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PC

por Nuno Castelo-Branco, em 26.05.14

Os sempre fiéis, aqueles que mesmo de maca vão às urnas. Se assim continua a ser, como explicar então os 441,852 votos de 2011 e os 552,690 nas autárquicas de 2012,  com o grande avanço e enorme vitória cobtida com 416.102 sufrágios de ontem à noite? Já entendi perfeitamente os porquês, mas como me apetece escutar uma rebuscada uma lição - podem recorrer aos argumentos da abstenção - , façam-me o favor.

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publicado às 17:51

Octávio Teixeira

por Nuno Castelo-Branco, em 02.03.14

Não vale a pena investigarmos o que Octávio Teixeira terá ou não apoiado nos cruciais anos de 1974-76, esse triénio da desarticulação do país, da destruição económica e do radical cercear da independência nacional. Importa, isso sim, ler esta oportuna entrevista. O Euro, as mentiras recorrentes do esquema vigente - ou melhor, as não-verdades do dito cujo - e a desastrosa política euro-americana no leste europeu. Vale a pena dar alguma atenção ao único discurso razoável do PC. 

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publicado às 10:18

Sempre muito coerentes

por Nuno Castelo-Branco, em 28.02.14

 

 

Lenine era deus, Estaline era um santo, Trotsky um "agente germano-yankee-sionista" e anti-revolucionário. Iezhov, Béria, e Kruschev nunca existiram. O genocídio ucraniano é uma invenção fascista. O gulag era uma espécie de colónia de férias como as da FNAT. A União Soviética foi um modelo de fraternidade entre povos, a Alemanha-Pankow, a Hungria, Checoslóváquia, Polónia, Países Bálticos, Roménia, Bulgária, Jugoslávia e Albânia foram livres durante meio século. Cuba é uma democracia exemplar, Chávez e Maduro dois apóstolos da fé. Mugabe é um patriota, Pol Pot muito trabalhou e fez o que pôde pela liberdade, Samora era uma espécie de Madre Teresa e Ianukovich um injustiçado, pobre homem.

Confirma-se. Tal como o Sr. Bernardino garantia, a Coreia do Norte é uma democracia. Nada de a desestabilizar e vai daí, sai um finca-pé beneditino. 

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publicado às 16:30

Desta vez...

por Nuno Castelo-Branco, em 26.02.14

...em boa parte concordo com o que aqui se diz. Até ao momento, além da fuga do grotesco Yanukovich, o único sinal positivo é o que a imagem mostra. Compreende-se então a fúria do chefe Jerónimo, hoje bem lesto no socorro verbal ao pc ucraniano, um dos alvos preferenciais dos manifestantes. 

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publicado às 10:53

Cavilosas mentiras!

por Nuno Castelo-Branco, em 18.02.14

 

Não foi o Departamento de Estado, nem a CIA, Maggie Thatcher, Vera Lagoa, Bush, o cónego Melo, Kohl ou o governo sul-coreano. Foi a ONU, chegando à brilhante conclusão daquilo que todos sabem já há quase setenta anos. Segue-se a China? Ou os Castro?

 

Aguarda-se um comunicado de desagravo do PC e do Sr. Bernardino Soares, até porque há camaradas que já o fizeram. 

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publicado às 09:35

Em época de vendavais

por Nuno Castelo-Branco, em 11.02.14

 

Velhos Colonos: a minha avó Irlanda (1916), o meu pai (1934) e o recém-nascido tio Mário (Lourenço Marques, 1939) 

 

Sabemos bem o que se passou a partir do verão de 1974. No aeroporto Gago Coutinho desembarcaram dúbias individualidades à paisana, prestimosamente assistidas por uns fulanos de farda já amarrotada, barba por fazer, palito ao canto da boca e olhar sobranceiro. Vinham liquidar a presença portuguesa em Moçambique e detendo a titularidade do poder, ou mais importante ainda, o dedo no gatilho das G-3, garantiam que as coisas se passassem como o figurino aprovado pelo partido exigia. Se ao mesmo tempo conseguissem amealhar uns cobres, melhor ainda.

 

E foi precisamente isso o que fizeram. Desde logo começou a roda viva das negociatas de transferência de divisas, pois na sua proverbial cegueira, a gente do Estado Novo obrigou o Ultramar a possuir moeda própria em cada uma das suas parcelas. Estupidez superlativa, essa ausência de um Escudo comum consistiu num dos aspectos mais criticados e atirados à cara das autoridades que ignorando a realidade no terreno, da Metrópole chegavam para as conhecidas e rendosas comissões em Angola, Moçambique, etc. Não importando quem fosse o imbecil nomeado pelo senhor engenheiro-doutor cunha, logo passava à frente de qualquer natural da Província, por mais branco, goês, preto, mulato ou chinês que este fosse. Era assim mesmo.

 

Grandes negócios foram engendrados. Os camaradas de uniforme acirraram-se nas "véstorias" - não é assim mesmo que certa gente bem colocada diz? - de caixas e caixotes dos naturais daquela terra que fugiam espavoridos pelos discursos  transmitidos por libertadores que jamais haviam conquistado uma vilória, por mais ínfima que esta fosse. Trocavam Escudos de Moçambique por Escudos de Portugal ao preço de 3 por 1, logo aumentando o esbulho para 4 e até 5. O agiotismo atingiu o paroxismo quando a data da independência se aproximou, levantando-se todo o tipo de obstáculos possíveis e imaginários. Após o 25 de Junho de 75, qual foi a sede de depósito de bens à confiança? Desgraçadamente,  a embaixada/consulados de Portugal em Moçambique.

