Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

BP4I8974.jpg

 

 

Não vejo as manas Mortágua ou a metediça Catarina Martins no protesto dos imigrantes em frente ao Parlamento. No seu lugar o Bloco de Esquerda mandou um piquete protestar a eleição de Israel no Festival Eurovisão da Canção - foi uma investida que não colheu frutos. O Partido Socialista e o Partido Comunista Português não mexeram um dedo para manifestar a sua oposição ao comportamento faccioso e tendencioso dos seus camaradas de governo - ou seja, deram o seu aval demagógico, mas não a cara. Os "palestinianos" que se encontram em frente à Assembleia da República não votam nem elegem governos de recurso, por isso são uma divisa de fraco interesse. Eu sei que hoje é um dia particularmente sensível com a comemoração dos 70 anos do Estado de Israel a coincidir com a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém. Portugal não se associa ao evento, mas terá de decidir se envia uma Dina ou um Salvador da pátria ao certame da Eurovisão que aí se realizará na edição do ano que vem. São escolhas difíceis aquelas que Portugal está obrigado a tomar na ausência de direitos e garantias herdados do passado. O mundo está a mudar. O Médio-Oriente é a ferida aberta onde a dor da revolução de paradigma mais se fará sentir, mas não confundamos as causas com o rancor ideológico de que se alimentam certos actores de baixa estatura.

 

foto: John Wolf

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:23

Quando ouvir de nada serve

por John Wolf, em 30.04.18

12344047151156616159bionet_human_ear.svg.hi.png

 

Já estamos habituados. Ouve-se muito em Portugal. Escutam-se uns. Filmam-se outros. Criam-se comissões. Fazem-se perguntas. Mas os resultados são fracos. Não interessa de que bancada parlamentar se fala. Não importa qual o partido político em causa. A soma final é igual a zero. Zero à Esquerda e Zero à Direita. E assim, sem grande sobressalto, escutaremos Manuel Pinho, como tantos outros que já falaram e ofereceram a sua versão corroborrada pelo bom nome e a verdade única que certamente sai pela boca fora. O cidadão português, visado mais do que os outros pela falência ética dos governantes, já se deveria ter indignado de um modo transversal e arrepiante. Refiro-me à podridão sistémica que contamina há décadas a realidade política nacional. Os parlamentares já não podem invocar imunidade seja de que espécie for. Estão comprometidos, mesmo que em conluio abstinente, mesmo que o assunto em causa nada tenha a ver directamente com a sua bancada. A casa da representatividade legislativa, de onde emanam as lideranças, deveria demitir-se em bloco. O mês de Abril, que serve para evocar lirismos e sentimentos de fraternidade, não passa de uma farsa. Há muito que o espírito e corpo da Democracia são postos em causa pelo vil desempenho de lideres no governo ou pela oposição. Assistimos a um festival sem fim de corrupção e transgressões. Confirmamos a associação insidiosa de toda a classe política que não ousa sair à rua em causa própria. Amanhã é feriado. Dia do trabalhador e de uma mão cheia de ladrões.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:50

Portugal? Isn´t that in Spain.

por John Wolf, em 21.04.18

hqdefault.jpg

 

Há uma boa dúzia de anos visitei Portugalete, Bilbau. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é a preocupante constatação de que os meus compatriotas, que agora vêm em força a Portugal, são apenas turistas. Ou seja, na maior parte dos casos envergonham-me - "Oh, wow! Isn´t that neat?" ou "Are you good?". Enfim, deixem-nos vir à vontade para deixar o pilim, mas não lhes perguntem sobre o Brexit, sobre as eleições na Áustria, sobre a Troika - eles pouco ou nada sabem. E foi essa insularidade existencial que elegeu Trump. Tenho a nacionalidade, mas sou crítico como o raio em relação ao dossiê. Não confundamos certas coisas. A "inteligência" americana existe no topo do topo da Ivy League, nos centros de investigação confortados pelas dotações milionárias de civis que escalaram com labor e suor a pirâmide da sociedade. Os americanos que me confortam são aqueles que não tornam à federação. São aqueles que têm uma epifania repentina (não são todas repentinas?) e decidem que ainda vão a tempo de cultivar vistas largas e abandonam a América com a carga pronta e metida nos contentores. Eu sei, também se pode tecer críticas ao atraso de vida em Portugal. Mas hoje não estou para aí virado. Acho que fiquei mesmo irritado quando ontem me cruzei com um compatriota relativamente vocal que envergava uma sweatshirt com o seguinte estampado: "Detroit Dog Savers". E pronto. Fico-me por aqui. Hoje há bola?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:09

