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Um partido marciano

por João Pinto Bastos, em 29.01.13

Um país que pára, sim, literalmente pára, para observar a candonga socialista é, de facto, um país condenado à inanição. De feito Campos e Cunha tem razão: a reforma do Estado não será uma verdadeira reforma sem uma modificação séria dos alicerces do sistema político. A contenda Seguro/Costa aí está para comprovar a veracidade do argumento do ex-ministro das finanças. Mais: este desaguisado interno demonstra que as elites políticas mais ignorantes são sempre as mais rapaces. 

publicado às 22:29

Sócrates anda por aí

por João Pinto Bastos, em 24.01.13

O Partido Socialista é um caso perdido. Após uma longa rave socrática, os meninos do coro do exilado parisiense continuam a mover as fichas de um jogo que, a despeito do que se passa no país, não há meio de acabar. Costa fala e não fala, Seguro questiona a pressa da coisa, Lello refere a existência de questões fracturantes, Silva Pereira deseja mais e melhor oposição, e, no fim, o que sobra? O que resta é um partido completamente alheado da situação do país, com clientelas rapaces que vivem do, pelo e para o Estado. Em suma, gente perigosa. Entretanto, os media dedicam-se, com afinco, a analisar a estupidez colectiva de um bando de meninos que, num país minimamente normal, já teriam sido apeados da vida política há muito tempo.

publicado às 22:28

 

 Nesta azáfama propagandística das capitosas delícias da implantação da república, tem sido frequente o recurso aos grandes nomes do pensamento e da literatura do Portugal oitocentista. Se o descaramento não atinge Camilo, Herculano e Garrett, a ostensiva manipulação de outros como Oliveira Martins - ministro de um governo de D. Carlos I -, Eça - representante diplomático da Monarquia -, Ortigão - abnegado amigo do rei -, ou Fialho, procura amalgamar estas personalidades na massa informe onde pontificaram Bernardino, Teófilo (1), Almeida, Junqueiro, Leão e uma infinidade de Costas, uns mais conhecidos que outros.

 

De uma total e deliberada desonestidade, é a persistente usura de Antero de Quental, alternando o aproveitamento em benefício de uma certa ideia de "socialismo", com a da república. Jamais se tem em conta o anacronismo desta reivindicação e há que não esquecer os modelos sociais, políticos e económicos de então, onde a Alemanha surgia bastas vezes caracterizada como uma Monarquia imperial-socialista que aliás servia como exemplo a um sempre céptico Oliveira Martins. É evidente o forte pendor de uma corrente que originaria o actual SPD e trilhando o mesmo caminho, aquele que seria o Partido Socialista Português - visto pelo rei como o futuro da alternância no poder - da primeira década do século XX, dava indícios do enraizamento de um partido operário  perfeitamente consentâneo com a realidade urbana de Lisboa e do Porto. Desta forma, não nos surpreenderá o fero ataque movido pelo prp/pd de Afonso Costa que nele viu - na senda daquilo que Antero dizia - o inimigo primordial das instituições impostas por um minoritário, conservador e bastante exclusivista núcleo representado pelos republicanos. A Monarquia ensaiou de facto a democracia e os acontecimentos de 1908-10 não só impediram a sua consagração, como  praticamente anularam durante décadas o legado do Estado liberal. 

 

A uma Comissão que pretende fazer História, recomendar-se-ia no mínimo, um pouco de discernimento, honestidade e sobretudo, de pesquisa desapaixonada factos.

 

Aqui ficam em breves linhas, alguns desbafos de Antero:

 

I - in  Carta a João Lobo de Moura, possivelmente de finais de 1873.
 
"Creio que teremos a república em Portugal, mais ano menos ano: mas, francamente, não a desejo, a não ser num ponto de vista pessoal, como espectáculo e ensino. Então é que havemos de ver o que é atufar-se uma nação em lama e asneira. Falam da espanha com desdém - e há de quê - mas eles, os briosos portugueses, estão destinados a dar ao mundo um espectáculo republicano ainda mais curioso; se a república espanhola (2) é de doidos, a nossa será de garotos. - A grande revolução, meu caro, só pode ser uma revolução moral, e essa nãos e faz de um dia para o outro, nem se decreta nas espeluncas fumosas das conspitações, e sobretudo não se prepara com publicações rancorosas, de espírito estreitíssimo e ermas da menor ideia prática".
 
II- In Carta a João Lobo de Moura, Lisboa 18 de Março de 1875.

"Há já república em frança. Isto não altera muito sensivelmente o estado das coisas: entretanto os nossos jacobinos criaram com isso grande ânimo, e andam alvoroçados. Querem também uma República. Talvez a tenham; mas, se assim for, duvido que gostem dela. Imagine uma República em Portugal! Entretanto pensam nisso com grande confiança, e é certo que o partido republicano engrossa a olhos vistos. Quando os republicanos forem maioria, tratarei de me fazer anti-republicano, porque fui sempre amigo de me achar em minoria".
 
III - In Carta a Oliveira Martins, Lisboa 10 de Outubro de 1878.

"Aqui pretendem uns centros republicanos, soi-disant socialistas, apresentar a minha candidatura por Alcântara. Respondi que achava equívoca a expressão republicano-socialista e como este equívoco praticamente  me parece perigoso, só aceitaria a dita candidatura com o carácter exclusivamente socialista, com toda a reserva de questão política e em completa isenção do movimento republicano actual".
 
(1) Refere-se a Teófilo Braga e não ao jumento homónimo que foi pertença do filho de Camilo, Jorge Castelo Branco, assim baptizado em mofa do caudilho republicano.
 
(2) A efémera, caótica e desastrada I república espanhola (Fev. 1873-Dez. 1874)
 

 

publicado às 13:15






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