 

As muitas dezenas de cartas que se encontram na posse de milhares de naturais do Ultramar, são eloquentes testemunhos do que se passou. Papelada para tudo e para nada, listas que eram arbitrariamente riscadas, bens deliberadamente pisoteados diante dos seus proprietários, enfim, tudo se fez às claras e sempre com um requintado prazer ditado pelo livre arbítrio. Muitos ainda recordam os palavrões e os dichotes ameaçadores, o gozo pela tortura moral de quem estava à mercê. São tristemente célebres, os factos que se contavam acerca de fulanos engalonados que se forneceram de móveis, enxovais, bibelots e electrodomésticos, logo os fazendo embarcar para a Metrópole. Pasmaram os Velhos e os Novos Colonos de Moçambique, pois tal coisa jamais se vira. 

 

Vão agora as associações de espoliados numa via sacra até S. Bento. Sabendo-se da inexistência de qualquer possibilidade de remédio à situação que foi imposta a centenas de milhar de pessoas - os milhões de infelizes que lá ficaram, são outro assunto que preenche o noticiário do dia a dia -, convém manter a memória dos inegáveis factos ocorridos há quarenta anos. Falam as associações de reparações materiais, quando o que a todos os "retornados" mais interessa, será um mea culpa dos herdeiros do Estado de 1974-76. É a obrigatória reparação moral que mais falta faz. 

 

Começam pelo PC dito P, supina ironia. Obrigam os negacionistas a uma audiência que lhes será imposta pelas regras do Parlamento. Têm os comunistas representação parlamentar? Por incrível que possa parecer, sim, têm. São assim forçados à recepção de gente que deliberada e conscientemente prejudicaram, numa ânsia de prestação de serviços à potência que então os tutelava e sustentava. Obrigar o PC e tralha anexa a escutar aqueles que odeiam, eis um quase anedótico caso que deveria ser filmado em directo. 

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publicado às 12:18

Na Ponte

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.13

Mais uma asneira. Parem de participar no jogo deste fulano e façam a vontadinha ao sr. Arménio, deixando-o  gritar à vontade e atravessar a ponte com quem e como bem entender. Sempre com os olhos à cata do passado nas margens do Neva e à falta de um cruzador que a Armada já não tem há muito - os últimos foram construídos pela Monarquia -, a ponte serve como instrumento. A mando do seu partido, o homem quer encontrar motivos para acusar de prepotência quem manda e é precisamente essa a vontade que o governo lhe está a conceder. Mais uma estupidez a lembrar os tempos em que o azedo sr. Cavaco era 1º ministro. Mas esta gente sofre de amnésia? Incrível, para não dizer pior.

 

Não interfiram, ignorem o assunto e limitem-se a responsabilizar a Intersindical - e o seu tutor - por qualquer desastre ou bambúrrio que possa ocorrer. Retirem-se desta cena, evitando acusações por parte de gente que se exercesse o poder, nem sequer ao BE permitiria a existência. Quem longamente penará à espera de conseguir regressar a casa após um dia de trabalho, decerto reservará ao sr. Arménio uns mimos em bom português. 

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publicado às 23:53

Olhem que grande novidade!

por Nuno Castelo-Branco, em 03.09.13

Corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta, corta... já que não podes matá-lo. O Uncle Joe é que era esperto. Além de mandar "cortar", fazia-os desaparecer. 

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publicado às 12:08

Convidado do Estado Sentido - Bernardo Santos Caçador

por Samuel de Paiva Pires, em 25.08.13

 

(logo dos Pioneiros de Portugal)

 

Se em Espanha falam dos Financiamentos ao PP, deixem-­‐me falar de um caso que encontrei há uns dias em Portugal.

 

Na União Soviética, em 1922 foi criado pelo regime, um grupo de massas escolares dos 10 aos 15 anos, com o objectivo de difundir os ensinamentos do Partido Comunista, obrigando os membros a um conjunto de leis no qual era desprezado qualquer valor como a igreja ou o mercado livre. Por mero acaso da história, na Alemanha nacional-­socialista nasceria uma organização idêntica, onde as crianças antes de pertencerem às suas famílias, eram filhas do Partido alargado sob a forma de estado.

 

Em Portugal e com o mesmo intuito, foi criada em 1974 a Associação Copy-­cat do Regime Soviético (agora extinto), os Pioneiros de Portugal (ainda activo).

 

Actualmente, a associação administra campos de férias de jovens dos 6 aos 16 anos com o fim de "contribuir para uma formação pessoal que favoreça o desenvolvimento de crianças e jovens de forma harmoniosa, nas suas capacidades físicas, psicológicas, sociais e culturais". Grosso modo, também eram estes os pressupostos que nos anos 30 conduziram à fundação da Mocidade Portuguesa. Traduzindo, vamos empurrar a foice e o martelo pela garganta dos vossos filhos, até saberem o repertório todo de Zeca Afonso e após a Gaivota voava voava do pré-escolar, o Avante Camarada em Português, Espanhol, Russo e Coreano.

