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O abrandamento desejado de Portugal

por John Wolf, em 07.12.13

Cada vez que me faço aos passeios da bela cidade de Lisboa tenho medo de atropelar os carros estacionados sobre a calçada. Realmente é um perigo. A cada esquina podemos ferir com gravidade uma viatura. Ainda há dias cruzei-me com uma carrinha que havia sido abalroada por um carrinho de bebé. O automóvel ficou ferido na vista. De certeza que precisará de um oftalmologista. O olho esquerdo, junto ao queixo do Peugeot, ficou deficiente. Pela redacção desta peça jornalística luminosa, até parece que a questão dos atropelos tem mais a ver com o comportamento dos peões na estrada do que os condutores. O secretário de Estado afirma: "Quando verificamos que há 14 atropelamentos por dia em Portugal, percebemos que temos que dar a atenção a esta matéria, aos comportamentos que os peões adoptam nas estradas e aos comportamentos dos condutores em relação aos peões". Ou seja, segundo o responsável pela pasta, anda tudo trocado, incluindo o conceito de trânsito e circulação nas estradas - os peões andam na estrada? Não sei se andam. Só sei que cada vez que me ponho ao volante assisto à loucura nacional em forma de aceleras em total desrespeito pelo código de estrada e das normas de comportamento de uma sociedade em movimento. O salve-se quem puder reside na estrada. Os portugueses andam sempre a acelerar para o próximo semáforo fechado. Os condutores nacionais têm tanta pressa de chegar ao trabalho, mas não sei se têm mais vontade de se pôr a caminho, de largar o serviço se ainda tiverem a sorte de ter carro e emprego. Também não sei se trabalham rapidamente e mal nos empregos. Também não me interessa. Não é disso que aqui falo. Cada vez que não saio de carro (na maior parte dos casos) tenho um medo que me arrepio de utilizar uma passadeira. Não interessa quem vem ao volante do carro em leasing, se uma jovem mãe com o recém-nascido no lugar do morto, ou um taxista a quem deveriam trucidar a carta de condução - o perigo é constante, o inimigo é público. Não interessa qual a faixa de rodagem em questão - o comportamento é idêntico. Os peões também são uns artistas. Querem lá saber se está vermelho ou não, toca a atravessar a rua movimentada. Tudo isto somado ou subtraído, pode não parecer grande coisa, mas reflecte o profundo desprezo pelo valor da vida. Todos os dias vejo cenas com Sennas de terceira categoria a procurar a pole-position, a competir de igual para igual com um outro desgraçado e pergunto porquê? Querem demonstrar o quê? Que o meu pode ser mais barato que o teu, mas é mais rápido? Não sei a resposta para este flagelo. Talvez possamos perguntar a alguém no cemitério mais próximo.

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publicado às 07:51

António Costa pode invocar as razões de peito que entender, afirmar que se enganou há dois anos quando prescindiu das decorações, mas é verdadeiramente escandaloso que o Presidente da Câmara de Lisboa e seus compinchas de autarquia tenham decidido esbanjar 300.000 euros em luzes de Natal. Um país falido não se pode dar a este luxo. Ponto final. A árvore de Natal da praça do Comércio, assim como as luzinhas que decoram a baixa, são um atentado à dignidade de centenas de milhar de cidadãos que não têm meios para mandar cantar um ceguinho. Dizem algumas mentes espirituosas que a esperança deve ser a última a morrer, a derradeira a apagar as luzes, mas este espectáculo serve apenas para prolongar a dor. Faz com que o povo pense que afinal está tudo bem. Mas meus senhores, talvez estas velas de aniversário sejam o último fôlego antes do estoiro final. A seguir ao fogo de artifício e ao espumante de fim de ano, veremos o estado da ressaca nacional. A situação que atravessamos nunca será ultrapassada se nos sujeitarmos à sorte de políticos que não entendem a gravidade destes tempos históricos. Trezentos mil euros serviriam para deixar obra por mais pequena que seja - a remodelação de um centro de acolhimento para sem-abrigo, a construção de um centro de saúde onde mais falta faz, a distribuição de rações de sobrevivência a quem mais fome tem. Enfim, não é preciso ser um génio para perceber o que quero dizer. Deste modo não se vai a parte alguma. Em vez das luzes high-tech penduradas entre os edifícios da cidade, uma iniciativa de contenção seria mais que bem-vinda. Por exemplo, uma noite de vigília à moda dos Nazarenos - uma corrente humana em que cada um acende a mecha da sua pequena vela - o pequeno isqueiro de empatia, de solidariedade silenciosa. Ainda ontem houve alguém que me disse que a decoração natalícia tem a importante função de atrair turistas, de trazer à capital forasteiros que deixam uma gratificação ao desgraçado, ao que eu respondi; qualquer dia esses mesmos turistas virão fazer a ronda dos cemitérios nacionais, prestar homenagem aos tombados em tempos de paz. Em dia de restauração o que necessita de ser refundado é o sentido ético e humano das nossas sociedades. Venha de lá esse pinheiro manso e o fósforo para atear a pira decorada por almas penadas, enforcadas pela miséria, enterradas pelos nossos olhos que ainda acreditam no pai Natal.

