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Laranjada

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.14

José Adelino Maltez, "As estórias da carochinha":

 

"Entre o bom e velho Estado do Congresso de Matosinhos, de José Sócrates, e o renascimento vocabular da social-democracia, do popularismo ou da via liberal para o mais do mesmo, sempre a mesma cultura pós-totalitária, a nova questão social acrescendo à velha, a permanente teoria da conspiração, o homem de sempre e o vazio de patriotismo regenerador. Sim, o que é isso de Estado? Os desgraçados que o têm como patrão ou cobrador de impostos? Os privilegiados que dele recebem subsídio ou isenção? Infelizmente, continuamos a dizer que o Estado são eles, os do aparelho de poder e das respetivas máquinas de assalto à decisão, isto é, o principado e a sociedade de corte. Quando, em democracia, o Estado devíamos ser nós, o Estado-comunidade, ou o Estado-república. Daí que o partido mais situacionista de Portugal, voltado sobre as próprias entranhas, tenha atingido o clímax quando confirma que Miguel, Relvas, é o ortónimo de Pedro, Passos, numa laranjada em estado puríssimo, onde ambos rimam com Paulo e com Aníbal, para que outros heterónimos, no espaço comunicativo do agenda setting, finjam, depois, que não é verdade o que, na verdade, é. Neste jardim das delícias dos recreios congressistas, confirma-se que corte, expressão derivada do latim cohorscohordis, é aquela parte da casa romana que estava ao lado e complementava o hortus, o jardim. Um nome que tanto deu a côrte dos reis, com um circunflexo no o, donde veio o cortês, a cortesia e o cortesão, como também se manteve numa designação de parte da casa rural portuguesa, a córte dos animais (com acento agudo no o). Soares não foi a esta aula magna e Seguro confirma: para quê a pressa? Na sociedade de corte, há estórias da carochinha, bobos do regime, conversas em família e sopeiras do sistema, mas, no país das realidades pode ser maior a memória do sofrimento."

 

publicado às 10:58

Miguel Relvas voltou

por Samuel de Paiva Pires, em 22.02.14

publicado às 19:52

Deuce Bigalow, Gigolo Profissional (1999)

por Fernando Melro dos Santos, em 14.11.13

Boa noite,

 

hoje revi o filme em epígrafe e lembrei-me de uma coisa que lera momentos antes.

 

 

É que, mesmo sabendo que declamo para uma audiência composta por 25% de cobardes, 25% de indigentes mentais, 25% de encostados ao tacho dos cinco partidos, e 25% de desgraçados sem côdea para dar aos filhos, prefiro escrever do que deixar que me integrem, ou intuam que me integro, e ainda por cima fazendo-o à má-fila, numa das categorias em que se divide o eleitorado responsável pelo estado a que isto chegou.

 

Nesta entrevista à revista Visão, Fernando Moreira de Sá, uma nulidade ambulante a quem, como a tantas outras excrescências de uma democracia sufragada a dez tostões o voto, foram dados os seus dois ou três anos de chulice, arroga-se a repugnante prerrogativa de reescrever a actualidade.

 

Senão vejamos:

 

Vem este rapazote, cujo perfil académico, profissional e provavelmente humano se coaduna com o da perene mediocridade a que nos habituaram Governos passados, criticar as manobras Socráticas no sentido de subverter a realidade e propagandear, com fins destrutivos de qualquer oposição, a sua agenda na esfera virtual através do blogue Corporações; de rajada, e sem deter-se no exercício da sua estupidez sobranceira, regozija-se de ter aniquilado essa parte da máquina socialista, recorrendo aos mesmíssimos métodos, e ainda refocilando de gozo no meio da lama com que enche a própria celha onde se banha a soldo do erário público.

 

Isto não é o grau zero da política, é a mais vil e abjecta exposição da apatia, vacuidade e castração atávica a que chegou a população Portuguesa. 

 

Da merda não emergem flores. É assim apenas natural que uma tribo de vendidos possa, quanto muito, mandatar a pior espécie de cigalheiros, paparrotões, tábidos e aleivosos para o exercício da distribuição canibalesca dos dinheiros com que os Europeus verdadeiros nos ungem. 

 

Não há diferenças entre Fernando Moreira de Sá e, a exemplo, Eurico Dias. Nem pode havê-la, nem nunca haverá nada senão similitude entre as próximas iterações dos autómatos que dão o corpo a esta farsa. Deixou de haver diferença entre quem bate a berma da estrada, para grande perda do sector.

 

Aguarda-se a qualquer momento que Camilo Lourenço, essa voz sem dono nem tino, venha burilar o facto como se de uma viragem histórica e salvífica se tratasse. Portugal na vanguarda da equidade e da justiça social entre putas, que é no fundo a única profissão em que o desemprego não grassa, a julgar por eleitores e eleitos que ainda sobrevivem praticando-a com gáudio e farto proveito. 

 

Nunca é de mais, contudo, relembrar que estes sevandijas, tal como quem os precedeu e como quem lhes sucederá, não hesitam em lançar mão das mais torpes e sovietizantes ferramentas, conforme já neste blogue havia sido dito, mantendo sabe-se lá a que preço e com que liberdades um gabinete de monitorização da blogosfera, cuja fauna residente me inspira suores frios à mera especulação sobre o seu grau de indecência, e que imagino escolhida a dedo de entre os piores biltres, relambórios, e corriqueiros acólitos do poderzinho que está. É bom de constatar, da leitura desta entrevista aviltante, que não só tal estrutura existe, como não se fica certamente por observar quanto é escrito na blogosfera. 

 

Para cúmulo, este títere sem valor ainda ousa afoitar-se com regozijo na evocação de como este Governo terá reforçado as suas fileiras mediante o recrutamento de elementos oriundos de blogues, e cito, "da direita", despudoradamente e à revelia da realidade, pois foi de lá que os recrutou, mas apenas uma ínfima minoria dos blogues nomeados é, de facto, de Direita. Como é aliás evidente, uma vez que este Governo não é ele pŕoprio, nunca foi, e nunca será de Direita, mas sim e somente outra impostura socialista passível de vingar, apenas, num país inculto, espoliado de literacia e sem sobejo da coragem de outrora. 

 

O Estado Sentido congratula-se por não ter sido incluído no elenco de blogues escarrado por Moreira de Sá, pois enquanto voz da Razão e da Liberdade não se revê nas definições maniqueístas e falseadas de "esquerda" e "direita" reproduzidas por este na peça em apreço.

 

Tal como é nosso apanágio desde a hora mais incipiente, o fito da nossa presença na blogosfera é de outra Natureza: é objectivista e racional. Não adere nem se compadece com agendas partidárias, nem com a demência colectivista e estatizante que infecta transversalmente o território de Portugal, tolhendo sem prazo à vista o futuro daqueles que nada fizeram em abono do nojo a que isto chegou.

 

Bem hajam e até logo.

publicado às 21:48

Permitam-me dar-vos um exemplo prático de como a academia pátria foi tomada por medíocres e está povoada por idiotas que vivem em concubinato com o poder político. Pedro G. Rodrigues era conselheiro do Secretário de Estado do Orçamento do segundo governo de José Sócrates. Quando este caiu, João Bilhim, recrutado por Miguel Relvas para presidir a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, mas à altura presidente do ISCSP, próximo do Partido Socialista e responsável pela elaboração do fiasco que dá pelo nome de PRACE, começou a contratar amigalhaços que tinham acabado de perder o emprego, conforme já aqui eu havia escrito, entre os quais Pedro G. Rodrigues. E por que é que isto importa? Porque Pedro G. Rodrigues, que, vá-se lá saber porquê, teve a honra, que não me recordo de ter sido dada a qualquer outro docente - digno desta qualificação -, de ter um paper seu publicitado na primeira página do site do ISCSP, revela hoje no Jornal de Negócios uma das ideias mais bárbaras - e estou a ser simpático - que tive o desprazer de ler nos últimos anos (via João Miranda e Ricardo Arroja).

 

«Proponho que o Estado imponha temporariamente um regime de despesa privada obrigatória. Nesse regime os titulares de depósitos bancários dispõem, no máximo, de seis meses para gastar uma fracção do saldo na compra de bens e serviços em território nacional. Findo esse prazo, do montante ainda por gastar é transferida para o Tesouro a parte que corresponde à taxa média actual de IVA e de impostos específicos. Na prática, não há qualquer transferência porque não haverá nenhum montante por gastar ao fim de seis meses. Esta é uma solução equilibrada, dado que quanto maior é o saldo, maior é a responsabilidade e a capacidade de relançar a economia. Cada um é livre de comprar o que quiser, desde que seja em território nacional e até ao prazo limite, mas deve saber que a compra de um bem ou serviço importado não aumenta o PIB.»


Sim, este senhor é docente universitário. E sim, a academia portuguesa é muito isto. 

publicado às 22:45

"Que, após homologaçäo da presente informação, seja a mesma remetida (...) ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, para que seja declarada a nulidade do ato de avaliação de Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas (...) designadamente a declaração da nulidade do grau académico de licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT)"

publicado às 00:21

Um Homem sem qualidades *

por Pedro Quartin Graça, em 04.04.13

* Por: Mário Quartin Graça, convidado do Estado Sentido

 

Os Portugueses não têm sido bafejados pela sorte ao longo deste século XXI porque, para além de honrosas excepções, não têm faltado governantes, independentemente da hierarquia dos cargos ocupados, sem qualidades políticas, técnicas e morais exigíveis para o exercício dessas funções. Isso dever-se-á em grande parte ao modo como se foram criando em Portugal as impropriamente chamadas “elites” políticas, que de elites nada têm, porque não constituídas ao longo de um processo de apuramento e de selecção que faz sobressair os mais qualificados, mas sim através de um carreirismo que premeia mais os habilidosos do que os competentes. Está mais do que na hora de os partidos políticos se preocuparem a fundo com a captação e a formação dos seus jovens quadros, preparando-os para as responsabilidades políticas e/ou governativas que mais tarde ou mais cedo serão chamados a assumir e tentando evitar que os “arrivistas” encontrem o caminho livre para se imporem.

Não sendo infelizmente caso único, Miguel Relvas representa o que de pior existe na vida política portuguesa. O seu percurso ao longo de dois anos no Governo demonstrou-o plenamente. E o seu discurso de demissão, ridiculamente patético, constituiu o culminar de um caso que, se não fora a insignificância do personagem, deveria ficar nos anais dos procedimentos políticos e moralmente impróprios.

É certo que Relvas não se auto-nomeou para o Governo e essa (ir)responsabilidade é devida a Pedro Passos Coelho que preferiu premiar uma lealdade e uma amizade em vez de escolher para coordenador político alguém com substância  intelectual, com credibilidade comprovada, com exigência ética, capaz de merecer o respeito dos seus colegas de Governo e da classe política em geral.  Por isso não admira que o resultado dessa designação tivesse sido desastroso, na forma ziguezagueante como Relvas foi conduzindo os assuntos de sua responsabilidade, desde a reforma autárquica à reestruturação  da RTP.

Também Miguel Relvas se manifestou um desastre em termos de sensibilidade social. Desde o desrespeito pela dignidade de um curso superior -  que tantos milhares de jovens se esforçam por tirar à custa de muitos sacrifícios -, valendo-se, como  José Sócrates, de expedientes administrativos para obterem de um dia para o outro o ambicionado diploma, até à insultuosa presença, em fotografias tiradas à porta do mais luxuoso hotel do Rio de Janeiro no último fim do ano, quando  milhões de Portugueses já não tiveram o mínimo necessário  para uma modesta consoada.  

Finalmente, Miguel Relvas foi protagonista da mais caricata cena de que há memória na vida política portuguesa: um ministro que se demite ou é demitido aproveita a ocasião para, durante minutos, perante os olhos e os ouvidos do País, fazer o elogio da sua obra.

Porém, o pior de tudo e que é de uma total falta de ética, é que, ao despedir-se -  todos esperamos que para sempre – o amigo do Dr. Pedro Passos Coelho veio lembrar que, sem ele, Passos Coelho não teria ascendido a presidente do PSD, sem ele Passos Coelho não teria sido primeiro-ministro, sem ele não teria sido possível criar as condições para o País singrar nessa marcha imparável de recuperação económica de que todos estamos a beneficiar-nos.  Triste de mais para ser verdade!

 

Mário Quartin Graça

publicado às 19:42

Sacrifício de dama

por Samuel de Paiva Pires, em 04.04.13

O tacticismo é óbvio, mas não deve deixar de ser devidamente apreciado, especialmente porque mostra que um governo que rejubila com a tecnocracia e que até aqui tem sido de um amadorismo político atroz afinal consegue fazer jogadas políticas que supreendem. Só peca por tardia a demissão de Miguel Relvas, mas acaba por servir um propósito útil: trata-se de um sacrifício de dama por parte de Passos que lhe permite recuperar alguma credibilidade para contra-balancear a decisão do Tribunal Constitucional que se adivinha negativa para o governo.  

publicado às 16:53

A ver crescer a relva é que ele não fica...

por Pedro Quartin Graça, em 04.04.13

Com a anunciada demissão, já prevista aliás, dado que Relvas sempre disse que, a saír do Governo, o faria sem ser no âmbito de uma remodelação, a qual deverá ter lugar no início da próxima semana, Miguel Relvas já pode dedicar-se a 2 projectos urgentes: o primeiro é casar e, logo a seguir, a candidatura à Câmara Municipal de Lisboa onde substituirá o legalmente impedido e ainda edil de Sintra.

publicado às 15:38

Obviamente

por Samuel de Paiva Pires, em 03.04.13

Estava aqui a ler algumas reacções à contratação de Miguel Gonçalves por Miguel Relvas e só agora me apercebi do óbvio: o facto de Gonçalves ter sido contratado por Relvas diz tudo sobre aquele.

publicado às 02:55

Eu também sofri um ataque à liberdade de expressão

por Samuel de Paiva Pires, em 24.02.13

Estava aqui a recordar um episódio que aconteceu em 2009, quando numa conferência de celebração do 25 de Abril, no ISCSP, que teve como ilustres oradores Adriano Moreira, Mário Soares e Odete Santos, resolvi, no período de debate, incendiar a sala, confrontando o painel com o facto de não se poder dizer que o Estado Novo tenha sido fascista, e afirmando ainda que a narrativa anti-fascista tem servido para muitos legitimarem os seus intentos mesmo que estes sejam de uma perigosidade atroz para a democracia. Os estudantes ficaram em polvorosa, a Vice-Presidente do ISCSP gritava "cale-se, ninguém quer saber as suas opiniões", Odete Santos espumava e gesticulava descontroladamente, Adriano Moreira sorria e anuía com a cabeça e Mário Soares tirou-me a palavra - para dizer, sublinhe-se, que do ponto de vista da Ciência Política, de facto não se pode dizer que tenha existido fascismo em Portugal. Pelos padrões que regem umas quantas cabecinhas por estes dias, sou agora levado a acreditar que fui vítima de um ataque à liberdade de expressão. Devia ter-me queixado na altura, porventura à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Talvez Miguel Relvas o possa fazer.

publicado às 21:10

Sugestões de leitura sobre o episódio Relvas-ISCTE

por Samuel de Paiva Pires, em 21.02.13

Joaquim Couto, O país do livro e +1 direito.

 

Daniel Oliveira, E agora, senhor Relvas, o povo mau.

 

Viriato Soromenho-Marques, Até quando?

publicado às 21:02

Tão amigos e grandes democratas que eles são

por Samuel de Paiva Pires, em 20.02.13

Registo com agrado a cobertura do PS ao PSD e Miguel Relvas perante os protestos dos últimos dias. Dependem um do outro para sobreviverem e manterem os seus interesses à custa do povo - enquanto o repelem para o mais longe possível. Já este, começou finalmente a perceber que «Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...». O mesmo é dizer que é o governo que deve temer a nação, não o contrário. E parece que o centrão está a tremer - muito levemente, mas é um princípio - com medo que lhe tirem a gamela. Óptimo.

publicado às 23:30

Continuem a estar dois passos atrás da curva

por Samuel de Paiva Pires, em 20.02.13

112 recebe enchente de chamadas de pessoas com ideias suicidas


Mas não, claro que nada justifica o protesto - ainda que este extravase a suposta legalidade. Não há descontentamento generalizado algum e o país está cada vez melhor. Só não vi tanta gente preocupada com a liberdade de expressão quando Relvas andou a silenciar jornalistas (conforme nos recorda o Pedro Picoito), ou até mesmo com a legalidade, quando relativizaram o episódio da licenciatura forjada. A verticalidade tem dias, como se sabe. Poucos ou nenhuns, infelizmente. Um dia, se e quando a direitalhada descer do pedestal estratosférico onde vive ultimamente, talvez seja tarde demais. Como costuma dizer o Professor José Adelino Maltez, o maquiavelismo "parecendo ter razão no curto prazo, logo a perde a médio e a longo prazos. Porque, além de ser uma péssima moral é uma não menos péssima política."

publicado às 21:03

Causa e consequência

por Samuel de Paiva Pires, em 19.02.13

Ontem Miguel Relvas decidiu gozar com os "cantores" de intervenção de ocasião, juntando-se à cantoria de "Grândola, Vila Morena". Hoje foi apupado e vaiado por estudantes do ISCTE, não chegando a discursar e saindo sob escolta das instalações daquela faculdade. 

 

Permitam-me, em primeiro lugar, começar por questionar a audiência: quantos, daqueles que criticam os alunos do ISCTE pelo seu comportamento anti-democrático (sic), criticaram o selvagem do agente da segurança pessoal do Primeiro-ministro que há uns meses decidiu calar um aluno do ISCSP e nada disseram sobre este ter sido identificado pela polícia e quase lhe ter sido movido um processo disciplinar? Pois, não precisam de responder. Ao contrário de muita gente, a minha memória não é curta e não dou para o peditório das indignações selectivas de quem tem de defender a voz do dono.

 

Em segundo lugar, relembrar um ensinamento clássico de São Tomás de Aquino, aquele que nos diz que o povo tem o direito de remover do poder quem o usurpa e pela paixão pelo comando o faz degenerar, ou seja, o rei ou líder que se torna tirano. O mesmo ensinamento que vai servir de fundamento à teorização de John Locke justificadora da Revolução Gloriosa. Isto para dizer que Miguel Relvas há muito se deveria ter demitido do Governo ou ter sido demitido. O preço que Passos Coelho paga pela sua manutenção é a cada vez menor legitimidade deste Governo para governar. Sabendo-se que Miguel Relvas não se importa minimamente com o que pensem dele e com o descontentamento generalizado da nação em relação à sua pessoa, e que provavelmente nunca se demitirá - gostava tanto de poder engolir estas palavras -, cada dia que permanece no governo, é mais um dia em que aumenta a irritação e a raiva de quem tem de suportar os seus números. Quando pelos instrumentos pacíficos e normais de uma democracia saudável não se consegue repor a legitimidade do exercício, que cada vez menos corresponde à legitimidade do título, abre-se caminho à justificação da utilização da violência. Vem nos livros, não tem nada que saber. Só Passos Coelho parece não o entender - o que não surpreende.

 

Ontem Relvas armou-se em engraçado, hoje teve a resposta. Causa e consequência. Continuem a assobiar para o lado e enfrentem as consequências.

publicado às 23:31

"Clube dos Pensadores..."

por Pedro Quartin Graça, em 19.02.13

publicado às 14:54

Atoardas grandolenses

por João Pinto Bastos, em 19.02.13

O Samuel resumiu, a meu ver, bastante bem a essência da coisa: de facto, e sem querer maçar-vos, uma coisa, legítima e até benfazeja, é o uso de um slogan ou de uma canção para, simbolicamente, interromper um discurso político. É questionável? Sim, é, mas é legítimo como arma de intervenção política. Não alinho, pois, no coro da direita que critica este tipo de gestos - estou bem longe, longíssimo se quiserem, de me rever nas figurinhas que protagonizaram aqueles cânticos. Outra coisa bem diferente é a banalização deste tipo de gestos que, como é óbvio, acaba por prejudicar grandemente o objectivo subjacente aos mesmos. É que podem estar certos de uma coisa, caros cantautores da treta: terem permitido, com a vossa leniência, que Relvas exercitasse impunemente os seus dotes vocais só provocou, junto dos portugueses, a vossa descredibilização perpétua. Ninguém fica impune quando a verve bonjoviana de Relvas é estupidamente estimulada.

publicado às 00:53

A moda da cantoria da "Grândola, Vila Morena"

por Samuel de Paiva Pires, em 19.02.13

Interromper um discurso do Primeiro-ministro na Assembleia da República com a cantoria da "Grândola, Vila Morena" tem qualquer coisa de simbólico e que fica gravado, pela apreciação ou não, nas mentes dos portugueses, especialmente na conjuntura que vivemos. Repetir a cantoria interrompendo um Ministro, nos moldes patéticos que este vídeo revela, vulgariza o primeiro acto, retirando-lhe grande parte da carga simbólica, especialmente quando o Ministro se junta à cantoria. É pena. E eu que nem gosto da música. Só espero que isto se perceba, não vá outro grupo de "cantores" surpreender-nos um destes dias quando, por exemplo, Vítor Gaspar estiver a discursar. Poupem-me, a mim e a todos os portugueses, por favor, a ter de ouvir o Ministro das Finanças a cantar. Como dizia alguém, quando quem manda perde a vergonha, quem obedece perde o respeito. E Relvas ainda gozou, fazendo coro com os "cantores". Há algo de terrivelmente errado com Portugal, para termos deixado de produzir estadistas e estarmos entregues a isto.

 

publicado às 00:17

Pro...fundo...

por Pedro Quartin Graça, em 31.01.13

"Não há fundo sem poço."


Miguel Relvasna Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, a propósito do orçamento da RTP

publicado às 14:47

Relvas e a RTP, a indefinição perene

por João Pinto Bastos, em 25.01.13

O dossier RTP, como muitos outros da actual governação, patenteou uma gestão digna do incompetente mais servil - afirmar que a travagem do processo deveu-se à quebra das receitas de publicidade faz-me pensar até que ponto Relvas toma-nos a todos por um bando de capachos ignorantes. Outra coisa, note-se, não seria de esperar quando assuntos desta magnitude são confiados à trupe de Relvas e Borges. O que releva desta trapalhada é, sobretudo, a inteligência política de Paulo Portas que, com o resguardo habitual, levou a melhor sobre Relvas, impondo com os seus timings a posição que mais agrada ao CDS. A meu ver, nesta fase do campeonato, qualquer solução que batesse o pé aos truques de Relvas seria, por antonomásia, uma belíssima solução. Porém, e como o futuro está já ali ao virar da esquina, convém precisar o que se pretende da RTP no curto, médio e longo prazo. Privatiza-se ou não se privatiza, concessiona-se ou não se concessiona, ou seja, que destino dar a um mastodonte que, até hoje, se prestou serviço público, repito, se prestou foi nos tempos da outra senhora. Qualquer privatização que se preze não pode nem deve sustentar-se na criação de rendas para o operador que tomar conta dos destinos da empresa privatizada. Coisas como a taxa do audiovisual deveriam de antemão estar fora do baralho. Portanto privatizar a RTP implica conceder a empresa a quem a adquirir sem privilégios de qualquer espécie, assegurando o cumprimento de um caderno de encargos em que esteja bem explícita a realização do tão anelado serviço público. É certo que a definição do que é e do que visa o tal serviço público é uma matéria que, em condições normais, já deveria ter sido efectuada, mas com Relvas exigir demasiado é exigir o impossível. Em suma, reestruture-se a empresa, mas pense-se, com cabeça, tronco e membros, no que fazer, como, quando e com quem, a uma companhia majestática que não passa, hoje, de um imenso sorvedouro de dinheiros públicos, sem a correspondente prestação do serviço público exigido.

publicado às 14:02

É isto

por Samuel de Paiva Pires, em 30.12.12

Alberto Gonçalves, Os pontos do vigário:

 

«Os charlatães de nível internacional vestem fatos da Brooks Brothers e fazem por se infiltrar no jet set que paira em Saint-Tropez ou nos grupos de decisão que frequentam Washington, consoante os gostos. O charlatão indígena veste-se como Boaventura de Sousa Santos e sonha penetrar uns estúdios televisivos em Carnaxide. Ou, juro pela minha saudinha, pertencer à Academia do Bacalhau de Lisboa.
Ponto seis. No final de contas, o caso do sr. Baptista da Silva resume-se a uma vigarice sem especial gravidade, na qual um pobre diabo inventa os cursos e a carreira que nunca teve. Grave seria que um membro do Governo ou, imagine--se por absurdo, o chefe de um governo procedesse de igual modo. Felizmente, disso estamos livres.»

publicado às 23:22






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