 

Tão ligado está este campo com o partido comunista, que grande parte da sua actividade encontra-­se presente no festival "Avante", nomeadamente participando com uma barraquinha na venda de bilhetes e no reforço político activo da sua doutrina.

 

Apesar de anacrónico, ainda encontramos exemplos destes no século XXI. Os pais têm o direito de educar os filhos da maneira que bem entenderem e se acharem que um campo de lavagem cerebral é saudável para o desenvolvimento dos mesmos, ninguém tem nada a ver com o assunto.

 

O problema acontece quando crianças carenciadas de municípios da CDU, são subsidiadas para participar num campo desta associação satélite do Partido Comunista, sendo as mesmas obrigadas a um conjunto de actividades de "formação", como cantigas, ataques ao empreendedor e desprezo pela propriedade privada.

 

Como provado em baixo, esta lavagem cerebral não é paga pelo partido comunista, mas sim pelo mais que esfalfado contribuinte.

 

Eleger representantes da CDU, é continuar financiar associações satélites do Comunista, para criar uma juventude como esta. E eu não quero isto para Portugal.

 

Em baixo deixo em anexo, alguns exemplos dos vários financiamentos de Câmaras e Juntas de freguesia. Para facilitar a pesquisa, abrir o link e premir Ctrl+f e escrever no canto superior direito Pioneiros.

 

http://www.mun-setubal.pt/ApoioMunicipe/Deliberacoes/Ficheiros/2007/11-2007/DCED-DICUL%2073-07.pdf (Câmara de Setúbal, PCP enquanto presidida por Carlos Sousa)

http://www.mun-setubal.pt/temps/conteudos/02_23_12_28_42_dced-dicul30-12.pdf

http://www.mun-setubal.pt/temps/conteudos/02_15_13_27_dced-dicul_24-13.pdf (Câmara de Setúbal, actualmente presidida por Maria das Dores Meira)

http://www.jf-almada.pt/upload/Edital-JFA_n6-II-2011.pdf (Junta de Freguesia de Almada, PCP, Fernando Albino d'Andrade Mendes)

 

http://jf-moita.pt/modules/tinycontent/BI_pdf/03_dezembro2010_web.pdf (Junta de Freguesia da Moita, PCP)

 

http://habitacao.cm-lisboa.pt/documentos/1336065414F1jDV1dj1Jl18WZ1.pdf (Câmara de Lisboa)

http://www.jf-caparica.net/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=83 (Junta de Freguesia da Costa da Caparica)

 

Bernardo Santos Caçador

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publicado às 13:10

Tiagos há muitos

por Nuno Castelo-Branco, em 16.07.13

 

O caminho para a terceira idade surge rapidamente como aquela conhecida recta dos Lagos Salgados, na qual todo o tipo de experiências de velocidade são permitidas. Ora, isto já me permite considerar com alguma distância, uma considerável parte dos políticos deste regime que vi nascer quando eu próprio vivia a meio mundo de distância e num Portugal infinitamente mais alegre, próspero e descomplexado que este e que aquel'outro, formalmente europeu em termos geográficos, mas totalmente indecifrável quanto à razoabilidade. Seria culpa exclusiva da 2ª República? Não, não era. Vivia-se habitualmente, porque assim gostam os portugueses de viver. Tal como os de hoje, assim eram os de ontem. 

 

Alguma passageira celeuma tem causado a cativante sinceridade de um deputado do PC, de seu nome Miguel Tiago. Não tendo aquele ar patibular dos recém-chegados dos anos 70, ainda não teve tempo para encaixar os artifícios  do saber aprender e fazer dos seus velhos - alguns ainda bem vivos e pontualmente visíveis - antecessores no areópago beneditino. Ao contrário dos PC francês, italiano e espanhol que resistiram ao peso esmagador da tutela soviética e hoje em dia confirmam a liquidação das velhas siglas e símbolos comprometedores, em Portugal tudo ficou, como seria de esperar, pelas aparências. Quando se tornou impossível esconder as brutalidades do estalinismo, as invasões e o cercear das liberdades nacionais dos chamados Estados satélites do leste, a prudência recomendou a adopção daquilo que J.V. Estaline sempre repudiara, ou seja, a formal criação de frentes, por muito duvidosas ou aparentes que fossem, com o solitário fito da diluição da pesada carga que a simples visão da foice e do martelo implicava.

 

