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A IL e o 100.º aniversário do PCP

por Samuel de Paiva Pires, em 06.03.21

Parte do PSD e do CDS está mentalmente presa em 2015. O PCP, em 1975. A IL ainda está entre 1944 e 1945, quando Friedrich Hayek publicou O Caminho para a Servidão e Karl Popper deu à estampa A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos. Bastaria avançarem até 1960 para, a respeito do comunismo, encontrarem o mesmo Hayek, em The Constitution of Liberty, 30 anos antes do término da Guerra Fria, a afirmar o seguinte: “If, fifteen years ago, doctrinaire socialism appeared as the main danger to liberty, today it would be tilting at windmills to direct one's argument against it.”

É certo que, a Portugal, muitos acontecimentos e movimentos políticos e ideológicos chegam sempre com algum atraso. Mas já era tempo de os liberais perceberem que a Guerra Fria acabou há 30 anos e que o maior sinal da vitória do liberalismo é aquilo a que Michael Doyle chama “zona de paz liberal” - uma actualização da teoria da paz democrática elaborada a partir de Kant -, uma área composta por cerca de 100 países onde o jogo político se faz num campo estabelecido pelo liberalismo, implementado em vagas sucessivas desde as Revoluções Atlânticas, apoiado e gerido no pós-II Guerra Mundial pelos que anteriormente criticavam o liberalismo (democratas cristãos e social-democratas) e que é a sua maior dádiva à humanidade: o regime político da democracia liberal.

Claro que a insurgência dos liberais portugueses contra a comemoração do 100.º aniversário do PCP se percebe facilmente, não só pelo supramencionado, mas também porque incorrem em dois erros do liberalismo assinalados por conservadores e comunitaristas, segundo William M. Curtis: o ahistoricism e a abstracção racionalista míope, i.e., a formulação racionalista e abstracta de esquemas de direitos e de teorias da justiça desligados das experiências morais e políticas dos indivíduos, que “são condicionadas e enraizadas nas tradições normativas historicamente desenvolvidas da nossa comunidade política”; e as pretensões universalistas, ignorando os particularismos de cada sociedade e pretendendo aplicar um padrão de direitos e uma concepção de justiça a todas as sociedades independentemente das suas particularidades históricas.

Por outras palavras, o PCP não é o Partido Comunista da União Soviética e a História de Portugal também não é a História da União Soviética ou da China maoista. O mesmo não é dizer que o PCP e o comunismo em Portugal, com episódios execráveis, odiosos e trágicos como o PREC e as FP25 são imunes a críticas - muito longe disso. Mas a IL, ao fazer constantemente do PCP e do BE os seus principais adversários, está não só a condenar-se a não ultrapassar a mesma relevância política destes, como a demonstrar que não percebe a importância de, num país com a nossa história de violência política - os brandos costumes não passam de um mito salazarento -, os comunistas respeitarem as regras do jogo demoliberal. Nada de novo, porém, num país onde a indigência intelectual é a imagem de marca do debate político.

publicado às 17:50

Parabéns ao PCP!

por Nuno Resende, em 06.03.21

O Partido Comunista Português, fundado em 1921, é um dos pilares essenciais para a construção da democracia em Portugal. Ninguém o pode negar. Foi fundamental para opor-se à ditadura e ao Estado Novo e, depois de 25 de Abril de 1974, tornou-se uma das forças essenciais para regular o equílibrio da democracia embora cedendo à vertigem do poder absoluto, característica genética da sua filosofia.

Posto isto, 100 anos depois da sua fundação ainda que o PCP mostre a decrepitude do seu conservadorismo, partido plenamente instalado no sistema e ainda há pouco tempo parte dele através da Geringonça, cada vez mais brando na sua forma de faz oposição, sobrevive. É natural. Cem anos pesam na mobilidade de qualquer um e das muletas já passou à cadeira de rodas. Não obstante querer trazer sangue novo com o recente candidato apresentado à presidência da república - vontade de mostrar sangue novo em corpo velho - tem vindo a ser punido pelo eleitorado, mesmo o mais fiel, como se viu pelos resultados das recentes eleições.

No entanto, num ano já cumprido de plena pandemia, não deixou de se fazer ouvir, lutando contra os embargos aleatórios que suspenderam a democracia e silenciaram os oponentes ao novo situacionismo. O Primeiro de Maio de 2020 cumpriu-se, assim como a Festa do Avante. Nem a Igreja Católica, com milénios de intervenção directa nas consciências dos indivíduos, levou a melhor frente ao vírus e aos estados de emergência, aceitando a asseptização social e deixando-se vencer pelo cientismo instalado. 

Perante o vírus, mais do que nunca, é certo que deus morreu. O PCP, embora esteja moribundo, não.

E por isso, os parabéns que lhe dirijo e as celebrações que animam as ruas (ainda que semidesertas das nossas principais cidades) são mais do que merecidos.

publicado às 11:29

Da série "lacunas do regime"

por Samuel de Paiva Pires, em 04.04.17

Mais grave que as faltas e verdadeiramente inacreditável é, em primeiro lugar, o regime permitir que se acumulem cargos políticos que deveriam exigir uma dedicação a tempo inteiro - no caso, os cargos de vereador da Câmara Municipal de Lisboa e de deputado ao Parlamento Europeu - e, em segundo lugar, a falta de vergonha daqueles que, como João Ferreira, independentemente de o regime não o impedir, se permitem esta desfaçatez - e isto aplica-se a todos os partidos. Afinal, nem tudo o que é legal é lícito ou legítimo.

publicado às 22:36

Esta é fácil, Centeno

por John Wolf, em 02.11.16

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"Governo falha meta de redução de funcionários públicos" (?) - como se não soubéssemos que assim seria. Esta deve ser para nivelar outras em relação às quais o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português andaram a torcer o nariz. Era óbvio que nunca iriam dar um tiro no pé. Os funcionários públicos são simultaneamente um balastro e uma arma de arremesso. Andam para alí aos tombos a bel prazer do governo que sem eles nada seria. Se reduzíssem o número de funcionários públicos de um modo credível, e à luz da eficiência administrativa, pagariam certamente um preço político muito elevado. Com as autárquicas tão próximas não convém brincar com fogo. Aliás, nos concelhos de norte a sul do país grassa aquela modalidade de sorvedor de meios e orçamentos. Sim, refiro-me às empresas municipais que têm de existir em duplicado e triplicado para justificar os directores de serviços disto e daquilo. Falam em acordos e entendimentos, declamam estrofes de solidariedade de Esquerda, mas ao longo de tantos mandatos passados ou presentes, não foram capazes de criar plataformas inter-municipais para afectar positivamente os orçamentos locais que por sua vez retirariam alguma carga a Orçamentos de Estado generalistas. Centeno não é economista. Centeno trai a geométria dos números. Centeno é, seguramente, um ideólogo com uma agenda imposta pelo Largo do Rato. Calculo que tenha sido esse um dos pré-requisitos para ser contratado. Tratar da contabilidade, mas não orientar a máquina que tem os carburadores a dar o berro - Deixa estar. Fica quieto. Não estragues o que está estragado.

publicado às 15:44

M&M - Marcelo e Merkel

por John Wolf, em 02.06.16

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De maneiras que é assim. Acabou o namoro entre Marcelo e Costa. O fim do matrimónio deve implicar separação de bens. A escapadinha tinha de acontecer - agora é M&M bff. O Presidente da República Portuguesa foi chamado à liça por Merkel. Entre duas ou três bolas de Berlim, a chanceler alemã puxou o professor para um canto e disse: "vê lá se ganhas juízo". Costa = Passos. Por outras palavras, Portugal = Portugal. E a festa é para continuar. Mas, Marcelo Rebelo de Sousa que passa mais tempo em Belém do que Berlim, ainda teve tempo para inventar uma ficção para consumo interno. O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) aceitaram a realidade? Minha Santa Ângela das mudanças de sexo aos 16!!! Eles nem sequer viram a realidade. Já ouviram falar do Bremain? Pois. Seis meses nem chega a ser uma gestação como deve ser.

publicado às 13:47

Comunistas no governo socialista? Jamais!

por John Wolf, em 08.11.15

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Estou desiludido com o Partido Comunista Português e com o Bloco de Esquerda. Em relação ao Partido Socialista nem sequer estou iludido. Teria preferido que aqueles partidos tivessem sido intransigentes nas negociações. Parece que abdicam da sua disciplina ideológica apenas para derrubar o governo, mas não fazem valer os seus pergaminhos. Nem farão parte do governo que está para ser inaugurado. Os comunistas poderiam se ter inspirado em Cameron. A saída do Euro deveria ter sido um dos pontos da sua proposta irrecusável. Deste modo, a palavra dada deixa de ter valor. Deixámos de acreditar que continuam a ser comunistas. E nem sequer irão receber um posto ministerial. Não governarão. Ponto final. Os comunistas mancham a reputação de Portugal - foi o que provavelmente sussurraram nos corredores do Rato.  Os socialistas devem ter vendido a alma ao diabo para afastar o perigo vermelho das próximas reuniões em sede de Comissão Europeia. Os socialistas, por seu turno, também são um pouco menos internacional-socialistas. Por mais que reafirmem o seu estatuto pró-europeu, a verdade é que dependem de um anti-corpo, de uma força que não vê com bons olhos a União Europeia e o Euro. A Catarina Martins, temendo a crueza da realidade governativa, já começou a sacudir a água do capote. O ónus do descalabro será sempre colocado sobre os ombros das forças capitalistas, dos senhores da Austeridade. A sua mais que provável incompetência em relação à capacidade de pensar o lado das receitas de uma economia, leva-a, no imediato, a criar mecanismos de defesa, a passar a bola para os maus da fita. Em última instância serão os mercados a ditar a sua sorte política. Por mais que repita que defende os interesses das pessoas, a verdade é que não tem a mínima ideia de como irá financiar a operação de resgate. Os grupos financeiros que ela refere, já existiam nos tempos revolucionários. Quem é que julgam que financiou ambos os lados da Revolução Americana? A Catarina Martins realmente desconhece como funciona o mundo ou será que o falido Partido Socialista vai financiar o seu partido? Ao bom estilo político nacional, nada é claro, pouco é transparente. E os portugueses serão os últimos a saber, mas os primeiros a sofrer as consequências da insensatez.

publicado às 19:23






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