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publicado às 17:58

Incorrecções políticas

por João Pinto Bastos, em 02.07.13

Seria bom que os amantes da pancadaria em Paulo Portas explicassem o porquê do primeiro-ministro ter 1) mantido a posse da nova (ou ex) ministra das finanças, 2) recusado o pedido de demissão de Paulo Portas,  e 3) mantido uma viagem a Berlim. 

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publicado às 23:55

Um país de loucos corporativos

por Nuno Castelo-Branco, em 17.06.13

Já há que tempos tinha entendido o porquê da prolongada vigência do Regime Corporativo da 2ª República. O país por ela formatado da esquerda à direita, gostou e quer, noutros moldes,  continuar na mesma.

 

Deixem-me tentar entender qualquer coisa mais. Os professores fizeram greve aos exames e estando outros testes marcados para 2 de Julho, ninguém garante que suas excelências não decidam outra paralização exactamente para esse dia e com alguma pouca sorte, por aí fora, verão abaixo. Os alunos que pretendiam ir a exame e não o conseguiram devido à greve, invadiram as salas onde os seus colegas estavam a prestar provas. Se queriam mesmo ir a exame, o que terão dito aos professores em greve? Nada lhes ocorreu? 

 

Cá fora desataram a berrar a Grândola e, vá lá por esta vez, A Portuguesa. O texto do Público é tão confuso como a situação:

 

Esperemos que os exames não sejam considerados. Se houve alunos que os puderam fazer e outros não, têm que ser anulados”, reclamava, apelando à “equidade”.


Como assim?


"Na escola de Maximinos, todos os alunos realizaram a prova porque havia professores suficientes para vigiar as seis salas de aula onde foram feitos os exames. Mas os docentes foram recebidos com “assobios e apupos” pelos alunos, conta fonte da direcção."


Afinal queriam ou não queriam ir a exame? 


"Francisco diz “compreender” as razões da greve dos professores, ainda que se sinta “prejudicado” pela decisão de fazer greve nesta segunda-feira. “Já tinham feito greve às reuniões de avaliação”, comenta, sugerindo que o protesto talvez pudesse ter ficado por essa acção.

A sua colega de turma Beatriz Simões teve sorte diferente e foi uma das estudantes da maior escola de Braga a realizar a prova de Português. Agora encara a possibilidade desta ser anulada em resultado da greve. A brincar, diz que só terá uma opinião sobre essa hipótese “quando souber a nota” da prova. Mas acaba por reconhecer que essa talvez seja a melhor solução para resolver o problema, ainda que espere “poder ficar com a melhor nota das duas”.

 

Credo...


 Esta deve ser mais uma daquelas originalidades ao estilo da actual preocupação de Jerónimo de Sousa, muito aflito pela longínqua hipótese de as eleições autárquicas "poderem" realizar-se  a 13 de Outubro, uma grave ofensa aos católicos que querem ir em peregrinação a Fátima! Aqui temos um PC mais papista que S.S. o Papa. 

 

Ou tudo isto não passa de mais um episódio da guerrilha política em curso, ou então, a loucura definitivamente prevaleceu. 

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publicado às 16:07

O arrastão do liberticídio

por João Pinto Bastos, em 26.04.13

A Maria João Marques chamou aqui a atenção para esta brilhantíssima posta do Sérgio Lavos. Reparem só no título aterrorizador, quase dantesco, do texto: "25 de Abril ameaçado". Aqui d'El Rei que a direita quer acabar com as liberdades. Cuidado, povo português. Nós, a vanguarda intelectualeira das esquerdas bem-pensantes, temos a solução para o problema da Direita, esse monstro das bolachas que quer comer o zé povinho e rapar o tacho. Mas o melhor vem agora. Leiam e admirem o vigor democrático desta frase: "E durante trinta e nove anos, a direita que derrubámos foi aceite no seio do regime". É fantástico, não é? Ou seja, a esquerda dos arrastões, dos Vítor Dias, e, também, dos Jugulares galambianos crê que a direita só cá está porque foi aceite benevolamente pela esquerda. Conceitos como liberdade, tolerância, pluralismo de opiniões não interessam rigorosamente nada. O que importa é que o regime é da esquerda. É curioso, não é? Para quem defende um conceito de propriedade bastante lato, não deixa de ser interessante verificar que a esquerda entende o regime como uma coutada privada. A vida tem destas ironias. O Sérgio Lavos tem, de facto, muita piada. Demasiada até. Tem tanta que eu, ingénua e parvamente, estou a dar tempo de antena a estes disparates. Sem embargo, e como nem tudo é mau, tenho de fazer um pequeno elogio ao Sérgio: ao menos o arrastão foi capaz de admitir que o objectivo da esquerda de que faz parte é afastar a direita do poder, e porque não, da cena política. Quem diz coisas como esta, "esta direita é um cancro da democracia, um perigo que precisa de ser rapidamente afastado", demonstra cabalmente o que pretende e o que deseja. O que vale à esquerda reaccionária, virulenta e antidemocrática deste regime, é que os nossos talassas são muito moderados e serenos. E, acima de tudo, tolerantes. É esta a grande diferença. 

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publicado às 14:43

Elogio da loucura

por João Pinto Bastos, em 21.03.13

 

O país enlouqueceu. Em poucos dias, alguns mortos-vivos voltaram à ribalta, o Governo morreu politicamente e a Europa selou o seu destino. O que aí vem não será nada salutar. Preparem-se.

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publicado às 23:10

Ebriedade descontrolada

por João Pinto Bastos, em 01.03.13

Seguro propõe o regresso ao antigamente. Guilherme Silva diz que não se pode tocar no Estado Social. Como diria o outro, it's the insanity, stupid!

 

 (@JPintoBastos) 1 de março de 2013

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publicado às 11:55

Privatização da ANA começa a dar os seus frutos

por João Quaresma, em 04.02.13

«A Associação Representativa das Companhias Aéreas (RENA), da qual são associadas algumas das maiores transportadoras que operam em Portugal (como a Air France, a Lufthansa e a própria TAP), teceu nesta segunda-feira duras críticas à ANA e ao Governo por causa das alterações feitas ao quadro regulatório das concessões aeroportuárias, na sequência da venda da empresa ao grupo Vinci.

(...)

“Desde logo, a RENA criticou a forma como decorreu o processo, lembrando as consequências que poderá trazer para o sector”, refere a associação no comunicado, acrescentando que, “em relação às motivações que poderão ter dado origem a estas alterações, não se pode pronunciar”.

Em termos de consequências, a associação alerta que os recentes aumentos das taxas e rendas nos aeroportos da ANA “estão a preocupar” os seus membros. “Alguns equacionam mesmo abandonar ou reduzir os espaços nos principais aeroportos portugueses. Trata-se de um aproveitamento claro do monopólio, por parte da ANA, que é completamente incomportável na estrutura de custos das companhias aéreas”, diz a RENA.

“A redução ou encerramento de rotas será uma consequência natural desta política de pricing [definição de preços] completamente descabida e inadequada à situação do mercado e do país”, conclui.»

 

Para além de tudo o que é evidente, encarecer o transporte aéreo em Portugal significa não só prejudicar a economia nacional no que depende de ligações internacionais e internas (e prejudica de sobremaneira os Açores e a Madeira), como fazê-lo na actual situação económica e, ainda por cima nesta altura do ano em que os agentes turísticos ultimam os pacotes de férias de Verão a serem colocados à venda em breve, é dar uma autêntica machadada no turismo português, um sector cujo bom funcionamento - escusado será dizer - é vital para escaparmos à bancarrota.

Palavra de honra, mas esta gente endoideceu por completo?!

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publicado às 19:30

Loucura, precisa-se!

por João Pinto Bastos, em 14.01.13

O frenesi da vida colectiva faz-me pensar que precisamos de um pouco de loucura. Da loucura dos alienados, que tudo fazem, dizem e provocam, sem o escrúpulo da moralidade amoral. Porque, como sublinhava Montaigne, a loucura é feita da mais fina sensatez.

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publicado às 01:29

Da esquizofrenia

por Fernando Melro dos Santos, em 19.11.12
Notícia #1

200 despedimentos nos fornecedores da Autoeuropa. As fornecedoras da Autoeuropa dispensaram 200 trabalhadores desde o início de 2012 devido à quebra de produção do mercado automóvel, segundo a TSF.

Notícia #2, poucos centímetros ao lado, na mesma página do mesmo jornal

Quer gastar menos de 100 euros num "smartphone"? Os telemóveis inteligentes estão a conquistar cada vez mais adeptos. E só o preço não faz a tendência acentuar-se mais. Procurámos nas lojas e encontrámos algumas opções a menos de 100 euros. À medida de quem não faz questão de seguir a última tendência, mas quer entrar no mundo das "apps".

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publicado às 12:22

Coisinhas boas por e-mail

por Samuel de Paiva Pires, em 06.02.09

TRRIIIMM.. TRRIIIMM... TRRIIIMM...

Responde o atendedor de chamadas:

"Obrigado por ter ligado para o Júlio de Matos, a companhia mais adequada aos seus momentos de maior loucura."

* Se é obsessivo-compulsivo, marque repetidamente o 1;

* Se é co-dependente, peça a alguém que marque por si o 2;

* Se tem múltipla personalidade, marque o 3, 4, 5 e 6;

* Se é paranóico, nós sabemos quem é você, o que você faz e o que quer. Aguarde em linha enquanto localizamos a sua chamada;

* Se sofre de alucinações, marque o 7 nesse telefone colorido gigante que você, e só você, vê à sua direita;

* Se é esquizofrénico, oiça com atenção, e uma voz interior indicará o número a marcar;

* Se é depressivo, não interessa que número marque. Nada o vai tirar dessa sua lamentável situação;

* Porém, se VOCÊ votou Sócrates, não há solução, desligue e espere até 2009.
Aqui atendemos LOUCOS e não INGÉNUOS! Obrigado!

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publicado às 14:03






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