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Cavacas, Costas e sombras de chaparros

por John Wolf, em 02.01.15

cavacas

 

Fiz uma promessa que não irei cumprir. Jurei que em 2015 abrandaria o meu ímpeto selvagem, a minha tendência violenta para com os afazeres do recluso 44 e os juramentos demagógicos dos socialistas. Mas intimamente sei, que mais parágrafo menos parágrafo, regressarei a essa faena, à lide da pequena política de quintal, de mexericos e dissabores. Ainda hoje tentei evitar o consumo dessa água danada, mas não me dão hipótese, vêm beber à minha mão. António Costa, assim como o rabejador Ferro Rodrigues, haviam declarado que não negociariam com o inimigo, que não assinariam acordos de regime, e que o caminho do poder seria uma rota de tudo ou nada, a solo, em absoluto. Contudo, Cavaco Silva que ontem serviu umas fatias de bolo-presidente aos portugueses, parece ter desviado Costa do seu projecto de futuro governo. A reunião de António Costa com o Partido Social Democrata deve ser entendida do seguinte modo: os socialistas sabem que não têm margem de manobra para inverter o curso de acção ou alterar a receita de governação implementada desde a chegada da Troika e o descalabro económico de 2011. Se os socialistas continuam com essa conversa de rasgar o tratado de austeridade sabem que serão ainda mais castigados pelos decisores do centro da Europa - Merkel e companhia, se quiserem. O que está a acontecer lá para os lados do Banco Central Europeu também sugere tempos atribulados, dificuldades acrescidas. Há mais de 3 anos que Mario Draghi anda a ameaçar a Zona Euro com o lançamento de quantitative easing e o espectro da deflação parece validar ainda mais essa hipótese. Ou seja, os astros não estão alinhados para sonhos cor de rosa. Antes que o caldo se entorne e o actual governo reuna ainda mais argumentos para justificar as suas decisões tributárias, os socialistas sabem que devem, o mais cedo possível, procurar alinhavar uma coligação, esboçar um partilha de poder à bloco central. Daqui por algumas semanas Évora e o seu paciente mais famoso serão meras sombras de chaparro. Há coisas bem mais importantes que irão condicionar Portugal. E infelizmente não dependem dos portugueses. 