Cultura Zero

por John Wolf, em 05.04.18

 

zero-dollars.jpg

 

Portugal sofre de pseudo-elitismo crónico. O mito sagrado da cultura tem servido fetiches de diversa ordem, mas sobretudo para invocar poderes sobrenaturais e reclamar dinheiro dos contribuintes. Em nome de causas maiores, do bem público e do dever do Estado, um conjunto alargado de "estruturas" (termo querido da Catarina Martins) tem recebido, a fundo quase perdido, somas interessantes para tirar o povo da sua ignóbil miséria cultural. São estes agentes em missão de salvamento que resgataram Portugal profundo da tirania da estupidez e ignorância. O contínuo endeusamento de uns quantos "grandes", que consubstanciam a máxima "em terra de cegos quem tem olho é rei", é o derradeiro responsável. São esses iluminados, tocados pela magistratura do privilégio da corte de vantagem, das ligações especiais, que foram levados em ombros na luta cultural de classes levada a cabo pelas Esquerdas, ditas titulares exclusivas das artes performativas e do seu integral entendimento. No entanto, o modelo (falido, falhado) não se localiza na régua ideológica ou partidária, nada tem a ver com a Esquerda ou a Direita. É problema de fabrico. É uma patologia respeitante à matriz estatutária do país que distingue despudoradamente a superioridade cultural de uns e afasta a mediocridade avultada de outros. Confirmamos a eternização dos mesmos jogadores. São eles; políticos-poetas, escritores-aclamados, críticos-intocáveis, actores-consagrados, cantoras-diva e encenadores-inamovíveis que degeneram a possível e desejável alteração das regras, do modelo. São esses mesmos, próximos da poltrona do funcionalismo público, que não desejam grandes sacudidelas. Para eles, a cultura deve estar divorciada do mercado, porque o público nada sabe e portanto não saberia distinguir uma ópera bufa de uma simples libertação de gases. Os agentes ditos culturais não entenderam pelo menos duas coisas: a arte é sinónimo de ruptura e desequilíbrio. E os empreendimentos culturais financiam-se de um modo social, sem ser necessariamente socialista, mas intensamente escrutinado em função dos valores investidos e do retorno qualitativo e expectável das obras de arte apresentadas. Neste capítulo das artes e da cultura, da programação e dos modelos de financiamento, poucos o sabem fazer como os americanos. Ora vejam este exemplo e descubram as diferenças. Isto é apenas dinheiro dos contribuintes. Mais nada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:23

Quem nada deve, nada PS

por John Wolf, em 02.04.18

ana_catarina_mendes-01_770x433_acf_cropped.jpg

 

Ana Catarina Mendes mostra-se altiva e defende os camaradas socialistas com especial nobreza e carácter - em especial aqueles que fizeram fortuna alegadamente com contactos coleccionados à pala da actividade política. A secretária-geral adjunta não concorda que se controlem os rendimentos dos políticos. O contrário de "quem nada deve nada teme" parece ser o lema orientador das suas consternações. Na entrevista, "para distrair" a malta, refere aquela bandeira de democratização, aquele preservativo para ocasiões especiais - a regionalização ou a descentralização. E acrescenta que já tem saudades de Mário Centeno num futuro governo. Mais bizarro ainda é a definição dos temas-chave para a próxima legislatura: "clima, digitalização, demografia e desigualdades." Faz lembrar tudo e nada, mas sobretudo uma certa incoerência intelectual de natureza orgânica e conceptual. Ora vejamos; o clima já fugiu a sete pés de este governo que, no meio do caos do planeamento florestal preventivo de incêndios, leva tudo pela frente, com a imposição do desbaste da mata. A digitalização parece-me uma jogada para dar razão a Sócrates e revalidar as suas teses Simplex e Magalhães. A demografia é aquela que se conhece - velha, emigrada e pouco dada à reprodução. E a expressão "desigualdades" é apenas um erro de semântica. Queriam dizer igualdade do género, mudança de sexo, cães e cadelas no restaurante, etc, etc. Ana Catarina Mendes faz bem em olhar para o futuro, mas existe um limite no que diz respeito ao que os outros devem ou não devem fazer. Sentimos, por entre estas linhas ténues de afirmações, um certo desleixo em relação aos parceiros do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Quem não soubesse melhor diria que o Partido Socialista já governa em maioria absoluta. Não precisa de ninguém e sabe tudo. Vamos lá controlar as contas dos barões socialistas e já falamos, está bem?

