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A direita radical e a "realidade"

por Samuel de Paiva Pires, em 25.07.15

Pacheco Pereira:

A direita mais radical descobriu recentemente uma filosofia da história. Como os leitores mais simples de Fukuyama, aqueles que só conhecem o nome e o título do livro, entendeu que se chegou ao “fim da história” e o “fim da história” é aquilo a que chamam “realidade”. Uma espécie de muro existente na física das sociedades e das nações contra o qual se vai inevitavelmente quando se abandona o caminho da “austeridade” e se encontra a TINA, o “there is no alternative”. Uma lei a modos que como a lei da gravidade.

publicado às 21:24

Da submissão a interesses externos

por Samuel de Paiva Pires, em 20.07.14

José Pacheco Pereira, A direita deixou de ser patriótica (2):

 

"A ideologia desta submissão é múltipla. Há um aspecto de progressismo e de engenharia utópica, modernista e modernaço, e há a vontade de usar um poder exógeno para impor uma tutela endógena a favor de interesses de uma pequena minoria de portuguesas, como diriam os marxistas um “poder de classe”. Comecemos pela primeira: o nosso actual europeísmo não é muito diferente do iberismo do passado. Representa uma ideia progressista, iluminista, cosmopolita, contra os pacóvios das fronteiras. Trará o reino da razão aos ignaros rurais que pensam à dimensão da sua quinta e só se preocupam em manter os marcos no sítio, ou até, aos escondidos, em movê-los um pouco mais para dentro do terreno do vizinho. Para eles, só há ou nacionalismo identitário, ou internacionalismo europeísta.

 

A isto se junta a ideia de que quem não tem dinheiro não tem vícios, logo, um país em bancarrota não pode queixar-se dos credores mandarem nele. Coisa aliás que até não é má de todo, porque a pressão externa “impõe” políticas “responsáveis” aos portugueses irresponsáveis, obrigando-os a viver de acordo com as suas necessidades. Quero lá saber da Pátria, dizem alguns, se a troika (com a prestimosa e dedicada ajuda do Governo) está a fazer aquilo que nenhum governante português seria capaz: baixar salários, reformas e pensões, acabar com o Estado como instrumento social, correr com os funcionários públicos, e destruir os direitos do trabalho. O colaboracionismo com o poder de fora faz-se por afinidade ideológica e, claro, com vantagem própria.

 

É na direita que estas ideias hoje fazem mais estragos porque encontrou nas posições da troika e dos “protectores” alemães um instrumento precioso para obter ganhos “sociais” em Portugal. Porém, ainda há um pequeno problema, ainda há eleições. Por isso, mesmo que se deixe de falar em Pátria e patriotismo, pode-se sempre colocar a questão em termos democráticos: que sentido tem a democracia portuguesa se os eleitores portugueses vão deixar de poder escolher quase tudo que é decisivo para o seu país e para as suas vidas?"

publicado às 12:07

Sobre as eleições europeias

por Samuel de Paiva Pires, em 17.05.14

Pacheco Pereira, As eleições que só servem para o exacto oposto daquilo para que existem:

 

"Nas eleições europeias não se discute a Europa porque a Europa que existe não interessa aos seus apoiantes que seja discutida. E a discussão da Europa que se pretende fazer, nas candidaturas do “arco da governação”, na comunicação social ainda mais europeísta, nos meios dos negócios, no “arco dos fundos”, não tem objecto, nem existe, é uma fábula. É a Europa virtual dowishfull thinking para os bem-avontadados e aquela cuja retórica serve os empregos e os negócios dos que estão “por dentro”.

 

(...)

