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Vítor Bento:

 

"O excedente global pressiona a apreciação do euro criando um ‘loop’ adverso sobre os países periféricos. Estes, para recuperarem a competitividade perdida na década anterior à crise, têm que baixar os custos internos. À medida que esse ajustamento se reflecte na melhoria da sua balança externa e porque os países excedentários não fazem o seu próprio ajustamento, tal melhoria fortalece o euro, acabando por lhes minar (cambialmente) a competitividade, forçando-os a ter que voltar a baixar os custos. Não é difícil perceber como este ‘loop' tem um efeito deflacionário e, portanto, contraccionista em toda a Zona Euro."

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publicado às 11:23

Antes que a Maria Luís Albuquerque e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho cantem vitória em relação ao sucesso da emissão de dívida a 5 anos com juros perto dos 4,6%, convém olhar para ambos os pratos da balança, e não apenas para os aspectos favoráveis que têm grande utilidade política. Sem dúvida que é uma boa notícia conseguir realizar um bom negócio a um preço mais baixo do que o esperado, mas mesmo que as necessidades de tesouraria estejam cobertas neste período de maturidade, não deixa de ser dívida. Para além deste facto isolado, respeitante ao comportamento do mercado internacional em relação a Portugal e a percepção optimista que tem para com este país, somos invariavelmente obrigados a realizar a leitura do quadro económico, financeiro e social num contexto mais alargado. O dinheiro, como se sabe, obedece parcialmente à lei de Lavoisier. Embora possa ser criado através da impressão por bancos centrais mundo fora, este não se perde, mas fica sujeito a processos de transformação, que em maior rigor deveriam ser chamados de mecanismos de transferência. E é precisamente esse movimento de dinheiros e percepções que está a acontecer. A periferia que se encontrava no fundo da classificação, com o pior comportamento económico possível, apenas tem uma direcção a percorrer - o caminho da melhoria gradual. Contudo, essa expressão não acontece sem que hajam vítimas noutras paragens económicas e monetárias. Neste sentido, o que começa a acontecer em França e na Alemanha deve ser acompanhado com atenção, uma vez que os juros de dívida desses dois países correm em sentido contrário aos ponteiros de Portugal ou da Irlanda. Neste dia em particular, um ligeiro efeito de anulação fez-se sentir, se atendermos ao agravamento dos juros  naqueles países. Não devemos esquecer, por um instante sequer, que a União Europeia, funciona de acordo com esse princípio de lastro financeiro, de transferências de uma paragem para a seguinte. Parece-me que à medida que a periferia melhora do seu estado clínico, o núcleo da União Europeia começa a sentir os efeitos secundários desse esforço. O mercado é uma dama caprichosa, que muito embora a queiram domesticar, acaba por revelar a sua verdadeira intenção. Existe até uma expressão que capta, de um modo imperfeito, a volatilidade que resulta das percepções, da procura e oferta do mercado, da reflexologia a que estamos todos sujeitos, mas não sei se se adequa aos tempos de incerteza que vivemos, por isso não a irei alvitrar. Só começarei a acreditar na recuperação firme quando vir o crescimento do emprego a entrar no esplendor das equações, dos resultados. Enquanto isso não acontece, parece-me um prémio menor o sucesso da emissão de dívida. Prefiro ser realista do que enbandeirar no arco da promessa do fim dos tempos difíceis. Deixo isso aos outros. Aos profissionais. Àqueles que precisam de ser eleitos ou reeleitos. Aos que seguem para candidaturas e recandidaturas.

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publicado às 17:48

A martelada dos juízes da austeridade

por John Wolf, em 12.11.13

Por vezes é necessário estar distante do local onde os eventos decorrem para ter a visão da totalidade do quadro. Começa a tornar-se evidente para os decisores políticos de outras paragens, e designadamente dos EUA, que a política europeia preconizada pela Alemanha está a contribuir para criar desequilíbrios económico-sociais à escala global. Para além dos efeitos da centralidade europeia na periferia, com a receita de austeridade que se conhece, o resto do mundo começa a questionar os efeitos da política alemã. A austeridade alemã também é uma questão doméstica - os trabalhadores estão a receber de acordo com a tabela salarial mínima, o que tem beneficiado o nível de exportações daquele país. Com a retoma económica dos EUA em marcha, a Europa está a ficar para trás na competição global que está em curso. Rapidamente o tabu do estímulo às economias europeias deve ser afastado, assim como os fantasmas da inflação. O orçamento comunitário de 2014 que acaba de ser aprovado, aponta no sentido da continuidade da austeridade. E esse facto eterniza os malefícios que já se conhecem. O orçamento de Estado português depende, em larga escala, dos princípios e da dotação dos dinheiros do orçamento comunitário. Infelizmente, as movimentações domésticas estão condicionadas pela super-estrutura que vai pelo nome de União Europeia. A Troika para além de ter acorrentado os decisores políticos nacionais, já tomou conta das ocorrências no plano comunitário. A situação económica e social é grave, mas agravar-se-á ainda mais em 2014, 2015 e os anos que se seguem. Quem decide em Bruxelas, acaba de passar um atestado para se continuar com a mesma receita - uma cura que esmaga como um martelo. 

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publicado às 10:34

Ricos, fujam já!

por João Pinto Bastos, em 15.04.13

A propósito deste post do Pedro Quartin Graça, e após uma leitura em diagonal de um artigo do sempre indispensável Ambrose Evans-Pritchard, cheguei à conclusão de que as elites teutónicas andam completamente à nora. Leiam isto e tirem as vossas próprias conclusões:

 

"The proposals, from members of Germany’s council of economic experts, raise the prospect of taxes being imposed on property in a country like Spain if its government was forced to seek a bail-out. The council, known as the “Five Wise Men”, is often used to test new policies that are later adopted officially. The German suggestion is the latest sign that Berlin is intent on imposing even tougher rules on weaker southern euro members in exchange for using its economic might to support their finances (...) Taxes on property or other assets would mark a significant change in Europe’s approach to funding bail-outs for eurozone members (...) But German economists are now challenging that argument. They say that new figures taking into account property values show that people in many southern countries are actually wealthier than their German counterparts. Prof Lars Feld, another “wise man”, highlighted a recent study by the European Central Bank, which Germans say show that the people in bailed-out countries are often better-off than those in Germany. Less than half of Germans own their own home, lower than the rate in many southern eurozone members.

 

Não é difícil chegar à conclusão de que estas propostas conduzirão a uma cisão ainda maior na dita Europa. Mais: a partir do momento em que os mandarins europeus concentrarem baterias nos tão propalados ricos, dirigindo o raide tributário do Estado impostadeiro para o património imobiliário, é certo e sabido que as elites dos países periféricos, acossadas por uma austeridade cada vez mais esmagadora, optarão pelo abandono do euro. O ponto é justamente este: se a austeridade atingir um patamar de violência tal que quebre, concomitantemente, o elo de ligação entre as elites nacionais, europeístas até à medula, e as elites eurocráticas, a pertença ao euro deixará, certamente, de ser um tabu. Perante isto, só há uma questão a fazer, uma única questão: as elites alemãs já desistiram do euro?

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publicado às 17:49






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