 

Créditos fotográficos: OBSERVADOR

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:10

Sócrates e os estudantes de Berquelei

por John Wolf, em 20.03.18

DSC06704.JPG

 

José Sócrates regressa a Coimbra por obra e graça de uma geração de estudantes eticamente falida. Não existe outro modo de descrever aqueles que avalizam a presença de um arguido que tanto dano causou a Portugal. Intelectualmente, o ex-primeiro ministro nada tem a oferecer. Subiu àquele posto de comando nacional pelas portas e travessas ardilosas da pequena política do maior partido de Portugal. Não existe tese que o valha. Não existe Paris que o sirva. Não existe tortura que possa servir de alibi. Os estudantes, organizadores do certame, espelham bem a ausência de valores e princípios. Resta saber se trouxeram a trouxa imoral de casa ou são já um produto da academia. Confundem liberdade de expressão, com promiscuidade e pressão. Se os académicos de Coimbra são a amostra de Portugal do presente e do futuro, estamos completamente arrumados.

 

(nesta imagem, estes encapotados estendem a carpete a outro sagrado político de nome Lula)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:33

Quantidade sobre a qualidade

por Samuel de Paiva Pires, em 13.03.18

bregman.jpg

Rutger Bregman, Utopia para Realistas:

O optimismo e o pessimismo tornaram-se sinónimos de confiança do consumidor, ou de falta dela. As ideias radicais de um mundo diferente tornaram-se quase literalmente impensáveis. As expectativas do que nós, como sociedade, podemos alcançar sofreram uma erosão drástica, deixando-nos com a verdade nua e crua: sem utopia, só resta a tecnocracia. A política diluiu-se na gestão de problemas. Os eleitores oscilam para um lado e para o outro não porque os partidos sejam muito diferentes entre si, mas porque mal se conseguem distinguir; o que separa hoje a esquerda da direita é um ou dois pontos percentuais no imposto sobre o rendimento.

Vemo-lo no jornalismo, que retrata a política como um jogo em que se apostam não ideais mas carreiras. Vemo-lo na academia, onde andam todos demasiado ocupados a escrever para ler, demasiado ocupados a publicar em vez de debater. De facto, a universidade do século XXI, assim como os hospitais, as escolas e as estações televisivas, assemelha-se antes de mais a uma fábrica. O que conta é cumprir objectivos. Seja o crescimento da economia, as audiências, as publicações: lenta mas inexoravelmente, a quantidade está a substituir a qualidade.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:16

Jerónimo de Sousa tem imensa piada

por John Wolf, em 04.03.18

800.jpg

 

Jerónimo de Sousa tem imensa piada. Mas pouco mais do que isso. Tenta plagiar Catarina Martins e quase que o consegue. A bloquista rejeita dialogar com o Partido Social Democrata e o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) pega na melodia e vai ainda mais longe - apenas a Esquerda pode alterar leis laborais -, podemos depreender das suas palavras. Acho intensamente curioso que o PCP, que nunca criou uma estrutura produtiva para além da festa do Avante sem IVA, venha reiterar a superior magistratura ética e moral em relação às condições laborais dos trabalhadores portugueses. Se aquela ideologia, falida já nos tempos dos planos quinquenais, criasse empresas e postos de trabalho, talvez tivesse um pouco mais de legitimidade para reclamar e requisitar melhores condições para a classe trabalhadora. Lamentavelmente, como são inimigos viscerais do capital, nunca poderão entender como funciona a economia de um país. Os comunistas fazem lembrar os padres que oferecem conselhos sobre o matrimónio e a sexualidade, mas que nunca foram casados ou fizeram uso dos orgãos inferiores nessa condição. Os comunas, por analogia, também percebem tudo sobre empresas, mas nunca criaram alguma coisa que se assemelhasse a uma unidade produtiva. Admitamos, porém, a figura retórica, filosófica e abstracta - o timbre que define a intelectualidade. Mas nem de isso se trata. É muito baixo o nível da conversa e é apenas movida a medo - o receio de que se instale um bloco, um outro bloco - o famoso e histórico bloco central. Quando isso acontecer, Jerónimo de Sousa terá de se ocupar de outras centrais - do comité central do seu partido. E vai com muita sorte. O Miguel Tiago anda por aí. E o outro rapaz, o João Oliveira - também galâmbico -, qualquer dia faz-lhe a folha ou passa-lhe a perna.

