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O segredo para a tranquilidade

por Samuel de Paiva Pires, em 12.09.16

IMG_3016.JPG

 

Consiste meramente em aceitar as leis da estupidez humana enunciadas por Carlo Cipolla, o princípio de Peter e a selecção negativa nas organizações. Qualquer um que aceite estes princípios como inerentes à condição humana conseguirá reconciliar-se com a mediocridade que o rodeia. Afinal, apesar de tudo, o mundo pula e avança. 

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publicado às 22:50

Um desabafo

por João Pinto Bastos, em 05.02.13

Uma das grandes parvoíces da cultura contemporânea - tenho algumas dificuldades em tratar por cultura aquilo que é, na verdade, incultura, mas prossigamos - reside numa ideia que, a mim, causa tremuras excessivas: falo, pois, do desejo que as pretensas elites culturais (um termo que é todo um programa) manifestam a miúdo de chocar os públicos ignorantes (públicos, outro termo que é todo um programa). Hoje, nos meios culturais, originalidade e criatividade, termos outrora sãos e puros, rimam com obscenidade e despudor. Dito de outro modo, na acepção desta gente chocar e criar pressupõem inevitavelmente a ausência de gosto. Já não se cura de ligar a imaginação ao Belo. As amarras da "cadeia opressora" da Beleza pertencem ao pretérito perfeito. Só isso explica as monstruosidades inauditas que passam por obras de arte para muitos dos críticos que ganham e lucram com o métier. Querem um bom exemplo? Vejam isto:

 

Stewart Home

 

P.S.: Cheguei a este senhor por intermédio do António Araújo. Por vezes, a dissecação destas mediocridades ensina-nos que a barbaridade é um dos sub-produtos da cultura pós-moderninha. A barbaria já chegou. Mais: está bem incrustada no cerne da nossa pseudo-cultura.

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publicado às 20:01

O fim da política

por João Pinto Bastos, em 03.01.13

Rui Ramos, inteligentemente, alertava na edição do passado sábado do hebdomadário Expresso para um facto que poucos comentaristas têm realçado: o Portugal troikado é uma tradução eufemística para aquilo que, na verdade, é já o fim da política. Converge-se, pois, no essencial, secundarizando o acessório. E o essencial é a transposição da lógica lampedusiana para a política portuguesa, ou seja, é necessário que algo mude para, no fim, ficar tudo na mesma. Sem política nem desígnio, somente com a gestão das dependências no fio do horizonte. 

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publicado às 18:25

O jornalismo escarninho

por João Pinto Bastos, em 03.01.13

O jornalismo hodierno tem um grave problema com o rigor informativo. Não se estuda, repelem-se as inteligências e o saber diligente, expelem-se meia dúzia de boutades, não sindicadas por quem de direito, e, no fim, o cidadão, desinformado e abusado, come e cala. Qualquer jurista - nem chamo à colação a minha condição de jurista, porque, muito sinceramente, não vale a pena - sabe ou tem a obrigação de saber que o trambolho constitucional português, vigente desde os idos de 1976, estabelece que no caso da fiscalização sucessiva não há a possibilidade de requerer a tão adulada urgência na análise das normas controvertidas. Se um jurista tem a obrigação de saber isto, um jornalista que escreve sobre política tem, igualmente, o dever de conferir um cuidado especial às informações que veicula sob pena de criar ilusões erróneas na mente dos poucos capachos que ainda vão tendo paciência para ler tanta sabujice escrita pelos punhos de um bando de indigentes pertencentes à geração mais qualificada de sempre. A crise da democracia começa também aqui, na ignorância e na politização ignara dos jornalistas de vão de escada que enxameiam as redacções.

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publicado às 17:55

Os tempos que vivemos, obscuros e funestíssimos, prestam-se a alarvidades dificilmente explicáveis. Vem isto a propósito de uma notícia que indica que Bento XVI afirmou que não havia burro nem vaca no presépio de Belém. O Papa, figura incontornável no firmamento religioso mundial, publicou um livro, respeitável como todos os que tem publicado, a respeito da vida de Jesus, e a única coisa que a imprensa releva é a opinião do mesmo a propósito da existência ou não do burro e da vaca no presépio. Ridículo? Talvez. Sintomático? Indubitavelmente. A superficialidade desta gente não se resume apenas ao pôr no poleiro a desqualificação embusteira dos Baptistas da Silva que por aí andam. A mediocridade afectada chega já ao ponto de fazer sobressair apenas o secundário. No fundo, o jornalismo destes tempos de decadência é o triunfo do secundário superficializado. Nem mais nem menos. O triunfo do não-pensamento começa nas coisas comezinhas. Sem vírgulas nem aspas.

