Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O futebol em abraço armilar

por Samuel de Paiva Pires, em 15.07.18

xanana gusmão euro2106.jpg

 (fotografia daqui.)

 

Parece que muita gente terá descoberto, com um espanto inusitado, após a final do Mundial de futebol, que em tempos a França foi um império colonial. Ora, boa parte do país da “liberdade, igualdade e fraternidade” cultiva a concepção subjectiva de nação, que tem raízes em Ernest Renan, para quem a nação não assentava em critérios como a raça, o território, a língua ou a religião, sendo, na realidade, “uma alma, um princípio espiritual,” no qual os indivíduos concretizam “o desejo de viver em conjunto, a vontade de continuar a fazer valer a herança que se recebeu indivisa.” Mas um certo nacionalismo assente na concepção objectiva, tributária de diversos autores franceses, alemães e britânicos e com especial relevo na cultura germânica, ignorando que a história humana difere da zoologia, parece assistir a uns quantos que se esquecem do que foi e do que ainda hoje é Portugal, cuja Selecção nacional de futebol tem jogadores originários de vários países da CPLP. Por mim, subscrevendo aquele Fernando Pessoa para quem a pátria era a língua portuguesa, preferia cumprir o abraço armilar no futebol e ter num Mundial uma equipa da lusofonia. Já que noutros domínios o triângulo estratégico Lisboa-Luanda-Brasília parece funcionar mal, talvez ajudasse a causa da lusofonia ter na mesma equipa Ronaldo e Neymar, Casemiro e William, Marcelo e Pepe, Gelson e Philippe Coutinho, Danilo e Fernandinho.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:45

Chegou ao fim a era Fernando Santos

por Samuel de Paiva Pires, em 30.06.18

Fernando Santos será sempre o homem que nos deu o Euro 2016. Mas um seleccionador que joga de início com Gonçalo Guedes, Ricardo Pereira, João Mário e sem extremos e que insiste repetidamente em deixar no banco Quaresma, André Silva e Gelson e em ter vários jogadores em sub-rendimento nos diversos jogos (Raphael, William, Bernardo Silva), merece esta derrota vergonhosa contra um Uruguai que não jogou nada. Enquanto continuarmos a ter seleccionadores teimosos e que não vêem o óbvio ululante, continuaremos a desperdiçar gerações de futebolistas talentosos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:09

Cristiano "Monstruoso" Ronaldo

por Samuel de Paiva Pires, em 16.06.18

CR7.jpg

 (fotografia daqui.)

 

No New York Times:

But it is equally true to say that Ronaldo, even in his twilight, shines brighter than almost any player with whom he comes into contact. He has not so much faded as a player as evolved into something different. It is misleading to suggest that he has transformed into a striker, a penalty- area predator, because he is not really restricted by such mortal concepts as geography.

Instead, he has attained a level of such devastating efficiency that he now does not really require something so mundane as the ball. He does not need to be involved. He looks, often, like he is doing nothing, or something quite close to it — as if he is a mere passenger. It is an illusion. He is always in the cockpit.

Isco, his Real Madrid teammate, was the dominant player on the field here, the one who was most involved, who prompted and probed and prodded, and he was wearing a Spain jersey. Ronaldo has moved beyond needing to dictate games. He concerns himself only with defining them.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:30

Especulação à Costa

por John Wolf, em 21.05.18

speculation.jpg

 

