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A política gangolana de António Costa

por John Wolf, em 17.09.18

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António Costa é europeísta. Por isso decidiu vestir calças de Nimes (Denim, De Nimes, vide origem da ganga, googlem...) para ser recebido no aeroporto de Luanda por Manuel Augusto Domingos, ministro dos negócios estrangeiros de Angola. Mas o primeiro-ministro de Portugal também pode ser atlanticista - as blues jeans tanto podem ser da Levi´s ou da marca Lee - ou seja, nada contra John Wayne e os cowboys americanos. No entanto, o primeiro-ministro quebrou o protocolo. Passou a ferro e deixou queimar o único protocolo que verdadeiramente interessa. A qualidade da abstracção representativa, a dignidade que os Portugueses merecem que seja espelhada no principal e mais importante embaixador de Portugal - os Portugueses não gostaram de ver o desfile na passerelle. Mesmo a família mais remediada de Portugal, quando convidada para o baptizado da vizinha coxa e vesga, veste a melhor camisa que tem e calça o único par de sapatos de ocasião que tem. Mas não, António Costa entrou em modo relax, chill-out, a fazer bluff - a fingir não dar grande importância a Angola e a fatia grossa que pode ser talhada para Portugal e alguns socialistas mais empreiteiros do que outros. Eu entendo que a Geringonça que o colocou em tal posição de autoridade e titularidade pública é, em si, uma manta de retalhos. Nesse caso, serviu mal aqueles partidos que o levantaram em ombros de governação. As calças de ganga têm uma conotação mais UNITA do que MPLA, mais colonizadora do que nativa, e isso já não se usa. O pós-colonialismo é doutrina com falhas conceptuais graves. Se Costa quisesse espelhar as Catarinas e os Jerónimos da sua praça parlamentar, levava consigo alguma "merda na algibeira" e uma tê-shert com a cara estampada de Che ou Maduro. Assim, com a farda a meio-gás, dá ares de pertencer a um gangue com jogadas espertas e truques na manga. Esta política da ganga, gangolana, não serve. Não tem a medida certa. O respeitinho é muito bonito.

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publicado às 18:08

Exangues

por Nuno Castelo-Branco, em 07.09.18

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Infelizmente não é do âmbito das fake news, pois o video está patente na internet, mostrando às claras uma estranha manifestação de nacionalidade.


Ele teve ontem o seu momento de campanha Eanes ou Soares, sendo por isso mesmo o possível eleito no urnismo aprazado para algumas semanas. O estado a que o Brasil chegou e que deveria encher-nos da mais profunda mágoa, não é coisa recente, mas anunciada desde há muitas décadas.

Uma oligarquia tradicional apenas interessada em si mesma e que bem depressa trocou as viagens à Europa do Grand Tour de outrora, por outros passeios que na Disneilândia vislumbra o máximo de uma civilização de vistas curtas, foi sucedida por outra que naturalmente lhe sucedeu no exercício do poder. Perdeu igualmente o tino, encarando o alpinismo não apenas político mas sobretudo de status económico e financeiro, como a solução para todas as vinganças recalcadas onde a justiça se tornou apenas num subterfúgio momentâneo. Visivelmente para nada serviram os programas sociais, exactamente para nada, pois se num primeiro momento retiraram milhões da indigência, tal não se baseou em alicerces sólidos, mas apenas num fogacho de meia dúzia, talvez uns dez anos. Roubou, mas fez, eis o lema. 

Naquela atitude que a imagem demonstra, o candidato de apelido italiano que carrega aos ombros o esmagador peso da ignorância, comprovou não conhecer os sacrifícios do povo de um país que em Utreque assinou a paz em troca do reconhecimento francês da posse portuguesa das duas margens do Amazonas. O Tratado de Utreque garantiu assim ao Brasil o estender de fronteiras até aos confins dos Andes, talvez já palmilhados pelos Bandeirantes que haviam caçoado e desprezado como letra morta o acordado em Tordesilhas. Logo se ergueram como os antigos padrões em manifestação de defesa da soberania, as fortalezas em lugarejos inóspitos, a milhares de quilómetros daquele arremedo de civilização que ia pontilhando a costa. Para nada estes trabalhos e sacrifícios terão servido, pois Bolsonaro e os seus serão bem capazes de retalhar a Amazónia em concessões a empresas estrangeiras quase soberanas e com direitos de extraterritorialidade, tal como aconteceu na África da viragem do século XIX para o XX.