 

Imagem: TVI - IOL

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:41

593311336.jpg

 

A cavalo dado não se olha o dente? Olhe que não. Eu teria algum cuidado se fosse um dos recipientes das indemnizações decorrentes da tragédia dos incêndios. As vítimas e familiares das vítimas de Pedrógão  esfregam as mãos de contente por receberem o cheque assinado por Centeno, mas cautela. Como em qualquer apólice de seguro, é importante ler a letra miudinha. Aqui têm a cláusula que diz tudo: "António Costa explicou que o direito de regresso será exercido "se vierem a ser identificadas responsabilidades que possam levar o Estado a exigir o direito de regresso destas indemnizações que adianta." Por outras palavras, os beneficiários recebem o cheque, mas caso se alterem as condições que sustentam a substância e a forma da responsabilidade do Estado, toca a devolver o dinheiro. Podemos então concluir que se trata de um empréstimo político, adequado à época pré-legislativa de campanha. Aposto que apenas pegam no estorno e transtorno da questão se o Partido Socialista (PS) ganhar as eleições de 2019. Até lá a responsabilidade será sempre do Estado, porque convém. Ou seja, seria um tiro no pé enviar o cobrador do fraque ir recolher o dinheiro malparado antes do tempo, durante a legislatura. Se o PS não for tido em conta num novo governo, lá para 2019, então será perfeito - a batata quente passa para outros que farão o favor de ser os maus da fita. Não julguem por um instante que quem vos governa não pensa deste modo. É assim mesmo que funciona. Política é um jogo de atrasos e antecipações, empréstimos e devoluções.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:34

Estão de consciência tranquila

por John Wolf, em 04.01.18

consciencia-cria-realidade-7.jpg

 

"Estou de consciência tranquila" - José Sócrates

"Estou de consciência tranquila" - Ricardo Salgado

"Estou de consciência tranquila" - Armando Vara

"Estou de consciência tranquila" - Isaltino Morais

"Estou de consciência tranquila" - Constança Urbano de Sousa

"Estou de consciência tranquila" - António Costa

"Estou de consciência tranquila" - Paulo Cafôfo

"Estou de consciência tranquila" - Paula Brito da Costa (Raríssimas)

"Estou de consciência tranquila" - Vieira da Silva

"Estou de consciência tranquila" - Emanuel Martins (O Século)

"Estou de consciência tranquila" - João Ferreirinho (O Século)

"Estou de consciência tranquila" - (por favor, preencher......)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:35

A grande oportunidade de Marcelo

por John Wolf, em 27.12.17

VETO-stamp.jpg

 

Marcelo Rebelo de Sousa, mais do que o Presidente da República com quem temos convivido, tem a oportunidade de ser efectivamente o Presidente de todos os portugueses. Se vetar a Lei do Financiamento de Partidos, e abrir a necessidade de um debate profundo sobre as implicações da mesma, estará a servir a República. Não estará a servir o sistema político nem a matriz partidária do país. Colocar-se-á ao lado de um princípio que deve imperar em Democracias - o princípio da igualdade de tratamento. Iria mais longe até nas consequências a extrair do grande tema do financiamento dos partidos políticos. Não pensar apenas na dimensão do haver - pensar obrigatoriamente na lógica do dever - do dever moral, ético, mas acima de tudo fiscal. Instituiria uma taxa partidária a que estariam obrigadas todas as filiações no sentido de financiar a ideia genérica de participação activa política de cidadãos independentes que em nome da cidadania e da sociedade civil procuram servir o país. Não vejo por que razão o tratamento positivo e discriminatório há-de ser a norma. Marcelo Rebelo de Sousa poderia equilibrar os pratos da balança do seu porte presidencial. O veto elevaria a consideração de tantos portugueses em relação à missão presidencial. Marcelo apenas tem dado a conhecer o mel dos abraços e da solidariedade. Agora falta-nos provar o fel do incómodo que causaria a toda uma classe política versada no parasitarismo, na promiscuidade e no esbanjamento de dinheiros públicos. Simples, Marcelo. É rasurar a proposta de Lei e devolvê-la ao remetente para nova redacção contemplando uma genuína revolução do financiamento partidário. Esta é a grande oportunidade de Marcelo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:05

Portugal apurado para o grupo de Itália

por John Wolf, em 16.12.17

football-1.jpg

 