António Costa é o vosso primeiro-ministro. É o CEO de Portugal que deveria ter uma visão de investimento baseada em fundamentals - ou seja, o exacto oposto de especulação. Fica demonstrado, citando Nassim Taleb, que não tem skin in the game na política que apregoa. Ou seja, tem a sua personalidade repartida por ideologia da treta e a ânsia de ganhar uns cobres. A operação de compra e revenda do apartamento, com o intuito de realizar uma mais-valia considerável é inegavelmente a expressão máxima de capitalismo feroz, cego, surdo e mudo perante as agravantes e atenuantes dos intervenientes em questão. António Costa & Tadeu, Lda visaram o lucro, o ganho fácil. Substituíram os azulejos rachados da casa de banho da ex-senhoria, desbastaram as madeiras carunchadas do corredor, passaram Rouboiliac pelas paredes e remataram com um novo valor de mercado, aproveitando a onda tuc-tuc do Turismo para forasteiros que Medina apregoa como fé maior do seu sucesso. Isto é socialismo - a oportunidade flagrante para rasgar por um atalho para ganhar umas massas, doa a quem doer, custe a quem custar. Sórdido, deplorável e miserável que o primeiro-ministro se tenha esquecido do prazo legal para comunicar ao Tribunal Constitucional a promoção imobiliária da Remax. Mas há mais. A escalada monetária e a ambição destes arrivistas pode revelar alguns défices de sofisticação. Continua prática comum apostar no cavalo imobilário. E isso acontece porque os proponentes são genuinamente ignorantes em relação a veículos de investimento que, dada a sua natureza, exigem estudo, saber geracional e considerações espraiadas numa dimensão temporal mais alargada do que a mera especulação momentânea. A noção de património e riqueza é algo cultivado de pais para filhos e de um modo ético. Não me supreende a arte de feirante que António Costa usou para arbabatar o T0 à velha. No entanto, o Pablo Iglésias e senhora já foram mais longe. António Costa e esposa lá chegarão. Mas ainda têm que fazer crescer o seu portefólio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:07

Selecção Nacional

por John Wolf, em 18.05.18

adesivo_redondo_bola_de_vidro_da_bandeira_de_portu

 

Temos selecção nacional. Para quem ainda não percebeu - faz tudo parte da mesma fantasia: ganhar a qualquer custo. Falamos de instituições maiores (Sporting Clube de Portugal) e fenómenos globais (Cristiano Ronaldo e José Mourinho). Rolamos a bola, mas poderíamos rodar a chave e destrancar a matriz na sua íntegra - a falência ética que se estende de Sócrates a Pinho, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, de Vale e Azevedo e, até ver, a Bruno de Carvalho. A ideia de enriquecimento fácil é quase sempre sinónimo do ilícito. Sabemos que clubes de futebol já fizeram ruir bancadas, mas a queda de um governo seria algo inédito. Quando o assanhado Ferro Rodrigues veste a camisola da Assembleia, não sabemos se está ao avesso - se é mais leão do que camaleão. Assistiremos porventura a um Dreyfoot affair que em última instância terá consequências políticas imprevisíveis. Como se pode admitir o duplo atentado de um Marta Soares? Um pé na bola e outro na Protecção Civil, a título de exemplo. Devemos ficar muito desconfiados, de pé atrás mesmo, quando enviam um estafeta para entregar a missiva de que: o "Governo afasta qualquer tipo de ajuda pública ao Sporting em caso de colapso". Se vêm com esta conversa é porque equacionam precisamente o oposto. E deve haver razões para tal. A cauda do leão deve ser tão comprida que se estende de São Bento a Belém e vice-versa. E o mesmo se pode dizer dos outros, invertebrados ou não, mascotes ou mascarilhas de outros grémios desportivos. A despromoção para ser efectiva deve não esquecer ninguém no banco. Já chega de fintas e fazer de parvo um país inteiro. Vai lá, Marcelo. Vai lá no Domingo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:14

Arrastão de Alcochete

por John Wolf, em 16.05.18

Breakaway_Balsa_Baseball_Bat_grande.jpg

 

José Sócrates detém uma quota-parte da responsabilidade em relação ao sucedido em Alcochete. O facto de andar a fintar a Justiça com artimanhas de toda a espécie, instiga nos demais concidadãos a ideia de impunidade - a noção de que é possível prevaricar, adiar o sistema jurídico à exaustão, e sair em liberdade a tempo de ver a final da Malga de Portugal. Ou seja, os cerca de 50 encapuzados que se fizeram à Academia do Sporting levavam debaixo do braço marretas, mas também teses alicerçadas no argumento "apanha-me, se puderes". Por outro lado, Bruno de Carvalho lembra António Costa, mestre da normalidade pós-flagelo, sem mazelas traumáticas a apresentar. Pedrógão e Alcochete partilham o adjectivo - "foi chato, mas amanhã é um novo dia." Ambas as patologias são afinal a mesma doença decorrente da ausência de verdade e consequência. Assim anda Portugal - há tanto tempo. Se não cuidarem de certas premissas o bico de obra será ainda maior. Costa gosta muito de comissões e autoridades. Venha de lá mais uma para encher o olho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:21