Nos anos 80, um movimento previsivelmente conservador, os chamados verdes, procurou contestar uma certa ideia de desenvolvimento europeu do pós-guerra, conseguindo federar gentes de bases doutrinárias - se é que a maioria dos aderentes as tinham - muito díspares, mas onde uma certa ideia de limpa generosidade e uma cavalar dose de lirismo incendiou a imaginação dos eternos sonhadores de um Shangri-la ao alcance da quase imediata vontade. No nosso país, o "partido ecologista" era sem margem de qualquer dúvida, aquela organização que o fundador do movimento, o arquitecto Ribeiro Telles, criara com o núcleo dos opositores monárquicos ao regime deposto em 25 de Abril. De facto, foi a primeira vez que num país pouco habituado a novidades e a projectos que não fossem conformes à velha política dita clássica, se ouviu falar de Ambiente, Reordenamento do Território, protecção de solos e de património rural e urbano, etc. No plano internacional, a doutrina de desafio da administração Reagan conduziu à colocação de mísseis de cruzeiro na Europa ocidental,  despoletando toda uma série de reacções em cadeia que iam das manifestações sem grandes consequências, até ao planetário choque emocional  realizado pelos estúdios de Hollywood e apresentado urbi et orbi sob o sugestivo título The Day After. Se o repúdio pelo nuclear alastrou no ocidente como fogo num palheiro que arde no verão, contudo jamais se ouviu qualquer queixume a respeito dos milhares de mísseis apontados pelos militares do Pacto de Varsóvia a todas as cidades desse mesmo ocidente em fúria. Para alguns, Chernobyl consistiu num desagradável percalço que apenas denunciou uma situação precária há muito guardada no segredo das conveniências pelo tudo perdoar em prol da Vitória Final, tal como eram também negligenciáveis as terras exaustas e os rios contaminados por todos os tipos de poluentes vertidos pelas fábricas do mundo socialista. Esses eram problemas apenas a contabilizar nos países burgueses.

 

Após o desastre promocional representado pelo PREC, o PC decidiu-se  a dançar num teatro de sombras, criando a ilusão do frentismo. Pouco importou o caso de nenhum dos organismos parasitas ter qualquer consistência eleitoral e fosse remotamente traduzível em votos que garantissem mais alguns deputados. A aparência era algo que transcendia a mera contabilidade, principalmente tratando-se do caso de eleições que para um partido que se reclamava de revolucionário, não faziam qualquer sentido e apenas consistiam numa necessária etapa até aconselhada pelos tutores ideológicos, entre os quais avultava o senhor Boris Ponomariov. Optou-se então pelo princípio do arregimentar daquilo a que bastas vezes saiu das bocas de comunistas que rotineiramente visitavam a nossa casa: a atracção de uns tantos idiotas úteis. Cunhal decidiu apresentar a FEPU, falou de democratas e de católicos e logo depois da saída do irritante Manuel Serra e da sua ficcionada FSP, surgiria em segundo round com a APU, sigla que tal como a anterior, incitava a gritados trocadilhos galhofeiros em comícios dos hegemónicos partidos do denominado "arco da governação". 

 

Chegámos então à fase CDU, algo que de imediato deverá fazer qualquer turista alemão que passeie pelas ruas de Lisboa, abrir a boca de espanto. Se a CDU é em toda a Europa conhecida como exclusiva pertença e identificação dos conservadores da Alemanha - com as variantes CDA na Holanda e CDS em Portugal -, a urgência pelo jogo das aparências levou ainda à invenção de um certo verdismo cuja credibilidade jamais foi sequer por uma só vez escrutinada. Passando sobre o peso eleitoral que se adivinha tão visível como o oxigénio que respiramos, nem mesmo os mais crédulos poderão lobrigar no chamado "PEV", algo mais senão uma habilidade que ganha tempo de locução em S. Bento - aí está o PC com mais alguns minutos que aqueles concedidos pela expressa vontade popular saída das urnas -, não descurando as possibilidades que o Regimento do Parlamento oferece, entre as quais as moções de censura nada de negligenciável têm. Assim sendo, a agit-prop não olha a meios - o Parlamento é tão intervencionável como uma assembleia de alunos de liceu -, pois os fins são piamente justificáveis pelos sacerdotes e seguidores da superstição. 

 

O derrube de estatuária em todas as praças do leste europeu e inglório e apressadíssimo enterro da URSS, implicou um rápido adaptar à nova realidade internacional. Num ápice, desapareceram as até então obsessivas tiradas a respeito do controlo operário, ocupação de terras, liquidação da propriedade privada. O até então sacrossanto internacionalismo daria lugar às tiradas inflamadas quanto à independência nacional e numa forma de tal modo histriónica que facilmente ombrearia em disputa com um daqueles partidos que na Europa olha a sra. Le Pen como modelo a seguir. O poder autárquico fez ver ao PC, a necessidade de poder contar com um sector empresarial que satisfizesse as necessidades autárquicas de camaradas sempre ansiosos pelo arregimentar do máximo número de fiéis. A calamitosa situação das periferias da capital portuguesa são disso uma bem visível prova do princípio do vale tudo a que se chegou e para o qual já não existe remédio possível. Começámos então a ouvir insistentes batuques que tantaneavam a necessidade da "produção nacional e os direitos dos pequenos e médios (!) empresários" e nem por uma vez alguém ouviu o PC lamuriar-se quanto ao crédito fácil e à aquisição de propriedade, por muito pequena que fosse, por parte dos cada vez mais aburguesados portugueses. O novo-riquismo chegou e o comunismo caseiro dele fez pouco caso. É hoje perfeitamente natural assistirmos a longas conversas televisivas em que um irreconhecível PC fala sem cessar de economia e do inevitavelmente correspondente proveito - o famigerado lucro que atesta o sucesso - para quem nela se lance à aventura. Se é bem certo continuar o finca-pé quanto às chamadas E.P., objecto de todo o tipo de clientelas esfaimadas e nas quais os comunistas há muito participam a par dos seus aparentemente arqui-rivais burgueses - como se eles próprios não o fossem -, agora todos assistimos a um progressivo achinesar do discurso que olha ao sucesso, empreendedorismo, aumento da produção seja do que for e outras aleivosias que fariam corar de estupor os clandestinos dos anos 50 e 60. É este o PC das aparências e contudo...