Vivemos tempos de excepção, de extrema raridade - raríssimos. Portugal acaba de ser apurado pela Fitch para o grupo de Itália. António Costa, que há não muito tempo rogava pragas às agências de notação, tece agora os maiores elogios à Fitch. Este jogo de patentes por conveniência acarreta algumas considerações penosas. Se Portugal agora se encontra ao nível da economia e finanças da Itália, devemos ficar preocupados, mas há algo ainda mais dramático - o nível de Dívida Pública. Se de facto Portugal está ao nível da Itália, então ocupa agora o 5º posto dos países mais endividados do mundo. Enquanto os sistemas financeiros dos EUA e outras nações pioneiras procuram integrar no seu mainstream as divisas digitais, Portugal não consegue passar da fase das artimanhas orçamentais para dissimular o real estado da economia. O Turismo tem sido o Bitcoin de Portugal, mas nem chega a tanto - não representa uma mudança de paradigma. Continua a ser o sector tradicional do mais do mesmo, correndo graves riscos associados a bolhas. Por outras palavras, a revolução tecnológica, que antecede o boom económico, ainda não aconteceu. Portugal continua a virar frangos e a natureza estrutural da economia não se alterou significativamente. As agências de notação não passam disso, dessa ficção contabilística. E têm uma tabela de preços a respeitar. Não são exactamente fake, mas têm de viver de alguma coisa. Servem-se de indicadores económicos todos catitas que omitem a economia paralela, as fraudes, a evasão fiscal e as demais maleitas que afligem países. A divisa Fitch é tão virtual quanto outra qualquer. Fixecoin - aposto que seria um sucesso em Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:03

António Costa, o tunisino acidental

por John Wolf, em 21.11.17

slider1.jpg

 

É impressão minha ou será que António Costa apenas ganha coragem para afrontar os funcionários públicos quando está fora de Portugal? Desta vez fala a verdade em directo de Tunes. I tunes, ele tunes, nós tunisinos...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:35

Não são os políticos que nos defendem

por John Wolf, em 17.11.17

IU6A1614.jpg

 

Tenho a maior confiança nas forças de segurança em Portugal. Coloco-me, sem hesitar, ao lado dos seis agentes constituídos arguidos, por correrem riscos em nome de todos nós. No exercício da sua missão lidam continuamente com dinâmicas imprevisíveis e teatros de operação intensamente voláteis. A GNR levou a cabo um simulacro envolvendo todas as polícias, forças armadas e meios de socorro, mas já despontam aqueles que invocam a legalidade do comando da operação - dizem que a Lei de Segurança Interna não foi cumprida. No meu entender, a haver um desvio da titularidade do comando, o simulacro serve ainda melhor o seu propósito. Em ambiente de "fogo real", de conflito estabelecido, de guerra suja, os comandos são dos primeiros visados. A decapitação do topo da cadeia de comando é um modo de desferir um impacto considerável no adversário. Por essa mesma razão, a disciplina de comando das operações não deve ser detida em exclusivo por uma entidade. As situações que exigem respostas tácticas imediatas implicam que as mesmas possam ser geridas por soluções de recurso, que exista um plano B, outras estruturas com o know-how operacional. Nessa medida, o simulacro, ou para todos os efeitos, qualquer treino, deve poder ser integrado em qualquer uma das estruturas de comando e controlo, seja qual for o ramo das forças armadas ou de segurança  Eu iria mais longe na defesa deste princípio - os políticos devem ser os derradeiros envolvidos em questões de ordem táctica, operacional. Devem estar a milhas de distância de considerações parcelares. Quando digo que as forças de segurança merecem a nossa confiança, basta pensar num dos maiores desafios de segurança interna que um país pode enfrentar - a transição de regime. O General Ramalho Eanes consubstancia com louvor esse primado pelo papel que desenvolveu em Portugal. Mas pensemos também nas guerras coloniais e a grande escola de métodos tácticos e operacionais que resulta das mesmas. Para além dos governos, dos partidos e das ideologias, devemos congratular a realização de simulacros desta natureza. O resto é ruído político de gente que nunca pegou numa arma para defender desconhecidos das ameaças reais. O que sobeja são birras de quem se esconde atrás de outrém.