De facto, por mais experiências que façam, repitam ou contornem, o regime no seu todo não serve. Não serve há muito tempo e eles, a imensa maioria de exangues pobres diabos, nem sequer disso dá conta. Limitam-se a votar e depois, contentes pelo dever cumprido do "agora é que é", vão sambar  para o Calçadão.

A falta de justiça, Senhores Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.

 

A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.

 

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.

 

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

 

Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime, na Monarquia, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas.

 

Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o imperador D. Pedro II, pelo exercício aturado do seu Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade”.

Deviam atender ao que Ruy Barbosa a seu tempo e já arrependido proferiu no Senado republicano de um Brasil então profundamente dilacerado. Segundo a historiadora Dana Gardner Munro que desfiou a realidade do actual regime, em "pouco mais de um século de existência, a República Brasileira enfrentou doze estados de emergência, dezassete Actos Institucionais, o Congresso Nacional dissolvido seis vezes, dezanove revoluções militares, duas renúncias presidenciais, três presidentes impedidos de assumir o cargo, quatro presidentes depostos, sete Constituições diferentes, quatro ditaduras e nove governos autoritários". Uma bela soma de infâmias.


Em suma, não existe nem um resquício de Moderação. 


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publicado às 21:46

Não faz diferença horária alguma

por John Wolf, em 31.08.18

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O relógio democrático da União Europeia determinou que não deve haver mudança da hora de Verão para aquela de Inverno. Para dizer a verdade, estou verdadeiramente a borrifar-me para a matéria, especialmente tendo em conta que me encontro em Portugal. Sarcasmos, cinismos ou entropias à parte, este país vive no seu próprio fuso horário. A tal reunião marcada na sede com o director do departamento de comunicação estava agendada para as 10h de terça, mas o Sr. dr. (dr. da treta, da tanga, da cueca...ou do raio que quiserem) chega ao meio-dia e um quarto - não esboça arrependimento nem roga perdão - siga para bingo. Sinto aqui mandrionice à mistura; sair de casa quando ainda está escuro? Oh, raio! Cresçam e apareçam. Daqui a nada inventam uma ponte cronológica e uma tolerância de hora morta. Para não falar de Agosto, o lindo mês de Agosto em que nada há a fazer - o serviço apenas reabre a 17 de Setembro. A Geringonça, e em particular o Bloco de Esquerda, gosta de pegar neste tipo de bicho pelos chifres para lançar teses sociológicas respeitantes ao direito ao descanso e  rituais de acasalamento. Quando a malta quer, arranja sempre tempo. E esse tempo geralmente acontece à custa da pontualidade alheia, nativa ou exógena. Não se esqueçam - um relógio avariado oferece a hora certa duas vezes ao dia. É aproveitar.