 

BP4I8974.jpg

 

 

Não vejo as manas Mortágua ou a metediça Catarina Martins no protesto dos imigrantes em frente ao Parlamento. No seu lugar o Bloco de Esquerda mandou um piquete protestar a eleição de Israel no Festival Eurovisão da Canção - foi uma investida que não colheu frutos. O Partido Socialista e o Partido Comunista Português não mexeram um dedo para manifestar a sua oposição ao comportamento faccioso e tendencioso dos seus camaradas de governo - ou seja, deram o seu aval demagógico, mas não a cara. Os "palestinianos" que se encontram em frente à Assembleia da República não votam nem elegem governos de recurso, por isso são uma divisa de fraco interesse. Eu sei que hoje é um dia particularmente sensível com a comemoração dos 70 anos do Estado de Israel a coincidir com a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém. Portugal não se associa ao evento, mas terá de decidir se envia uma Dina ou um Salvador da pátria ao certame da Eurovisão que aí se realizará na edição do ano que vem. São escolhas difíceis aquelas que Portugal está obrigado a tomar na ausência de direitos e garantias herdados do passado. O mundo está a mudar. O Médio-Oriente é a ferida aberta onde a dor da revolução de paradigma mais se fará sentir, mas não confundamos as causas com o rancor ideológico de que se alimentam certos actores de baixa estatura.

 

foto: John Wolf

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:23

Trump ganhou a Eurovisão

por John Wolf, em 09.05.18

netta-eurovision.jpg

 

A Netta de Israel deve ganhar o certame musical, enquanto Trump achocalha o acordo nuclear respeitante ao Irão. A Alemanha, a França e o Reino Unido, aparentemente fora do baralho da decisão do presidente dos Estados Unidos, acabam por servir o processo com arte e engenho  - o pé ocidental, metido na porta de Teerão, não me parece ser fruto de uma escorregadela, de um desacordo flagrante -, serve o guião do copo meio-cheio ou do copo meio-vazio. O que acaba de suceder, enquanto Pompeo assenta arraial na Coreia do Norte, tem o condão de realinhar a política externa norte-americana. Desde Reagan que poderemos traçar uma continuidade, usando uma expressão académica portuguesa - as constantes e linhas de força da política externa, interrompida pelo duplo mandato de Barack Obama. Ou seja, registamos uma espécie de intervencionismo não intervencionista, que descarta o valor de alianças e tratados, mas que não assume por completo o isolacionismo. A denúncia do "Joint Comprehensive Plan of Action (J.C.P.O.A.)" não significa a ausência de movimento. As sanções económicas do nível red alert, deverão, expectavelmente, provocar ondas em toda a região do Médio Oriente, e em particular agudizar as tensões entre a Arábia Saudita e o Irão que já se encontram em zaragata por procuração, quer na Síria quer no Iémen. Não nos esqueçamos que a Rússia já se encontra sob a égide de sanções dos EUA e a Ucrânia recebe armamento para se defender do agressor. No entanto, ontem houve algumas frases de Trump que foram sacadas da era George W. Bush, quando este apresentou o argumento inatacável da existência, sem margem para dúvidas, de armas de destruição maciça no Iraque, para validar uma operação militar de grande envergadura. Desta vez não me parece que Trump venha a invadir o Irão - os outros que paguem a factura. No entanto, ainda não poderemos definir uma doutrina Trump, mas podemos ensaiar um esboço. Donald Trump joga por antecipação, fruto de uma certa imprevisibilidade, alimentado por uma certa carga emotiva, para depois, analistas e afins, tentarem a todo o custo extrapolar um modelo de racionalidade, parente próximo da estratégia, como se esta existisse na íntegra. Em todo o caso, a excentricidade atípica gera efeitos não estimados e fluxos inesperados. Veremos o que Trump resgata da incursão coreana. Encontramo-nos, sem dúvida, na semi-final do festival Eurovisão da geopolítica. Cada um concorre com a cantiga que lhe convém e no fim porventura teremos mais perdedores do que ganhadores. Como diria Nassim Taleb - Trump doesn´t want to have his skin in the game, mas quer a todo o custo que os outros arrisquem o pescoço.

