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Oscar Wilde, "The Critic as Artist":

 

«Ernest: Gilbert, you treat the world as if it were a crystal ball. You hold it in your hand, and reverse it to please a wilful fancy. You do nothing but rewrite history.

 

Gilbert: The one duty we owe to history is to rewrite it. That is not the least of the tasks in store for the critical spirit. When we have fully discovered the scientific laws that govern life, we shall realise that the one person who has more illusions than the dreamer is the man of action. He, indeed, knows neither the origin of his deeds nor their results. From the field in which he thought that he had sown thorns, we have gathered our vintage, and the fig-tree that he planted for our pleasure is as barren as the thistle, and more bitter. It is because Humanity has never known where it was going that it has been able to find its way.

 

Ernest: You think, then, that in the sphere of action a conscious aim is a delusion?

 

Gilbert: It is worse than a delusion. If we lived long enough to see the results of our actions it may be that those who call themselves good would be sickened with a dull remorse, and those whom the world calls evil stirred by a noble joy. Each little thing that we do passes into the great machine of life which may grind our virtues to powder and make them worthless, or transform our sins into elements of a new civilisation, more marvellous and more splendid than any that has gone before. But men are the slaves of words. They rage against Materialism, as they call it, forgetting that there has been no material improvement that has not spiritualised the world, and that there have been few, if any, spiritual awakenings that have not wasted the world's faculties in barren hopes, and fruitless aspirations, and empty or trammelling creeds. What is termed Sin is an essential element of progress. Without it the world would stagnate, or grow old, or become colourless. By its curiosity Sin increases the experience of the race. Through its intensified assertion of individualism, it saves us from monotony of type. In its rejection of the current notions about morality, it is one with the higher ethics. And as for the virtues! What are the virtues? Nature, M. Renan tells us cares little about chastity, and it may be that it is to the shame of the Magdalen, and not to their own purity, that the Lucretias of modern life owe their freedom from stain. Charity, as even those of whose religion it makes a formal part have been compelled to acknowledge, creates a multitude of evils. The mere existence of conscience, that faculty of which people prate so much nowadays, and are so ignorantly proud, is a sign of our imperfect development. It must be merged in instinct before we become fine. Self-denial is simply a method by which man arrests his progress, and self-sacrifice a survival of the mutilation of the savage, part of that old worship of pain which is so terrible a factor in the history of the world, and which even now makes its victims day by day, and has its altars in the land. Virtues! Who knows what the virtues are? Not you. Not I. Not any one. It is well for our vanity that we slay the criminal, for if we suffered him to live he might show us what we had gained by his crime. It is well for his peace that the saint goes to his martyrdom. He is spared the sight of the horror of his harvest.»

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publicado às 13:38

Do sentido da vida

por Samuel de Paiva Pires, em 24.10.12

Se Hayek tem razão quando considera que a vida não tem outro propósito para além da sua própria existência, então Camus terá razão em considerar o suicídio como o único problema filosófico verdadeiramente sério. Nestes estranhos tempos em que vivemos, o "perigo de todo os perigos", como assinalou Nietzsche, é "nada mais ter sentido." E talvez seja por a vida não ter sentido que, segundo Oscar Wilde, a maioria de nós limita-se a existir, não vivendo. Se assim é, só podemos escapar ao absurdo da existência da vida pelo suicídio ou pela esperança, como Camus aponta. Não lhe escapando, somos compelidos no sentido da revolta, que surge "do espectáculo do irracional a par com uma condição injusta e incompreensível." "Eu revolto-me, logo existo", escreveu o filósofo francês. Alguns dirão que calar a revolta será sinal de maturidade. A mim afigura-se-me antes como um suicídio do pensamento. E eu ainda prefiro continuar a viver, mesmo que tenha que me submeter para sobreviver. Até um dia.

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publicado às 01:39

Reputações e popularidade

por Samuel de Paiva Pires, em 14.07.12

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray:

 

«- ... todos os bons chapéus são feitos de nada.»
«- Como todas as boas reputações, Gladys - interrompeu Lorde Henrique. - Todo o efeito que produzimos gera-nos um inimigo. É preciso ser medíocre para ser popular.»

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publicado às 18:14

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray:

 

«Começou a perguntar a si mesmo se nós poderíamos um dia tornar a psicologia uma ciência tão absoluta que nos pudesse revelar as mais recônditas molas da vida. Com as noções de que dispúnhamos equivocámo-nos sempre a respeito de nós mesmos e raras vezes compreendíamos os outros. A experiência nenhum valor ético possuía. Era apenas o nome que os homens davam aos seus erros. Os moralistas haviam-na, em regra, considerado como um modo de advertência, haviam-lhe atribuído uma certa eficácia ética na formação do carácter, haviam-na exaltado como alguma coisa que nos ensinava o que devíamos seguir e nos mostrava o que devíamos evitar. Mas na experiência nenhuma força motriz existia. Era uma causa activa tao exígua como a própria consciência. A única coisa que ela deveras demonstrava era que o nosso futuro havia de ser o mesmo que o nosso passado, e que o pecado que nós uma vez havíamos cometido com repugnância o volveríamos a cometer muitas vezes, e com prazer.»

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publicado às 22:22

O segredo da vida

por Samuel de Paiva Pires, em 06.03.12

 

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray:

 

"- Não ouso, Sr. Gray. Ora, ela inventa-me chapéus. Lembra-se daquele que eu levei ao garden-party de Lady Hilstone? Não se lembra, mas é muito gentil em fingir que se lembra. Bem, foi ela quem os fez de nada. Todos os bons chapéus são feitos de nada.

- Como todas as boas reputações, Gladys – interrompeu Lorde Henrique. – Todo o efeito que produzimos gera-nos um inimigo. É preciso ser medíocre para ser popular.

- Não sucede assim com as mulheres – disse a duquesa, meneando a cabeça -; e são as mulheres que governam o mundo. Afianço-lhe que nós não podemos suportar as mediocridades. Nós, as mulheres, como diz alguém, amamos com os ouvidos, precisamente como vocês, os homens amam com os olhos… se é que alguma vez amam.

- Parece-me que nunca na realidade amam, Sr. Gray – respondeu a duquesa, num misto de ironia e de tristeza.

- Minha querida Gladys! – exclamou Lorde Henrique. – Como pode dizer isso? O romance vive pela repetição, e a repetição converte um apetite numa arte. Além disso, cada vez que a gente ama, é a única vez que jamais amou. A diferença de objecto não fragmenta a paixão: apenas a intensifica. Podemos ter na vida apenas uma grande experiência, e o segredo da vida é reproduzir essa experiência o maior número possível de vezes.

- Mesmo quando ela nos tenha ferido, Henrique? – perguntou a duquesa, após um momento de silêncio.

- Especialmente quando ela nos tenha ferido – respondeu Lorde Henrique."

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publicado às 00:38

Das certezas absolutas

por Samuel de Paiva Pires, em 27.02.12

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray: "As coisas de que a gente tem a certeza absoluta nunca são verdadeiras. É a fatalidade da Fé e a lição do Romance."

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publicado às 22:52

Da má língua

por Samuel de Paiva Pires, em 16.02.12

 

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray:

 

"- Os maridos das mulheres bonitas pertencem às classes criminosas – disse Lorde Henrique, sorvendo o seu vinho.

Lady Narborough bateu-lhe com o leque.

- Lorde Henrique, não me surpreende nada que o mundo diga que o senhor é muito mau.

- Mas que mundo é que diz isso? – perguntou Lorde Henrique, elevando as sobrancelhas. – Só se for o outro mundo… Com este estou eu nas melhores relações.

- Toda a gente que eu conheço diz que Lorde Henrique é muito mau – disse a velha dama abanando a cabeça.

Lorde Henrique pôs-se sério por alguns momentos.

- É perfeitamente monstruosa – disse, por fim – a maneira como hoje andam por trás das nossas costas a assacar-nos coisas que são inteira e absolutamente verdadeiras."

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publicado às 22:21

Efeméride - Oscar Wilde

por Samuel de Paiva Pires, em 16.10.11

 

A 16 de Outubro de 1854 nascia um dos maiores vultos da literatura britânica e mundial, Oscar Wilde. Possivelmente, entre os seus célebres pensamentos poucos sintetizarão melhor a sua personalidade que aquela famosa resposta a um oficial da alfândega que questionou se Wilde teria algo a declarar aquando da entrada nos Estados Unidos: "Não, não tenho nada a declarar. Excepto a minha genialidade".

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publicado às 19:01

Um post vaidoso

por Samuel de Paiva Pires, em 21.09.11

 

Nos últimos meses, entre os livros que precisei de ler para a tese de mestrado e os habituais livros de cariz filosófico e político, reli o Leopardo de Lampedusa e li A Servidão Humana de Somerset Maugham e Memória das Minhas Putas Tristes de Garcia Márquez, estando agora a ler A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera e O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde. Este último é das melhores coisas que já li. A escrita estética e estilisticamente bela, filosoficamente paradoxal e com contornos que ainda hoje podem ser considerados chocantes para muitos indivíduos, é simplesmente deliciosa.

 

Quanto mais clássicos leio, mais reforçada fica a ideia de que deveria antes dedicar-me às dimensões da eternidade da literatura e da filosofia. A política e a economia do aqui e agora da espuma dos dias sabem a muito pouco. O mediatismo reveste uma realidade que é intelectualmente muito pouco estimulante e demasiado pobre, chegando o decadente lodo da nossa televisiva e jornaleira infeliz existência a ser esmagadoramente claustrofóbico. O que não significa que, paradoxalmente, eu não vá vivendo neste lodo e, dentro do meu parco raio de acção, agindo e reagindo aos outputs do mesmo. O que, por seu lado, também não significa que esteja disposto a entrar em todo e qualquer debate com toda e qualquer pessoa. As pessoas atribuem demasiada importância a si próprias e às outras, bem como às discussões que encetam. Eu repudio o relativismo intelectual, o politicamente correcto e o dogma da igualdade. Tenho na tolerância uma ideia base do meu pensamento, mas isso não quer dizer que tenha que aceitar sem criticar todas as opiniões, aparências ou acções. Pelo contrário, critico muitas e não as respeito a todas. Ao contrário do que fazia até há poucos meses, deixei de perder tempo em debates espúrios, apenas entrando nos debates que quero e com aqueles que considero intelectualmente dignos de respeito e admiração.

 

As coisas são o que são, e todos nós fazemos juízos de valor uns dos outros. Todos somos passíveis de ser alvos da crítica ou admiração de terceiros, e certo é que "O número dos que nos invejam confirma as nossas capacidades” (Wilde). Contudo, alguns levam-no ao extremo e passam da mera constatação de facto ou de valor, possuindo até um pendor evangelizador, normalmente perpassado por uma atitude alegadamente moralista de quem egoisticamente quer corrigir os outros e fazê-los viver como vive, não passando, portanto, de um hipócrita, porquanto, como escreveu Wilde, "A moralidade é apenas a atitude que adoptamos para com as pessoas de que pessoalmente não gostamos”. Pode ser pessoalmente ou apenas intelectualmente, não se coibindo muitos indivíduos de tentar entrar em debate com outros ou criticá-los em termos meramente mesquinhos, quando não mesmo ignorantes e até absolutamente estúpidos. Como o mesmo autor salientou, "Não há outro pecado além da estupidez", e eu tenho cada vez menos paciência para lidar com esta. O meu caminho paradoxal para a verdade sou eu que o faço, pelo que dispenso as advertências inusitadas criticando a minha alegada incoerência - posto que “A coerência é a virtude dos imbecis” (Wilde), e talvez por isso seja muito apreciada em política, não tanto pelos seus actores maiores mas mais pelos seus públicos de onde recolhem as respectivas votações – assim como os conselhos vindos de quem muito provavelmente precisa mais deles do que a minha pessoa.

 

Nesta peça trágico-cómica que é o nosso país – e o mundo –, cujo “elenco é um horror" (Wilde), em que, como dizia alguém, a inveja é o desporto nacional, é perfeitamente repulsiva a exasperante realidade que nos tolhe a mente, pelo que cada vez mais me dou conta, como Wilde, “de que tudo o que é magnífico se prende com o indivíduo, e que não é o momento que faz o homem, mas o homem que cria o seu tempo”. Nesta época em que a ciência é talvez o maior dos avanços da humanidade, tudo o que ainda vale a pena descobrir está contido em nós próprios. Desde a minha imberbe adolescência que me recordo de ser adjectivado de arrogante, vaidoso e pouco modesto, em especial por professores. Nos últimos anos, o leque alargou-se a alguns amigos e muitos conhecidos e desconhecidos. Se há uns 7 ou 8 anos isto me fazia sentir mal e me deixava a pensar, o erro de todos eles é pensarem que a pessoa que sou hoje se importa com isso, quando essa é uma característica distintiva do meu carácter que assumi plenamente. Como escreveu Wilde, "A vaidade é uma das principais virtudes, e, no entanto, poucas pessoas admitem que a procuram e a tomam como objectivo. É na vaidade que muitos homens ou mulheres encontraram a salvação, mas, apesar disso, a maioria das pessoas arrasta-se a quatro patas em demanda da modéstia”. As pessoas perdem demasiado tempo a tentar corrigir os outros, sem que sequer sejam capazes de reflectir sobre os seus próprios defeitos. Se eu nem para a minha pessoa sou moralmente correcto, como posso querer corrigir moralmente os outros? Isto não implica, contudo, que não os critique. E por isso subscrevo aquela frase de Gore Vidal que o João Gonçalves salientou aqui há tempos: «-Van Vooren: É sensível às críticas? -Vidal: Não. Decidi cedo que aquilo que penso dos outros é mais importante do que aquilo que eles pensam sobre mim. Qualquer jogo tem de ter um árbitro e, então, decidi que eu seria o árbitro. »

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publicado às 13:05






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