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publicado às 19:29

É preciso mudar alguma coisa para que fique tudo como está

por Samuel de Paiva Pires, em 09.08.18

Somos fantásticos a organizar eventos, mas frequentemente medíocres a planear quase tudo o resto, muitas vezes até coisas básicas. É uma das razões porque muitas políticas públicas não têm a eficácia desejada, a falta de capacidade de previsão e planeamento - sem falar na execução. Há décadas que o país arde todos os anos e ainda não conseguimos criar um dispositivo altamente profissional, hierarquicamente bem estruturado e comandado, de prevenção e combate aos fogos. Estudos e mais estudos, relatórios, avisos e recomendações de especialistas vários ficam arrumados numa gaveta qualquer enquanto, ano após ano, lideranças políticas medíocres e chefias operacionais de competência duvidosa anunciam investimentos de milhões de euros e, quando as coisas correm mal, atropelam-se em falhadas tentativas de spin sobre o que é mais que evidente: o caos na organização dos meios de combate ao fogo. Pelo meio, ninguém estranha nem se indigna por os bombeiros voluntários, heróis no meio disto tudo, se verem forçados a solicitar apoio em coisas básicas, como água e comida, às populações. Junte-se a isto uma sociedade civil anémica, que nem em face da tragédia que aconteceu em Pedrógão Grande pressionou devidamente as lideranças políticas, e temos as condições para continuar a praticar a célebre máxima de Lampedusa que titula este post. Para o ano há mais, como já é habitual. 

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 14:47

O 25 de Abril da Venezuela

por John Wolf, em 05.08.18

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Sobre a legitimidade da resistência armada do povo venezuelano aos grilhões do regime de Maduro, o presente arranjo governativo da República Portuguesa parece ter memória curta. Portugal também realizou um atentado a 25 de Abril de 1974, em nome da liberdade e dos princípios democráticos que tanto apregoa. Talvez devido ao facto de Portugal ser refém das centenas de milhares de portugueses que vivem nesse Estado, o ministério dos negócios estrangeiros tome o partido errado e se coloque ao lado de um ditador que mata à fome o seu povo. Na própria Constituição da República Portuguesa a figura de acção directa e defesa contra agressões estão contempladas. Embora as mesmas aludam ao conceito de ameaça e violação da integridade soberana perpetrada por forças estrangeiras, a verdade é que a História já demonstrou de um modo inequívoco que muitas vezes os maiores inimigos são de origem nativa. Maduro deve ser considerado um traidor do seu povo. O resto é conversa política e normativamente correcta. Mas a política e a História não estão escritas em manuais. É na rua que elas acontecem. Viva o povo de Venezuela!

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publicado às 21:10

Esta semana podem encontrar um artigo da minha autoria no Prisma, nova plataforma de slow journalism do Jornal Económico, em que viso contribuir para o debate sobre a política externa portuguesa na era de turbulência em que vamos vivendo, marcada pela crise do euro, crise dos refugiados, Brexit, Trump, Putin, Merkel, populismo, eurocepticismo, fundamentalismo islâmico e uma União Europeia à procura de perceber o seu futuro.

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publicado às 22:31

O futebol em abraço armilar

por Samuel de Paiva Pires, em 15.07.18

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 (fotografia daqui.)

 

Parece que muita gente terá descoberto, com um espanto inusitado, após a final do Mundial de futebol, que em tempos a França foi um império colonial. Ora, boa parte do país da “liberdade, igualdade e fraternidade” cultiva a concepção subjectiva de nação, que tem raízes em Ernest Renan, para quem a nação não assentava em critérios como a raça, o território, a língua ou a religião, sendo, na realidade, “uma alma, um princípio espiritual,” no qual os indivíduos concretizam “o desejo de viver em conjunto, a vontade de continuar a fazer valer a herança que se recebeu indivisa.” Mas um certo nacionalismo assente na concepção objectiva, tributária de diversos autores franceses, alemães e britânicos e com especial relevo na cultura germânica, ignorando que a história humana difere da zoologia, parece assistir a uns quantos que se esquecem do que foi e do que ainda hoje é Portugal, cuja Selecção nacional de futebol tem jogadores originários de vários países da CPLP. Por mim, subscrevendo aquele Fernando Pessoa para quem a pátria era a língua portuguesa, preferia cumprir o abraço armilar no futebol e ter num Mundial uma equipa da lusofonia. Já que noutros domínios o triângulo estratégico Lisboa-Luanda-Brasília parece funcionar mal, talvez ajudasse a causa da lusofonia ter na mesma equipa Ronaldo e Neymar, Casemiro e William, Marcelo e Pepe, Gelson e Philippe Coutinho, Danilo e Fernandinho.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 22:45

