Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A crítica é a alma das democracias liberais

por Samuel de Paiva Pires, em 16.09.19

Hoje escrevo no Observador sobre como o processo de crítica imanente é central nas democracias liberais e na competição entre estas e potências revisionistas não-democráticas, como a China e a Rússia, que visam subverter a ordem internacional liberal. Aqui fica uma passagem:

A superioridade, nas mais diversas áreas, das sociedades demo-liberais em relação às não-democráticas resulta em larga medida deste processo de crítica que opera através da liberdade de expressão, do debate público, da concorrência e da inovação, permitindo às sociedades corrigirem o seu rumo com base nas experiências passadas, mudando de forma gradual, reformista ou evolucionista, não de forma revolucionária, como frequentemente acontece em sociedades fechadas.

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:41

Assobiar para o lado

por Samuel de Paiva Pires, em 20.08.19

A emergência do populismo no seio das democracias liberais, a perda de hegemonia dos EUA no sistema internacional, a ascensão da China e o ressurgimento da Rússia, ambas potências revisionistas e claras ameaças à zona de paz liberal, o Brexit e o futuro de uma União Europeia dominada por uma Alemanha encantada com Putin, as alterações climáticas, a crise dos refugiados, a cibersegurança e as guerras de informação e desinformação no ciberespaço fomentadas pela Rússia e China e nós o que discutimos? Petições a favor e contra um museu dedicado a Salazar, já depois da crise dos combustíveis, dos incêndios sempre reveladores da nossa aversão ao planeamento sistematizado, da importação dos espantalhos racistas dos estudos pós-coloniais, da sempre presente ideologia de género e da restante espuma dos dias alimentada pelos ciclos noticiosos e pelas shitstorms nas redes sociais. Sem embargo de a esfera pública numa sociedade livre dever comportar os mais diversos temas, entretanto, num mundo cada vez mais globalizado e perigoso, cá continuamos, neste cantinho à beira-mar plantado dominado por certa sociedade de corte composta por caciques e carreiristas partidários e umas quantas dúzias de famílias, sem darmos prioridade à política externa e andando essencialmente a reboque dos parceiros europeus. Já dizia Rodrigo da Fonseca que "nascer entre brutos, viver entre brutos e morrer entre brutos é triste”.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:11

Study of the U.S. Institutes for Scholars on Foreign Policy

por Samuel de Paiva Pires, em 11.06.19

Entre 13 de Junho e 26 de Julho participarei no Study of the U.S. Institutes for Scholars on Foreign Policy, para o qual fui seleccionado pela Fulbright Commission Portugal, Embaixada dos EUA em Portugal e U.S. Department of State e que este ano é organizado pela University of Delaware. Trata-se de um programa que compreende dezenas de conferências e seminários e visitas a instituições académicas, governamentais e não-governamentais e que tem como como principal objectivo conferir aos seus participantes conhecimentos que permitam melhorar a qualidade do seu ensino e investigação sobre os EUA e, especificamente, sobre a política externa do país. Podem encontrar mais informações no site da Universidade da Beira Interior.

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:09

Brexit: uma teoria da estratégia de Theresa May

por Samuel de Paiva Pires, em 15.01.19

theresa may.jpg

David Cameron, que era contra a saída do Reino Unido da UE, prometeu e realizou o referendo do Brexit, tendo-se demitido na sequência deste. Nigel Farage, Boris Johnson, Michael Gove e companhia fizeram uma campanha demagógica pelo Leave e a seguir puseram-se ao largo - excepção para Johnson, que ainda conseguiu demonstrar ao mundo, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros, que é mais pateta do que se pensava. Theresa May fez campanha pelo Remain e, numa atitude que tanto pode ser vista como contraditória (à luz da weberiana ética da convicção) ou patriótica (à luz da ética da responsabilidade), manteve-se ao leme do Governo britânico, sendo a principal responsável por implementar uma decisão de que discorda e tendo várias vezes rejeitado a possibilidade de se realizar um novo referendo.

 

Tenho, sobre este assunto, já de há algum tempo a esta parte, uma teoria parcialmente explicativa e parcialmente preditiva (ainda que bastante especulativa), que vou aqui arriscar colocar, finalmente, por escrito. O mais provável é que esteja errada, mas na remota hipótese de vir a mostrar-se certa, lembrem-se que a leram aqui primeiro.

 

May tem estado, ao longo dos dois últimos anos, num putnamiano jogo de dois níveis. À luz deste modelo de análise de negociações internacionais, no nível ou tabuleiro de xadrez nacional ou doméstico, May lida com uma maioria de agentes políticos favorável ao Leave e uma sociedade civil fragmentada mas cuja maioria provavelmente votaria a favor do Remain caso se tivesse realizado um novo referendo. No entanto, esta probabilidade poderia ser contrariada por uma nova campanha demagógica a favor do Leave, desta feita até exageradamente focada na crítica a Theresa May, pelo que, mais uma vez, corria-se o risco de a campanha e o resultado do referendo espelharem essencialmente questões e lutas políticas internas. 