 

Hoje, o debate europeu centra-se na crise económica e nas sequelas da gestão do euro. Mas nem sequer é a curto prazo o mais grave efeito da disformidade actual da União. A mistura de autoritarismo e de aventureirismo conhece o seu maior risco e perigo numa pseudopolítica externa da União, feita por proclamações de países que não estão dispostos a gastar dinheiro para ter forças armadas credíveis e colocar tropas no chão e por isso dependem sempre dos EUA. Isso não tem impedido a União de um ciclo de intervenções insensatas e ignorantes da História, cujos resultados agravaram as perspectivas da paz mundial. A Líbia feudalizada e bárbara resultou de um ajuste de contas com um amigo especial, Kadhafi;  a Síria foi empurrada para uma guerra civil com clara interferência europeia, e o caso mais grave da Ucrânia, porque envolve uma potência nuclear, onde a União brincou às barricadas para impor um governo de uma parte do país contra a outra parte, provocando um processo de destruição do próprio país e um reforço do expansionismo russo. Devia haver um tratado que impedisse a União Europeia, mais os seus governos e a Baronesa, de jogar aos grandes do mundo, quando não se tem força nem se pensa nas consequências.

 

Esta Europa, disforme e perigosa, não é de todo discutida nas actuais eleições europeias, que são em si mesmas um claro sintoma de tudo o que está mal por essa Europa fora, e pior em Portugal. À tentativa, na qual se gastam milhões de euros, de fazer com que as pessoas se interessem pela Europa e pelas eleições, soma-se o facto de não haver substância nem diferenças nas candidaturas principais. PS, PSD e CDS são hoje Dupont e Dupond. Dependem dos seus grupos europeus, cada vez mais poderosos numa dimensão que escapa ao escrutínio em cada nação. São uma espécie de Internacional Europeia com regras de inclusão, bom comportamento e exclusão, cada vez mais rígidas. Votam em conjunto no Parlamento Europeu em tudo o que é fundamental.

 

Os portugueses que vão às urnas vão, na sua esmagadora maioria, para punir ou defender o governo. Os portugueses que nem isso fazem, e não vão votar, ficam em casa por considerarem estas eleições inúteis. Votam na praia contra a ficção europeia, porque consideram que, votando ou não, não serve para nada, quem manda é a senhora Merkel e a troika e eles não vão a votos. Por isso, estas eleições, pela positiva, não valem para nada a não ser para a política interna. Pela negativa, vão ser mais um acto de deslegitimação da actual União Europeia, pelos europeus que não consideram que haja qualquer reforço da democracia nestas eleições."

publicado às 14:32

Ignorância e pensamento mágico

por Samuel de Paiva Pires, em 27.03.14

Insurgindo-se contra uma parte de um artigo de Pacheco Pereira, há quem ande há dias sem conseguir ultrapassar o que aquele assinalou a respeito de uma observação que Cavaco Silva faz no seu mais recente prefácio.  A dada altura, afirma Pacheco Pereira:

 

O Presidente fez isso e, apontando números de crescimento que todos sabem não ser realistas, chegou a mais de 20 anos do mesmo.

 

Vejamos, agora, a que passagem do Presidente da República se referia Pacheco Pereira:

 

Pressupondo um crescimento anual do produto nominal de 4 por cento e uma taxa de juro implícita da dívida pública de 4 por cento, para atingir, em 2035, o valor de referência de 60 por cento para o rácio da dívida, seria necessário que o Orçamento registasse, em média, um excedente primário anual de cerca de 3 por cento do PIB. Em 2014, prevê-se que o excedente primário atinja 0,3 por cento do PIB.

 

Da leitura da insurgência que se vem verificando, chega-se, portanto, à conclusão de que o seu autor acredita que os números supra são realistas. Trata-se de um proeminente conhecedor da ciência económica que gosta de apodar outros de arrogantes para sustentar as suas crenças.