Photo credits: Metro

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:49

O Futebol e o Estado das Nações.

por Nuno Resende, em 08.05.18

 

No século XIX Antero de Quental propôs três razões para o estado do País de então:

 

A Reforma Católica e a acção dos Jesuítas;

O centralismo do país como resultado da Monarquia Absoluta

Uma economia debilitada pela Expansão Portuguesa.

 

Ora, hoje a Igreja não tem qualquer poder na sociedade portuguesa, não existe Monarquia (muito menos absoluta) e da Expansão Portuguesa resta pouco mais do que dois arquipélagos e a ilhota das Berlengas.

Se Antero voltasse, quais seriam, pois, as suas explicações para a recente quase bancarrota da República, o tempo de austeridade e o subsequente período de euforia?

Talvez o grande intelectual açoriano olhasse para as questões macroeconómicas, para os laços que hoje nos ligam à Europa e não aos territórios ultramarinos que tanta discussão geravam no seu tempo. Talvez questionasse a própria República, a partidocracia e os seus índices de corrupção. Talvez não se revisse no Socialismo tal qual ele é arvorado hoje em dia como garante de um escol de líderes e não como socorro dos mais necessitados.

Mas vendo a perda de influência da Igreja Católica, hoje reduzida a um lugar quase pitoresco, talvez Antero se voltasse para um fenómeno que parece ter ocupado o seu lugar: o Futebol. É curioso e ao mesmo tempo macabro e irónico que o «foot-ball» tenha chegado a Portugal pela mão da nossa «Aliada» Inglaterra, na mesma altura que esta nação «Amiga» nos impôs um Ultimatum (1890) e a cujo acto devemos uma das maiores crises da nossa História. Crise que, aliás, contribuiu para o suicídio de Antero em 1891.

Ora, nunca, como hoje, se impõe voltar a procurar as Causas para a Decadência dos Povos Peninsulares. Portugal e Espanha vivem reféns do futebol: ele determina a ascensão e queda dos políticos e até de nações (veja-se o caso da Catalunha), contribuiu para o adormecimento da opinião pública e do eleitorado e é utilizado como forma de propaganda para exacerbar identidades locais, regionais ou nacionais.

Para que servem os símbolos das nações de hoje que não seja para abrir, assistir ou justificar jogos de futebol?

Todo o ócio e toda a vida desportiva (e cultural) das massas gira em volta desse desporto. E os seus intervenientes tornaram-se semideuses, para os quais se voltam milhares de fãs e adeptos, procurando modelos e conforto para as suas vidas - de resto muito distantes das deles, ricos e poderosos.

Dificilmente em algum tempo algo foi tão consensual como o futebol. Na nossa política caseira, por exemplo, o futebol é algo que une a Esquerda à Direita, o Rico e o Pobre: é tema intocável, indiscutível e inalienável.

Ainda hoje se critica a Igreja Católica, outras igrejas e seitas religiosas e até alguns regimes ditatoriais pela facilidade com que operam mudanças e lavagens nas mentes dos indivíduos, mas desconfio que se o Cristiano Ronaldo ou outro qualquer jogador-ídolo sugerisse aos adeptos que o veneram como modelo heterossexual, de homem rico, bonito e mulherengo para baixarem as calças, poucos seriam os machos lusitanos que resistiriam ao apelo.

E nisto se resume o Estado da Nação.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:41

Portugal? Isn´t that in Spain.

por John Wolf, em 21.04.18

hqdefault.jpg

 