 

Por outro lado, no tabuleiro internacional, o governo britânico encetou duras negociações com a União Europeia, tendo chegado a um acordo que, não sendo ideal e não agradando a ninguém, parece ser o possível - algo que tantas vezes acontece em política. Boris Johnson, Jeremy Corbyn e afins consideram que conseguiriam fazer mais e melhor e acham que ainda há forma de obter um acordo em que o Reino Unido consiga eat the cake and have it too, contra todas as evidências no sentido contrário. 

 

A estratégia que May poderia adoptar para maximizar as possibilidades de um novo referendo ter como resultado a permanência do Reino Unido na UE foi precisamente a que adoptou até agora, utilizando aquilo que me parece poder ser inspirado na brinkmanship. No nível internacional, foi negociando o acordo possível para, no nível nacional, ao mesmo tempo que ia rejeitando a realização de um novo referendo por o resultado ser ainda algo incerto, mostrar à sociedade civil que a decisão de saída será prejudicial aos interesses do Reino Unido e reduzir o espaço de manobra dos seus adversários políticos que acham que seria possível negociar um bom acordo. Os adversários de May, ao contrário do que muitos poderiam pensar, não estão no nível internacional, não são a UE nem os negociadores europeus. Pelo contrário, estes foram essenciais para a sua estratégia. Os seus verdadeiros adversários estão no nível doméstico e foi em relação a estes que utilizou a brinkmanship, ou seja, que conduziu este processo a um ponto de tal forma perigoso que lhe permita finalmente ter a vantagem suficiente sobre estes, não para garantir a sua posição de Primeira-ministra - bem pelo contrário -, mas para almejar realizar um novo referendo com uma elevada probabilidade de o resultado ser o da permanência na UE. A votação de hoje no parlamento britânico, que May sabia antecipadamente que iria perder, foi apenas mais um passo na estratégia da Primeira-ministra de reforçar a percepção, na sociedade civil britânica, da irresponsabilidade da maioria dos seus políticos. 

 

Como escrevi acima, é provável que esteja enganado. Mas na remota hipótese de estar certo, a esta luz, May revelar-se-ia uma estadista de elevadíssima craveira, alguém que se arrogou a responsabilidade de manobrar um dos mais perigosos, incertos e complexos processos políticos contemporâneos, com evidentes prejuízos para a sua carreira política, mas que teria salvaguardado o Reino Unido e a União Europeia dos ímpetos demagógicos e irresponsáveis de uns quantos outros políticos. Certo é que o processo ainda não terminou e os próximos dias serão decisivos. Aguardemos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:27

Trump ganhou a Eurovisão

por John Wolf, em 09.05.18

netta-eurovision.jpg

 

A Netta de Israel deve ganhar o certame musical, enquanto Trump achocalha o acordo nuclear respeitante ao Irão. A Alemanha, a França e o Reino Unido, aparentemente fora do baralho da decisão do presidente dos Estados Unidos, acabam por servir o processo com arte e engenho  - o pé ocidental, metido na porta de Teerão, não me parece ser fruto de uma escorregadela, de um desacordo flagrante -, serve o guião do copo meio-cheio ou do copo meio-vazio. O que acaba de suceder, enquanto Pompeo assenta arraial na Coreia do Norte, tem o condão de realinhar a política externa norte-americana. Desde Reagan que poderemos traçar uma continuidade, usando uma expressão académica portuguesa - as constantes e linhas de força da política externa, interrompida pelo duplo mandato de Barack Obama. Ou seja, registamos uma espécie de intervencionismo não intervencionista, que descarta o valor de alianças e tratados, mas que não assume por completo o isolacionismo. A denúncia do "Joint Comprehensive Plan of Action (J.C.P.O.A.)" não significa a ausência de movimento. As sanções económicas do nível red alert, deverão, expectavelmente, provocar ondas em toda a região do Médio Oriente, e em particular agudizar as tensões entre a Arábia Saudita e o Irão que já se encontram em zaragata por procuração, quer na Síria quer no Iémen. Não nos esqueçamos que a Rússia já se encontra sob a égide de sanções dos EUA e a Ucrânia recebe armamento para se defender do agressor. No entanto, ontem houve algumas frases de Trump que foram sacadas da era George W. Bush, quando este apresentou o argumento inatacável da existência, sem margem para dúvidas, de armas de destruição maciça no Iraque, para validar uma operação militar de grande envergadura. Desta vez não me parece que Trump venha a invadir o Irão - os outros que paguem a factura. No entanto, ainda não poderemos definir uma doutrina Trump, mas podemos ensaiar um esboço. Donald Trump joga por antecipação, fruto de uma certa imprevisibilidade, alimentado por uma certa carga emotiva, para depois, analistas e afins, tentarem a todo o custo extrapolar um modelo de racionalidade, parente próximo da estratégia, como se esta existisse na íntegra. Em todo o caso, a excentricidade atípica gera efeitos não estimados e fluxos inesperados. Veremos o que Trump resgata da incursão coreana. Encontramo-nos, sem dúvida, na semi-final do festival Eurovisão da geopolítica. Cada um concorre com a cantiga que lhe convém e no fim porventura teremos mais perdedores do que ganhadores. Como diria Nassim Taleb - Trump doesn´t want to have his skin in the game, mas quer a todo o custo que os outros arrisquem o pescoço.