 

foto: John Wolf

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:59

Assédio Digital do Panteão Nacional

por John Wolf, em 11.11.17

image.aspx.jpg

 

A devassa privada do Panteão Nacional é da exclusiva responsabilidade do governo, do actual governo. António Costa afirma (que): "Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional". Se aqueles que jazem no Panteão Nacional tivessem sido evocados no WebSummit, de um modo digno, em jeito de homenagem-app, com aparições virtuais da Amália Rodrigues ou do Eusébio, poder-se-ia, com alguma mestria, realizar um encerramento honrado do evento no mausoléu daqueles que escreveram a História de Portugal. Seria um modo de Paddy Cosgrave e companhia renderem homenagem aos anfitriões, a Portugal. O problema do WebSummit, do ponto vista conceptual, tem a ver com esta tumular contradição. O WebSummit está totalmente virado para o Futuro enquanto o Panteão Nacional é o Passado na sua máxima expressão. Com tanto génio organizativo, não foram capazes de gizar um alinhamento que levasse em conta a mitologia dos heróis portugueses e a sua conjugação com a epopeia dos descobrimentos digitais - não pensaram na originalidade de um Panteão Digital. Por isso volto a reiterar; a sofisticação, e o glamour tecnológico dos nossos tempos e seus agentes, pecam por falta de substância cultural. Por outras palavras, é possível ser hiper-tecnológico e simultaneamente azelha -   smartphone na mão, e pouco mais. A Geringonça, ao remeter o corpo ardente da responsabilidade política ao governo de Passos Coelho, passa um atestado de burrice e incompetência às suas hostes. O governo, e por extensão, o ministério da cultura, tinham a obrigação de verificar preventivamente os contornos da requisição do arrendamento temporário do Panteão Nacional. Os mortos, os simbólicos, os de Pedrógão, os da Legionella, os de Arganil ou os do velório arrestado foram todos implicados nesta orgia festiva do WebSummit - degradante. O Panteão Nacional foi vítima de assédio digital.

 

foto: DR/JORNAL DE NOTÍCIAS

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:26

Rita passa a Ferro Rodrigues

por John Wolf, em 05.11.17

7714_a.jpg

 

Não me recordo bem para qual revista, mas há muitos muitos anos, a Rita Ferro Rodrigues afirmava categoricamente em entrevista que se havia candidatado a um emprego na RTP, "omitindo sempre o nome do seu pai para que o processo fosse imaculadamente imparcial", para que fosse avaliada pelos seus dotes, pelo seu inegável talento - treta, bullshit. Será expectável, à medida que for perdendo o seu brilho televisivo impoluto, que procure servir-se do seu património de exposição mediática e da tradição familiar para alavancar uma putativa carreira política. A plataforma Capazes é um belo trampolim. Não teria sido mais adequado que Marcelo Rebelo de Sousa tivesse convocado a Bárbara Guimarães para se inteirar da temática da violência doméstica? Enfim. Adiante. Daqui a escassas épocas, quiçá quando o presidente da assembleia da república se reformar e for para uma construtora ou empresa de telecomunicações, teremos a Rita Ferro Rodrigues, e não a anónima Rita Rodrigues, a subir a escadaria do parlamento para poisar o traseiro na bancada da casa, na tribuna socialista. São  falsas representações deste calibre e provas de incesto deste tipo que arruinam o país. A menina tem de escolher. Ou é a carreira das TVs ou quer ser a filhinha política do papá. Mas reparem bem - Marcelo é um belo exemplo. Soube comentar livros aos Domingos. E veja-se onde chegou.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:49

O principal móbil de António Costa

por John Wolf, em 30.10.17

maxresdefault.jpg

 

António Costa confirma mais uma vez a sua falta de decoro e respeito pelas vítimas mortais dos incêndios e seus familiares. O primeiro-ministro deve estar tão desesperado que procura comprar a qualquer custo a amizade dos bombeiros. O décor do estúdio da entrevista concedida à TVI é uma afronta, um insulto, e de uma falta de nível sem igual. A telenovela nem sequer é mexicana. É mais reles. Na tentativa de apaziguar ânimos, um santuário foi montado, mas faltam elementos à narrativa. A disposição de ferramentas de combate ao fogo foi estudada ao pormenor, mas tal como o Siresp, tem falhas. Vejo a picareta, mas onde está a foice? Por esta ordem de ideias de "presença de espírito", a entrevista poderia ter sido conduzida numa agência funerária ou numa unidade fabril de co-incineração. Não sei quem anda a mamar o fee de consultor de comunicação política, mas deve ser da oposição. Apenas um inimigo visceral poderia propor tamanha falta de gosto e dignidade. Esta encenação, contudo, tem razão de ser. O adversário de António Costa não é o Presidente da República - isso é apenas para inglês ver. Marcelo Rebelo de Sousa não é um lobby, nem sequer tem um sindicato. Serão os bombeiros que poderão tornar a vida difícil ao chefe Costa. Jaime Marta Soares é uma espécie de Arménio Carlos dos bombeiros e já avisou que fantasias e devaneios de António Costa não serão tolerados. Portanto, é essencialmente de isso que se trata. Este cenário pimba-político inscreve-se na narrativa da geringonça - ganhar os favores de funcionários públicos e tentar tornar adeptos aqueles que escapam ao controlo puro e duro. A tarde é sua. Do António Costa.

