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Pela noite dentro.

por Cristina Ribeiro, em 19.09.13






« Uma noite do Estio »


Salve, ó noite socegada,

fagueira noite de estio;

quanto és bella entre estes cedros,

sobre a margem d'este rio!



N'estas aguas, que murmuram,

se reflectem tremulantes

de teus céos os numerosos,

os estrellados diamantes.



D'entre as sombras do oriente

vem crescendo incerta aurora,

lá rompem raios de prata...

a lua lá nasce agora.



Cor de pérola derrama

sobre os campos seu clarão;

melancolica ternura

me embriaga o coração.



..............................................



Se esta doce escuridade,

se este estado encantador

de não sei que interno gosto

e melancolico amor,



ah! se estas horas durassem,

sem nunca, nunca findar,

n'este mundo de chimeras,

quão bello fora habitar!



Mas logo a brilhante lua,

correndo o ceo brandamente,

irá do extremo horizonte

arrojar-se no occidente.


                     Antonio Feliciano de Castilho, « Amor e Melancolia » 

publicado às 23:29

Pela noite dentro.

por Cristina Ribeiro, em 19.09.13




« Em Coimbra »


Ele era estudante; e ela

Uma jovem recatada;

Mas pudor não vale nada,

Quando a paixão se revela.




Ao namoro da janela

Seguiu-se o outro: o da escada,

E o tal melro deu entrada

No domicílio da bela.



- « Tu és, disse ele, galante,

Mas vou partir sem demora,

Que a minha casa é distante »



- « Como! já te vais embora! »

- « Um amor d'um estudante,

Não dura mais que uma hora. »


     João Penha, « Últimas Rimas »

publicado às 00:01

Pela noite dentro.

por Cristina Ribeiro, em 18.09.13

Se desejas ser amada,

Ama, não fiques gelada,

Que te foge o trovador,

      Morena;

Amor só vive de amor,

      Helena.



Mas foge d'um amor louco,

Que esse morre ou vive pouco:

Sol ardente seca  a flor,

     Morena;

Muito amor apaga o amor,

    Helena


       João Penha, « Últimas Rimas »

publicado às 22:47

« Bucólica »

por Cristina Ribeiro, em 18.09.13


Que paisagem tão bela!

Podia um Corot pintá-la!

Vem tu, Carmen, contemplá-la,

Daqui, da minha janela.



Além, perto daquela cancela,

Canta e fia uma zagala;

Ao pé, um cordeiro bala,

É todo o rebanho dela;



Num campo um jumento zurra;

Cantam grilos no montado;

Batem-se cabras à turra.



Tu, dança um sapateado,

Enquanto eu gemo à bandurra

Saudades do meu passado!

      

                         João Penha, « Últimas Rimas »

publicado às 00:32

« Século XIX ! »

por Cristina Ribeiro, em 17.09.13

A ti invoco: escuta-me do Além!

Quando eu nasci, já ias tu no meio,

Quando morreste, morri eu também!

A ti alongo, oh século romântico,

Meu olhar triste, de saudades cheio!

A ti dedico o derradeiro cântico!


  João Penha, «  Últimas Rimas »

publicado às 19:46






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