Photo credits: Metro

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:49

Trump e o Prémio Nobel da Paz

por Samuel de Paiva Pires, em 30.04.18

Miguel Sousa Tavares, na SIC, afirmou há pouco que se o Prémio Nobel da Paz for entregue a Trump, algo que foi hoje sugerido pelo Presidente da Coreia do Sul, a instituição do Prémio Nobel acaba e até a própria família de Trump se rirá a bandeiras despregadas. Sendo eu insuspeito nesta matéria, dada a minha opinião negativa acerca de Trump, e considerando as devidas cautelas quanto à concretização da desnuclearização proclamada por Kim Jong-Un, não deixa de ser irónico que Trump possa ser um factor determinante para a pacificação da Península da Coreia. 

 

Ora, atentemos na justificação do Comité Nobel Norueguês para atribuir o Prémio a Obama em 2009: “The Norwegian Nobel Committee has decided that the Nobel Peace Prize for 2009 is to be awarded to President Barack Obama for his extraordinary efforts to strengthen international diplomacy and cooperation between peoples. The Committee has attached special importance to Obama's vision of and work for a world without nuclear weapons.”

 

Claro que as visões e ideias são importantes, mas a concretizar-se a desnuclearização da Coreia do Norte, talvez valesse a pena relembrar, em linha com Maquiavel, que em política o que importa é a verdade efectiva das coisas e os resultados, não a imaginação. Como escreveu o florentino: “Nas acções de todos os homens, e mormente dos príncipes, em que não há um tribunal para onde reclamar, olha-se é ao resultado. Faça, pois, um príncipe por vencer e por manter o estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos serão louvados, porque o vulgo prende-se é com o que parece e com o desenlace das coisas.” 

 

Mas claro que o Comité Nobel Norueguês pode sempre preferir continuar a desvalorizar a importância do Prémio Nobel da Paz. Afinal, a Academia Sueca tem feito o mesmo, com bastante sucesso, com o Prémio Nobel da Literatura. São, aliás, cada vez mais aqueles que atribuem pouca ou nenhuma importância à instituição dos Prémios Nobel - bem como às opiniões de Miguel Sousa Tavares.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:35

China, Rússia e a subversão das democracias liberais

por Samuel de Paiva Pires, em 20.12.17

Larry Diamond, This Sputnik Moment:

The proliferating global influence activities of China and Russia diverge from traditional means of public diplomacy. Instead, they use wealth, stealth and coercion to coopt influential policy voices and players, control information flows, censor unfavorable reporting and analysis, and ultimately mold societal attitudes and government postures.

 

The methods vary. Each regime has relied heavily on the promotion of its state-controlled media abroad, such as Xinhua News Agency, CGTV, and RT (formerly Russia Today). Russia has been perfecting a new form of geopolitical warfare, using social media to intensify political polarization, inflame social divisions, sow doubt and cynicism about democracy, and promote pro-Russian politicians and parties. Through investments, partnership agreements, donations, exchanges, positions on boards of directors, and other “friendly” relations, China has fostered wider and deeper penetration into the vital tissues of democracies—media, publishing houses, entertainment industries, technology companies, universities, think tanks, and non-governmental organizations. These intrusions are rapidly expanding not only in the West but in Latin America, post-communist Europe, and Africa as well. In different but perhaps equally devastating ways, China and Russia are using the openness and pluralism of democracies to subvert and bend them to their strategic objectives—principally, the weakening of Western democratic alliances and the relentless expansion of their own economic and geopolitical power.

 

What these two resurgent authoritarian states are projecting, argue Walker and Ludwig, is power that is not “soft” but rather “sharp,” like the tip of a dagger: It enables them “to cut, razor-like, into the fabric of a society, stoking and amplifying existing divisions” (in the case of Russia) or to seek, especially in the case of China, “to monopolize ideas, suppress alternative narratives, and exploit partner institutions.”

 

(...).

 

The bottom-line stakes are existential: Will the United States—and liberal democracies collectively—retain global leadership economically, technologically, morally, and politically, or are we entering a world in which we conspire in our own eclipse?

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:20

Parabéns a Mário Centeno

por Samuel de Paiva Pires, em 04.12.17

A eleição de Mário Centeno para Presidente do Eurogrupo numa altura em que a França tem um Presidente com uma visão para o futuro da União Europeia e em que a arrogante e obtusa dominação merkeliana parece ameaçada, é uma boa notícia. Mas o desfecho das negociações para a formação de governo na Alemanha será determinante para o futuro da União Europeia.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:31

Mário-Centeno.jpg

 

Os últimos anos da política externa Russa têm sido marcados pelo alegado imiscuir dos seus "agentes" nos assuntos do foro doméstico de um conjunto de países. Sejam hackers ou diplomatas, o axioma orientador é o mesmo - condicionar a acção política de outrém por forma a melhor servir o interesse nacional (russo, entenda-se). Não me parece de todo descabido que a Geringonça queira colocar o seu homem em Havana - Centeno no Eurogrupo. À primeira vista poderia parecer um tiro no pé. Afinal é o Eurogrupo que segura a trela para refrear devaneios orçamentais de países-membro da Zona Euro. Mas colocando lá o Mário a coisa pode dar ares de checks and balances, em nome do equilíbrio da União Europeia. A exportação do ministro das finanças também pode ser vista como um roadshow da solução de governo em Portugal, como se a mesma pudesse ser estabelecida como um template para congeminações de liderança de outros países. No entanto existe uma contradição semântica, ideológica, se quisermos - Centeno faz parte da família europeia de socialistas, e caso venha a ser o chefe do Eurogrupo, resultará desse grau de parentesco que não contempla necessariamente a linhagem comunista, ou da Esquerda mais acentuada. Por outras palavras, o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) não viajam na mala de Centeno. Deixam-se ficar pela Geringonça e já vão com muita sorte. Teremos assim, dois Centenos, um centenáurio bicéfalo - um que administra sevícias ao PCP e BE a partir do trono do Eurogrupo e outro que acomoda vontades dos mesmos partidos, mas apenas até à fronteira de Elvas. Se quisermos ser ainda mais ousados e extrapolar um pouquinho mais, Centeno, se seguisse a receita russa de um modo mais cínico, adoptaria a nacionalidade alemã e, desse modo, poderia assumir a pasta das finanças da Alemanha. Essa possibilidade erradicaria por completo qualquer forma de chauvinismo político dos alemães para com os desgraçados do sul da Europa. Centeno quer ganhar o Eurogrupo à primeira-volta. Para já veste a camisola amarela e a cor de rosa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:14

Fong Fong - o fungágá do peculato

por John Wolf, em 25.11.17

maxresdefault.jpg

 

Para todos os efeitos jurídicos, o casal Fong Fong Guerra foi condenado pelos tribunais de Timor-Leste por peculato. Portugal, ao receber de braços abertos os fugitivos, aprova um pressuposto questionável - as sentenças criminais de Estados estrangeiros não valem grande coisa. Não ouvimos falar nada sobre o deferimento ou indeferimento do pedido de extradição. Pelo teor da notícia, e à luz dos factos, até parece que o Ministério dos Negócios Estrangeiros auxiliou a fuga. Quando o casal Fong Fong Guerra sugere "nulidades insanáveis" mais comuns em regimes "não democráticos", deita por terra passadas glórias de política externa. Não nos esqueçamos que Portugal sempre fez gala de ter sido o grande promotor da "nova democracia" timorense e de ter concedido uma "nova história" a um território martirizado pela expressão colonial e de subjugação da Indonésia. Já bastavam as Madonnas e as Belluci para dar prestígio e realizar o marketing positivo do país. Mas agora assistimos a algo diverso. Ao apadrinhar a fuga destes portugueses, e alegadamente o desrespeito por ordens jurídicas diversas, a administração portuguesa valida uma tese, que por analogia, embora mais intensa, aplaudiria a fuga de, por exemplo, Renato Seabra, do estabelecimento prisional nos EUA onde cumpre pena  - e sua "vinda" para Portugal. Como Timor-Leste já não vale grande coisa aos olhos de Portugal, um caso como este ainda passará por entre os princípios e a ordem jurídica sem dar nas vistas. São as implicações jurídicas que me interessam. Mais nada. Se efectivamente houve uma condenação, e factos que a sustentam, não me parece "natural" que não tenham sido recebidos por agentes de autoridade no aeroporto de Lisboa. Na escala de valores em causa eu sei que Sócrates é porventura a divisa corrupta incomparável e que a escolta policial realizada a partir da manga do avião se tenha justificado em pleno, mas esta recepção sem "cerimónias" torna Portugal inteiro num Alentejo sem lei - num fungágá da bicharada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:26

Trump é um péssimo negociador

por Samuel de Paiva Pires, em 06.08.17

É o que fica patente na análise de David A. Graham a duas chamadas telefónicas de Trump, uma com o presidente do México, Enrique Peña Nieto, e outra com Malcom Turnbull, Primeiro-Ministro australiano. Graham conclui assim o seu artigo na The Atlantic:

Two countries, two leaders, two approaches—yet both succeeded, for different reasons. The calls with Malcolm Turnbull and Enrique Peña Nieto are not only a valuable document of how diplomacy works; they would also set a pattern. Time and again, foreign leaders have found that Trump is hardly the hardened negotiator he claims, but is instead a pushover. If they can get into a one-on-one conversation with Trump, they can usually convince him to come around to their position. If that was true on paying for the wall and taking refugees, it stands to reason it would be true for lesser Trump priorities, too.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:34

trump-putin-g20.jpg

Aaron David Miller e Richard Sokolsky, "Trump is a Bad Negotiator":

Granted, international diplomacy is a lot tougher than cutting real estate deals in New York, and there’s still a lot of time left on the presidential clock to make Trump great again. But half a year into the Trump era, there’s little evidence of Donald Trump, master negotiator. Quite the opposite, in fact: In several very important areas and with some very important partners, Trump seems to be getting the short end of the proverbial stick. The president who was going to put America first and outmaneuver allies and adversaries alike seems to be getting outsmarted by both at every turn, while the United States gets nothing.

(...).

Let’s start with the president’s recent encounters with the president of Russia, a man who admittedly has confounded his fellow world leaders for nearly two decades. Apparently without any reciprocal concessions, the world’s greatest negotiator bought into Russia’s plan for Syria, where U.S. and Russian goals are in conflict; ended America’s covert program of support for the moderate Syrian opposition, then confirmed its highly classified existence on Twitter; and had an ostentatious one-on-one meeting with the Kremlin strongman at the G-20 dinner, sticking a finger in the eye of some of America’s closest allies. It’s bad enough to give Putin the global spotlight he craves while accepting Russia’s seriously flawed vision for Syria. But to do so without getting anything in return gives “the art of the deal” a whole new meaning. Trump’s failure to hold Putin accountable for Russian interference in the presidential election is the most egregious example of putting Russia’s interests first and America’s interests last, but it’s hardly the whole of the matter. There’s no other way to put it: Trump has become Putin’s poodle. If it weren’t for Congress, public opinion and the media, Trump would be giving away more of the farm on sanctions, Russian aggression in Ukraine and other issues that divide the United States and Russia. That’s not winning; it’s losing.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:29

Rex-T e o Embaixador Sherman

por John Wolf, em 02.02.17

maxresdefault.jpeg

 

Vamos todos sentir saudades do embaixador Robert Sherman. Ao longo da história da representação diplomática dos EUA em Portugal, nunca tinha havido um chefe de missão tão próximo da cultura local. Ele era Selecção Nacional, ele era passeio de Motards a Évora, ele era embaixador para portuguesa e português sentirem de perto e apertarem a mão. Os fregueses, expostos a esse conforto, até se esqueceram de Carlucci e da mão invisível de Soares a negociar saídas ideológicas. Com a dança de cadeiras em curso na administração americana, a ver vamos quem "Rex-T"- Rex Tillerson (não confundir com T-Rex) amanha para o posto lisboeta. Embora a base dos Açores tenha já sido mungida e agora libertada de encargos maiores, prevejo uma guia de marcha que aponta para a inversão do sentido, o recrudescimento da sua vitalidade à luz da sua imprescindibilidade. Os pauletas até agradecem. A economia local também agradece. Uma eventual reactivação efectiva dessa base militar de importância geométrica variável acarreta, no essencial, consequências que escapam ao controlo de Portugal. Torna a Lusitânia aliada efectiva da doutrina Trump que se estende a novas polaridades de fricção como o Mar do Sul da China ou a Austrália. A ver vamos, quando as coisas aquecerem, e for nomeado um embaixador à medida de Trump, como os parceiros do BE e PCP irão coçar as orelhas quando o PS baixar as calças e deixar passar a banda da NATO. Estimo que uma frota de F16 de geração duvidosa esteja a caminho de Portugal para, volvido pouco tempo, no desfecho de nova bancarrota, ser remetida para amigos romenos que a leva ao desbarato. A ver vamos quem metem na embaixada dos EUA em Lisboa. Um cowboy da meia-noite? Acabaram-se os videos de incentivo. Agora cada um está por sua conta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:07

O Brexit ganha o Euro 2016

por John Wolf, em 20.06.16

hqdefault.jpg

 

