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Não sei como se tratam de problemas de visão, mas penso que ainda não existe cura para glaucoma jornalístico. Uma doença que afecta intensamente a vista panorâmica e as faculdades mentais que permitem ver o quadro maior de interdependências. Em primeiro lugar, a emissão de dívida de longo prazo serve para pagar a dívida da dívida da dívida da dívida da dívida.... É uma pescadinha de rabo na boca que nada tem a ver com os aspectos fundamentais da economia. É dinheiro mais barato. É a remissão plena da doença do crédito, que trata dos sintomas, mas que nada contribui para gerar crescimento e baixar o desemprego. Se é para mandar às urtigas o Banco Central Europeu e demonstrar que Portugal consegue angariar apoios financeiros no mercado aberto, não irá servir de muito no contexto de um quadro muito mais dramático. Infelizmente Portugal não está sozinho no mundo. Existe vida para além de Badajoz e esse facto parece passar ao lado dos analistas de mercado. Não sabem que estamos em Guerra? Que o conflito de que falo é global e irá causar imensas baixas? Enquanto se celebra o regresso ao futuro de Portugal, o resto do mundo está envolvido num confronto épico. Refiro-me à guerra de divisas. A corrida à desvalorização das moedas nacionais como forma de melhorar o nível de exportações dos países beligerantes. Eu sei que pode parecer que passa ao lado de Portugal, como se a sua guerra fosse outra, como se já não fosse uma nação, como se não importasse. Contudo, não é bem assim, e haverá um preço a pagar pela ligeireza de espírito. Portugal ofereceu de bandeja a sua política monetária aos lordes Europeus em troca de uma cartão de sócio do clube dos exemplares países desenvolvidos. Pois é. É o que dá não reflectir profundamente sobre as implicações de decisões tomadas. Mas regressemos ao tema dos murros e pontapés. O que pensam que os EUA estão a fazer ao Dólar e o que os Japoneses anunciam fazer ao Iene? Estão efectivamente a tornar as suas economias mais competitivas baixando o preço do seu dinheiro. Abriu a época de saldos de divisas. E a União Europeia, o que fará? O Banco Central Europeu fará exactamente o mesmo. Não tem alternativa, uma vez que a retoma económica da Zona Euro não acontecerá devido às suas forças intrínsecas, à dinâmica do mercado interno que está mais a coxear do que a marchar na direcção certa. Este procedimento de intervenção monetária gerará efeitos distorcidos, mas  podem ter a certeza do seguinte. Pode entrar dinheiro  a rodos em Portugal, mas essa não é questão principal. A pergunta que tem de ser colocada tem a ver com a qualidade do crédito. O rating do dinheiro quando comparado com outras moedas. O valor do Euro no contexto dos grandes descontos das outras divisas. Seria excelente que os jornalistas fossem capazes de equacionar cenários mais distantes e expor algumas das implicações deste quadro dinâmico. Eu sei que não tiveram bons exemplos, mentores adequados. Os economistas, por este mundo fora, falharam redondamente nas projecções que estabeleceram. Em busca de consolo e alguma razão, não me viro para os matutinos. Os jornais não reflectem. Os jornalistas são incapazes de conjecturar. São matutinos na verdadeira acepção da palavra. Estão a dormir.

publicado às 10:37






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