 

...o verdadeiro, o de sempre, lá está. O silêncio e o ignorar de páginas da história, são a boa prova do concordar ou da aceitação de tudo aquilo que se conhece e é impossível ocultar. Quem passeie pela rotineira Festa do Avante e se abstraia dos foliões que ao sol bebem umas cervejas e para quem Lenine não passa de uma curiosidade empalhada, verificará que nem tudo está perdido. Com alguma sorte logo encontrará uma banca de venda de artigos de propaganda e poderá descortinar no meio das t-shirts com a efígie de um Che ® tão consumido como a Coca-Cola ® que mesmo ali ao lado se vende, uma ou outra curiosidade em que Estaline surge a cores. Organizações de "luta armada" enviam delegações muito aplaudidas pelas mais diversas razões, nelas talvez cabendo o exultar pela presença daqueles que garantem o comércio livre de algumas substâncias cheiradas em ambientes de plena decadência capitalista. Nada disto teria qualquer relevância, se o discurso privado de gente que "sabe o que quer" e milita na estrutura, não fosse completamente diverso daquele a que a estratégia oficial obriga. Há uns anos, era famoso um homem que no Metro de Lisboa gritava longos monólogos em hora de ponta e invariavelmente, o objecto do seu interesse era o Pai dos Povos, um benfazejo génio que soubera enterrar os milhões que  deviam mesmo ter sido justamente enterrados. Tecia loas à polícia política, à censura, ao esmagar da burguesia. Tudo parecia normal e sem novidades a reter mais atenção, até ao momento em que a generalidade dos até então apáticos ouvintes tinham o complemento infalível. O Pacto germano-soviético surgia como luminosa luz que teria para sempre mudado os destinos da humanidade, não fosse o catastrófico engano do Führer alemão, um homem excepcional, de estrato humilde e que tal como Estaline, soubera melhor que ninguém abater o poder das classes dominantes e colocar a judiaria no seu devido lugar. O resto poderão os meus leitores imaginar, pois decerto acertarão em todas as hipóteses de ora, por mais descabeladas que vos possam parecer.

 

É este o verdadeiro PC, o partido comunista que aprecio e considero tão genuíno como aquelas marcas hoje vendidas nas mais exclusivas lojas da Avenida da Liberdade. Se aparece um Miguel Tiago a dizer aquilo que já não conseguiu ocultar num quase inocente desabafo na net, apenas poderá haver escândalo, se concomitantemente também existir qualquer tipo de ilusão quanto àquilo que o PC jamais deixou ou deixará de ser. Na verdade, se algo há a lamentar, decerto não será o seu desejo por ver liquidada de qualquer forma possível e imaginável, a expressão de nove em cada dez portugueses. Já não se trata de um fortuito sonho de rolha, mas sim daquilo que ocupa a totalidade da caixa craniana de um sólido comunista: o extermínio pela imperiosa necessidade colectiva - mesmo que o objecto colectivo seja ignominiosamente diminuto, ridículo -, obrigando assim à criação do deserto que justfique o  imaginado oásis. 

 

 

Um PC que fale de empresários, empresas, liberdades sexuais, de nação, do Euro e da Europa? Ora adeus, que interesse tem? Avante! Miguel Tiago, precisamos de comunistas da antiga e sólida cepa da dourada alvorada dos anos vinte e trinta,  precisamente aqueles que afinal significam a única razão para a existência do partido e não sabem o que é um corralito.

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publicado às 00:25

Belém às moscas...

por Nuno Castelo-Branco, em 06.07.13

...e gigantesca manifestação na praia.

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publicado às 19:08

O PC TEM razão!

por Nuno Castelo-Branco, em 28.06.13

 

Ao fim de quarenta anos, ainda não entendemos que os direitos dos trabalhadores devem ser ciosamente guardados. O PC é dono e senhor da CGTP-IN e esta deverá exigir de imediato a integral instauração das Leis do Trabalho, Direito à Greve incluído, outrora vigentes na União Soviética. 

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publicado às 08:29

Voilá!

por Nuno Castelo-Branco, em 29.05.13

Nestes dias de quase gelado aquecimento global, aqui está uma boa  interrogação.

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publicado às 09:19

Sem qualquer surpresa...

por Nuno Castelo-Branco, em 14.04.13

 

...o Partido Comunista faz a festa e alinha totalmente com a Coreia do Norte. No velhote estilo de sempre, aqui está um aperitivo:

 

"É conhecido o historial de ingerências, pressões e provocações por parte da Coreia do Sul e dos EUA à República Democrática Popular da Coreia, quer no campo económico e político, quer militar (...) é na política agressiva do imperialismo que radica a escalada de tensão e desestabilização na região, independentemente das preocupações com o modo como os dirigentes da República Democrática Popular da Coreia têm lidado com o incumprimento de acordos, medidas hostis e crescentes provocações levadas a cabo pelos EUA."