Não tenho os dotes culinários de Fernando Santos. Nem sei cozinhar resultados. Por isso não me aventuro na casa de "abostas" do vai ou fica. Refiro-me ao Brexit, naturalmente. Nos últimos meses temos sido contaminados com inquéritos e mais inquéritos de opinião, com o esgrimir de argumentos nacionalistas ou europeístas, com a exposição dos males e benefícios do rompimento britânico ou com revisitação da história europeia e as virtudes da paz Kantiana. Tudo isto, e muito mais, tem contribuído para o não esclarecimento da questão. E faz sentido que assim seja. A identidade da Europa é essa mesma. O continente sempre foi um palco de tensões, de dissidências e aparentes entendimentos. Ou seja, quer adoptemos uma visão Hobbesiana ou Hobsbawmiana, seremos invariavelmente servidos pelo magistério cultural que reforça uma certa visão determinista. Em última instância, não existe um evento singular capaz de descarrilar a "civilização" europeia da sua tendência para sobreviver à sua própria condição. E esse estado crónico extravasa os parâmetros construtivistas da Comunidade Europeia, dos Tratados Europeus e da União Europeia. Os britânicos, que sempre foram talentosos na defesa do seu interesse nacional, souberam alimentar a falange independentista promovida pelo Brexit. O elencar dos perigos resultantes da saída não são equiparáveis às contingências de uma permanência. Nem devem ser relacionados. A separação de correntes políticas e económicas, a permanência ou a saída, são no meu entender, uma falsa dicotomia. Os britânicos, ao longo das últimas décadas de pertença à União Europeia, demonstraram que é possível estar dentro sem efectivamente estar. E se nos servirmos da mesma bitola de posicionamento estratégico, serão igualmente hábeis a se imiscuirem na condução dos trabalhos da Comissão Europeia e outras instituições, estando fora da estrutura, a 20 milhas do continente europeu. Por outras palavras, a condição britânica é incontornável. Os britânicos não vão a parte alguma. O Brexit até pode vencer o Euro 2016.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:38

Screen Shot 2015-04-16 at 19.01.07.png

  

Há qualquer coisa que não bate certo neste guião. A Grécia vive dias muito difíceis. Tem a corda na garganta. Prometeu libertar o seu povo da Austeridade imposta pela Alemanha e chora desalmadamente porque não tem como pagar as contas. Mas isso não a inibe de negociar a compra de sistemas de mísseis à Rússia. Tsipras confirma os nossos piores receios. Não é um libertador da Europa periférica. É um perigoso apostador que arrisca lançar a Europa na maior das imprevisibilidades. A Grécia está à espera de um ataque turco? De uma investida de Panzers alemães? A União Europeia procura salvar a face, mas estes eventos exigem uma tomada de posição intransigente. Será o povo grego que em última instância pagará a factura, mas repartirá a mesma pelos restantes europeus. A política de casino, bluff, e o cinismo de Tsipras terão certamente os seus dias contados. O problema, no entanto, serão os danos colaterais deixados ao abandono. A poesia lírica do Syriza, que serviu para encantar as Esquerdas da Europa, está a ceder o seu lugar a algo intensamente explosivo. Há limites que devem ser respeitados por aqueles que afirmam pertencer à grande família europeia. O mais irónico deste enredo é que serão os Estados-membros da União Europeia a financiar a compra do sistema de mísseis à Rússia. Tsipras faz lembrar outros chicos-esperto de praças conhecidas. Se deixarem, pegará nos dinheiros de "salvamento" para comprar brinquedos para fazer a sua guerra. Não se esqueçam, Tsipras é um produto europeu. Certificado democraticamente, eleito por cidadãos no seu perfeito juízo. Dêem dinheiro ao Varoufakis e Tsipras. E depois não se queixem quando o mesmo se extraviar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:33

F16 ou o Euromilhões?

por John Wolf, em 31.10.14

A_115130

 

Não nos devemos esquecer quais são as fronteiras geopolíticas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), e, nessa medida, relembrar que Portugal assinou o tratado constituinte da organização a 3 de Abril de 1949, sendo desse modo, um dos países fundadores da organização. A Rússia não nem nada a favor ou contra Portugal. Acontece que, a haver uma "porta" mais vulnerável à entrada de estranhos no "território" NATO, essa porta Ocidental pode muito bem ser Portugal. Enquanto os analistas e estrategas apontam o radar à centralidade euroasiática, a Rússia demonstra que um "assalto" é possível a partir de quadrantes distintos, de outras latitudes. Aqueles que sempre se manifestaram contra o investimento nas Forças Armadas Portuguesas e a aquisição de uma esquadra de F-16, parecem ter caído num silêncio incómodo, mas, efectivamente fica demonstrada a utilidade dos caças, na defesa do espaço nacional, mas também num quadro de apoio recíproco que a NATO convencionou entre os seus membros. Não chegamos ao patamar que implique o invocar do Artº 5 do tratado, contudo, os primeiros mecanismos de resposta parecem estar a funcionar com a agilidade de comando e controlo que incidentes desta natureza exigem. O principal desafio que se apresenta na interpretação dos mais recentes acontecimentos, prende-se com a provável escalada das provocações e a resposta que terá de ser produzida numa ordem proporcional e dissuasora. O facto do espaço aéreo nacional ter sido violado pela força aérea russa, não pode ser menosprezado, subestimado. O ministro dos negócios estrangeiros Rui Machete não pode ser o porta-voz de um falso sentimento de acomodamento. Na estrutura organizacional da NATO, e atendendo a um quadro geopolítico muito mais amplo, existem considerações maiores - patentes mais elevadas, perigos consideráveis. O destino de um país não pode resultar de um acaso, de uma tômbola de azares e fortunas em política externa. Sorte ou falta dela.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:26

