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O culto da violência - round 1

por João Pinto Bastos, em 27.11.13

É aceitável que o cidadão Pedro Passos Coelho, que por acaso é primeiro-ministro do Governo de Portugal, tenha à porta de sua casa manifestações que atentam, clara e inequivocamente, à sua mais do que legítima privacidade? Mais: é aceitável que o protesto contra as políticas do Governo passe, doravante, pela perseguição física dos titulares do poder político? 

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publicado às 23:51

Pedro Passos Caralho Não Acorda

por joshua, em 07.03.13

Ontem, pela milésima vez diante da TV para assistir a mais um debate parlamentar, percebi como somos patetas nas francas expectativas colocadas em cada megamanifestação pacífica, repleta de insultos e pedidos de demissão que não mordem, cartazes-desabafos a vermelho contra a traição dos políticos e o terror pela miséria semeada já sentida ou iminente.

 

Para mudar algo, prioridades, acentos, sensibilidades governativas internas e globais externas, nem que fosse o discurso seco de um Primeiro-Ministro, remetido ao seu etéreo assento de estrelas cristalino, para qualquer coisa de mais afinado com o que sofremos, teríamos de ocupar a rua dias consecutivos, pacificamente, se conseguíssemos, ou suicidar-nos em massa, ou organizar-nos meticulosamente, descobrindo uma unidade semelhante à dos dedos de uma mão. Mas percebi sobretudo como é completamente tonto quer o que um Passos Caralho desta vida tenha a dizer quanto a isso quer o que um verdadeiro paneleiro político como Sócrates disse alguma vez em circunstâncias muito semelhantes. É que nisso são iguais. Lidam connosco, apesar de nós, e tal é imperdoável. Os mundos da rua e da decisão política, sobretudo no pico desta crise cega, mostram-se irredutíveis e não deveria ser assim. Ouvir não quer dizer ceder. Sentir com empatia a dor e a impaciência das massas não leva necessariamente à kryptonite de converter em hesitante e fraca a decisão resoluta do decisor.

 

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publicado às 15:00

Como há uns dias escrevi, mais por temperamento que por outra coisa, não sou adepto de manifestações. Estive na de 15 de Setembro, por motivos que já expliquei, e estive na outra em Belém, por pouco tempo, até perceber que era demasiado vermelha. Parece que hoje há uma greve/manifestação da CGTP, na qual, obviamente, não estaria presente, caso estivesse em Portugal. Mas torna-se confrangedor observar por aí muita gente a dizer que esta manifestação não é espontânea. Permitam-me só relembrar o óbvio, recuperando o que escrevi por altura da entrevista de Vítor Gaspar na SIC, quando desvalorizou a manifestação que o aguardava: não existe tal coisa como uma manifestação espontânea. Toda a manifestação carece de organização. E toda a organização tende para a oligarquia, como Robert Michels observou. O contrário é que seria estranho. E crer que o contrário seria moralmente valorizável, enquanto uma manifestação organizada será de desvalorizar, é sintomático dos tiques autoritários (...). 

 

Permitam-me ainda reforçar esta ideia com um exemplo simples: quando queremos marcar uma reunião ou um encontro com alguém, mesmo que seja só uma pessoa, precisamos de o fazer através de algum tipo de canal de comunicação. Ou seja, temos que recorrer a algum tipo de organização. Não nos reunimos espontaneamente como se as nossas mentes pensassem ambas no motivo, local e hora da reunião sem sequer falarmos.

 

Curioso, ou talvez não, é que são pessoas de direita que tendem a proferir este disparate. A direita que em Portugal não se consegue organizar para nada - até para governar o país mal se consegue organizar - e por isso inveja a esquerda por estar bem organizada. Podia era poupar-se e poupar-nos a este disparate.

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publicado às 10:58

Os Passos perdidos

por João Pinto Bastos, em 18.09.12

 

 

1- O fim-de-semana passado foi prenhe em emoções políticas que, em grande medida, extravasaram os limites comezinhos do debate público corrente, pondo a nu a vileza e ridicularia de uma governação entregue às capelinhas do costume, e aos interesses venais de uma elite pouco ilustrada.

 

2- A revolta latente das classes médias é uma realidade insofismável cuja negação corresponde à recusa em aceitar os efeitos económicos e sociais de um conjunto de medidas que devidamente sopesadas só têm contribuído para inchar um Estado já de si excessivamente gordo.

 

3- O aviltamento das amplas manifestações populares realizadas no sábado - como fez alguma blogosfera dita liberal  - com o argumento rezingão da insensibilidade dos manifestantes relativamente ao esforço reformista empreendido pelo Governo é, queira-se ou não, equivalente à coonestação do discurso político "mainstream" cujo pressuposto nuclear, aberto ou oculto, reside na apologia desenfreada do poder passista.