Há uma boa dúzia de anos visitei Portugalete, Bilbau. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é a preocupante constatação de que os meus compatriotas, que agora vêm em força a Portugal, são apenas turistas. Ou seja, na maior parte dos casos envergonham-me - "Oh, wow! Isn´t that neat?" ou "Are you good?". Enfim, deixem-nos vir à vontade para deixar o pilim, mas não lhes perguntem sobre o Brexit, sobre as eleições na Áustria, sobre a Troika - eles pouco ou nada sabem. E foi essa insularidade existencial que elegeu Trump. Tenho a nacionalidade, mas sou crítico como o raio em relação ao dossiê. Não confundamos certas coisas. A "inteligência" americana existe no topo do topo da Ivy League, nos centros de investigação confortados pelas dotações milionárias de civis que escalaram com labor e suor a pirâmide da sociedade. Os americanos que me confortam são aqueles que não tornam à federação. São aqueles que têm uma epifania repentina (não são todas repentinas?) e decidem que ainda vão a tempo de cultivar vistas largas e abandonam a América com a carga pronta e metida nos contentores. Eu sei, também se pode tecer críticas ao atraso de vida em Portugal. Mas hoje não estou para aí virado. Acho que fiquei mesmo irritado quando ontem me cruzei com um compatriota relativamente vocal que envergava uma sweatshirt com o seguinte estampado: "Detroit Dog Savers". E pronto. Fico-me por aqui. Hoje há bola?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:09

Portugal e os irmãos Kamov

por John Wolf, em 31.03.18

Kamov_Ka-27.jpg

 

Portugal tem alguma experiência no jogo-duplo. Durante a Segunda Grande Guerra sabemos que no tabuleiro geopolítico a nação teve de conviver com o regime Nazi sem descurar a sua apetência Aliada. Com alguns fez o negócio do volfrâmio, e com outros acertou rendas para bases militares. Se Portugal fosse a Áustria entenderia perfeitamente a sua neutralidade para com os russos. Não expulsava quem quer que fosse. Mas Portugal não deve grande coisa à Rússia. Em 1955 foi a União Soviética que ofereceu o país à Áustria, desde que este mantivesse a sua neutralidade quando e se as coisas dessem para o torto - chegou esse momento. Basta visitar Viena para apontar o dedo a uma quantidade assinalável de bancos russos, muitos deles "boutique", feitos à escala de oligarcas. Mas há mais, para aqueles que se deixam encantar por lirismos e distrair por valsas de Mozart - a Áustria não é um estado-membro da NATO ao invês de Portugal que é um dos seus fundadores desde 1949. Por outro lado, não vejo grandes negócios em curso com os russos - esqueçam os Kamov. O problema essencial é outro. Jerónimo de Sousa e Catarina Martins são pacifistas. Não acreditam na exclusão. Mas por outro lado odeiam a NATO. Sim, andam confusos. O ministério dos negócios estrangeiros parece estar agarrado, encostado à parede - assemelha-se a uma menina medrosa. Quando esgotarem os embaixadores para a troca, é bem provável que Portugal fique com uma mão cheia de nada. Na vida, tal como nos negócios estrangeiros, devemos assumir posições, dar a cara e respeitar os princípios orientadores de democracias e alianças. Portugal não faz nem uma coisa nem outra. Terá sido envenenado? Ou será que basta uma repreensão escrita e siga para bingo?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:53

Pastelaria Nadal compra a Suiça em Lisboa

por John Wolf, em 11.03.18

169854724_10.jpg

 

Rafael Nadal bateu Roger Federer na sua própria casa e acaba de comprar o quarteirão que integra a Pastelaria Suiça em Lisboa. Bolas de Berlim, Bolas de Nadal...Lisboa e Portugal continuam o seu processo de descaracterização e assalto de dinheiros alheios. Faltam parafusos, mas em breve teremos as Bolas de Ténis ou téni...conforme os gostos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:08

Pensamento independente sobre a Autoeuropa

por John Wolf, em 24.01.18

photo.JPG

 veja aqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:18

O efeito Sobral foi-se...

por John Wolf, em 09.01.18

kaJxIrp9.jpg

 

