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Porque também já estou um pouco farto deste tema

por Samuel de Paiva Pires, em 12.01.12

Cristina, passando ao lado da acusação de branqueamento, não voltando a entrar no argumento metodológico, complementando o texto de Pessoa com o que se segue e, concluindo que o mundo não é a preto e branco, permita-me o estrangeirismo provinciano de dizer que I rest my case:

 

1. Agência Lusa, 19 de Maio de 2004, via Rui Monteiro:

 

No dia 19 de Maio de 2004, a convite de António Arnaut, o pretendente ao trono de Portugal, D. Duarte Pio, deslocou-se à sede do Grande Oriente Lusitano (GOL) – Maçonaria Portuguesa, no que constituiu a primeira visita de um membro da Casa de Bragança a esta instituição maçónica.

“Não há hoje nenhum contencioso entre a Maçonaria e a Casa de Bragança”, declarou à agência Lusa António Arnaut, para reiterar que aquela “não esteve envolvida” na morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, ocorrida há 100 anos no Terreiro do Paço.

Na sua opinião, “qualquer mal-entendido que existisse” na sociedade portuguesa, desde que dois membros da Carbonária, Manuel Buíça e Alfredo Costa, cometeram o duplo atentado, em 01 de Fevereiro de 1908, “ficou dissipado com a visita cordial” de D. Duarte Pio às instalações do GOL, em Lisboa.

Segundo o antigo grão-mestre, a “reconciliação da Maçonaria Portuguesa com a Casa de Bragança” concretizou-se nessa altura.

“A visita do representante da Casa de Bragança, que almoçou no Palácio Maçónico, teve o significado de uma reconciliação efectiva e apagamento de quaisquer equívocos”, sublinhou.

Há quatro anos, António Arnaut declarou que a visita do herdeiro da coroa “teve um grande significado histórico”, já que a Maçonaria, “embora injustamente”, tem sido responsabilizada pela morte do rei D. Carlos e do filho primogénito.

D. Duarte Pio foi recebido no Palácio Maçónico por dignitários do GOL, como o presidente do Tribunal Maçónico, o presidente da Grande Dieta e membros do Conselho da Ordem, além do grão-mestre.

Vincando a não participação da Maçonaria no regicídio, António Arnaut disse à Lusa que o actual grão-mestre do GOL, o historiador António Reis, demarcou-se da “romagem discreta” que um grupo de cidadãos realiza hoje às campas dos regicidas Manuel Buíça e Alfredo Costa, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.

“A Maçonaria era contra a ditadura de João Franco e pela restauração da democracia”, precisou.

Frisando que alguns membros da Casa de Bragança pertenceram no passado à Maçonaria, Arnaut recordou, por exemplo, que o próprio visconde Ribeira Brava (avô de Isabel de Herédia, mulher de D. Duarte Pio) integrou o fracassado movimento de 28 de Janeiro de 1908, quatro dias antes do regicídio, que visava o derrube da Monarquia.

 

2. Agência Ecclesia, 10 de Janeiro de 2012:

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, criticou hoje em Fátima a “influência direta” da Maçonaria em “coisas políticas”, mas descartou a exigência de que os políticos se assumam como maçons.

“Como políticos, se são maçons, se são católicos ou se são do Sporting, não vejo que isso tenha uma relevância muito grande”, disse o cardeal-patriarca aos jornalistas, no final da reunião do Conselho Permanente da CEP.

Para este responsável, “outra coisa" é que "a Maçonaria, enquanto tal, teve influência direta em coisas políticas; isso está mal”.

 

3. Público, 10 de Janeiro de 2012:

 

O ex-presidente da Assembleia da República Mota Amaral, que assume a sua ligação ao Opus Dei, considerou nesta terça-feira que não há motivo para se lançar uma “caça” a quem está ligado às obediências maçónicas em Portugal.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o social-democrata e ex-presidente do Governo Regional dos Açores referiu-se a um acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que impediu o carácter obrigatório de os políticos declararem ligações à maçonaria.

“Quanto à questão em abstracto, acho que não é altura de lançarmos uma espécie de caça à maçonaria. Não é motivo para tanto”, respondeu.

Interrogado se considera perigosas as ligações da maçonaria à política, Mota Amaral contrapôs que “é preciso transparência”.

“Falo por mim. Pertenço ao Opus Dei há mais de 50 anos e toda a gente sabe isso. O meu ponto de partida é a transparência, é aquilo que pratico”, acrescentou.

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