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publicado às 11:46

Chipre: vigarices internacionalistas

por Nuno Castelo-Branco, em 26.03.13

 

Existe um pequeno pormenor habilmente varrido para debaixo do capacho de entrada da crise cipriota. O Partido Progressista dos Trabalhadores (uma espécie de CDU, enfim, o PC local), tem estado no poder desde há alguns anos, mais precisamente durante os momentos fulcrais da adesão de Chipre à UE e correspondentes enxurradas monetárias vindas da nomenklatura russa. O que terão os camaradas portugueses a dizer acerca deste tipo de internacionalismo? A verdade é que este Partido AKEL*, é um dos mais velhos irmãozinhos do PC, perdão, da "CDU". Ou para estas coisas já não se reconhece a família que também se herda?

 

* O leitor zeca marreca oportunamente lembrou tratar-se de um lambda, assim  AKEA deverá ser escrito AKEL em caracteres latinos. O nosso agradecimento ao leitor do PCP. Quanto ao facto de aqui termos deixado a exótica sigla CDU - uma omnipresente recordação alemã -, tal se deve à necessária mudança de nome eleitoral do PC. Já foi FEPU, passou a APU e estamos na fase CDU. O caso cipriota mostra que o PC local transitou calmamente sobre as brasas plutocráticas que herdou devido aos "laços históricos" com os componentes da extinta URSS, aceitando os factos consumados. Neste caso, até alegremente prosseguiu na senda do progresso, como sempre. 

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publicado às 13:33

«(...) O que estamos acostumados a ler nos boletins de convocação do Dia da Mulher é a história de uma greve, que aconteceu em Nova Iorque, em 1857, na qual 129 operárias morreram depois de os patrões terem incendiado a fábrica ocupada.

A primeira menção a essa greve, sem nenhum dos detalhes que serão acrescentados posteriormente, aparece no jornal do Partido Comunista Francês, na véspera do 8 de Março de 1955. Mas onde se dá a fixação da data do 8 de março, devido a esta greve, é numa publicação, que apareceu em Berlim, na então República Democrática Alemã, da Federação Internacional Democrática das Mulheres. O boletim é de 1966.

O artigo fala rapidamente, em três linhas, do incêndio que teria ocorrido em 8 de março de 1857 e depois diz que em 1910, durante a 2ª Conferência da Mulher Socialista, a dirigente do Partido Socialdemocrata Alemão, Clara Zetkin, em lembrança à data da greve das tecelãs americanas, 53 anos antes, teria proposto o 8 de Março como data do Dia Internacional da Mulher.

A confusão feita pelo jornal L ´Humanité não fala das 129 mulheres queimadas. Aonde se começa a falar desta mulheres queimadas é na publicação da Federação das Mulheres Alemã, alguns anos depois. Esta historinha fictícia teve origem, provavelmente, em duas outras greves ocorridas na mesma cidade de Nova Iorque, mas em outra época. A primeira foi uma longa greve real, de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910.

A segunda foi uma outra greve, uma das tantas lutas da classe operária, no começo do século XX, nos EUA. Esta aconteceu na mesma cidade em 1911. Nessa greve, em 29 de março [corrigindo: 25 de Março], foi registrada a morte, durante um incêndio, causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, de 146 pessoas, na maioria mulheres imigrantes judias e italianas.

dia da mulher foto falsa

(Foto do incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, Nova Iorque, em 1911. Fotos deste acontecimento têm circulado como sendo da suposta greve de 1857. Fonte: Wikipedia)

 

Esse incêndio foi, evidentemente, descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo.

Essa fábrica pegando fogo, com dezenas de operárias se jogando do oitavo andar, em chamas, nos dá a pista do nascimento do mito daquela greve de 1857, na qual teriam morrido 129 operárias num incêndio provocado propositadamente pelos patrões.

E como se chegou a criar toda a história de 1857? Por que aquele ano? Por que nos EUA? A explicação, provavelmente, é a combinação de casualidades, sem plano diabólico pré-estabelecido. Assim como nascem todos os mitos.

A canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma traça da greve de 1857. Nem nos jornais da grande imprensa da época, nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias.

Ela afirma e reafirma que essa greve nunca existiu. É um mito criado por causa da confusão com as greves de 1910; de 1911, nos EUA; e 1917, na Rússia.

dia da mulher russo

Essa confusão se deu por motivos históricos políticos, ideológicos e psicológicos que ficarão claros no fim do artigo.

Pouco a pouco, o mito dessa greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória histórica das mulheres e dos homens outras datas reais de greves e congressos socialistas que determinaram o Dia das Mulheres, sua data de comemoração e seu caráter político.

Já em 1970, o mito das mulheres queimadas vivas estava firmado. Rapidamente foi feita a síntese de uma greve que nunca existiu, a de 1857, com as outras duas, de costureiras, que ocorreram em 1910 e 1911, em Nova Iorque.

Nesse ano de 1970, com centenas de milhares de mulheres americanas participando de enormes manifestações contra a guerra do Vietnã e com um forte movimento feminista, em Baltimore, EUA, é publicado o boletim Mulheres-Jornal da Libertação. Neste já se reafirmava e se consolidava a versão do mito de 1857.

Mas, na França, essa confusão não foi aceita tranqüilamente por todas e todos. O jornal nº 0, de 8 de março de 1977, História d´Elas, publicado em Paris, alerta para esta mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857. Mas o alerta não teve eco.

Dolores Farias, no seu artigo no Brasil de Fato, nº 2, nos lembra que, em 1975, a ONU declarou a década de 75 a 85 como a década da mulher e reconheceu o 8 de março como o seu dia. Logo após, em 1977, a Unesco reconhece oficialmente este dia como o Dia da Mulher, em homenagem às 129 operárias queimadas vivas.

No ano de 1978, o prefeito de Nova Iorque, na resolução nº 14, de 24/1, reafirma o 8 de março como Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado oficialmente na cidade de Nova Iorque.

Na resolução, cita expressamente a greve das operárias de 1857, por aumento de salário e por 12 horas de trabalho diário, e mistura esta greve fictícia com uma greve real que começou em 20 de novembro de 1909. O mito estava fixado, firmado e consolidado. Agora era só repeti-lo.

 

Por que a cor lilás?

A partir de 1980, o mundo todo contará esta história acreditando ser verdadeira. Aparecerá até um pano de cor lilás, que as mulheres estariam tecendo antes da greve. Daquela greve que não existiu. A mitologia nasce assim. Cada contador acrescenta um pouquinho. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, diz nosso ditado.

Por que não vermelho? Porque vermelhas eram as bandeiras das mulheres da Internacional. Vermelhas eram as bandeiras de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai, delegadas dos seus partidos, à 1ª Conferência das Mulheres Socialistas, em 1907; e da 2ª, na Dinamarca, em 1910. Nesta última foi decidido que as delegadas, nos seus países, deveriam comemorar o Dia da Mulher Socialista.(...)»

 

Artigo completo: «O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas», por Vito Gianotti, no Núcleo Piratininga de Comunicação (que não é propriamente de extrema-direita...).

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publicado às 01:45

Estórias da história (2): os idiotas úteis

por Nuno Castelo-Branco, em 19.02.13

 

Cunhal e o seu suserano Leonid Brezhnev

 

No pós-guerra, os pc europeus seguiram religiosamente as directivas da igreja-mãe de Moscovo, procurando a todo o transe o arrebanhar de "democratas de todos os sectores" que pudessem legitimar o necessário frentismo que solidificasse o poder instalado pela força do exército vermelho. Se no leste, o caso alemão parece ser aquele mais evidente - o SED que oficialmente e na prática era uma Frente Nacional composta pelos agrupamentos políticos que iam do velho KPD aos ex-nacional socialistas do NDPD -, na Europa ocidental, os pró-soviéticos foram-se adaptando às realidades de cada país, procurando soluções que não apenas lhes garantissem uma permanência parlamentar, como, sobretudo, uma clara predominância na imprensa escrita, televisão e no campo sindical. E assim continuamos.

 

O caso português é tardio, já no alvorecer da decadência da potência soviética. A ilusão da possibilidade do queimar de etapas e forçar o passo apesar de uma esmagadora maioria eleitoral contrária ao projecto, levou o PC a actuar de forma precipitada - digam as Raquéis Varelas e afins o que quiserem dizer - e sem qualquer consideração pelas imediatas e previsíveis consequências no país e no estrangeiro. Tal foi o Caso República, ainda hoje um bom exemplo a apresentar aos bens instalados burgueses gauche - a quem os comunistas normal e risonhamente denominam de "idiotas úteis" -, chamem-se eles Câncio, Isabel Moreira, uns tantos assalariados do plutocrático sr. Balsemão, ou este e aquele sonante nome da blogosfera. Sem quaisquer comentários, deixemos então Raul Rêgo explicar, pois a temática ainda é actual:

 *****

"Depois de 48 anos de vida condicionada por uma censura implacável, a Imprensa portuguesa teve, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, um período de euforia sem barreiras, em que se atropelavam os direitos e os deveres mais elementares. A liberdade confundia-se com irresponsabilidade.

 

Bem curioso o facto de alguns dos jornais e dos jornalistas mais subservientes no tempo de Salazar e de Caetano se terem tornado mais contestatários, logo depois da revolução, capazes de saltarem todas as barreiras e de enfrentarem todas as decisões ministeriais. O Processo Revolucionário tudo justificava, até o destruir de qualquer deontologia e atropela a mais elementar das verdades. Nem falemos do bom-senso.

 

Ao fim de um ano de Revolução, e publicada, em Fevereiro de 1975, a Lei de Imprensa mais liberal de toda a a Europa, essa mesma lei começou a ser desrespeitada tanto no que se refere à administração e propriedade dos jornais como ao conteúdo dos mesmos.  Nalguns casos, era como se todo o jornalismo pudesse escrever seja o que for sem atentar nem na lei nem na orientação do jornal.

 

Esta escalada anarcopopulista na Imprensa começou todavia a ser controlada por um sector. A grande maioria dos jornais diários começou a sofrer uma manipulação violenta, uma censura interna feroz, de um só sector a impôr-se a todos os mais. No jornal "República", que sempre resistira às imposições da ditadura e que contava entre os seus trabalhadores elementos de todas as tendências da Oposição democrática, a desestabilização  foi-se acentuando, na Redacção primeiro e nas oficinas depois. Um grupo de redactores comunistas, com o director comercial, sob pretexto de o jornal fazer a política do Partido Socialista (o que não era exacto), atacava a Direcção e a Administração. Em Abril, depois de vencidos em plenários de Redacção, esses elementos saíram ostensivamente, julgando assim que abalavam o jornal. Ficava o director comercial, comunista, e alguns tipógrafos também comunistas, com outros elementos esquerdistas. A luta prosseguiu até ao sequestro da direcção, redacção e administração, por parte dos insatisfeitos, que fizeram sair o jornal de 19 de Maio de 1975, com o nome do director comercial à cabeça.

 

Encerrado o jornal, a repercussão na opinião pública foi enorme. Passou para além-fronteiras. os grupos da direcção e redacção, unidos, fizeram sair o "Jornal do caso República", embora algumas tipografias onde pontificavam as pressões de momento se lhes tenham fechado.

 

No número de 21 de Junho de 1975, o 7º "Jornal do Caso República" dava a notícia de um documento "ultra-secreto", elaborado por Boris Ponomariov e que, por "falha no sistema de protecção", fora já publicado nalguns jornais europeus. Entretanto, esse mesmo documento era publicado no "Quotidien" de Paris.

 

A reacção dos partidos comunistas português e francês foi enorme. Álvaro Cunhal, no "Avante" de 3 de Julho seguinte, dizia: "Como entende o Jornal "República" a liberdade de expressão e o seu exercício? Num número com data de 21 de Junho e largamente reproduzido no estrangeiro, publica, entre outras coisas, um documento falso e provocatório, que segundo diz, conteria as "instruções de Moscovo" para os partidos comunistas da Europa. Desde logo afirma que o P.C.P. estaria seguindo tais instruções... Esse mesmo documento, que, pelo próprio conteúdo, se vê ter sido fabricado pelas centrais internacionais de diversão ideológica e da contra-revolução, é típico dos métodos fascistas do anticomunismo, digno não das páginas de um jornal que se diz democrático mas do "Diário da Manhã" ou da "Época" de outros tempos."

 

Não seguimos a citação, por não valer a pena. Acrescentamos todavia que o P.C.P. apresentou até o caso na Polícia Judiciária, onde eu fui chamado; mas o caso era tão claro que nem seguimento teve...

 

Com efeito o documento não era falso e nem se podia já dizer secreto. Ao contrário do que dizia Álvaro Cunhal, nem era "falso" nem "provocatório". Tanto assim que, passados dias, de insultarem o "República" por o publicar e de o classificarem de falso e provocatório, a editorial Avante, editora do órgão oficial do P.C.P., publicava na íntegra, sob o título "A Situação Mundial e o Processo Revolucionário", o artigo de Ponomariov, do qual o documento citado é uma síntese.

 

Enquanto reconheciam implicitamente ser exacto o documento publicado no "Jornal do caso República", na nota prévia continuavam a insultar o "República" e os seus redactores e director. Que se lhes há-de fazer? O totalitarismo não é outra coisa.

 

A imprensa portuguesa da altura estava dominada pelo P.C., com o Diário de Notícias à cabeça. 

 

E no mesmo artigo de Boris Ponomariov se encontravam frases, como esta: "O papel dos meios de comunicação de massa na actual luta sociopolítica aumentou em proporções que não têm precedentes nas revoluções do passado. A experiência do Chile convence-nos de que para alcançar a vitória é preciso suprimir o domínio do inimigo de classe sobre os meios de informação pública e de propaganda." Não tendiam a outra coisa. Mas, silenciado o "República", houve a coragem de fazer sair "A Luta" em 25 de Agosto, e a escalada totalitária nos meios de comunicação e na vida política seria quebrada a partir de 25 de Novembro.

 

São do mesmo artigo de Ponomariov também estas palavras: "Quando a revolução tem um desenvolvimento pacífico, reveste-se de importância primordial a tarefa de retirar das mãos dos representantes do velho regime uma alavanca tão importante do poder como o exército e de formar um novo aparelho do Estado., à margem da política." (As citações fazêmo-las da edição do artigo pelo "Avante").

 

Temos assim que para o totalitário da esquerda, como para o da direita, o que interessa é o momento e a escalada de momento. Os meios e a dignidade das afirmações passam para segundo plano. A tal ponto de os órgãos de um partido e o seu secretário-geral dizerem, a 3 de Julho de 1975, que "um documento é falso e provocatório" e que "é típico dos métodos fascistas do anticomunismo", para, quase simultaneamente, publicarem o artigo que é a matriz desse mesmo documento, na editorial oficial do P.C.P.

 

A escalada portuguesa para a democracia tem sido difícil. Muito difícil; mas não o foi só antes do 25 de Abril de 1974.

 

Os aspirantes à ditadura não vêm apenas da direita, nem só estes são golpistas. Quanto ao respeito pela verdade, as provas estão à vista. Estão à vista neste livro em que as técnicas totalitárias quanto à imprensa se nos mostram claramente. Parece-nos que o Homem livre, a sociedade democrática, não são possíveis diante de técnicas de propaganda em que a verdade e sacrificada. Ou melhor: a verdade é sinónimo de conveniência de momento para o respectivo partido.

 

Os documentos analisados neste volume pelo prof. Santanché, durante uma longa permanência entre nós, falam por si."

 

Raul Rêgo

 

Prefácio de Raul Rêgo à obra Uma Revolução falhada, de Gioacchino Santanche´, Editora Perspectivas e Realidades, Junho de 1980

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Há quem procure esconder (4)

por Nuno Castelo-Branco, em 19.01.13

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Há quem procure esconder (3)

por Nuno Castelo-Branco, em 18.01.13

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Há quem procure esconder (2)

por Nuno Castelo-Branco, em 17.01.13

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