publicado às 11:51

Pavloviano

por Samuel de Paiva Pires, em 22.03.14

Sempre que cito Pacheco Pereira logo reagem alguns grandes pensadores da ciência económica e outros que tais ditos liberais. Não é a primeira vez e não será, provavelmente, a última. Estão de tal forma treinados que, cedendo à sofreguidão, não só não conseguem deixar de escrever com os pés, como também continuam a revelar-se mestres no chamado pensar baixinho. Da minha parte, não subscrevendo o pensamento único que muitos querem impor procurando gritar mais alto e puxando de galões, prometo continuar a citar Pacheco Pereira onde e quando me aprouver. Sempre preferi pessoas inteligentes e livres a dogmas - religiosos ou seculares - como o liberalismo de pacotilha que vai infectando este cantinho à beira-mar plantado. Roubando descaradamente as palavras da Maria João Marques, são socialistas ao contrário. Bem vistas as coisas, estão bem uns para os outros. 

publicado às 17:30

Lapidar

por Samuel de Paiva Pires, em 20.03.14

Pacheco Pereira, na Sábado, via Portugal dos Pequeninos:

 

«O que afectou o establishment, que vai muito além do Governo, no Manifesto dos 70, foi a questão ser colocada em termos políticos. Traduziu-se assim a consciência que qualquer pessoa pode ter, rudimentar economista que seja. de que a nossa dívida é impagável mesmo com as mais optimistas taxas de crescimento dentro do domínio da realidade e não da ficção científica. Aliás, quando perguntados à bruta - como se deve perguntar aos governantes para não fugirem com subterfúgios - sobre como é possível diminuir a divida para os valores do pacto orçamental, nos prazos do mesmo pacto, ou vão para os longuíssimos prazos da economia (em que, como dizia Keynes, estamos todos mortos) ou para os impossíveis prazos da política em democracia. O Presidente fez isso e, apontando números de crescimento que todos sabem não ser realistas, chegou a mais de 20 anos do mesmo. Portanto alguma coisa tem de acontecer, a bem ou a mal. É muito provável que aconteça, na melhor das hipóteses, no contexto europeu a reboque de idênticos problemas da França e da Itália e que sobrem algumas migalhas para nós. Então essas migalhas, sob a forma de uma qualquer reestruturação da dívida, serão saudadas como sendo no tempo certo. No entretanto encolhemos, empobrecemos, subjugamo- nos e, como de costume, quem paga esse preço nem sequer terá tempo de vida para receber as benesses possíveis. De quê? Da reestruturação da dívida concedida como uma esmola e não como urna política...»

publicado às 19:39

O pensionato da República

por João Pinto Bastos, em 28.12.13

Se em Espanha há, da banda esquerda, gritos, lapadas, e mamas ao léu contra quem ousa dizer "sí, Rajoy, tienes razón", em Portugal, o cerne do debate incide, presentemente, sobre a traição de uns e a conversão de outros. Como diria o outro, é tudo uma questão de rapanço no tacho, que, a esta hora, pouco ou nada tem para oferecer às goelas insaciáveis dos comensais do costume. A coisa tem, na verdade, alguma piada, mais que não seja pelo despudor com que alguns, neste momento, defendem o que, há um ano ou dois, virulentamente apostrofavam. O caso de Pacheco Pereira é sintomático, mas, em boa verdade, cansativo. O deslize do ferreira-leitismo para o louçãnismo mais extremista só não é, politicamente falando, mais grave porque o mesmo resultou do imenso despeito pessoal com que Pacheco olha os patos bravos que, actualmente, dirigem o PPD passista. Pacheco é um caso perdido, daí que não valha a pena gastar muita tinta com o sábio da Marmeleira. Mais preocupantes são os casos de Ferreira Leite, Bagão Félix, e António Capucho, entre outros, pelo revanchismo pútrido que denotam. Há, neste regime, uma linha vermelha que qualquer governo, seja de direita ou de esquerda, jamais poderá ultrapassar: a linha dos direitos adquiridos. Por outras palavras, se alguém ousa tocar nas prebendas e nos privilégios dos profissionais políticos que vivem "disto" há já vários anos, cai o carmo e a trindade. É assim que funciona a democracia abrileira: muitas palmadinhas nas costas, pensões altíssimas para quem passa a vida a dizer que a austeridade mata, e muito ódio aos yuppies que, desafortunadamente, e por falta de alternativas mais interessantes, foram obrigados a tomar conta do imenso desaforo criado por estes heróis da causa pública. Em resumo, muita parra e pouca uva. E é assim, deste modo cavernoso e vingativo, com muitos avisos e desinformações dos pensionistas da República, que Portugal vai afrontando a batuta confiscatória da Maria Luís, engolindo taxas, IVAs a 20 e tal por cento, e insolvências a mil e tal à hora. Um país, como se vê, frequentável. 

