurosis are literature’s particular subject matter. This is why literature has something to say about politics.» 

publicado às 12:22

Ele ainda há coisas boas.

por Cristina Ribeiro, em 21.12.12


Boas notícias vão aparecendo, de quando em quando. Esta é uma de quase de fim-de-ano, que se espera seja uma coisa pensada para continuar, até para obviar as graves lacunas de um ensino negligente e desconhecedor, ou, pelo menos, que fecha os olhos à riqueza tão grande  encerrada, literalmente, nos bons livros escritos por portugueses ricamente dotados de « engenho e arte ».

Há poucos dias comentava com uma professora de português, que cá tem vindo consultar bibliografia para a feitura da tese de doutoramento, sobre, precisamente, um contemporâneo de Camilo, que a nossa geração tem revelado uma ingratidão imperdoável para com essa geração de ouro das nossas letras, mas não só para com ela. Clássicos? esquecidos...


Entrevistado ontem num canal televisivo, Richard Zenith, a quem foi atribuído o Prémio Pessoa deste ano, identificava o V Império, por este referido, como o " Renascimento " do poder literário em Portugal. Partindo do princípio que esse renascimento supõe, antes do mais, um regresso ao passado de grandeza literária que tivemos a sorte de acolher, teremos de convir que o nevoeiro é demasiado grande.

Eis que esta notícia reacende a esperança...


 


publicado às 20:25

Risível

por Samuel de Paiva Pires, em 24.11.12

Via Rui Rocha, fui dar a uma entrevista que é uma pérola. Presumo que, um belo dia, alguém terá dito a Margarida Rebelo Pinto que ela faz algo a que se possa chamar literatura. Ela terá acreditado e ter-se-á convencido, dado o volume de vendas dos seus livros - critério que, por exemplo, desqualificaria a obra de Pessoa - que assim é. E qual ser coberto pelo manto da modéstia, não se coíbe de afirmar que «não existem elites intelectuais em Portugal.» Ela sim, ela é que é um portento intelectual. De resto, esta entrevista é bem o espelho de um tempo em que o superficial predomina sobre a substância. Enfim, é a literatura light a que Mario Vargas Llosa se refere. Resta apenas rir e ter pena. Da autora e dos que a lêem.

publicado às 19:05

A insustentável leveza da literatura do nosso tempo

por Samuel de Paiva Pires, em 14.11.12

Mario Vargas Llosa, A Civilização do Espectáculo:

 

«Por isso não é estranho que a literatura mais representativa da nossa época seja a literatura light, leve, ligeira, fácil, uma literatura que sem o menor rubor se propõe antes de mais e sobretudo (e quase exclusivamente) divertir. Atenção, não condeno nem um pouco os autores dessa literatura de entretenimento pois há, entre eles, apesar da leveza dos seus textos, verdadeiros talentos. Se na nossa época é raro empreenderem-se aventuras literárias tão ousadas como as de Joyce, Virginia Woolf, Rilke ou Borges não é apenas por causa dos escritores; também é porque a cultura em que vivemos mergulhados não propicia, até mesmo desincentiva, esses denodados esforços que culminam em obras que exigem do leitor uma concentração intelectual quase tão intensa como a que as tornou possíveis. Os leitores de hoje querem livros fáceis, que os entretenham, e essa demanda exerce uma pressão que se torna um poderoso incentivo para os criadores.

 

(…)

 

A literatura light, como o cinema light e arte light, dá a impressão cómoda ao leitor e ao espectador de ser culto, revolucionário, moderno, e de estar na vanguarda com um mínimo de esforço intelectual. Deste modo, essa cultura que se pretende avançada e de ruptura, na verdade propaga o conformismo através das suas piores manifestações: a complacência e a auto-satisfação.»

publicado às 18:13

O Maradona anda inspirado

por Samuel de Paiva Pires, em 18.05.12

Uns pingos de vergonha:

 

«É chegada a altura de produzir um anúncio: desisto oficalmente de aguardar pela chegada do dia em que alguém se espante que seja quem precisamente tem pessoal interesse financeiro em haver cinema a defender os subsídios de que serão os maiores benefiários. Na concentração a favor do cinema português que se realizou nas escandarias da Assembleia da República ouvi um depoimento que é uma literal reencenação deste habitual extraordinário, rebobino: "Nós não estamos aqui a defender o nosso trabalho, estamos aqui sobretudo a defender a cultura em Portugal". Não me resta alternativa que não seja claudicar: trata-se de um traço aparentemente eterno, e retorna sempre. Todo o merdas que em Portugal culturaliza para viver só é habitado por motivos estratósféricos, quase assistencialistas para com Portugal e os portugueses: o Jaime Bulhosa, os cineastas e os actores, pela cultura; os professores, pela educação; os médicos e os enfermeiros, pela saúde; os juizes e os advogados, pela justiça; os banqueiros, pela economia. E os trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo? Esses não, esses estão apenas a defender interesseira mas compreensivelmente os seus postos de trabalho, tadinhos deles. As pessoas da cultura parecem estar isentas do imposto social que é o pudor, o decoro e a vergonha; mas se o não têm, ou se por elitismo (em cujo valor e importância, adiante-se, acredito, e defendo) não acham possível ser hipócrita ao ponto de os simular e exteriorizar, porque é que, ao menos, não estão calados, caralhos ma'fodam? Porque é que não deixam ser quem ambiciona poder consumir cultura em Portugal a mover-se para extrair do Estado os recursos que alimentem o que consideram essencial para si? Que sejam discretos, ao menos, é impossível? Que se defendam, inclusivamente, que nos defendam, mas sem nos esfregar nas trombas a auto-importância que se atribuem. Será pedir muito?»

publicado às 14:02

Em tempos de crise chovem livros

por João Gomes de Almeida, em 25.03.11

 

A Editora Objectiva arrancou ontem com uma campanha no Facebook, em que os seguidores da sua página ficam habilitados a ganhar todos os livros que a editora publicar até ao final do ano. Basta escreverem uma frase.

 

Saibam mais aqui e divulguem a iniciativa.

publicado às 19:12






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