 

Nota: a ideia da imagem Playmobil devo-a à Isabel Santiago Henriques. Vi-a na sua página de Facebook. Ao contrário de outros, não ando a roubar na estrada "originalidades alheias"...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:35

A erdoganização de Madrid

por John Wolf, em 29.10.17

goya.JPG

 

A Europa das luzes, da superioridade civilizacional, do legado dos impérios coloniais, prepara-se para recuar na história e tornar a plantar um factor de dissensão no presente, no seio da União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Alfonso Dastis, não descarta a possibilidade da prisão de Puidgemont. A acontecer, seremos forçados a designar a detenção de prisão política. O governo de Madrid invoca a legalidade constitucional e a traição do lider catalão, mas arrisca-se a promover ódios e reacções mais profundas. Se Puidgemont é o inimigo a abater, então Rajoy e Saenz devem usar a máxima do padrinho, de D. Corleone - keep your friends close, but your enemies closer. Quer a ficção quer a história oferecem lições importantes. Em 1815, o Congresso de Viena foi concebido para reintegrar França no sistema europeu após a derrota napoleónica. Ou seja, a humilhação política é um mecanismo contraproducente - existem imensos exemplos na história europeia. Madrid, envolve-se deste modo, semi-voluntariamente, num processo de reasserção juridificante através do qual poderá ter de chamar a si prerrogativas de controlo político que obrigam a uma profunda revisão constitucional. A reciprocidade da violência poderá correr em linhas paralelas a mecanismos de ajustamento jurídico, através dos quais Madrid anula as benesses das periferias granjeadas com o estatuto de governação autónoma. Nesse sentido poderemos traçar comparações com as movimentações recentes do regime erdoganiano (Erdogan, Turquia). A manifestação de hoje, a favor da união espanhola, comparticipada por centenas de milhares de pessoas, pode gerar efeitos diversos ainda mais ousados. A emenda da união de Madrid pode ser pior do que o soneto da independência da Catalunha. Deve haver algum cuidado para que o tiro não saia pela culatra - que o nacionalismo espanhol não seja acordado, para pôr em marcha purgas mais alargadas em nome de uma bandeira intransigente. A prisão de Puidgemont, a acontecer, pode gerar atritos entre a Espanha e os valores democráticos que a União Europeia tanto apregoa. Afinal, pode não ser necessário viajar à Turquia para coleccionar exemplos de censura política e perseguição policial. Uma orbanização iliberal (Órban, Húngria) que seria uma outra via, seria propensa ao isolamento do estado unitário espanhol no contexto do concerto comunitário da União Europeia. As implicações, in extremis, que decorrem das perguntas colocadas pelo desafio catalão, poderão incluir a sugestão da "desfederalização" da Espanha, mesmo que a mesma esteja configurada juridicamente enquanto entidade unitária. A pergunta mais pragmática que talvez se possa formular será a seguinte: existirá uma modalidade menos lesiva para a unidade espanhola do que a remoção de poderes autonómicos à Catalunha? Veremos como irão cambiar de tércio em Espanha, e como irão domar o touro. A faena vai ser longa.

 

gravura: Francisco Goya

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:57

Catalunha! Bem-vinda à Europa

por John Wolf, em 27.10.17

 

catalonia-flag.jpg

 

 

Os Estados Unidos perderam a Guerra do Vietname. O Presidente John Fitzgerald Kennedy foi assassinado. O muro de Berlim caiu. O que têm em comum estes três eventos? O desfecho de cada um foi determinado pela vontade humana. De nada valeram constituições, escaladas militares ou a construção de vedações. O mesmo sucede na Catalunha. Olhemos com rigor para o que sucede, e para além dos tratados redigidos em Madrid. Esqueçamos Bruxelas e a União Europeia. O povo, mesmo que desunido, é quem mais ordena. Assistimos chocados, do conforto da nossa poltrona de superioridade intelectual e civilizacional, à História. Ao desenrolar de eventos que polvilham o cenário dinâmico da história política da Europa, mas também do resto do mundo. Sempre assim foi, e decerto que assim continuará a ser. No seio da Europa da União, da paz imaginada por Schuman e outros estadistas no rescaldo da segunda Grande Guerra, registamos agora algo inédito com consequências potencialmente surpreendentes, violentas. Madrid, se quiser fazer valer os factores de coesão da união espanhola, terá de implementar medidas de coacção que em muito transcendem a estrutura administrativa e política forjada em documentos validados por assinaturas. Não creio, dado o extremar de posições, e a efectiva Declaração de Independência da Catalunha, que exista uma mecânica possível de reversibilidade, de regresso ao status quo anterior. Prevejo o uso de força de Madrid, numa primeira fase moderada e, numa segunda fase, na sequência da contra-resposta dos independentistas de facto, um agudizar dos métodos repressivos e uma escalada da resposta da Catalunha. Não esqueçamos que Espanha detém um legado que facilita a disposição das peças no tabuleiro. O regime de Franco aperfeiçoou os métodos, que com a revolução foram metidos na gaveta, mas que não foram inteiramente esquecidos. A Europa pode muito bem ganhar mais uma república, mesmo que a UE não venha a somar ou a subtrair um membro - o artigo 155 não parece valer grande coisa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:15

O churrasco do Orçamento do Estado 2018

por John Wolf, em 23.10.17

81KOofKwiZL._SL1500_.jpg

 

O Orçamento do Estado (OE) de 2018 já está a arder. O governo encontrou um nome todo catita para ficcionar as contas e fingir que está tudo óptimo - cativações. Imaginem que têm os dentes a apodrecer, mas que ainda conseguem mastigar uma bela açorda, e em função desse repasto, decidem que afinal aquele investimento na placa dentária não vale a pena. De repente ficaram umas centenas de euros mais ricos. As contas lá de casa melhoraram. E os caninos e molares? - logo se vê. É mais ou menos assim que o Estado está a ser gerido. É quase definitivamente deste modo que governam. A derrapagem orçamental que aí vem, terá, no entanto, uma desculpa do tamanho do Pinhal de Leiria. Os incêndios florestais serão invocados sem piedade para espremer a simpatia de Bruxelas e uma interpretação excepcional do cumprimento ou não do OE. A falta de emoções de António Costa poderá agora ser transsexualizada directamente de São Bento para divisa política pura, para moelas deploráveis de troca. De um modo racional e mensurável, as tragédias florestais e a perda de vida humana, poderão ser cambiadas por argumentos no mercado político da União Europeia. Na lista de descalabros tudo poderá ser incluído. A saber, e a título de ilustração; as cabeças de gado bovino e caprino que sucumbiram na densa mata de fogo, a contaminação de cursos de água - decorrente da putrefação dos referidos animais; o impacto que se fará sentir no sector agrícola e florestal, a perda de empresas de base familiar e respectiva mão de obra, a sobrecarga do sistema de segurança social que terá de atender a pessoas em estado de carência e emergência, o peso sobre o sistema nacional de saúde que terá de cuidar dos queimados e outros feridos, mas também de um número insondável de pacientes que emergirão por degradação da qualidade do ar na proximidade das ocorrências ou em destinos mais afastados. Enfim, uma quantidade de alibis operacionais de natureza financeira e administrativa será sacada de uma espessa nuvem de consequências oportunas, mas mesmo com todas as cativações do mundo e todos os favores de Bruxelas as contas não baterão certo. Das duas uma; ou deixam a factura sair fora de controlo -"estou-me cagando para a dívida" ou assumem a iminência do descalabro à moda de 2011, e toca a aplicar ainda mais descaradamente efectivas medidas de austeridade que, em jargão geringonçal,  terão outro nome mais adequado para não ferir a massa associativa de funcionários públicos que colocou no triatlo os três partidos de governação. Uma outra hipótese, mais remota porém, será o PCP ou BE acabarem de vez com esta fantasia cozinhada à La Carte dos interesses ideológicos dos partidos em causa. Esperemos para ver. E nem tem de ser sentado. Parece-me que tudo isto será rápido, mas a doer. Pacientes, paciência. Os portugueses, como sempre, são as vítimas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:23






Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas