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Ulrich & Semedo

por Nuno Castelo-Branco, em 11.07.14

 

Num debate com Nuno Melo, está o Sr. Semedo do Bloco em perfeita consonância com o Sr. Ulrich do BPI. Ambos definem a situação no BES como um "abcesso". Enfim, nada que neste blog não se diga há muitos anos, mas tratando-se o E. S. de um tugúrio  talassa, das três, uma: ou ambos se adesivaram ao que por aqui se diz e talvez vão lendo intermitentemente, ou então:

 

1. O Sr. Ulrich agora e entre outras tantas originalidades, também simpatiza com o Bloco, tal como os seus colegas da City novaiorquina simpatizam com os dinâmicos métodos da organização socialista do trabalho ...chinês.

 

2. O Sr. Semedo, anda tal como o Sr. J. de Sousa, completamente intoxicado pela conversa do mercado, mais valias, pequenos e médios empresários e produtividade, aderindo assim aos pontos de vista da plutocracia.

 

Excluindo liminarmente a hipótese talassa, restam-nos as outras acima apontadas. 

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publicado às 21:51

Negócios com caracóis, coiratos e canecas

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.14

Convidado para o televisivo substituto de degustação de caracóis, coiratos e canecas de cerveja, Bernardo Pires de Lima esteve no Eixo do Mal. Além dos sempre transcendentes e edificantes temas da ainda insucessiva sucessão no PS e do regalado aperto salgado no BES, o docente abordou ao de leve a situação em Espanha.

 

Entre os senhores do poder em Portugal, existem aqueles que embora não possam reconhecê-lo de forma politicamente correcta,nem por isso deixam de  pertencer às hostes da plutocracia pura e dura, vulgarmente disfarçada de liberal. Enfileiram-se normalmente entre os mais ferozes opositores de qualquer possibilidade de re-instauração daquela forma de representação do Estado que fez e consolidou Portugal ao longo de oito séculos. Dado tudo aquilo que temos observado no nosso país, entendemos facilmente a sua oposição à possibilidade de um cercear de uma importante parcela do exercício do poder total. Compreende-se, pois a presidência da República é um assunto exclusivo da oligarquia financeira que dita sobre os ombros dos seus súbditos da política. Quanto a este aspecto da ainda existente dicotomia Monarquia-República, batem os próprios comunistas quanto à aversão que a tradição representa. São assim os companheiros dilectos de outros convivas do banquete proporcionado pelo regime, os que patinados pelo discurso das boas causas, aparentemente são os irredutíveis adversários dos precedentes. Irredutíveis, apenas porque são candidatos concorrentes ao exercício da distribuição das benesses, neste bloco cabendo as diversas sensibilidades - bem traduzidas no actual Parlamento - do programa emitido pela empresa mediática do Sr. Balsemão. Nada de suspeito, portanto. 

 

Dizia Bernardo Pires de Lima que a situação em Espanha merecerá alguma atenção, embora previamente tivesse julgado azado fazer a sua Made in USA profissão de fé, obviamente anti-monárquica. Iniciando o seu curto depoimento com a caracterização da proclamação de Filipe VI como algo próprio do "mundo das revistas cor de rosa", logo se embrenhou numa mais razoável justificação da necessidade da manutenção do actual regime no país vizinho. Nada de novo aventou, apontando aquilo que qualquer leitor de A Bola será capaz de lobrigar, ou seja, a conveniência da preservação de fronteiras estáveis num espaço compatilhado por Portugal e consequentemente, a paz e o status quo numa Europa dilacerada pelos consecutivos erros e pequenas ambições dos seus dirigentes. Previsivelmente, esses dirigentes entre os quais ele próprio encontra o seu campo político, aquele que gizou a catastrófica balbúrdia que é a União Europeia. Afinal, Pires de Lima acaba por contradizer-se, apontando a Monarquia como um factor imprescindível de coesão e daquilo que talvez mais lhe interesse: a prosperidade da economia e a paz social. O pensamento dos nossos liberais da viragem do século, infelizmente não consegue ir mais longe que o manusear do tradicional ábaco a que a nova tecnologia teve o condão de transformar em calculadora via ordenador.