O império da União Europeia

por John Wolf, em 16.09.14

A matriz cultural europeia assume, de um modo irrefutável, que ocupa um papel de relevo em termos civilizacionais. Ao longo dos séculos, e em particular, a partir das correntes de Iluminismo que se verteram em Inglaterra, na França e na Alemanha, foi-se aceitando com naturalidade a ideia de superioridade moral, de desígnio quase teológico da Europa. E essa ideia, expansionista e conquistadora, consubstanciou-se, por exemplo, quer no império napeolónico quer na expressão ultramarina do império britânico. Em suma, os impérios não são um exclusivo dos oponentes, dos inimigos. O império Prussiano, assim como os demais, podem equiparar-se ao império Russo no que diz respeito aos seus intentos e aos próprios métodos: anexaram, mataram, integraram, arrasaram as estruturas políticas existentes - criaram novas ordens. Contudo, enquanto a Rússia seguiu uma via autónoma, baseada numa cultura distinta, a Europa Ocidental procurou estabilizar um conjunto de regras. O grande legado da Europa dos tempos presentes reside na força da lei, nas doutrinas de legalidade que estabelecem limites para a actuação, quer numa lógica interna quer numa abordagem externa. A invenção que a Comunidade Económica Europeia representa, e mais tarde a União Europeia aprofunda, será a versão moderna de um conceito imperial de perfil suave. Pela via positiva e de atracção, a Europa encontrou uma fórmula para se alargar económica e socialmente, mas ignorou a importância da sua expressão política e militar. A Europa, embora tenha tido projectos de auto-suficiência militar, como foi a falhada União da Europa Ocidental, nunca procurou efectivamente consolidar o seu corpo e braços armados. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) havia sempre funcionado numa lógica de blocos, de jogo a dois, de guerra fria. Mas esses tempos findaram, mas certas dinâmicas não foram interrompidas, mas meramente atrasadas por novas nomenclaturas. Nessa medida, a Rússia escolheu o seu momento com grande sentido de precisão. A crise económica europeia, a indefinição dos EUA no que diz respeito à sua política externa proactiva ou a ameaça do fundamentalismo islâmico devem ser entendidos como catalisadores da política externa russa, dificilmente interpretada pelos quadros operativos convencionais e pelos processos de pensamento transatlânticos. A tése de defesa do espaço vital natural da Rússia colide com uma outra ideia tida a seu respeito; o (re)assumir da sua expressão imperial, de superpotência. A pergunta que se coloca ao Ocidente e em particular à União Europeia, prende-se com o modo de travar os avanços russos quando o engagement da Rússia parece ser cada vez mais difícil. A construção europeia deve rapidamente pensar do mesmo modo que a Rússia, mas servindo-se do seu maior património: a sua expressão democrática positivista e pacífica. Numa lógica de alargamento, a União Europeia (UE), talvez possa procurar circumnavegar a zona de fricção, os pontos de contacto onde distintos interesses nacionais colidem. A UE deveria realizar um salto indutivo e pensar uma configuração que transcenda o mainland do seu pensamento. A Europa poderia, de um modo estratégico, pensar num alargamento a sul, obviando o paradigma continental clássico, e abraçar novos parceiros em regiões não contíguas ao continente europeu. Nessa medida, o reino de Marrocos poderia ser um bom candidato para consolidar a expressão política e económica de uma Europa fustigada por razões endémicas agravadas. Um país islâmico moderado como Marrocos, ao ser "fraternizado" pela UE, serviria o processo de relacionamento com o desafio islâmico radical que se nos apresenta. Um conceito de "se não os podes vencer, estende-lhes a mão" poderia servir para tratar problemas considerados insanáveis e que residem na centralidade europeia. Quer a França quer a Alemanha terão de lidar a breve trecho com a intensa expressão de comunidades muçulmanas residentes nos seus países. A Rússia, por outro lado, já entendeu que pode extrair força dos seus cidadãos onde quer que estes se encontrem. A Europa continua atada a velhos pressupostos e tarda em avançar para algo realmente surpreendente. Para desarmar Putin dos seus argumentos e intentos, há que pensar de um modo excêntrico, seguindo linhas de orientação emancipadas do passado. Se realmente quisermos, sabemos o que nos reserva o futuro. Procurar no passado talvez não sirva de grande coisa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:03

Putin e a independência da Escócia

por John Wolf, em 14.09.14

Os movimentos falsamente separatistas ou de anexação que se têm vindo a desenovolver nos limites da Europa convencional ou para além da sua matriz política, instigados e levados a cabo pela Rússia, na Geórgia, na Ucrânia, com uma nítida expressão na Crimeia em tempos mais recentes, embora desligados dos pressupostos nacionais europeus, podem ser reconduzidos aos mesmos. O referendo escocês, respeitante à sua independência, intensificou reinvindicações antigas e certamente fará eclodir novas solicitações de autonomia. Ambrose Evans-Pritchard releva, de um modo abrangente, quais os candidatos à fragmentação da Europa. Uma interpretação excêntrica e ousada destes eventos de dispersão, obriga os decisores da União Europeia a ter de pensar uma lógica inversa na (de) construção europeia. A haver expressão democrática e positiva no sentido da independência nacional de um conjunto de povos residentes na União Europeia, o Tratado da União Europeia torna-se parcialmente obsoleto ou conceptualmente irrelevante. As forças centrifugas e de concentração política que se acham firmadas na constituição europeia, estão a ser ultrapassadas pela realidade. Embora seja impensável uma intervenção britânica para proteger os direitos dos cidadãos que residem na Escócia, Putin lança no seio da Europa ocidental o perfume dos seus argumentos e da sua acção. De um modo pensado ou não, a verdade é que a analogia entre um cenário e outro, poderá ser resgatada para plantar divisões nas hostes da centralidade da União Europeia. Existem muitos modos de levar a guerra ao inimigo, e a Rússia não hesitará em partilhar os seus métodos com as partes interessadas. Numa lógica ainda mais ultrajante, imaginemos o apoio que a grande Rússia poderia emprestar aos diferentes movimentos nacionais que se encontram espalhados pelo mainland da Europa ocidental. Eu sei que talvez seja uma extrapolação exagerada, a roçar os limites da racionalidade teutónica, mas todas as possibilidades devem ser colocadas em cima da mesa. De Berlim a Londres, da Catalunha ao reino dos Algarves.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:52

O mundo infantil das primárias

por John Wolf, em 12.09.14

Enquanto uns realizam testes primários, outros demonstram ao mundo o valor da ausência da palavra. Enquanto uns discutem IVAs e restaurantes, outros redesenham mapas de continentes. Enquantos uns estão à janela, outros organizam respostas concretas a ameaças substantivas. Enquanto uns falam de traições, outros dão facadas. Enquanto uns estão focados em si, outros sabem que deixaram de ter importância. Enquanto uns angariam simpatizantes, outros inscrevem combatentes. Enquanto uns pensam em tachos, outros aumentam a pressão da panela. Enquanto uns dormem, outros estão acordados. Enquantos uns são o que são, outros nem isso conseguem ser.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:26

 

  • O interesse nacional nem sempre é do interesse das populações.
  • O interesse nacional é sempre invocado.
  • O interesse nacional é uma prerrogativa do governo.
  • A projecção de poder e o interesse nacional são quase a mesma coisa.
  • A percepção é tão ou mais importante do que a realidade.
  • As percepções constroem-se para validar ou negar os factos.
  • A produção de percepções não é um exclusivo dos governos.
  • Os média antecipam-se ou estão atrasados em relação aos factos.
  • Os média nunca estão em sintonia/sincronia com os acontecimentos.
  • Os média são uma extensão dos actores políticos.
  • A propaganda é um conflito continuado e praticado por todas as partes envolvidas.
  • O status quo ou a estabilidade são construções ilusórias.
  • A ameaça do uso de força implica ciclicamente o seu uso para se validar.
  • A contenção é a mesma coisa que a ameaça do uso de força.
  • A ameaça do uso de força e a cooperação não estão a grande distância uma da outra.
  • A força das ideologias foi sendo substituída por outras formas de crença.
  • Domínio territorial e ocupação efectiva encontram-se no mesmo plano de importância de outros modos de expressão de poder imaterial.
  • A geopolítica também é movida por dimensões psicológicas como a memória colectiva e sentimentos como o rancor.
  • É mais fácil a fundamentação da decisão política baseando-se na história do que tentar a construção de novos modelos.
  • A linguagem do passado serve apenas uma parte da narrativa do presente.
  • As ameaças pequenas não são diminutas, são efectivas e potenciais.
  • As respostas dadas são sempre grosseiras, ou seja, nunca são do grau adequado.
  • A iniciativa política é apenas a extensão de um corolário.
  • Os corolários ou os axiomas são contradições genéticas, ou seja, a intuição e o instinto, são igualmente importantes na construção de modelos tendencialmente racionais.
  • As intervenções militares, de natureza quase sempre temporária, procuram desalinhar construções políticas de cariz mais duradouro.
  • É possível interpretar factos que ainda não aconteceram.
  • A ética é retrospectiva, mas eminentemente prospectiva.
  • A ideia de ordem nem sempre é legalista ou de natureza ética.
  • As aspirações filosóficas e existenciais do homem talvez sejam as mais difíceis de satisfazer.
  • O materialismo das nossas sociedades produz assimetrias desejadas.
  • As democracias já foram beligerantes entre si.
  • A auto-determinação dos povos nem sempre é um meio para justificar os fins.
  • O auto-existencialismo das nações pode ser acordado e estimulado para fins diversos.
  • Não existem mentiras em geopolítica: é tudo uma questão de timing.

(a continuar)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:16






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas