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publicado às 18:41

Da clareza de pensamento

por Samuel de Paiva Pires, em 07.09.14

 

Ludwig Wittgenstein, Tratado Lógico-Filosófico:

 

4.112 O objectivo da Filosofia é a clarificação lógica dos pensamentos.

 

A Filosofia não é uma doutrina, mas uma actividade.

 

Um trabalho filosófico consiste essencialmente em elucidações.

 

O resultado da Filosofia não é «proposições filosóficas», mas o esclarecimento de proposições.

 

A Filosofia deve tornar claros e delimitar rigorosamente os pensamentos, que doutro modo são como que turvos e vagos.

 

(...)


4.113 A Filosofia delimita o domínio controverso da ciência da natureza.

 

4.114 Ela deve delimitar o que é pensável e assim o impensável.

 

Ela deve delimitar o impensável, do interior, através do pensável.

 

4.115 Ela denotará o indizível, ao representar claramente o que é dizível.

 

4.116 Tudo o que pode de todo ser pensado, pode ser pensado com clareza. Tudo o que se pode exprimir, pode-se exprimir com clareza.

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publicado às 12:22

Portugal Pós-Troika

por John Wolf, em 20.06.14

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publicado às 11:19

Austeridade, Áustria e Portugal

por John Wolf, em 27.07.13

Nos últimos quinze anos visitei a Áustria perto de vinte vezes. Não fui na qualidade de turista nem na condição de cidadão. Desloquei-me de acordo com o meu perfil híbrido, remexido pelo pulsar de múltiplas culturas e nações que residem no meu espírito. Pratico uma modalidade de abnegação patriótica - uma disciplina crítica que não coloca nenhum país num pedestal de superioridade. As idiossincrasias nacionais funcionam como uma impressão digital - não há forma de se lhes escapar. As coisas boas e más estão presentes nos quatro cantos cardinais, nas penínsulas e nas centralidades continentais. Nesta minha derradeira deslocação, viajei do reino da Austeridade para um país que já viveu essa experiência no pós-segunda Grande Guerra, mas, que por força do destino económico e social do presente, deixou cair o termo do seu léxico quotidiano, com todas as conotações nefastas a ela associada. A Áustria não tem noção do drama do sul da Europa. No desconcerto das nações europeias, a Áustria permanece na sua ilha de contentamento e esplendor. A sua taxa de desemprego ronda os 4% e a sua posição geo-económica significa que mantém intensas trocas comerciais com os países fronteiriços - uma boa meia dúzia de vizinhos. Como é natural nunca deixei de comparar realidades, com o intuito de tentar perceber as razões dos sucessos e descalabros. Em duas semanas de estadia em Graz (considerada a cidade do mundo com melhor qualidade de vida), vi menos Mercedes, Audis e BMWs por alcatrão quadrado do que em Portugal. Não escutei buzinas, e no centro da cidade 30km/h são 30km/h (poupa-se combustível, nervos e acidentes). Estacionar no centro da cidade implica preços proibitivos - paguei por um devaneio de 6 horas 40 euros! Mas tudo isto tem um custo. A Áustria por viver no auge do conforto e segurança económica e social (por exemplo, o subsídio por filho chega aos €400 mensais até aos quatro anos de idade para estimular a taxa de natalidade) desligou o motor de reflexão sobre os problemas dos outros. O extinto império Austríaco viu nascer tantas escolas de excelência, que facilmente o país vive a plenitude dessa falsa autosuficiência intelectual e cultural. A escola Austríaca de economia moldou tantas outras como a de Chicago ou a de Londres; a psicanalise fundada na persona de Freud e companhia também concedeu essa ilusão de vantagem. E não esqueçamos que a Áustria conseguiu convencer o mundo inteiro que Hitler era Alemão e Beethoven Austríaco, este último reunido com os grandes Haydn ou Mozart. Mas também não devemos omitir que Simon Wiesenthal - o caça nazis -, tinha a sua sede de operações em Viena. Ou seja, a noção de que há uma responsabilidade histórica paira no ar, e, condiciona, se não todos os cidadãos, pelos menos alguns pensadores maiores, incomodados pelas acções colectivas e os desígnios da nação. Thomas Bernard mais antigo e Robert Menasse do nosso tempo, para citar dois exemplos de pensadores irrequietos com a sua identidade. Todos os países vivem o movimento pendular das suas acções - um relógio que obedece a lógicas de paragens e continuidades que obriga os países a reverem a sua condição. Portugal, distante que está da Áustria, partilha algumas particularidades excêntricas. O domínio da língua falada e escrita parece obedecer a uma matriz semelhante de relacionamento ou paternidade. A Áustria está para a Alemanha como o Brasil está para Portugal. Partilham a mesma árvore linguística, mas os desvios no modo de expressar acontecem, num caso, de um modo natural, e noutro, de acordo com uma certa resistência nacionalista. A Alemanha não se sente ameaçada pelo vizinho do lado que usa uma palavra distinta para batata. São estes detalhes que ajudam a formar uma imagem incompleta das terras e das suas gentes. Ao fim de duas semanas, ou de uma vida, não podemos cair na tentação da redução simplista, do certo ou errado, do bom ou o mau. Os vinhos tintos da Áustria não aquecem a alma como os Portugueses, mas os brancos são excepcionais. Não menciono a qualidade do azeite - este vem da Grécia e não se compara ao trago nacional, profundo e perfumado. Faz bem sair para regressar e tornar a partir. Portugal dá luta e isso não deve ser menosprezado.

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publicado às 11:46

Política e batatas quentes

por John Wolf, em 12.06.13

Numa visão de longo prazo - a la Fernand Braudel -, a grande crise económica e social que assola a Europa, a Primavera Árabe que agora se prolonga na Turquia, o défice de Democracia que parece ter atingido o coração dos fiéis dos Estados Unidos (com a implementação de vigilância apertada às comunicações)a austeridade aplicada pelos governos nacionais, a guerra na Síria ou a abstinência de Cavaco Silva, serão meras migalhas na confecção do conceito de civilização, do paradigma existente ou futuro. Os padrões existenciais a que nos habituámos e que deixámos de questionar, terão de ser avaliados de um modo intenso. Os pressupostos que definimos enquanto intocáveis estão justificadamente a ser abalados. Construímos sociedades funcionais, mas que colidem com uma certa ordem natural de proximidade, de alcance do corpo e do espírito. Faz sentido alimentarmo-nos de batatas plantadas a milhares de quilómetros de distância? Faz sentido trabalhar nove horas por dia para pagar a outrém para educar os nossos filhos? Faz sentido perder 3 horas no trânsito para sustentar a deslocação? É isto que está em causa. O modelo existencial que resultou de um processo desenfreado de aquisição, de adição, enquanto a genuína qualidade de vida foi sendo tolhida, sem se dar por isso, mas pagando um preço muito elevado. As estruturas da nossa vida quotidiana estão a ser postas em causa, obrigando os corpos sociais a reorganizar as suas células. Os governos que são a extensão da vontade humana, são responsáveis pela consolidação desse modelo fracturante, mas a representatividade que lhes conferimos não nos iliba da consciência dos factos, da nossa culpa. Em todo o caso, enquanto os governantes insistirem na mesma malha económica e social, nunca seremos testemunhas da efectiva transformação, algo distinto de um devir oportunista anunciado por prospectivos lideres que querem tomar o poder fazendo uso de argumentos que pouco valem passados alguns dias. Lamentavelmente, estamos à mercê de funcionários incapazes de pensar as grandes considerações humanas. A falência a que assistimos deve-se em grande parte a esse divórcio entre a filosofia clássica e o quotidiano. Norbert Elias que dedicou grande parte da sua reflexão àquilo que ele definiu enquanto processos civilizacionais reveladores de atitudes sociais, revelou o calcanhar de Aquiles da condição humana - a sua obsessão pela fenomenologia de massas. No estádio em que nos encontramos, tornou-se obrigatório proceder à análise anatómica das prioridades individuais. O homem tem de ser tratado individualmente. E esse exercício de procura de um sentido existencial deve ser levado a cabo por cada um de nós, independentemente do subsídio de pensamento. Os governantes a que estamos obrigados por decreto, padecem de um grande défice de entendimento, de cultura e de humanidade. Elenquemo-los um a um e veremos que não preenchem os requisítos de inteligência emocional ou social que urgentemente necessitamos. Refiro-me, sem rodeios, a todas as nações subjugadas pela mediocridade. Nessa lista incompleta de incapazes teremos sem dúvida, Cavaco Silva, Passos Coelho, António José Seguro, Francois Hollande, George W. Bush ou Angela Merkel (para mencionar apenas alguns). Serão estes os filósofos dotados para repensar o mundo? Seremos nós próprios inteligentes quanto baste para evitar colidir com a nossa diminuta estatura? No fundo os políticos nunca terão o poder de transformar profundamente as nossas sociedades porque operam na superficie que mal conseguem descascar. E de falência em falência, no jogo de estafeta que faz das pessoas armas de arremesso, entretêm-se a passar a batata quente ao próximo incompetente. Acham que fará alguma diferença o senhor que se segue?

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publicado às 08:58

Do pensamento

por Samuel de Paiva Pires, em 06.04.13

 

George Steiner, A Poesia do Pensamento:

 

«Responsavelmente definido – falta-nos um termo que o assinale –, o pensamento sério é uma ocorrência rara. A disciplina que, juntamente com a abstenção da facilidade e da desordem, o pensamento requer só muito raramente ou nunca está ao alcance da grande maioria. A maior parte de nós não tem mais do que uma vaga ideia do que seja «pensar», transformar em «pensamento» o bric-á-brac, o refugo e o lixo da nossa corrente mental. Adequadamente concebida – quando paramos para pensar no assunto? –, a instauração de um pensamento de primeira ordem é tão rara como a composição de um soneto de Shakespeare ou de uma fuga de Bach. Talvez, na breve história da nossa evolução, não tenhamos ainda aprendido a pensar. Excepto para um punhado entre nós, talvez a designação homo sapiens não passe de uma vanglória injustificada.»

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publicado às 13:56

O tempo dos divórcios

por John Wolf, em 15.01.13

 

Nunca na história da humanidade havíamos assistido a tantos divórcios. Somos testemunhas do divórcio entre a política e o bem comum. O divórcio entre a economia e os mercados financeiros. O divórcio entre a ética e o comportamento humano. O divórcio entre a televisão e o serviço público. O divórcio entre a inteligência e a cultura. O divórcio entre a espiritualidade e a fé. O divórcio entre a sexualidade e o amor. O divórcio entre o desporto e o jogo. O divórcio do sonho e do eu. O divórcio do homem e do homem. Sem desejar ser cínico, talvez possa afirmar, que as famílias convencionais acabaram, que os casais que sustentaram as nossas convicções já não são fíguras de referência. Pouco resta dessa ilusão, o cordão bilical que nos liga na corrente, no movimento pendular que balança como um amuleto ao peito, um raio tombado dos céus para nos iluminar e cessar no mesmo instante.

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publicado às 10:58

Da renúncia ao amor

por Samuel de Paiva Pires, em 29.10.11

 

Soren Kierkegaard, O Banquete ou In Vino Veritas

 

«Estais agora a ver, meus caros amigos as razões por que renunciei ao amor. As minhas razões são tudo para mim; o meu pensamento é tudo para mim. Se o amor é o mais delicioso de todos os prazeres, recuso-o; recuso-o sem pretender com isso ofender ou desdenhar alguém. Se o amor é a condição do maior benefício, perco a oportunidade de bem fazer, mas salvaguardo o meu pensamento. Não é que eu esteja cego para a beleza, não é que eu esteja surdo para as harmonias e as melodias. Não. O meu coração não é insensível ao cantar dos poetas que gosto de ler, a minha alma não é destituída de melancolia e não deixa de sonhar com as belas imagens do amor. A verdade é que não quero ser infiel ao meu pensamento, pois, se o fosse, o que lucraria com isso? Quanto a mim, não sinto felicidade quando não sinto o meu pensamento livre; nem quando tivesse de interromper os meus pensamentos para me ligar a uma mulher, para gozar as maiores delícias; porque a ideia é para mim o meu ser eterno, e, por isso, mais preciosa ainda do que um pai ou de que uma mãe, mais preciosa ainda do que uma esposa. Bem vejo que se algo deve ser sagrado, é o amor; que se a infidelidade é algures infame é no amor; que se alguma traição é ignóbil, é no amor; mas a minha alma é pura, nunca olhei mulher alguma que a cobiçasse; nunca andei como borboleta em inconstantes voos até que, cego ou empurrado pela vertigem, fosse cair na mais decisiva das situações. Se eu soubesse em que é que consiste o amável, saberia também com exactidão se estarei ou não isento de culpa por ter induzido alguém em tentação; mas como ignoro o que é o amável, posso apenas ter a convicção de que conscientemente, nunca tal fiz nem quis fazer. Suponde agora que eu tivesse capitulado, que me tivesse resolvido a rir ou que sucumbisse de medo, o que talvez fosse possível. Sim, eu não sou capaz de encontrar a via estreita pela qual os amantes tão facilmente seguem como se fosse larga, imperturbáveis em todas as vicissitudes como se tivessem estudado e aprofundado, no nosso tempo que examinou já, sem dúvida, todos estes problemas, e, portanto, compreende também este meu pensamento: não tem sentido agir segundo o imediato, para ter sentido é indispensável passar pela meditação, por conseguinte é preciso esgotar todos os modos possíveis de pensamento antes de passar aos actos. Mas, que dizia eu? Suponde que eu tivesse sucumbido. Não teria eu então, irremediavelmente, ofendido a minha bem amada com o meu riso, ou não teria eu, pela minha retirada, causado para sempre o desespero dela? Quanto à mulher, vejo bem que ela não pode chegar a tão alto grau de reflexão; aquela que julgasse cómico o amor (usurpando assim o privilégio dos deuses e dos homens; porque é ela, mulher, por natureza a tentação que os incita a tornarem-se ridículos) trairia por isso inquietadores conhecimentos prévios, e seria portanto a pessoa menos apta para me compreender; aquela que concebesse o meu receio teria por isso perdido a amabilidade que era o seu encanto, sem que por isso ficasse apta para compreender; de um ou de outro modo, a mulher seria aniquilada, o que eu não sou nem serei enquanto tiver o meu pensamento para a minha salvação.»

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publicado às 18:32






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