 

Talvez será muito optimismo pensarmos que os ditos liberais tenham a perfeita consciência do perigo que representaria a queda da República em Portugal, dadas as iniludíveis consequências que isto teria na nossa política externa, no reordenamento da estrutura do poder político nacional e no inevitável cercear das tentativas de amalgamar a que os abusivos "tratados" europeus conduzem. 

 

Fique o Sr. Bernardo Pires de Lima ciente de algo que talvez até agora lhe tenha escapado. A Monarquia vizinha, consiste no derradeiro obstáculo erguido diante daqueles émulos espanhóis dos que por cá tomaram de assalto o Estado. Precisamente os que escudados por siglas de bancos e similares, de escritórios de diversas assessorias ou estudos de mercado, vivem obcecados pela cartelização do poder poder político totalmente subjugado pelo pulso forte do dinheiro virtual cuja posse não tem rosto ou assinatura que se veja. É risível, a sugestão de o monarca espanhol não passar de um simples autenticador de documentos enviados pelos sucessivos governos que se revezam na Moncloa. Todos sabemos que esta é uma daquelas mentiras que não resiste à mais superficial análise dos factos. 

 

A verdade é outra, apesar das aparências ditadas pela Constituição de 1978. A influência da Coroa - não "eleita", logo não controlável - estende-se muito para além da normal gestão dos assuntos correntes e tem sido essencial no tecer da trama que mantém a coesão do Estado, influência esta que também é decisiva quanto às Forças Armadas. Sendo estas muito diferentes do banal simulacro castrense que existe em Portugal, o detentor da Coroa é mesmo o elo mais forte para a manutenção do controlo civil sobre aqueles que desde o advento do Liberalismo, têm sido os nem sempre bem dispostos vigilantes de qualquer ameaça que eventualmente possa colocar em causa a unificadora obra de Isabel e Fernando. Neste nada desdenhável aspecto do destrinçar da realidade política existente em Espanha, parece existir a unanimidade entre os uniformizados do lado de lá da fronteira, sejam eles castelhanos, bascos, catalães, valencianos ou baleares. Se a isto juntarmos a impressionante carteira de contactos que o Rei de Espanha tem em praticamente todas as capitais mundiais, abrimos então aquele capítulo que se torna no principal ponto de interesse dos obcecados pelo neo-mercantilismo, mercantilismo este conceptualmente tão adulterado como o liberalismo que julgam defender. O Sr. Bernardo Pires de Lima que consulte o patronato e as cabeças do sindicalismo espanhol e logo concluirá acerca do que representa a Coroa na economia e logo, no trabalho, no essencial progresso material daquela sociedade. Não lhe pedimos mais e assim bem pode limitar-se ao que mais lhe interessa.

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publicado às 19:11

Soros

por Nuno Castelo-Branco, em 12.10.13

 

É profundamente odiado em todo o sudeste asiático, sendo uma das caras da manipulação monetária que levou milhões à miséria. O sr. Soros tece algumas considerações sobre a luminosa oportunidade eurobonds e a argumentação é muito clássica, apresentando a própria Alemanha como o exemplo de um país ajudado a pagar as suas dívidas. Evoca os Planos Dawes e Young, como se essas "dívidas" decorrentes do aberrante livre arbítrio de Versalhes, tivessem exactamente a mesma origem destes esmagadores problemas de endividamento que alguns países europeus hoje enfrentam. Soros contorna o móbil extorsão em que é reconhecido perito e não parece interessado em ter em conta os interesses de quem ao longo dos últimos cinquenta anos, mais tem contribuído para Europa. 

 

Conhecendo-se a recusa alemã em participar em aventuras perigosas, o próximo texto poderá aventar a imperiosa necessidade de um Plano Morgenthau. Na plutocracia há gente para tudo. 

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publicado às 10:01

La gente esta muy loca

por Nuno Castelo-Branco, em 02.10.12

 

 

Esperemos que Rajoy esteja a falar a verdade, mas dado o tipo de políticos que os europeus têm suportado no último quarto de século, um não, muitas vezes quer dizer um peremptório sim. Durante demasiado tempo a Espanha surgia como um país em ininterrupto crescimento, vivendo o seu povo, o melhor período desde há séculos. Muita movida, a fiesta anfetaminada e sem descanso, copas y tapas, eis o cartaz turístico capaz de atrair milhões. Novas urbanizações surgiam como plantações até ao horizonte e mesmo para além deste. Há uns dias, um dos esbaforidos intervenientes do protesto junto das Cortes, à televisão dizia que tinha de pagar créditos pelo automóvel, as férias e o mobiliário da casa nova. Ainda está empregado, mas receia o futuro, possivelmente temendo perder a ilusão do el dorado em que a plutocracia mergulhou o país.

 

All day, all night, la gente esta muy loca!

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publicado às 23:15

Recado aos patrões da 3ª república

por Nuno Castelo-Branco, em 15.09.12

 

Não chegaram ao ponto de anunciar a adesão ao passeio de amanhã, mas pouco faltou para seguirem a tirada populisto-cavaqueira de Manuela Ferreira Leite, por estas últimas horas vista como uma espécie de reedição da Padeira de Aljubarrota, desta vez calçada de Bally e vestida de tailleur aparentemente Dior. Não. O patronato português, limitou-se a fazer aquilo em que se tornou especialista: o choradinho.


De A a Z, longamente carpe a de facto gravosa "medida TSU". Há uns anos, tal coisa serviria para mais um Porsche destinado a flanar a vaidade do próprio e o amealhar de mais uns tostões reservados à oferta de um jipão Made in Japan à esposa de mão direita, assim como um confortável Polo cabriolet à putativa cônjuge de mão esquerda. Décadas decorridas e estrondosamente consumado o fracasso cavaquista no "rumo à rica Europa", ei-los reciclando os velhos papiros em oportunos powerpoint a distribuir web fora. Terão descoberto as delícias da organização maoísta do trabalho, precioso recurso que tão pingues lucros tem propiciado a uma plutocracia cada vez mais de olhos em bico?

 

Não se preocupem as duvidosas excelências, pois terão uma imperdível oportunidade para a santificação da dita plutocracia nos altares da vox populi: franzindo o sobrolho e estremecendo a tripla papada de desdém pelo óbulo governamental, bem podem anunciar uma outorga do mesmo à classe operária, aumentando-lhe os salários. Sejam criativos, distribuindo cupões de compras, cheques de refeições, passes sociais ou talões de gasolina. 

 

Que tal?

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publicado às 00:14

Não é um rubi(ni)

por Nuno Castelo-Branco, em 03.04.12

Sempre que ocorre uma baixa nos juros da dívida pública portuguesa ou uma avaliação positiva por parte da troika, cá temos este kosher mental a fazer o jeitinho aos "ratingueiros" comparsas do costume, prontos a sacar mais qualquer coisa. É uma sina. Não há quem o alimente com umas entremeadas, uns presuntos e chouriços? Arre!

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publicado às 18:12

Mãos largas em cofres alheios

por Nuno Castelo-Branco, em 15.02.12

Cá estão os brados generosos à cata do dinheiro dos outros. É claro que compreendemos bem o que se está a passar na Grécia, tal como também não são totalmente desconhecidos, os motivos pelos quais aquele país se encontra numa situação idêntica à portuguesa.

 

A lista de pantagruélicos indignados é aquela que se espera e espantosamente tende a perfeitamente coincidir com os artistas que fecharam os olhos ou colaboraram com todas as artimanhas daquela plutocracia tão fingidamente detestada. O povo grego "em luta  contra o cortejo de sacrifícios que lhe tem sido imposto", resume-se a uns tantos milhares de radicais que em Atenas queimam prédios, lojas e o património que podem destruir ou quando lhes é possível, roubar. Os restantes gregos, uns tantos milhões que igualam o nosso número, ficam-se pelo maioritário silêncio resignado, naquela surda surpresa pela política imposta pelos mesmíssimos "mãos-largas" que a tudo recorreram para o enriquecimento ilícito, distribuindo uns óbulos pelos crédulos. Conhecem-se os nomes de casta e o apelido Papandreu é bem familiar aos nossos choramingueiros aflitos de Lisboa e arredores, com ele decerto partilhando "ideais" comuns. Entre os signatários da cartinha portuguesa, passam os vultos de afamados negociantes de causas para proveito próprio, algumas das quais situadas naquela parte do mundo onde "não existe pecado", a sul do equador. Tal como na Grécia, em Portugal instalaram o sistema da destruição maciça da indústria e da agricultura, estabelecendo loucas engenharias financeiras, prestidigitações de serviços, betonismo pesca-comissões e outras habilidades que deram sumiço aos dinheiros estruturais, uma espécie de somatório dos fumos da Índia e do ouro brasileiro. 

 

Não nos iludamos com estes manifestos de solidariedade que são antes de tudo, um ataque preventivo àquilo que suspeitam poder ocorrer nas suas proximidades. Este cavalheirame não suporta ser desautorizado "via U.E." Não quer qualquer escândalo em termos internacionais, uma vez que o que se passa dentro de portas lhe é relativamente indiferente, tendo espalhado as suas pequenas comissões de censura muito hábeis na gestão dos previsíveis danos. O que verdadeiramente os preocupa na Grécia e em Portugal,  é “a crescente fractura entre os cidadãos e o poder político".  Em suma, temem pela própria barriga.

 

Imaginemos o que significaria a condenação da brilhante 3ª República à bancarrota? A quem poderiam estes indignados de banquete imputar as culpas, a não ser precisamente apontando o dedo à plutocracia com quem se mancomunaram e a quem pediram milhares de milhão ao longo do último quarto de século?

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publicado às 18:44

Uma Europa a soros plutocráticos

por Nuno Castelo-Branco, em 12.10.11

Também lá se encontra a sua assinatura, num documento que mais não é, senão a esperada pressão para o contornar dos chumbados referendos que visavam a pura e simples liquidação dos Estados nacionais. Soros, cujo nome significa ruína, especulação e latrocínio em toda a bacia do Pacífico Ocidental, é um dos zelosos proponentes da pretensa "unificação", vislumbrando-se o almejado saque dos tesouros nacionais dos componentes da U.E. Tudo isto soa a confisco praticamente idêntico àquele que no tempo dos nossos avós, uma certa potência exerceu sobre os países ocupados em fulgurantes camapanhas relâmpago. Já estamos no momento em que um dos males menores, seria a falência de uma série de bancos europeus cuja fictícia existência, apenas serve para garantir o sossego de alguns.

 

É que um parasita, ladrão, mentiroso e vigarista, anda sempre acompanhado pelos seus semelhantes.

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publicado às 17:31

Brutalidades plutocráticas: o Sr. Forbes

por Nuno Castelo-Branco, em 30.07.11

 

 

Via Margarida Pereira, recebi o seguinte texto:

 

Dear Margarida,

The fox who lived at the Peterculter Golf Club had grown so used to members that it was nearly tame. It would often stand at the feet of golfers, quietly begging for treats. The Sun reported that it was a "popular fixture" at Peterculter--that is, until Donald Forbes brutally beat it nearly to death with a golf club. Demand justice for the murdered fox.» 

After Forbes caught the fox trying to steal a biscuit from his belongings, he attacked it with his golf club. After hearing it "screaming in agony," another golfer had to put it out of its misery. Forbes was fined $1,210. Though Peterculter suspended him for nine months, they have now decided to reinstate him. 

When she heard the fox's tragic story, Care2 activist Alicia Graef created a petition asking Peterculter to ban Forbes from the club for life. She writes: 

Unfortunately, the link between animal cruelty and other forms of violence has been widely recognized and needs to be taken seriously. The club should take this opportunity to take a stand against this level of depravity by holding Forbes accountable for his barbaric behavior by banning him for life. 

An animal cruelty officer described Forbes's actions as "brutal and sickening." Don't let Peterculter Golf Club ignore his depravity; tell it to ban Forbes today!»

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publicado às 21:14

 

 

Um Coelho pouco atento às armadilhantes realidades da plutocracia que conduz o mundo a situações como a que hoje vive, resolveu tornar-se num arauto de mais uma investida contra o futuro Rei da Grã-Bretanha.

 

Príncipe de Gales é um homem que não cede ao comodismo do aquecimento central palaciano e tem a opinião que pode e deve manifestar pelo bem comum. Gosta do seu país, ama as suas paisagens e a arquitectura que caracteriza as zonas urbanas e rurais. Não depende deste ou daquele financiador de águas turvas, não se compadece com os interesses imediatistas da plutocracia esbulhadora, nem come qualquer porcaria que "por bem" lhe colocam nas prateleiras do supermercado da esquina. Com ele no trono, maus dias virão para os especuladores, usurários e destruidores de centros urbanos e da vida rural. Boas notícias para o ambiente, para a saúde pública e para o património cultural.  Os britânicos terão quem os defenda.  Um homem do século XXI.

 

Carlos é de pedra e cal. Naquele edifício humano, não existe palha. 

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publicado às 18:55

"Sufficiency Economy" e Bhumibol Addulyadej

por Nuno Castelo-Branco, em 18.03.09

 Só lendo-a compreendemos a animosidade que move meio "mundo dos negócios" contra a monarquia. O Rei di-lo sem rebuço: os conglemerados, as fusões, as deslocalizações, os transgénicos, as grandes superfícies, o consumismo, o culto do betão e do automóvel, a urbanização incontrolada e a rapidez com que se processa [artificialmente] a rotação tecnológica, induzida pelos fabricantes, estão a destruir o ambiente, a pauperizar os pequenos produtores e a provocar o nascimento de uma nova sociedade injusta, implacável e inimiga das nações. Profético.

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publicado às 10:55

O nojo...

por Nuno Castelo-Branco, em 10.12.08

 

O capitalista deixa colecções de arte, bibliotecas, parques, laboratórios, hospitais. O plutocrata não deixa nada, pois o seu horizonte confunde-se com os gostos canalhas. O plutocrata não se distingue, aliás, da canalha, com a agravante de ser canalha com poder. A plutocracia não mete medo: mete nojo.

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publicado às 14:37

O beijo mortal

por Nuno Castelo-Branco, em 03.12.08

 

As notícias vão chegando gota a gota, lembrando-nos aquelas águas furtadas, onde um pequeno buraco ou uma telha deslocada, deixa passar o fio de água que nos primeiros dias, pode ser controlado com uma simples tina. O problema torna-se mais sério, quando semanas decorridas, a deterioração agrava-se, provocando uma torrente de fazer inveja a Niagara.

 

É o que estamos a assistir a cada dia que passa. Desta vez, começam a descobrir ramificações do negócio bancário ao chamado "mundo do futebol", com a volatilização de dezenas de milhões.  Mais uma pergunta a colocar: de onde vieram e para onde foram esses autênticos fortes Knox até hoje ignorados? Como foi possível este sistema de vasos comunicantes entre a política, a finança, indústria e o desporto? 

 

Ao que parece - e em política, o que parece é ! - o fio que se puxou de forma casual ou inadvertida, ameaça mesmo desfazer a camisola deste inverno do nosso descontentamento. E nem sequer temos a mais pequena ideia de quem ficará para contar a história ou desligar o interruptor.

 

Afinal, o termo plutocracia não é fascista.

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publicado às 17:35

O combustível da verdade

por Nuno Castelo-Branco, em 09.10.08

Agora, voltam-se para o Estado pedindo-lhes linhas de crédito, pedem socorro aos contribuintes que quase proletarizaram, invocam a partilha colectiva de responsabilidades e vão até ao extremo de requerer nacionalizações. Estes plutocratas são os maiores fazedores de revoltados e os maiores propiciadores de tudo quanto pode nascer do ovo do totalitarismo infuso em cada homem.

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publicado às 22:19

A riqueza sem RIQUEZA

por Nuno Castelo-Branco, em 07.10.08

 

Em nome do sonho da riqueza sem trabalho, destruiu-se a indústria, abandonaram-se as explorações agrícolas, desmantelou-se a marinha mercante e a frota pesqueira.

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publicado às 22:06

Desgraça de república...

por Nuno Castelo-Branco, em 18.09.08

 

 

 

 

 

 

 

Há uns poucos anos, um sempre mediatizado primeiro-ministro de um velho país do sudoeste da Europa, decidiu anunciar durante o telejornal das oito da noite, o súbito aumento dos impostos aos bancos que como toda a população sabia, eram escandalosamente irrisórios. A situação tanto mais chocante se tornava, quando à constante quebra do poder de compra das famílias e ao permanente aumento de impostos directos e indirectos, somava-se no vasto rol de calamidades, o estendal quotidiano de basófias propaladoras de lucros fabulosos das entidades bancárias. E quem pagava esses lucros? Os depositantes que quotidianamente eram e continuam a ser,  sugados através de cartas não desejadas, circulares informando de coisa alguma, taxas para isto e taxas para aquilo.  Eram e são os mesmos bancos que pagando impostos ridiculamente reduzidos, aproveitam para negociar com o dinheiro dos clientes, emprestando-o a fundo perdido a amigos e parentes, ou pura e simplesmente, fazendo-o desaparecer em despesas de representação e outras costumeiras cenas de prestidigitação.

 

Voltando ao infeliz primeiro-ministro que se julgava popular, o pobre homem mal sabia o que tal anúncio significava para a sua improvável e periclitante carreira no governo. Com  espanto e choque, viu a sua maioria absoluta ignominiosamente dissolvida por um fulano com alegados poderes para tal, sabendo-se da ocorrência no casarão Supremo, da recepção a uma embaixada de ofendidos banqueiros e seus moços de recados que exigiam reparação de danos. 

 

Consequências? O primeiro-ministro foi deposto, os amigos do Supremo foram para o governo e adivinhem quem ficou a controlar apertadamente a pasta das Finanças? Alegadamente, um ex-membro da tal embaixada. A Constituição foi pisoteada e algumas páginas serviram decerto para superficial limpeza do terminal digestivo de alguns devoradores de trufas, foie gras e bebericões de Moet et Chandon

 

Isto, a propósito dos aumentos de gasolina, num momento em que o petróleo baixou para preços muito razoáveis para aqueles a que já nos acostumáramos.  E a propósito também, das desculpas esfarrapadas de um dos "ministros da pasta". É o fim da Democracia e a esplendorosa assunção aos céus da plutocracia. Um novo regime, mais uma desgraça de república...

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publicado às 16:48

O Papa Bento XVI e o discurso contra a plutocracia

por Nuno Castelo-Branco, em 15.09.08

 

Desde que deixei de pertencer ao grupo coral da igreja de Santo António da Polana (Lourenço Marques, Moçambique), raras foram as vezes em que presenciei à celebração de uma missa. Respeitando a Igreja e as suas tradições como é normal em qualquer português consciente do importantíssimo papel por ela desempenhado durante os séculos da formação da nossa nacionalidade, confesso não ter sido bafejado pelo sopro redentor da Fé. Talvez por ignorância ou atávica preguiça, os textos sagrados foram lidos como curiosidades filosóficas, histórias exemplares para a formação da conduta da res publica, ou no pior dos casos, como frutos da superstição necessária que consolidou gentes esparsas num mundo que já foi muito maior.

 

O discurso pronunciado por Bento XVI em França, carece de cuidadosa atenção. No país de todos os laicismos e de todas as superstições iluministas, o Papa procedeu a um violento e implacável ataque a este novo capitalismo dos nossos dias que parece ameaçar a própria existência da até agora vitoriosa civilização ocidental liberal. Este chamado capitalismo que desde os anos oitenta do século XX foi sendo crismado consoante o surgimento deste ou daquele grupo de manipuladores do sistema, é um perfeito mas odiado desconhecido. Não se lhe reconhecem quaisquer regras nem limites. Não é um capitalismo quantificável em obras, nem materializável em metal sonante. É uma simples e quimérica abstracção de números e de equações ou teoremas, quantas vezes imaginários, mas  que controlam efectivamente a vida de todos, desde o mais ignoto habitante da Matabelalândia, até ao refastelado accionista do NASDAQ novaiorquino.  Longe vão os tempos dos empreendedores florentinos que se alçaram à categoria principesca pelo patrocínio do Renascimento, pela criação material que fez o mundo ocidental saltar etapas e libertar-se da tacanhez territorial de uma Europa fria, pobre, suja, feudal e sem reminiscências daquele luxo oriental que auferira durante dois milénios. Já não existem Médicis, nem Függers e no horizonte, erguem-se os guindastes que possibilitam a construção de novos polos económicos que nada têm que ver com a produção de novidades, a promoção de postos de trabalho que tranquilizam a sociedade, ou pelo menos, que se destinem a embelezar a vida dos centros urbanos. Estas provisórias torres de aço, gigantescos Meccano que parodiam aquele famoso guindaste medieval que durante séculos foi erguendo a Catedral de Colónia, servem apenas a mera especulação. Constroem casas de minguada dimensão, sem real valor de investimento e que se inserem naquilo que o medo incutido pela insegurança, habilmente designa por condomínio. É este mundo de medo e de condomínios que arruina a segurança física e mental de todos. Medo do vizinho que menos pode, medo do estrangeiro que connosco se cruza na rua sem em nós sequer reparar, medo do continente mais a sul, mais a leste ou a  ocidente, onde se trabalha para uma improvável perdição dos nossos. 

 

O simples exercício de um quarto de hora de zapping televisivo, demonstra-nos a fragilidade de todo um sistema perfeitamente virtual e logicamente dispensável. Uma breve visita ao canal Bloomberg ou à CNBC,  consiste num quase paranóico exercício de masoquismo, pois a linguagem cifrada da especulação mais chã e despudorada, evidencia-se na interminável passagem de cifras, siglas, onde uma multiplicidade de termos ininteligíveis procuram conformar aquilo que para a quase totalidade dos cidadãos é absolutamente inexplicável. Consiste num mundo de fantasia alicerçada no éter das suposições de uma economia que não encontra correspondência material na realidade visível. Os serviços - ou aquilo que se imagina existir como tal -, ocupam plenamente o espaço outrora reservado aos golpes de génio de cientistas e estudiosos que mediante aturado labor, nos deram mais tempo de vida, conforto e democracia no consumo acessível para aqueles que jamais conheceram algo mais que a miserável farpela que os protegia do frio, ou a malga de sopa e o bocado de pão que enganava a fome. Longe vão os tempos dos titãs da indústria e da finança. Onde estão os Krupp, os Thyssen, os Vanderbilt, Hearst ou Citroën? Onde param as portentosas realizações sociais daquelas empresas que dentro dos seus muros incluiam creches, hospitais, escolas técnicas, primárias e laboratórios de pesquisa onde o mais humilde podia ambicionar a glória da ascensão pela simples manifestação do talento? Onde estão os herdeiros dos Luíses XIV ou Joões V que  imortalizaram na pedra os sonhos de grandeza e nos proporcionam aquilo que orgulhosamente exibimos como a nossa cultura? Onde estão aqueles Alfredos da Silva que construíram impérios, arrancaram milhares à gleba ancestral e impeliram ao estudo várias gerações que nos deram o mundo moderno de que desfrutamos despreocupadamente e de forma tão ingrata?

 

Este capitalismo dos nossos dias, não é o capitalismo do conceito que aprendemos e que muitos até reprovaram de forma violenta, acabando-o até por copiá-lo travestido de estatismo. É algo de profundamente nefasto, mesquinho e brutal no seu apetite de exploração. Trata-se de uma manipulação iconoclasta que não conhece nações nem fronteiras, que não respeita homens ou locais de trabalho e que para cúmulo da nossa previsível infelicidade, abre de par em par as até agora bem aferrolhadas portas do nosso mundo, possibilitando o ímpeto oportunista de novos comunismos ou aventureiros de ocasião, desta vez providos do ensinamento da História e dos impiedosos recursos tecnológicos que farão sentir o esmagador peso de uma inaudita opressão. É isto o que o futuro parece reservar à totalidade das nações e países, mas teremos ainda a possibilidade de o esconjurar?

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publicado às 16:28






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