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publicado às 00:08

O Natal dos perdidos

por João Pinto Bastos, em 27.12.12

Após um breve interregno blogueiro, Natal oblige, verifico, com algum pasmo e pesar, que o debate em curso continua a versar sobre o pilantra acoitado pela verve indignada de Nicolau Santos. Compreendo a fúria de muita gente, mas, passado o tempo do choque e da degustação da impostura, que tal deixarmos de dar tempo de antena a Baptista da Silva? Será pedir muito?

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publicado às 22:56

A fogueira das reputações (2)

por João Pinto Bastos, em 08.12.12

Passámos um dia inteiro a falar de Medina Carreira para no final ficarmos a saber que o seu nome terá sido utilizado como nome de código. Entretanto, no meio da voragem mediática, a sua reputação, como a de tantos outros antes dele, foi manchada por meia dúzia de abutres impantes. É sempre a mesma estória. Não há meio de sairmos desta mediocridade afectada.

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publicado às 01:02

Montanelli e Herculano, juntos na mesma luta

por João Pinto Bastos, em 16.11.12

As reacções que temos visto e ouvido por aí a propósito da velhacaria bandoleira que tomou de assalto a ordem pública, não serão, vistas bem as coisas, uma manifestação estreme daquilo a que Montanelli designava como o triunfo da mediocridade? Eu tento, palavra de honra que tento, discordar do jornalista italiano, mas, ao ver estas amostras só posso assentir com a tese, tão cara a Montanelli, de que a democracia é, por natureza, o triunfo da mediocridade. Isto para não chegar ao extremo de Herculano que dizia, e provavelmente com alguma razão, que o democratismo levado ao extremo é sinónimo de morte. Morte e ruína, acrescentaria eu.

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publicado às 01:22

A política da mediocridade

por Samuel de Paiva Pires, em 14.07.12

Segundo a Lei de Gresham, a má moeda tende a expulsar a boa moeda. Na política, não só os medíocres tendem a expulsar os bons como promovem outros medíocres, reproduzindo-se de forma endogâmica. Acresce ainda o serem verdadeiros parasitas, cujas parcas habilidades concorrem para o objectivo único de extracção de recursos da sociedade, ou seja, de outros indivíduos. E nem mesmo a existência de barricadas políticas diversas e ideologicamente opostas e até o acaso de se encontrarem distribuídos por estas os faz ganhar verticalidade e a capacidade de ter vergonha. Bem pelo contrário, pois como escreveu La Boétie, «entre os ladrões reina a maior confiança, no dividir do que roubaram; todos são pares e companheiros e, se não se amam, temem-se pelo menos uns aos outros e não querem, desunindo-se, tornar-se mais fracos.» Pior, sem se rirem, ainda se dizem defensores do bem comum, igualdade e liberdade. E ai de quem os acuse das suas malfeitorias, a que normalmente respondem logo com ameaças de processos por difamação e ofensa ao bom nome. Nunca vi gente mais preocupada com o bom nome do que aqueles que não passam de execráveis escroques.

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publicado às 18:37

Reputações e popularidade

por Samuel de Paiva Pires, em 14.07.12

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray:

 

«- ... todos os bons chapéus são feitos de nada.»
«- Como todas as boas reputações, Gladys - interrompeu Lorde Henrique. - Todo o efeito que produzimos gera-nos um inimigo. É preciso ser medíocre para ser popular.»

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publicado às 18:14

Mérito e socialismo

por Samuel de Paiva Pires, em 04.11.09

 

Tenho dado por mim a pensar no socialismo, no economicismo e no mérito. E surgiu-me uma hipótese a respeito das perspectivas economicistas. Sabendo-se que muita gente se queixa quando são adoptadas determinadas perspectivas economicistas, seja sobre que assuntos for - mas pensemos aqui no mercado de trabalho, seja em que sector for - seria de esperar que uma atitude deste cariz promovesse a concorrência e o mérito, optimizando recursos e melhorando a produtividade e qualidade dos produtos.

 

Acontece que, a mais das vezes, muitos dos que adoptam este tipo de atitudes, pouco ou nada percebem ou sequer almejam no que diz respeito à concorrência, à optimização de recursos de acordo com uma teoria mais liberal do que socialista. Mas, na prática, muitos dos que a estas atitudes recorrem, estão impregnados (sabendo-o ou não), de socialismo. E socialismo com economicismo parece-me ter um resultado catastrófico: a negação do mérito. Porque o economicismo  e o "não há dinheiro" torna-se uma mera desculpa, uma mentira que tem por lógica proteger determinados interesses e afastar os indesejados por meio de um maquiavelismo de trazer por casa.