Chegou ao fim a era Fernando Santos

por Samuel de Paiva Pires, em 30.06.18

Fernando Santos será sempre o homem que nos deu o Euro 2016. Mas um seleccionador que joga de início com Gonçalo Guedes, Ricardo Pereira, João Mário e sem extremos e que insiste repetidamente em deixar no banco Quaresma, André Silva e Gelson e em ter vários jogadores em sub-rendimento nos diversos jogos (Raphael, William, Bernardo Silva), merece esta derrota vergonhosa contra um Uruguai que não jogou nada. Enquanto continuarmos a ter seleccionadores teimosos e que não vêem o óbvio ululante, continuaremos a desperdiçar gerações de futebolistas talentosos.

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publicado às 21:09

Cristiano "Monstruoso" Ronaldo

por Samuel de Paiva Pires, em 16.06.18

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 (fotografia daqui.)

 

No New York Times:

But it is equally true to say that Ronaldo, even in his twilight, shines brighter than almost any player with whom he comes into contact. He has not so much faded as a player as evolved into something different. It is misleading to suggest that he has transformed into a striker, a penalty- area predator, because he is not really restricted by such mortal concepts as geography.

Instead, he has attained a level of such devastating efficiency that he now does not really require something so mundane as the ball. He does not need to be involved. He looks, often, like he is doing nothing, or something quite close to it — as if he is a mere passenger. It is an illusion. He is always in the cockpit.

Isco, his Real Madrid teammate, was the dominant player on the field here, the one who was most involved, who prompted and probed and prodded, and he was wearing a Spain jersey. Ronaldo has moved beyond needing to dictate games. He concerns himself only with defining them.

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publicado às 17:30

Especulação à Costa

por John Wolf, em 21.05.18

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António Costa é o vosso primeiro-ministro. É o CEO de Portugal que deveria ter uma visão de investimento baseada em fundamentals - ou seja, o exacto oposto de especulação. Fica demonstrado, citando Nassim Taleb, que não tem skin in the game na política que apregoa. Ou seja, tem a sua personalidade repartida por ideologia da treta e a ânsia de ganhar uns cobres. A operação de compra e revenda do apartamento, com o intuito de realizar uma mais-valia considerável é inegavelmente a expressão máxima de capitalismo feroz, cego, surdo e mudo perante as agravantes e atenuantes dos intervenientes em questão. António Costa & Tadeu, Lda visaram o lucro, o ganho fácil. Substituíram os azulejos rachados da casa de banho da ex-senhoria, desbastaram as madeiras carunchadas do corredor, passaram Rouboiliac pelas paredes e remataram com um novo valor de mercado, aproveitando a onda tuc-tuc do Turismo para forasteiros que Medina apregoa como fé maior do seu sucesso. Isto é socialismo - a oportunidade flagrante para rasgar por um atalho para ganhar umas massas, doa a quem doer, custe a quem custar. Sórdido, deplorável e miserável que o primeiro-ministro se tenha esquecido do prazo legal para comunicar ao Tribunal Constitucional a promoção imobiliária da Remax. Mas há mais. A escalada monetária e a ambição destes arrivistas pode revelar alguns défices de sofisticação. Continua prática comum apostar no cavalo imobilário. E isso acontece porque os proponentes são genuinamente ignorantes em relação a veículos de investimento que, dada a sua natureza, exigem estudo, saber geracional e considerações espraiadas numa dimensão temporal mais alargada do que a mera especulação momentânea. A noção de património e riqueza é algo cultivado de pais para filhos e de um modo ético. Não me supreende a arte de feirante que António Costa usou para arbabatar o T0 à velha. No entanto, o Pablo Iglésias e senhora já foram mais longe. António Costa e esposa lá chegarão. Mas ainda têm que fazer crescer o seu portefólio.

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publicado às 13:07

Selecção Nacional

por John Wolf, em 18.05.18

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Temos selecção nacional. Para quem ainda não percebeu - faz tudo parte da mesma fantasia: ganhar a qualquer custo. Falamos de instituições maiores (Sporting Clube de Portugal) e fenómenos globais (Cristiano Ronaldo e José Mourinho). Rolamos a bola, mas poderíamos rodar a chave e destrancar a matriz na sua íntegra - a falência ética que se estende de Sócrates a Pinho, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, de Vale e Azevedo e, até ver, a Bruno de Carvalho. A ideia de enriquecimento fácil é quase sempre sinónimo do ilícito. Sabemos que clubes de futebol já fizeram ruir bancadas, mas a queda de um governo seria algo inédito. Quando o assanhado Ferro Rodrigues veste a camisola da Assembleia, não sabemos se está ao avesso - se é mais leão do que camaleão. Assistiremos porventura a um Dreyfoot affair que em última instância terá consequências políticas imprevisíveis. Como se pode admitir o duplo atentado de um Marta Soares? Um pé na bola e outro na Protecção Civil, a título de exemplo. Devemos ficar muito desconfiados, de pé atrás mesmo, quando enviam um estafeta para entregar a missiva de que: o "Governo afasta qualquer tipo de ajuda pública ao Sporting em caso de colapso". Se vêm com esta conversa é porque equacionam precisamente o oposto. E deve haver razões para tal. A cauda do leão deve ser tão comprida que se estende de São Bento a Belém e vice-versa. E o mesmo se pode dizer dos outros, invertebrados ou não, mascotes ou mascarilhas de outros grémios desportivos. A despromoção para ser efectiva deve não esquecer ninguém no banco. Já chega de fintas e fazer de parvo um país inteiro. Vai lá, Marcelo. Vai lá no Domingo.

 

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publicado às 17:14

Arrastão de Alcochete

por John Wolf, em 16.05.18

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José Sócrates detém uma quota-parte da responsabilidade em relação ao sucedido em Alcochete. O facto de andar a fintar a Justiça com artimanhas de toda a espécie, instiga nos demais concidadãos a ideia de impunidade - a noção de que é possível prevaricar, adiar o sistema jurídico à exaustão, e sair em liberdade a tempo de ver a final da Malga de Portugal. Ou seja, os cerca de 50 encapuzados que se fizeram à Academia do Sporting levavam debaixo do braço marretas, mas também teses alicerçadas no argumento "apanha-me, se puderes". Por outro lado, Bruno de Carvalho lembra António Costa, mestre da normalidade pós-flagelo, sem mazelas traumáticas a apresentar. Pedrógão e Alcochete partilham o adjectivo - "foi chato, mas amanhã é um novo dia." Ambas as patologias são afinal a mesma doença decorrente da ausência de verdade e consequência. Assim anda Portugal - há tanto tempo. Se não cuidarem de certas premissas o bico de obra será ainda maior. Costa gosta muito de comissões e autoridades. Venha de lá mais uma para encher o olho.

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publicado às 20:21

 

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Não vejo as manas Mortágua ou a metediça Catarina Martins no protesto dos imigrantes em frente ao Parlamento. No seu lugar o Bloco de Esquerda mandou um piquete protestar a eleição de Israel no Festival Eurovisão da Canção - foi uma investida que não colheu frutos. O Partido Socialista e o Partido Comunista Português não mexeram um dedo para manifestar a sua oposição ao comportamento faccioso e tendencioso dos seus camaradas de governo - ou seja, deram o seu aval demagógico, mas não a cara. Os "palestinianos" que se encontram em frente à Assembleia da República não votam nem elegem governos de recurso, por isso são uma divisa de fraco interesse. Eu sei que hoje é um dia particularmente sensível com a comemoração dos 70 anos do Estado de Israel a coincidir com a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém. Portugal não se associa ao evento, mas terá de decidir se envia uma Dina ou um Salvador da pátria ao certame da Eurovisão que aí se realizará na edição do ano que vem. São escolhas difíceis aquelas que Portugal está obrigado a tomar na ausência de direitos e garantias herdados do passado. O mundo está a mudar. O Médio-Oriente é a ferida aberta onde a dor da revolução de paradigma mais se fará sentir, mas não confundamos as causas com o rancor ideológico de que se alimentam certos actores de baixa estatura.