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publicado às 18:35

2014 e a mensagem do amo Cavaco Silva

por John Wolf, em 01.01.14

O primeiro post do ano é uma coisa tramada. Mais logo Cavaco Silva também será confrontado com um dilema existencial: que mensagem de "amo novo" deve ser veículada aos portugueses? Se for excessivamente optimista muitos dirão que a disciplina social-democrata contagiou a sua "alegada" isenção, e que está descaradamente alinhado com o governo (eu sei, já deu mostras das suas preferências do modo como colocou o Tribunal Constitucional ao serviço da nação). Se apresentar um quadro escuro, mais negativo que positivo, estará a demarcar-se da possível falência do executivo que anunciou a retoma como sendo firme e inquestionável, e estará desse modo a dar um empurrão a Seguro e companhia. Por essa razão o discurso de Cavaco Silva será intencionalmente um produto híbrido e pouco esclarecedor. Igual a si. Um político de carreira, mas sem coragem política para criar dinâmicas de transformação. Ou seja, sem o desejar, o que sair da sua boca também se adequa ao nível de incerteza reinante, às dúvidas internas (e às europeias) e ao seu perfil político. Há tantas variáveis a ter em conta neste ano "sabático" (sabático por ainda não ser a doer como será o ano de 2015 com as legislativas). As eleições europeias vão agitar as águas e já começaram a criar comichão (já houve uns arrufos entre a Edite Estrela e o Nuno Melo em 2013, sobre currículos e a importância de se ser celebridade ou não no Parlamento Europeu). Depois temos o teste de regresso aos mercados com a emissão de dívida em Março, que marcará o nível da boia financeira ou do afogamento económico do país. O resgate ou não, suceder-se-á, pelo que uma fórmula será decerto inventada para que ninguém perca a face - quer a Troika, quer o governo da república. Um novo termo financeiro e económico será inventado. Medidas cautelares, intervenção, medidas complementares ao orçamento de Estado, resgate ou salvamento migrarão para num novo conceito operacional, uma nova "palavra do ano" que envolverá, na minha opinião, e lamentavelmente, um peso acrescido sobre os ombros dos contribuintes portugueses. Esse facto fiscal, incontornável de acordo com os proponentes, será aproveitado por Seguro para continuar a bater na mesma tecla de desagrado e a avançar com promessas infundadas de salvamento material e ideológico da nação. Seguro apenas passará a "falar" verdade se o quadro da centralidade europeia for alterado de um modo substantivo, se Draghi e companhia enveredarem por verdadeiras medidas de estímulo da economia, mas infelizmente, o caminho parece ser de abandono de taxas de juro de referência baixas. O que acontecer em Portugal, irá, nessa medida, depender de um novo alinhamento da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, que devem começar a percepcionar o FMI de um modo cauteloso, uma vez que o fosso que separa a Europa dos EUA se está a aprofundar. Os EUA estimam um crescimento na ordem dos 3% para 2014. O FMI também é um braço armado da política económica e financeira dos EUA, mas os europeus parecem ser lentos na apreciação desse facto. Tomam-no como amigo inquestionável. Quanto às outras forças chamadas de Esquerda, como o Bloco de Esquerda, o prospectivo partido de Rui Tavares e a CGTP de Arménio Carlos, parece que não se entenderão com facilidade e irão permanecer de pé atrás para tentar perceber que alinhamentos são possíveis ou mais vantajosos para os seus intentos. Não me parece que uma nova coligação à Merkel seja possível em Portugal em 2015. Não faz parte da cultura local as cedências em nome do interesse nacional. Os partidos em Portugal são como os adeptos de futebol que matam e esfolam pelos seus clubes, mas que nem por isso apreciam a bola. Assim sendo, e lá para 2015, um governo de retalhos com participantes do CDS, PS, PSD e da Esquerda não me parece exequível. Enfim, não esperem pela luz com a mensagem de ano novo de Cavaco Silva, mas ela corresponderá em larga medida ao que Portugal é e ao que teima em preservar.

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publicado às 18:35

 

A mais esperada mensagem do ano em Portugal.

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publicado às 00:48

Um país à beira de ser vendido?

por Samuel de Paiva Pires, em 02.01.09

 

(imagem picada do Público)

 

Portugal não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos.


Para quem ainda tivesse dúvidas, a crise financeira encarregou-se de desfazê-las.


Como é sabido, quando a possibilidade de endividamento de um País se esgota, só resta a venda dos bens e das empresas nacionais aos estrangeiros.

 

São afirmações do Presidente da República, Cavaco Silva, na sua mais recente mensagem à nação. E fez-me lembrar o que já há tempos escrevi e que venho pensando de algum tempo a esta parte, em jeito de adenda ao post do Nuno:

 

Eu tenho uma "teoria" que carece de fundamentação que é a de que o arrendamento será um mercado muito mais sustentável e proveitoso. Porque as pessoas não se "enforcarão" durante 20, 30 ou 40 anos, porque têm muito mais flexibilidade para mudar de casa em qualquer circunstância (mudança de emprego, desemprego, saída do país) e, principalmente, porque em vez de pagarem ao banco, que por sua vez paga à banca na qual se endividou, o dinheiro mantém-se entre os consumidores, ou seja, com efeitos mais práticos a nível do desenvolvimento da economia real. Mas como eu não percebo nada de economia, isto até pode estar errado.

 

Aos empréstimos das famílias juntem-se os empréstimos das empresas e o panorama começa a não ser o melhor. Se a nossa capacidade de pagamento dos empréstimos/dívida externa se vier a verificar, creio que estaremos de facto à beira de ter o país vendido aos estrangeiros.

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publicado às 18:32






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