publicado às 01:01

A obtusidade deliberadamente construída

por João Pinto Bastos, em 10.04.13

Nos últimos tempos, em virtude, provavelmente, do curso azougado dos acontecimentos, concordei por diversas vezes com Pacheco Pereira. O comentarista da Marmeleira, historiador cunhalista e político todos os dias, não falhou na substância da análise quando escreveu e afirmou que este Governo, no suicídio fiscal que impôs aos portugueses, firmou um caminho dificilmente suportável a longo prazo. Acertou e dei-lhe o devido crédito por essa sagacidade. Porém, como também já tive oportunidade de escrever, Pacheco tem um problema insolúvel com a verdade quando a realidade foge às premissas que, noutras ocasiões, tão bem utiliza. A série de posts que publicou a propósito da decisão do Tribunal Constitucional, ainda que contenham alguns pontos verdadeiros, enferma justamente desse problema. Os posts em questão fogem à realidade e, acima de tudo, padecem de uma vaidade extremada, que não contempla, em circunstância alguma, a verdade factual. Há, pois, uma certa irracionalidade em tudo o que Pacheco diz de Passos e do seu Governo, e essa irracionalidade nasce, sobretudo, das antipatias pessoais existentes entre ambos. E quando o ódio tolhe a análise objectiva e fria dos factos, nada sobrevive, muito menos a inteligência. E se há qualidade que Pacheco tem, é, precisamente, essa. Uma inteligência que, amiúde, cede a caprichos que, em boa verdade, só ajudam a incendiar o já de si fragilíssimo ambiente político. No fundo, foi sempre este o grande defeito de Pacheco Pereira. Num momento em que muitas carpideiras se acotovelam em busca de um palco na encerrada fortaleza mediática do regime, Pacheco, com uma voz cada vez menos audível, encontra no ataque desapiedado e irracional o único arrimo da sua retórica gasta. É pena.

publicado às 18:05

Ainda Isabel Jonet

por Samuel de Paiva Pires, em 14.12.12

Pacheco Pereira está cheio de razão sobre as intervenções de Isabel Jonet. Se muitos conseguissem sair da redutora e primária posição de defender as patetices proferidas por Isabel Jonet, que têm uma carga ideológica e um pensamento sobre a sociedade - ainda que rudimentar - evidentes, e com que estou em absoluta discordância, apenas porque a sua obra é meritória, talvez pudessem então vislumbrar a "bigger picture". Mas para isso era preciso que também deixassem de acreditar no mito do "viver acima das possibilidades", muito em voga para os lados do Governo. Ler este artigo talvez ajude.

 

Leitura complementar: O mito do viver acima das possibilidadesMarx a rirDuas petiçõesPobreza intelectualVamos brincar à caridadezinhaA indecorosa leveza da ideologia da caridadezinha; Raiva.

publicado às 14:00

A Revolução está próxima!

por Pedro Quartin Graça, em 03.12.12

Há muito que o escreveramos. Agora, se dúvidas houvesse, José Pacheco Pereira confirmou-o! A única questão que subsiste é a origem da dita cuja. Porque falar de licença de uso e porte de arma não vale mesmo a pena...

