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Pode parecer um detalhe sem grande importância, um mero acessório de informação, mas antes de desvendar o enigma que se nos apresenta, lanço o repto aos observadores mais atentos. O que distingue as matrículas portuguesas das restantes que se apresentam na fotografia? Exactamente, é isso mesmo. As chapas de identificação de viatura em Portugal trazem a inscrição do ano e mês de registo. E esse facto obriga a uma leitura sociológica, a uma interpretação realizada num quadro comportamental, de estatuto e de ostentação. Por que razão devem as matrículas portuguesas fazer o show-off do ano e mês de aquisição da viatura? Será para fazer inveja ao vizinho? Ou será para fazer a distinção daqueles que juntam uns trocos para comprar uma viatura em segunda mão no standerd de ocasião? O fetiche do novo também foi responsável pela promoção da mania social. Os olhares que os outros nos dão quando confirmam no semáforo fechado que a viatura saiu há horas do concessionário, tem qualquer coisa de explosivo, qualquer coisa de sexual no local errado. É a ferra na bomba com as insígnias de um último grito - sou o maior, sou o melhor e acabei de chegar. São também estes detalhes de presunção e água destilada que têm de ser purgados do espectro de arrogância. Do motor a dois tempos, destes tempos próximos do seu fim, à espera da partida, do verde - de uma outra viagem, virgem.