 

foto: John Wolf

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publicado às 15:23

Trump ganhou a Eurovisão

por John Wolf, em 09.05.18

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A Netta de Israel deve ganhar o certame musical, enquanto Trump achocalha o acordo nuclear respeitante ao Irão. A Alemanha, a França e o Reino Unido, aparentemente fora do baralho da decisão do presidente dos Estados Unidos, acabam por servir o processo com arte e engenho  - o pé ocidental, metido na porta de Teerão, não me parece ser fruto de uma escorregadela, de um desacordo flagrante -, serve o guião do copo meio-cheio ou do copo meio-vazio. O que acaba de suceder, enquanto Pompeo assenta arraial na Coreia do Norte, tem o condão de realinhar a política externa norte-americana. Desde Reagan que poderemos traçar uma continuidade, usando uma expressão académica portuguesa - as constantes e linhas de força da política externa, interrompida pelo duplo mandato de Barack Obama. Ou seja, registamos uma espécie de intervencionismo não intervencionista, que descarta o valor de alianças e tratados, mas que não assume por completo o isolacionismo. A denúncia do "Joint Comprehensive Plan of Action (J.C.P.O.A.)" não significa a ausência de movimento. As sanções económicas do nível red alert, deverão, expectavelmente, provocar ondas em toda a região do Médio Oriente, e em particular agudizar as tensões entre a Arábia Saudita e o Irão que já se encontram em zaragata por procuração, quer na Síria quer no Iémen. Não nos esqueçamos que a Rússia já se encontra sob a égide de sanções dos EUA e a Ucrânia recebe armamento para se defender do agressor. No entanto, ontem houve algumas frases de Trump que foram sacadas da era George W. Bush, quando este apresentou o argumento inatacável da existência, sem margem para dúvidas, de armas de destruição maciça no Iraque, para validar uma operação militar de grande envergadura. Desta vez não me parece que Trump venha a invadir o Irão - os outros que paguem a factura. No entanto, ainda não poderemos definir uma doutrina Trump, mas podemos ensaiar um esboço. Donald Trump joga por antecipação, fruto de uma certa imprevisibilidade, alimentado por uma certa carga emotiva, para depois, analistas e afins, tentarem a todo o custo extrapolar um modelo de racionalidade, parente próximo da estratégia, como se esta existisse na íntegra. Em todo o caso, a excentricidade atípica gera efeitos não estimados e fluxos inesperados. Veremos o que Trump resgata da incursão coreana. Encontramo-nos, sem dúvida, na semi-final do festival Eurovisão da geopolítica. Cada um concorre com a cantiga que lhe convém e no fim porventura teremos mais perdedores do que ganhadores. Como diria Nassim Taleb - Trump doesn´t want to have his skin in the game, mas quer a todo o custo que os outros arrisquem o pescoço.

Photo credits: Metro

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publicado às 13:49

O Futebol e o Estado das Nações.

por Nuno Resende, em 08.05.18

 

No século XIX Antero de Quental propôs três razões para o estado do País de então:

 

A Reforma Católica e a acção dos Jesuítas;

O centralismo do país como resultado da Monarquia Absoluta

Uma economia debilitada pela Expansão Portuguesa.

 

Ora, hoje a Igreja não tem qualquer poder na sociedade portuguesa, não existe Monarquia (muito menos absoluta) e da Expansão Portuguesa resta pouco mais do que dois arquipélagos e a ilhota das Berlengas.

Se Antero voltasse, quais seriam, pois, as suas explicações para a recente quase bancarrota da República, o tempo de austeridade e o subsequente período de euforia?

Talvez o grande intelectual açoriano olhasse para as questões macroeconómicas, para os laços que hoje nos ligam à Europa e não aos territórios ultramarinos que tanta discussão geravam no seu tempo. Talvez questionasse a própria República, a partidocracia e os seus índices de corrupção. Talvez não se revisse no Socialismo tal qual ele é arvorado hoje em dia como garante de um escol de líderes e não como socorro dos mais necessitados.

Mas vendo a perda de influência da Igreja Católica, hoje reduzida a um lugar quase pitoresco, talvez Antero se voltasse para um fenómeno que parece ter ocupado o seu lugar: o Futebol. É curioso e ao mesmo tempo macabro e irónico que o «foot-ball» tenha chegado a Portugal pela mão da nossa «Aliada» Inglaterra, na mesma altura que esta nação «Amiga» nos impôs um Ultimatum (1890) e a cujo acto devemos uma das maiores crises da nossa História. Crise que, aliás, contribuiu para o suicídio de Antero em 1891.

Ora, nunca, como hoje, se impõe voltar a procurar as Causas para a Decadência dos Povos Peninsulares. Portugal e Espanha vivem reféns do futebol: ele determina a ascensão e queda dos políticos e até de nações (veja-se o caso da Catalunha), contribuiu para o adormecimento da opinião pública e do eleitorado e é utilizado como forma de propaganda para exacerbar identidades locais, regionais ou nacionais.

Para que servem os símbolos das nações de hoje que não seja para abrir, assistir ou justificar jogos de futebol?

Todo o ócio e toda a vida desportiva (e cultural) das massas gira em volta desse desporto. E os seus intervenientes tornaram-se semideuses, para os quais se voltam milhares de fãs e adeptos, procurando modelos e conforto para as suas vidas - de resto muito distantes das deles, ricos e poderosos.

Dificilmente em algum tempo algo foi tão consensual como o futebol. Na nossa política caseira, por exemplo, o futebol é algo que une a Esquerda à Direita, o Rico e o Pobre: é tema intocável, indiscutível e inalienável.

Ainda hoje se critica a Igreja Católica, outras igrejas e seitas religiosas e até alguns regimes ditatoriais pela facilidade com que operam mudanças e lavagens nas mentes dos indivíduos, mas desconfio que se o Cristiano Ronaldo ou outro qualquer jogador-ídolo sugerisse aos adeptos que o veneram como modelo heterossexual, de homem rico, bonito e mulherengo para baixarem as calças, poucos seriam os machos lusitanos que resistiriam ao apelo.

E nisto se resume o Estado da Nação.

 

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publicado às 10:41

Portugal? Isn´t that in Spain.

por John Wolf, em 21.04.18

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Há uma boa dúzia de anos visitei Portugalete, Bilbau. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é a preocupante constatação de que os meus compatriotas, que agora vêm em força a Portugal, são apenas turistas. Ou seja, na maior parte dos casos envergonham-me - "Oh, wow! Isn´t that neat?" ou "Are you good?". Enfim, deixem-nos vir à vontade para deixar o pilim, mas não lhes perguntem sobre o Brexit, sobre as eleições na Áustria, sobre a Troika - eles pouco ou nada sabem. E foi essa insularidade existencial que elegeu Trump. Tenho a nacionalidade, mas sou crítico como o raio em relação ao dossiê. Não confundamos certas coisas. A "inteligência" americana existe no topo do topo da Ivy League, nos centros de investigação confortados pelas dotações milionárias de civis que escalaram com labor e suor a pirâmide da sociedade. Os americanos que me confortam são aqueles que não tornam à federação. São aqueles que têm uma epifania repentina (não são todas repentinas?) e decidem que ainda vão a tempo de cultivar vistas largas e abandonam a América com a carga pronta e metida nos contentores. Eu sei, também se pode tecer críticas ao atraso de vida em Portugal. Mas hoje não estou para aí virado. Acho que fiquei mesmo irritado quando ontem me cruzei com um compatriota relativamente vocal que envergava uma sweatshirt com o seguinte estampado: "Detroit Dog Savers". E pronto. Fico-me por aqui. Hoje há bola?

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publicado às 13:09

Portugal e os irmãos Kamov

por John Wolf, em 31.03.18

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Portugal tem alguma experiência no jogo-duplo. Durante a Segunda Grande Guerra sabemos que no tabuleiro geopolítico a nação teve de conviver com o regime Nazi sem descurar a sua apetência Aliada. Com alguns fez o negócio do volfrâmio, e com outros acertou rendas para bases militares. Se Portugal fosse a Áustria entenderia perfeitamente a sua neutralidade para com os russos. Não expulsava quem quer que fosse. Mas Portugal não deve grande coisa à Rússia. Em 1955 foi a União Soviética que ofereceu o país à Áustria, desde que este mantivesse a sua neutralidade quando e se as coisas dessem para o torto - chegou esse momento. Basta visitar Viena para apontar o dedo a uma quantidade assinalável de bancos russos, muitos deles "boutique", feitos à escala de oligarcas. Mas há mais, para aqueles que se deixam encantar por lirismos e distrair por valsas de Mozart - a Áustria não é um estado-membro da NATO ao invês de Portugal que é um dos seus fundadores desde 1949. Por outro lado, não vejo grandes negócios em curso com os russos - esqueçam os Kamov. O problema essencial é outro. Jerónimo de Sousa e Catarina Martins são pacifistas. Não acreditam na exclusão. Mas por outro lado odeiam a NATO. Sim, andam confusos. O ministério dos negócios estrangeiros parece estar agarrado, encostado à parede - assemelha-se a uma menina medrosa. Quando esgotarem os embaixadores para a troca, é bem provável que Portugal fique com uma mão cheia de nada. Na vida, tal como nos negócios estrangeiros, devemos assumir posições, dar a cara e respeitar os princípios orientadores de democracias e alianças. Portugal não faz nem uma coisa nem outra. Terá sido envenenado? Ou será que basta uma repreensão escrita e siga para bingo?

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publicado às 08:53

Pastelaria Nadal compra a Suiça em Lisboa

por John Wolf, em 11.03.18

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Rafael Nadal bateu Roger Federer na sua própria casa e acaba de comprar o quarteirão que integra a Pastelaria Suiça em Lisboa. Bolas de Berlim, Bolas de Nadal...Lisboa e Portugal continuam o seu processo de descaracterização e assalto de dinheiros alheios. Faltam parafusos, mas em breve teremos as Bolas de Ténis ou téni...conforme os gostos.

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publicado às 18:08

Pensamento independente sobre a Autoeuropa

por John Wolf, em 24.01.18

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publicado às 13:18

O efeito Sobral foi-se...

por John Wolf, em 09.01.18

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O efeito Salvador Sobral foi-se. Não havia uma camada de gente, a atirar para a sociologia esperta, que afirmava que o estereótipo do Festival Eurovisão da Canção havia sido derreado pelo maneirismo original e musical da canção vencedora "Amar pelos Dois"? Pois. Parece que essa revolução não serviu de grande lição. Salvador Sobral bem tentou, mas a Rádio Televisão Portuguesa já fechou o casting das apresentadoras do certame. Em vez de enveredarem pelo desvio atípico, quiçá com laivos de bizarria e aberração, contrataram em peso as Doce - Catarina Furtada a não sei quem, Filomena Cautela com isso, Sílvia All Berto e Daniela Ruah! Fora daqui. Em vez de aproveitarem o esforço de Sobral para quebrar tradições e conformismos, quedam-se por um quarteto com pretensões de statement político (são só gajas!), a roçar a saia do feminismo "sai o tiro pela culatra". Imaginava facilmente um Manuel Marques, um ou dois Marcelos ou mesmo o emplastro para se juntar à festa e destoar da convenção deste quarteto. Mas há mais. Enquanto a Daniela Ruah rodopia em inglês, as restantes três terão de fazer um esforço para evitar calinadas em inglês técnico. E para além do mais, quatro mulheres juntas já é um festival.

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publicado às 18:54






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