publicado às 11:41

A liberdade do erro

por João Pinto Bastos, em 01.12.12

Samuel De Paiva Pires, pertinente como sempre, fez alusão a um artigo de José Pacheco Pereira em que o sábio da Marmeleira afirma, preto no branco, que o Governo português é hayekiano cá dentro. Hayekiano? Concretamente em quê? No aumento de impostos? Na asfixia da economia privada? No inchamento do Leviatã? Pacheco tem a obrigação de saber que o espectáculo de incompetência a que estamos sujeitos nada tem a ver com Hayek. Rigorosamente nada. Os rótulos ideológicos não interessam nada, o que importa é, isso sim, a práxis política, isto é a acção política quotidiana. Quando muito isto assemelha-se mais a uma variante lusa de uma espécie que eu julgava em vias de extinção: o modo de governação à Calígula. O despotismo começa sempre assim: aumento de impostos e esmagamento do indivíduo. Em todas as épocas e em todos os lugares.

publicado às 14:06

Mais um excelente artigo de Pacheco Pereira, onde só peca quando considera que o governo é hayekiano na esfera política doméstica. É que não estou bem a ver onde é que um programa de empobrecimento estrutural de uma nação baseado num aumento generalizado de impostos, mantendo o estado praticamente na mesma, pode ser sequer inspirado em Hayek. Ou em Keynes, que segundo Pacheco Pereira será o inspirador da acção externa do governo em relação aos fundos europeus. Parece-me que Pacheco Pereira abusa da generosidade ao crer que os garotos que nos desgovernam são sequer informados por teorias e ideias ou que terão lido - e percebido - tais autores. De resto, vale bem a pena ler o artigo, de que aqui deixo umas passagens (os negritos são meus):

 

«Mas, também por isso, tempos como os de hoje são particularmente exigentes para a réstia de função que ainda podemos atribuir aos intelectuais. Por duas razões: há uma enorme circulação de mentiras em curso, e há um enorme sofrimento na maioria das pessoas comuns e uma perda colectiva da esperança, em si mesmos, na sociedade, na democracia, no país. Esta é a crise perfeita, como a tempestade perfeita.

 

(...)

 

Foi tudo uma ilusão artificial, como agora nos dizem? Teve aspectos ilusórios, expectativas excessivas, mas não foi uma ilusão, foi uma melhoria. Não precisamos que nos venham dar lições morais com a parte da ilusão, para nos arrancarem as melhorias, porque a melhoria de vida dos portugueses deve ser defendida ao limite. O que conseguiram nos últimos anos foi feito com muito esforço, já para não falar da obrigação de reparação do muito que se devia ao homem comum, pobre e trabalhador, pela ideologia da santidade da "pobreza honrada" dos últimos quarenta anos, que deixou uma pilha de ouro no banco e uma população analfabeta e cujos filhos morriam no parto como tordos.

 

(...)

 

A discussão em "economês" dos nossos dias faz-se para legitimar o desprezo por estas melhorias, tidas como esbanjamento; pela esperança das pessoas em não perder o pouco que conseguiram, tido por uma reivindicação egoísta de direitos; a que se soma um efectivo desprezo pelo seu sofrimento, tido como pieguice. Sempre achei que atribuir aos governantes que têm de tomar medidas difíceis estados de alma de indiferença face às dificuldades era excessivo, mas agora não tenho qualquer dúvida sobre a frieza e a incompreensão com que olham para o sofrimento dos seus concidadãos.

 

(...)

 

Por tudo isto, as mentiras são insuportáveis, até porque as pessoas comuns sabem a verdade. Toda a gente tem uma percepção realista da situação, as pessoas sabem que não vão poder continuar como antes, sabem que as dificuldades são inevitáveis, e sabem que medidas de autodefesa têm que tomar, com as suas poupanças e com os seus gastos. Ninguém pode, a não ser por abuso, tratar os portugueses como se não estivessem conscientes de que os tempos estão difíceis, e que não podem esperar muito, sendo que este "ajustamento" natural das pessoas já se deu há muito.

 

Só que uma coisa é esta percepção e outra é validar políticas cujo objectivo não é corrigir excessos, mas empobrecer estruturalmente o país, para que ele possa fornecer mão-de-obra barata, e atirar para a caridade ou para o estrangeiro os muitos milhões de portugueses que estão a mais neste glorioso plano de "refundar" Portugal como um país estruturalmente pobre, que talvez daqui a algumas décadas - a palavra surge com cada vez mais regularidade nos discursos do poder - possa ficar um pouco menos pobre, se "trabalhar muito" e "fizer o trabalho de casa". Será que os governantes não percebem como isto é ofensivo?


(...)

 

Pode ser que, mais uma vez, os intelectuais traiam, com a obsessão de respeitabilidade, o respeitinho moderado e o sufoco dos bens escassos para distribuir. Mas a obrigação do intelectual, como escreveu Emerson, é "anular o destino", pensar para haver "liberdade". Presos neste miserável destino, o sofrimento de muitos é uma efectiva ameaça à liberdade.»

publicado às 13:38

Graxa a dez tostões a caixa

por Nuno Castelo-Branco, em 11.10.12

"Até porque se deve ao PCP e quase só ao PCP e à CGTP o clima de paciência do povo português e não haver violência nas ruas Arménio Carlos afirmou que a CGTP não permitiria violência na sua manifestação e quem lá estava sabe que isso é para tomar à letra como sabe a polícia que confia mais no serviço de ordem da CGTP do que em milhares de efectivos. O PCP por cultura política despreza a violência folclórica dos esquerdistas actuais mas é tudo menos um touro manso. A CGTP e o PCP estão cada vez mais a dar expressão a uma radicalidade que vem de baixo dos locais de trabalho seja na função pública maltratada seja nas fábricas onde há despedimentos colectivos seja em sectores de trabalhadores que são tratados com desprezo por administrações que estão a rasgar acordos que assinaram há um ano Se houver greve geral podem ter a certeza de que será muito mais dura Pode até haver menos grevistas mas os piquetes vão tomar a sua função a sério. Porque estenão é o mundo das raparigas a abraçar polícias e depois andar a tirar fotografias em pose para revistas cor de rosa."

 

Pacheco Pereira, "A lagartixa e o jacaré", na Sábado

 

Esta é a conversa do desgraçadamente não-deputado Pacheco Pereira. Andará a agendar o lançamento de uma sequela da sua obra sobre Álvaro Cunhal? Estará ele a olear os "chassis" de futuros compradores? O marketing tem destas coisas, tal como a falta de pouso institucional o impele para as balsemónicas irritações de 5ª feira à noite.

 

Com um pouco de sorte, um dia destes o Costa do Intendente poderá convidá-lo a ingressar a próxima lista de candidatos do PS ao Parlamento de S. Bento. 

publicado às 22:30

Um erro crasso de Passos Coelho

por Nuno Castelo-Branco, em 27.09.12

Não permitiu o ingresso de Pacheco Pereira nas listas do PSD para ao Parlamento. O primeiro-ministro tem agora sempre garantida, uma torpe e rasteira vingançazinha servida todas as quintas-feiras, em directo dos estúdios daquela espécie de estação televisiva calabresa. Argumentos sem pés nem cabeça, ódios pessoais estampados nas bochechas do conviva, sendo este sempre apoiado pelo indignado Costa das demolições a eito. Uma desgraça, um sortido de misérias catapultadas pela gente de Balsemão. É demasiada, esta total falta de decoro. Dali não sai qualquer ideia alternativa, qualquer sugestão que possa contribuir para o bem comum. Tudo isto é imensamente mesquinho, abjecto. 

publicado às 23:34

A mesma trupe de sempre

por Nuno Castelo-Branco, em 16.04.11

Parece estar a desenhar-se uma estranha coligação entre o PS de Sócrates - afinal, 97% do Partido - e os sectores sempristas do PSD. Estes últimos já "empernam" com António Costa e tentam derrubar Passos Coelho. A única forma de o conseguir, será prejudicar a sua liderança através de um resultado duvidoso nas eleições de Junho. Para que tudo fique na mesma, os Pachecos, Leites, Mendes e outras tantas esfarrapadas camisetas cavaquistas, encontraram um bom mote para palavra de ordem: Fernando Nobre, o tal que de génio da nação, passou a ser um "oportunista", o "ignorante da política", o "idiota que não conhece o programa do PSD" - que por sinal, estando em fase de redacção, nem sequer a imprensa  conhece -, "o incoerente". É claro que os gramofones sousatavaristas colocados ao dispor pelo Sr. Balsemão, tocam o mesmo disco riscado, distraindo as atenções gerais. Ontem à noite, Sra. Ana Gomes também tonitruou ribombantes baixezas que a deixam ao nível dos pregões do Mercado do Bolhão.

 

As listas do PSD podem ter integrado alguns independentes, mas esqueceram Partidos cujos milhares de votos dispersos pelo todo nacional, poderão fazer a diferença na eleição de alguns deputados. O MPT e o PPM, têm sido parceiros ideais para a contabilização necessária no método de Hondt e os seus deputados eleitos nas listas do PSD, são mais valiosos e leais que um sem número de "social-democratas", semi-analfabetos e encartados nas carolices da jogatina das traições de clube. 

 

Poderão os media fazer o chinfrim que bem quiserem, mas isso não será o suficiente para nos distrair das imagens que diariamente nos chegam à hora do almoço: uns fulanos dos "negócios", os tais tutores que de pasta em punho chegam aos departamentos do Estado. Estrangeiros e com vontade de darem razão aos dichotes que circulam mundo inteiro, humilhando os portugueses. Se já abertamente o fazem na nossa própria terra, o que será fora de portas?

 

Mas há quem não se distraia, quem não se esqueça e principalmente, quem não perdoe. 

 

publicado às 12:32

Justiça para Pacheco Pereira!

por P.F., em 13.05.10

Desmistificando as insensatas pretensões do povoléu e de políticos populistas, o Dr. Pacheco Pereira considera demagogia reduzir os vencimentos e privilégios dos políticos. Que seria de nós sem este elemento tão

ilustrativo da plutocracia iluminada? Como nós Portugueses não gostamos de demagogia e, e ele não merece a injustiça da redução de suas modestas benesses, faço aqui um apelo para que organizemos assim uma "vaquinha" para completar os vencimentos do Dr. Pacheco Pereira, caso estes venham a sofrer os propalados cortes. Que tal um grupo no Facebook, tipo "Vamos completar o salário do Pacheco Pereira!"?

publicado às 18:51

A ler

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.08

A absurda ideia de que há um "Regresso a Marx", por José Pacheco Pereira:

 

Podia continuar por páginas e páginas. Duvido que Marx achasse mal a globalização financeira como passo para a globalização do capitalismo e, claro, da revolução. Por exemplo, falando sobre a protoglobalização que conhecia no seu tempo, Marx acabava por ser um partidário da política de canhoneira, que, abrindo a tiro os grandes mercados fechados da Índia, do Japão e da China, permitia que o capitalismo se tornasse mundial e, a prazo, a revolução também. Marx considerava que o capitalismo era superior ao "despotismo oriental" na grande ordem do progresso da História e nos seus artigos americanos defendeu a Guerra do Ópio. Aqui, até Eça de Queirós era mais "antimperialista".


Podia de facto continuar por páginas e por páginas, mas não vale a pena. Se ao menos o "regresso a Marx" se traduzisse numa leitura de Marx, um dos autores fundamentais da nossa contemporaneidade, ainda valia a pena. Não é isso que se passa, mas a deterioração acentuada do pensamento da chamada "esquerda independente" e das modas mediáticas. E disso Marx não tem culpa.

publicado às 18:27






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