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O 7 de Seguro

por John Wolf, em 15.03.14

António José Seguro não fez parte do clube dos 70 que assinou o manifesto.  Porventura não terá sido convidado, ou terá desejado se apresentar a solo numa iniciativa à lider, para mostrar serviço e provar que é capaz de ter ideias de jeito. O problema é que as propostas que apresenta são conceptualmente fracas, intelectualmente infantis. Na sua última incursão pan-europeia, à estadista, pretende que o desemprego seja mutualizado a partir de determinado nível. Ou seja, que passe a ser um problema de todos na Europa, quando a sua origem resulta, em grande parte, de deficientes políticas locais, de erros de governantes da casa. Eu entendo o princípio que está em causa, e que até teria um efeito de aprofundamento da integração política da Europa. Contudo, saltam à vista alguns defeitos conceptuais. Em primeiro lugar significaria que o falhanço das políticas domésticas de emprego, passaria a ser da responsabilidade dos outros. Por outras palavras, a incompetência de políticos nacionais seria compensada por serviços de emergência da União Europeia. Para isso mais vale ser governado por estrangeiros (Troika?). Em segundo lugar, de que modo se determina a fasquia de desemprego a partir da qual se acciona o alarme? Porquê 7% e não 10%? Será que António José Seguro e os seus conselheiros económicos são capazes de estimar os números do desemprego estrutural que passará a fazer parte da nova realidade? Por esta altura do campeonato, com a crise europeia longe de estar resolvida, ninguém se pode pôr a adivinhar qual o nível de desemprego com que teremos de conviver. António José Seguro atira estas brilhantes ideias para cima da mesa, mas revela falta de estudo, de preparação adequada para lidar com as variáveis macro-económicas que estão em jogo. Pela mesma ordem de ideias, mas no campo positivo, poderíamos também avançar com uma brilhante proposta de transferência de montantes, de países com melhor crescimento económico para países com fraco desempenho. Por exemplo, o crescimento do PIB de 4% em certos países-membros da União Europeia implicaria de um modo automático e sem reservas, a mutualização da riqueza "alheia"- a transferência de dinheiros. Estão a ver porque a proposta de Seguro é incompleta e facilmente descartável? Na minha opinião, e à falta de matéria relevante para apresentar, Seguro deveria ter assinado de cruz o Manifesto dos 71. Teria feito melhor figura. E se quiserem saber a verdade, esta ideia não é totalmente nova. Já foi pensada por outros há muito tempo. Dêem corda ao homem e depois não se queixem.

publicado às 17:44





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