 

Logo, poderá haver mérito quando o nosso país está atravessado por preconceitos de esquerda e do politicamente correcto, que alimentam o desporto nacional - a inveja? Não, não pode enquanto houver por aí muita gente que alia o socialismo ao economicismo. Na política, na administração pública, nas empresas, nas universidades. Tornou-se cultural. E a mediocridade lá vai vencendo.

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publicado às 21:56

Quando é que deixaremos de promover a mediocridade?

por Samuel de Paiva Pires, em 14.03.09

 

(imagem picada daqui)

 

É ler o que escrevem o Joshua e o Miguel. Num caso, a revolta de um desempregado cujo intelecto em muito poderia ser útil ao país, do outro, a história do pai do Nuno e do Miguel que foi sofrendo uma espécie de purga académica e social. Quando é que deixará de ser crime em Portugal pensar? Simplesmente pensar, escrever, ter opinião. Quando os medíocres cognitiva e intelectualmente pouco dotados conseguem impor os seus redutores pontos de vista simplesmente porque se acham revestidos de um poder que tudo lhes permite e afastam os que poderiam melhor dirigir os destinos da nação, o que é que nos restará? Quando mesmo na academia pensar de forma diferente deixa de ser possível, quando muitos dos que à partida integrariam naturalmente a elite de um país desenvolvido são remetidos ao silêncio e impedidos de fazer seja o que for apenas porque divergem do pensamento único dos demagogos e situacionistas de serviço, quem é que nos guiará?

 

E se eu sei do que falo, nesta semana em que mais uma vez me provaram porque é que eu tenho razão em criticar as Juventudes Partidárias e, já agora, diga-se de passagem que a minha ficha de filiação na JSD foi recusada há já uns meses, sem qualquer aparente justificação, e já não voltará a dar entrada, contrariando o que certo líder da Jota fez crer ao público de certa conferência ao afirmar que eu já seria militante - estes senhores que vão à "minha" faculdade vender as Juventudes Partidárias como a 7.ª maravilha do mundo e que por azar deparam com alguém que não alinha pelo tal espírito das conferências do porreirismo amorfo, esquecendo-se (como? Se nem sabem...) que na academia temos por obrigação questionar tudo, em especial as certezas e verdades que o resto da sociedade possui.

 

Portanto, ao contrário do que noutras ocasiões disse, para escamotear o mau funcionamento da JSD (já agora a fotocópia do meu B.I. deveria ser-me devolvida, mas enfim...), de resto em tudo semelhante ao pouco que sei de como funciona a JS, NÃO SOU NEM NUNCA FUI MILITANTE DA JSD. Julguei que poderia conseguir dobrar a minha coluna vertebral porque eventualmente no fim o mérito e as capacidades de cada indivíduo prevalecem sobre a mediocridade vigente da maioria e aqueles mais capazes podem tentar contribuir para uma sociedade melhor e um país mais desenvolvido (só posso vislumbrar uma pequena parcela da agonia de Schumpeter quando constatou a negação basilar de tal através da demonstração do cariz sectário, primitivo e básico do carácter dos cidadãos típicos quando entram no dominío da ciência da polis). Enganei-me, e continuo a preferir quebrar do que torcer. Obrigado pelo apoio meu caro amigo a quem ultimamente tenho ouvido o "não precisas disso para nada". Prostrado e desiludido peço aqui desculpa aos poucos amigos e familiares que por intermédio da minha pessoa se tornaram militantes apenas porque eu também me filiaria.

 

Talvez por vezes ganhasse mais em estar quieto e calado, talvez até devesse deixar de escrever neste blog e remeter-me ao silêncio, ser apenas um ilustre anónimo e desconhecido, dedicando-me apenas aos livros e à escrita sem qualquer tipo de divulgação pública. Até que ponto é que não me terei já prejudicado ao escrever neste blog? Divirtam-se a destruir a nação que a mim faltam-me apenas 4 meses para acabar o curso e tenho muito sobre que escrever para que tal aconteça. E depois, depois logo se verá, se aquela resposta que há muito espero me libertará, ou se terei que passar mais algum tempo por cá a assistir tranquilamente à lenta degenerescência nacional. Passem bem pois então.

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publicado às 00:38






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