 

4- O sentimento de indignação patenteado sobrepujou em muito os estreitos limites da partidarite aguda, congregrando amplas camadas da população - as classes médias urbanas mais afectadas pela crise e pelo endividamento - que, por uma panóplia infindável de razões, não se revêem na extorsão fiscal em curso.

 

5- É certo que a classe média - a pequena burguesia que dominou o funcionalismo público - que se manifestou no sábado participou de bom grado na "weltanschauung" consumista e emprestadeira que infeccionou o ambiente público do país durante os últimos dois decénios, todavia, seria, no mínimo, estulto e pouco assisado menosprezar o amplo acolhimento que estas manifestações tiveram, partindo do pressuposto, obviamente falível, de que as mesmas são filhas da cultura imediatista que nos trouxe a esta bancarrota económica e moral.

 

6- Perante isto, um Governo minimamente empenhado em assegurar o bem-estar dos seus cidadãos tentaria, a todo o custo, reverter o caminho de dissenso que sub-repticiamente vai emergindo na sociedade portuguesa.

 

7- A reacção dos diversos actores políticos, com particular destaque para os dirigentes do principal partido de Governo, denota, outrossim, o estado de perturbação - próprio de um ambiente de fim de regime - que tomou conta da narrativa política dominante.

 

8- À "húbris" passista, própria de um político medíocre sem referências nem mundo, há que adicionar a permeabilidade de uma camarilha política sem escrúpulos - "adesivista" por natureza -, entregue à dissipação dos parcos recursos de um Estado em decomposição.

 

9- No meio do desastre comunicacional passista - não há manuais que valham para cobrir as óbvias deficiências de discurso de um Governo deficitário por natureza - o único factor de esperança reside na atitude do CDS perante as inúmeras problemáticas que afectam o bem-estar dos portugueses.

 

10- A gestão do silêncio delineada por Paulo Portas - ainda que não seja isenta de críticas - foi rematada por uma tomada de posição pública cujo âmago foi o reforço da estabilidade política, contra as pulsões desestabilizadoras dos pirómanos do caos social.

 

11- A declaração política de Paulo Portas foi clara nas suas críticas e garantias, acentuando a importância da governabilidade, sem descurar, contudo, o papel de consciência crítica que o CDS deverá desempenhar no debate concernente às medidas mais gravosas.

 

12- Sem querer ceder ao "wishful thinking" que tanto agrada aos comentadeiros dos nossos media, há um facto que pela sua singeleza deve ser ressaltado: num país pouco atreito ao liberalismo, o CDS é, indiscutivelmente, a última reserva política que resta aos liberais na defesa de um país mais livre e próspero.

 

13- Será o CDS capaz de cumprir este desiderato? Terão os centristas a vontade, a disponibilidade,  e o espírito suficientes para encetar um caminho próprio e autónomo - estribado, sobremodo, na abertura e libertação do país dos corporativismos que tolhem o Estado - que possa ser maioritário a médio e longo prazo na sociedade portugesa? 

 

14- Uma coisa é certa, o liberalismo em Portugal é um projecto cuja operacionalização teima em não concretizar-se, seja pela cultura paternalista que impregna de alto a baixo o país, seja pela doblez que aflige os seus mentores mais visíveis.

 

15- À guisa de conclusão gostaria de recordar um aspecto crucial que tem sido deliberadamente esquecido pelos nossos "opinion makers": a revisão da CRP.

 

16- Sem a alteração do actual modelo constitucional será extremamente difícil reformar o país, sendo que a recente intervenção do Tribunal Constitucional na questão dos subsídios, é a prova acabada de que a governabilidade do país - no fundo, o que está em causa é o "design" institucional do regime - estará, a curto prazo, em causa. 

 

17- A direita portuguesa terá forçosamente de levantar a questão constitucional antes que a voragem e o devorismo do estadão traguem a necessária reforma do país.

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publicado às 21:57

Um tiro ao lado do Renatinho

por Samuel de Paiva Pires, em 18.09.12

Meu caro, ainda nem 1500 pessoas tinham aderido à concentração da próxima Sexta-feira e já eu o tinha feito, no evento e na minha timeline do Facebook. Podemos aproveitar para nos conhecermos pessoalmente. Cumprimentos. 

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publicado às 11:59

Sobre a interpretação de manifestações

por Samuel de Paiva Pires, em 23.03.12

Ana Lima, Uma reflexão de Pessoa:

 

Dizia Pessoa: “nisto de manifestações populares o mais difícil é interpretá-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada é como se dá. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. É costume dizer-se que contra factos não há argumentos. Ora só contra factos é que há argumentos. Os argumentos são, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A lógica é o nosso critério de verdade, e é nos argumentos, e não nos factos, que pode haver lógica."

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publicado às 18:54






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