O efeito Salvador Sobral foi-se. Não havia uma camada de gente, a atirar para a sociologia esperta, que afirmava que o estereótipo do Festival Eurovisão da Canção havia sido derreado pelo maneirismo original e musical da canção vencedora "Amar pelos Dois"? Pois. Parece que essa revolução não serviu de grande lição. Salvador Sobral bem tentou, mas a Rádio Televisão Portuguesa já fechou o casting das apresentadoras do certame. Em vez de enveredarem pelo desvio atípico, quiçá com laivos de bizarria e aberração, contrataram em peso as Doce - Catarina Furtada a não sei quem, Filomena Cautela com isso, Sílvia All Berto e Daniela Ruah! Fora daqui. Em vez de aproveitarem o esforço de Sobral para quebrar tradições e conformismos, quedam-se por um quarteto com pretensões de statement político (são só gajas!), a roçar a saia do feminismo "sai o tiro pela culatra". Imaginava facilmente um Manuel Marques, um ou dois Marcelos ou mesmo o emplastro para se juntar à festa e destoar da convenção deste quarteto. Mas há mais. Enquanto a Daniela Ruah rodopia em inglês, as restantes três terão de fazer um esforço para evitar calinadas em inglês técnico. E para além do mais, quatro mulheres juntas já é um festival.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:54

Estão de consciência tranquila

por John Wolf, em 04.01.18

consciencia-cria-realidade-7.jpg

 

"Estou de consciência tranquila" - José Sócrates

"Estou de consciência tranquila" - Ricardo Salgado

"Estou de consciência tranquila" - Armando Vara

"Estou de consciência tranquila" - Isaltino Morais

"Estou de consciência tranquila" - Constança Urbano de Sousa

"Estou de consciência tranquila" - António Costa

"Estou de consciência tranquila" - Paulo Cafôfo

"Estou de consciência tranquila" - Paula Brito da Costa (Raríssimas)

"Estou de consciência tranquila" - Vieira da Silva

"Estou de consciência tranquila" - Emanuel Martins (O Século)

"Estou de consciência tranquila" - João Ferreirinho (O Século)

"Estou de consciência tranquila" - (por favor, preencher......)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:35

Os mexicanos de Portugal nos EUA

por John Wolf, em 04.01.18

100D010HM.png

 

Não é raro ligarmos a televisão, ou acedermos a uma app de um meio de comunicação social nacional, e deparar-mo-nos com uma notícia sobre estrangeiros ilegais agarrados no pico da noite (numa casa de alterne) ou num mero controlo rodoviário, para serem emitidas guias de marcha por permanência disconforme no território. Essa ocorrência é frequente. O ministro dos negócios estrangeiros Santos Silva afirma, em defesa dos mais de 4000 compatriotas que constam dos serviços de imigração dos Estados Unidos da América, que os mesmos transpuseram os 90 dias de estadia autorizada, por descuido (não confundir com gases) ou, passo a citar, o típico "deixa andar" luso. Relembro o seguinte facto, irrisório, mas perfeitamente ilustrativo - na qualidade de extra-comunitário (portanto cidadão de um país não-membro da União Europeia) sou obrigado a renovar a minha autorização de residência junto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras a cada cinco anos, mesmo tendo o estatuto de "permanente" no território. Após 30 anos em Portugal assumo esse protocolo absurdo, mas entendo a perspectiva dos serviços - pago uma taxa pela renovação -, e isso ajuda os cofres falidos do Estado. No entanto, não me quedo por este queixume. Os golden visa, atribuídos a arrivistas, com meios financeiros para investir 500 mil euros em Portugal, discriminam flagrantemente quem há muito chegou ao país. Em abono da verdade e justiça contributiva, teria argumentos sólidos para reclamar tratamento paritário em função da longevidade da minha residência. Calculemos então o meu contributo para a economia nacional ao longo de 30 anos e confirmemos se excedo ou não a fasquia-prémio dos 500 mil euros - ou seja, uma leitura retroactiva financeira e contributiva seria válida. Retomando o fio condutor deste artigo: não me parece que se possa meter no saco da viola do nacionalista make america great again Trump este tratamento de nacionais. Os 4000 portugueses apanhados na paisagem americana devem acatar as regras locais. Se de facto o objectivo era a sua mexicanização no mercado laboral americano, então devem acarretar com as consequências desse ilícito. O ministro dos negócios estrangeiros não pode invocar a distracção ou amnésia de quatro mil portugueses. Eu sei que a ficha negocial do casino das Lajes ainda tem algum valor de mercado, mas os Estados Unidos da América são o cúmulo do resto do mundo. Nós americanos somos eternos emigrantes, chegados há mais ou há menos gerações. Em suma, Portugal e os Estados Unidos da América são parecidos em tanta coisa. Se eu fosse ministro dos negócios americanos, procuraria, em definitivo, um acordo bilateral para facilitar estas ninharias burocráticas. Afinal sinto-me parte da realidade lusa - bato-me por Portugal, sinto as suas mágoas e regozijo-me com as suas alegrias. Mas Santos Silva não pode deixar este tema ao sombrero da bananeira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:11

A grande oportunidade de Marcelo

por John Wolf, em 27.12.17

VETO-stamp.jpg

 

Marcelo Rebelo de Sousa, mais do que o Presidente da República com quem temos convivido, tem a oportunidade de ser efectivamente o Presidente de todos os portugueses. Se vetar a Lei do Financiamento de Partidos, e abrir a necessidade de um debate profundo sobre as implicações da mesma, estará a servir a República. Não estará a servir o sistema político nem a matriz partidária do país. Colocar-se-á ao lado de um princípio que deve imperar em Democracias - o princípio da igualdade de tratamento. Iria mais longe até nas consequências a extrair do grande tema do financiamento dos partidos políticos. Não pensar apenas na dimensão do haver - pensar obrigatoriamente na lógica do dever - do dever moral, ético, mas acima de tudo fiscal. Instituiria uma taxa partidária a que estariam obrigadas todas as filiações no sentido de financiar a ideia genérica de participação activa política de cidadãos independentes que em nome da cidadania e da sociedade civil procuram servir o país. Não vejo por que razão o tratamento positivo e discriminatório há-de ser a norma. Marcelo Rebelo de Sousa poderia equilibrar os pratos da balança do seu porte presidencial. O veto elevaria a consideração de tantos portugueses em relação à missão presidencial. Marcelo apenas tem dado a conhecer o mel dos abraços e da solidariedade. Agora falta-nos provar o fel do incómodo que causaria a toda uma classe política versada no parasitarismo, na promiscuidade e no esbanjamento de dinheiros públicos. Simples, Marcelo. É rasurar a proposta de Lei e devolvê-la ao remetente para nova redacção contemplando uma genuína revolução do financiamento partidário. Esta é a grande oportunidade de Marcelo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:05

Bobone da corte

por John Wolf, em 20.12.17

naom_5614d29286cc0-1.jpg

 

A Corte portuguesa está repleta de saltimbancos, mas esta Bobone é um caso especial. São aspirantes deste calibre que estão na base filosófica e existencial de outros intérpretes - como aquela da Raríssimas. No entanto, fico contente que a recensão da sua obra Domesticália tenha sido colocada na estante da "crítica de livros", essa mesma prateleira onde os deuses da literatura local se passeiam entre laivos de pretensiosismo intelectual e amizades convenientes. Fica feito o aviso preventivo: não li a obra - estou a julgar à má-fila, baseando-me na laca e no rimel das tiradas infelizes. Li Norbert Elias, esse sim. Mas não fiquei totalmente esclarecido sobre a condição humana no seu Processo Civilizacional. Irei mais longe, descaradamente - sinto revolta interior quando confrontado com a afirmação de estatuto social seja de quem for. Como todos nós, a Bobone é humilde. Mas ela não o sabe. Não passa de um pigmento no firmamento do dispensável. Não desviou dinheiro de associações de doenças raras, mas teria sido melhor que o tivesse feito. Deste modo, apenas a podemos acusar de falta de nível, de classe. Em todas as Cortes sempre houve bôbos, uns melhores outros piores. Eu diria que ela é excepcional. Agora, se fizer favor, pode levantar a mesa. Vá passear junto ao rio para espairecer, arejar a cabeça. Não volte muito tarde.

 

crédito fotográfico: Milenar

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:32

Portugal apurado para o grupo de Itália

por John Wolf, em 16.12.17

football-1.jpg

 

Vivemos tempos de excepção, de extrema raridade - raríssimos. Portugal acaba de ser apurado pela Fitch para o grupo de Itália. António Costa, que há não muito tempo rogava pragas às agências de notação, tece agora os maiores elogios à Fitch. Este jogo de patentes por conveniência acarreta algumas considerações penosas. Se Portugal agora se encontra ao nível da economia e finanças da Itália, devemos ficar preocupados, mas há algo ainda mais dramático - o nível de Dívida Pública. Se de facto Portugal está ao nível da Itália, então ocupa agora o 5º posto dos países mais endividados do mundo. Enquanto os sistemas financeiros dos EUA e outras nações pioneiras procuram integrar no seu mainstream as divisas digitais, Portugal não consegue passar da fase das artimanhas orçamentais para dissimular o real estado da economia. O Turismo tem sido o Bitcoin de Portugal, mas nem chega a tanto - não representa uma mudança de paradigma. Continua a ser o sector tradicional do mais do mesmo, correndo graves riscos associados a bolhas. Por outras palavras, a revolução tecnológica, que antecede o boom económico, ainda não aconteceu. Portugal continua a virar frangos e a natureza estrutural da economia não se alterou significativamente. As agências de notação não passam disso, dessa ficção contabilística. E têm uma tabela de preços a respeitar. Não são exactamente fake, mas têm de viver de alguma coisa. Servem-se de indicadores económicos todos catitas que omitem a economia paralela, as fraudes, a evasão fiscal e as demais maleitas que afligem países. A divisa Fitch é tão virtual quanto outra qualquer. Fixecoin - aposto que seria um sucesso em Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:03

A propósito do caso Raríssimas

por Samuel de Paiva Pires, em 14.12.17

Não deixa de ser curioso observar que, para muitos, o problema não se coloca apenas nos planos ético, legal ou político, mas sim, e sobretudo, no que diz respeito às origens sociais da fundadora e presidente da associação. Parece que o nepotismo e a corrupção, desde que praticados pelas pessoas certas, ou seja, de determinadas origens sociais e/ou familiares, são desculpáveis ou, pelo menos, a sua crítica não vem acompanhada de qualquer juízo acerca das origens sociais dos seus praticantes. Já uma "suburbana de Loures que começou a vida a vender jornais num quiosque" e que ainda teve o desplante de colocar um "e" entre os seus apelidos de forma a tornar o seu nome mais sonante (o que só mostra que percebeu bem a sociedade em que vivemos), não poderia nunca apropriar-se de fundos públicos de forma indevida sem ser, logo que descoberta, escorraçada como se tivesse peste bubónica. 

 

Isto, aliás, constitui quase uma lei que qualquer português de origens humildes ou de classe média que ascenda socialmente deve ter em mente: os que nascem no seio de uma família sem poder político ou económico ou privilégios sociais ligados a uma determinada classe têm de ser moralmente impolutos, sob pena de caírem em desgraça se se descobrir que incorreram numa prática eticamente duvidosa e/ou ilegal. 

 

Não quero com isto defender seja quem for, justificar seja o que for. Limito-me a observar uma característica transversal a muitos portugueses. Provavelmente, alguns, noutros tempos, fariam sempre questão de salientar que Cavaco Silva era "o filho do gasolineiro de Boliqueime." Outros, talvez ainda não se tenham refeito do choque com a desgraça em que caiu Ricardo Salgado, certamente uma vítima de circunstâncias excepcionais e nunca um ladrão sem escrúpulos que destruiu a vida a milhares de pessoas, a quem, ainda por cima, um Primeiro-Ministo sem pergaminhos de classe e que vivia e vive em Massamá ousou recusar ajuda. Não será, aliás, por acaso, que certas pessoas não só nunca se esquecem de sublinhar que Passos Coelho vive em Massamá - porque nas suas mentes parolas, quem tem um papel social de relevo e não vive na Lapa, Campo de Ourique, Estrela, Roma, Cascais ou Foz deveria ser um pária -, como criticam o ex-Primeiro-Ministro do PSD pelo caso Tecnoforma enquanto simultaneamente continuam a defender José Sócrates - embora isto também seja reflexo da clubite aguda aplicada à política. 

 

Ainda que, parafraseando Orwell, reconheça que alguns são mais iguais que outros - e isto é assim em Portugal como em qualquer outra sociedade, por mais igualitária que seja -, nem por isso a manifestação especificamente portuguesa deste traço de neo-feudalismo deixa de me parecer particularmente lamentável.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:32






Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas