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In memoriam - Mário Quartin Graça

por Pedro Quartin Graça, em 19.04.14

Conselheiro Cultural na Embaixada de Portugal em Madrid (1987-2000) e Brasília (1980-1987). 

Ex-Secretário-geral da Casa da América Latina.

 

Igreja do Campo Grande, Lisboa

Velório no Domingo

Missa na 2ª feira às 11h

 

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publicado às 09:10

As aparências iludem *

por Pedro Quartin Graça, em 07.07.13


* Por: Mário Quartin Graça - Convidado do "Estado Sentido"

 

Quem tivesse assistido, com alguma desatenção, à comunicação que no sábado o presidente do PSD fez ao País, ficaria convencido de que, nessa guerra aberta entre os dois líderes políticos, tinha havido um vencedor, Pedro Passos Coelho, e um vencido, Paulo Portas. O primeiro, ufanando-se de ter sabido contornar as dificuldades, chegar a um acordo sólido e de  longa duração, garantindo até uma coligação do PSD e do CDS para as eleições europeias de 2014. O segundo, quedo e mudo, com um ar de cansado, derrotado, humilhado – ou, para alguns observadores, envergonhado.

 

No entanto, nada mais enganoso. Para tentar garantir a continuidade da sua governação, Passos Coelho entregou a Paulo Portas, além da vice-presidência do Governo, tudo o que mais  importa ao  presente e ao futuro do País: a coordenação económica, as negociações com a “troika”, a reforma do Estado. No entanto, para que não parecesse que tinha sido completamente vencido por K.O. , Passos Coelho exibiu um troféu conquistado neste torneio: a manutenção de Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças. Mas, pergunto eu, terá sido uma vitória, ou terá sido transformar o até à data omnipotente ministério das Finanças num mero escritório de contabilidade, a fazer as contas das decisões de Paulo Portas na sua tripla função e a encaixá-las no orçamento do Estado,  tornando assim a ministra numa obediente “manga de alpaca” de luxo, às ordens, embora indirectamente,  do vice-primeiro-ministro, não vá ele bater de novo com a porta se as coisas não correrem a seu jeito?

 

Ao ceder em toda a linha a Paulo Portas, Passos Coelho corre o risco de dar ao seu vice todos os trunfos e méritos se as coisas começarem a correr melhor no plano económico, social e financeiro. Portas passaria a ser o “herói” desta coligação, e Passos continuaria a ser o “vilão”. Ou será que, maquiavelicamente, sabendo que pouco ou nada poderá dar certo, dada a enormidade da crise, Passos Coelho deu de bandeja a Paulo Portas uma enorme  pira de lenha para ele irremediavelmente  se queimar,  tentando salvar-se  a si próprio, tanto quanto possível, no meio dessa hecatombe?

 

Já agora, no caso de o Presidente da República fazer fé na viabilidade e solidez deste acordo, permito-me dar um conselho ao vice-primeiro-ministro: obrigue a que o pagamento do subsídio de férias seja pago ainda este verão. Ainda há tempo para isso e seria um primeiro sinal de que, de facto, alguma coisa irá mudar, para melhor.

 

MÁRIO QUARTIN GRAÇA

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publicado às 09:37

Um Homem sem qualidades *

por Pedro Quartin Graça, em 04.04.13

* Por: Mário Quartin Graça, convidado do Estado Sentido

 

Os Portugueses não têm sido bafejados pela sorte ao longo deste século XXI porque, para além de honrosas excepções, não têm faltado governantes, independentemente da hierarquia dos cargos ocupados, sem qualidades políticas, técnicas e morais exigíveis para o exercício dessas funções. Isso dever-se-á em grande parte ao modo como se foram criando em Portugal as impropriamente chamadas “elites” políticas, que de elites nada têm, porque não constituídas ao longo de um processo de apuramento e de selecção que faz sobressair os mais qualificados, mas sim através de um carreirismo que premeia mais os habilidosos do que os competentes. Está mais do que na hora de os partidos políticos se preocuparem a fundo com a captação e a formação dos seus jovens quadros, preparando-os para as responsabilidades políticas e/ou governativas que mais tarde ou mais cedo serão chamados a assumir e tentando evitar que os “arrivistas” encontrem o caminho livre para se imporem.

Não sendo infelizmente caso único, Miguel Relvas representa o que de pior existe na vida política portuguesa. O seu percurso ao longo de dois anos no Governo demonstrou-o plenamente. E o seu discurso de demissão, ridiculamente patético, constituiu o culminar de um caso que, se não fora a insignificância do personagem, deveria ficar nos anais dos procedimentos políticos e moralmente impróprios.

É certo que Relvas não se auto-nomeou para o Governo e essa (ir)responsabilidade é devida a Pedro Passos Coelho que preferiu premiar uma lealdade e uma amizade em vez de escolher para coordenador político alguém com substância  intelectual, com credibilidade comprovada, com exigência ética, capaz de merecer o respeito dos seus colegas de Governo e da classe política em geral.  Por isso não admira que o resultado dessa designação tivesse sido desastroso, na forma ziguezagueante como Relvas foi conduzindo os assuntos de sua responsabilidade, desde a reforma autárquica à reestruturação  da RTP.

Também Miguel Relvas se manifestou um desastre em termos de sensibilidade social. Desde o desrespeito pela dignidade de um curso superior -  que tantos milhares de jovens se esforçam por tirar à custa de muitos sacrifícios -, valendo-se, como  José Sócrates, de expedientes administrativos para obterem de um dia para o outro o ambicionado diploma, até à insultuosa presença, em fotografias tiradas à porta do mais luxuoso hotel do Rio de Janeiro no último fim do ano, quando  milhões de Portugueses já não tiveram o mínimo necessário  para uma modesta consoada.  

Finalmente, Miguel Relvas foi protagonista da mais caricata cena de que há memória na vida política portuguesa: um ministro que se demite ou é demitido aproveita a ocasião para, durante minutos, perante os olhos e os ouvidos do País, fazer o elogio da sua obra.

Porém, o pior de tudo e que é de uma total falta de ética, é que, ao despedir-se -  todos esperamos que para sempre – o amigo do Dr. Pedro Passos Coelho veio lembrar que, sem ele, Passos Coelho não teria ascendido a presidente do PSD, sem ele Passos Coelho não teria sido primeiro-ministro, sem ele não teria sido possível criar as condições para o País singrar nessa marcha imparável de recuperação económica de que todos estamos a beneficiar-nos.  Triste de mais para ser verdade!

 

Mário Quartin Graça

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publicado às 19:42






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