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A perita em "real estate"

por Nuno Castelo-Branco, em 09.12.12

Ao contrário do João Gonçalves, já há muito me desiludi com a sra. Clinton, essa platinada cabeça a abarrotar de vaidades sem tino. Inicialmente, a sua nomeação parecia ser um sinal de regresso à política da administração protagonizada pelo seu marido, pois apesar de tudo o que se possa dizer em relação aos erros de cálculo, abusos, inconsciência e perfeito desconhecimento que os americanos parecem nutrir pelo resto do mundo, Bill Clinton foi moderadamente interventivo, concitando a simpatia resignada do planeta.

 

Hillary é de outra safra. Estridente a roçar por vezes a histeria, parlapatona, indiscreta, malabarista da mentira descarada e sempre pronta para tiradas de uma espantosa vacuidade - nisso são exímios os nossos aliados, desde os New Deal, a Grande Sociedade e outros chavões próprios para um filme com horizontes infinitos ao estilo de Tom Cruise -, tem contra si, fora de portas, a opinião generalizada de tratar-se de uma fanática serviçal do lobby israelita, precisamente num momento em que o mundo é muito diferente daquele que viveu as décadas de 50, 60 e 70. Contra os próprios interesses da sobrevivência de Israel, a política dos EUA no Médio Oriente consiste por mania, falta de coragem e cedência à chantagem interna e externa, num assunto irresolúvel para qualquer administração. Os acontecimentos dos dois últimos anos confirmam a espiral de violência e dos perigos que aguardam a zona geográfica mais próxima: a Europa.

 

A tolerância para com todas as investidas subversivas e a falta de firmeza para com os aliados do Golfo, permite o alastrar dos grupos radicais islamitas que infestam todo o Magrebe e se preparam para tomar o poder na até agora laica Síria. Hillary foi um desastre e dela ficará aquela grotesca imagem de regozijo, aquando do vil assassinato em directo do tirano de Trípolis. Para cúmulo, durante a sua passagem pelo Departamento de Estado, a Turquia tornou-se na obsessão americana pelo infrutífero encontrar de um "islamismo moderado", sacrificando-se totalmente a Europa. Os americanos, Hillary à cabeça, ainda não entenderam que os seus parceiros além-Atlântico não desejam e pior ainda, temem um alargamento comunitário para lá do Corno de Ouro.

 

O desnorte do Departamento de Estado quanto a assuntos tão graves como os dossiers China, Afeganistão, Irão, Síria e Magrebe, são o verdadeiro legado da sra. Clinton. Melhor faria em regressar rapidamente à gestão dos seus esquisitos interesses imobiliários.

 

Como há uns anos dizia o meu amigo Lionel Alves,  ..."Nuno, don't trust, she is an avogado (sic) vigarista".

publicado às 12:44

Parabéns blogosféricos

por Samuel de Paiva Pires, em 12.06.12

Ao João Gonçalves, por 9 anos de Portugal dos Pequeninos.

publicado às 13:05

Da recusa do jargão ao isolamento

por Samuel de Paiva Pires, em 09.06.12

João Gonçalves, Libertem-se do jargão:

 

«Recusar o jargão, a vasta escola do ressentimento e, sobretudo, não lamber as patas à referida matilha tem como preço o isolamento. Em certo sentido, acaba por ser um triunfo sobre uma visão shallow da existência que é aquela que ressuma do muito que nos chega pelas vias "normais" da comunicação social e cultural. Porque estas vias só dão a ver ou a ler o que querem dar a ver ou a ler, em suma, o jargão do "meio". Expressões como "experiência" ou "referência", neste contexto, não passam de mistificações grotescas. É caso para recomendar a estes prosélitos que se imaginam sublimes e donos da opinião pública: libertem-se do jargão.»

publicado às 13:54

Do refúgio nos livros e na música

por Samuel de Paiva Pires, em 30.05.12

João Gonçalves:

 

"Como ali disse, «estamos a viver tempos que convidam a que nos "fechemos" dentro de um livro. Não é, pois, por acaso que têm aparecido alguns neste blogue. Essa capacidade de isolamento, essa barreira prodigiosa contra a tagarelice, esse momento único de redescrição do mundo que a leitura ou a música conferem, foi descrita de forma lapidar por George Steiner num intitulado No castelo do Barba Azul - algumas notas para a redefinição de cultura, traduzido pela Relógio D'Água: «os livros bem-amados são a sociedade necessária e suficiente do indivíduo que lê a sós.»"

publicado às 13:07

Ainda em "estado de choque"...

por Nuno Castelo-Branco, em 23.02.12

...desde já agradeço as palavras do amigo João Amorim:

"Quando me dizem que a nossa vida depende dos "políticos", quando me dizem que somos víctimas dos outros e das suas acções, quando me garantem que os "eleitos" comandam o pensamento sobre o país, quando me dizem que nada valemos porque anónimos, quando eu vejo que a opinião comum é decalcada dos paineleirismos televisivos, como se estes fossem a análise única e correcta do "mundo", quando eu vejo que "as forças" nos incitam a resignar eu penso, falo e apresento os irmãos Castelo Branco."

publicado às 14:59

Vamos esquecer o OE por uns dias - afinal temos o Futebol

por Ana Firmo Ferreira, em 15.11.11

 

 

Bem, parece que contra todas as previsões Portugal vai participar no Europeu.

 

São boas notícias, e porquê?

 

A comunicação social vai ter sobre o que falar nos próximos dias e pode deixar o que realmente importa um pouco de lado - atenção que a culpa não é dos jornalistas que querem fazer notícias relevantes, é mesmo do povo Português, que apenas tem olhos e ouvidos para o futebol (haja algo em que mostram algum patriotismo, só falta é o resto).

 

As marcas que apostaram todo o seu plano de comunicação no Euro também agradecem, afinal de contas, são alguns milhões.

 

Uma parte da economia agradece de facto, está muita coisa em jogo.

 

Parece que no fim todos agradecem, e vai andar tudo feliz nos próximos dias, só eu é que não - não é que não goste de futebol, mas sei bem que quando passar toda esta euforia, vai tudo de novo cair em si e ver que tem muita coisa por resolver - e não, o futebol não é solução para os problemas.

Mas porque é que eu estou aqui a teorizar? Afinal Portugal ganhou, que importa o resto?

 

Como dizia o outro: Deêm-lhes futebol, fado e igreja que os portugueses são felizes (Portugal ganhou, o fado sempre por cá vai estando - e ainda bem!-, e polémicas religiosas são servidas ultimamente em romances de trazer por casa - Mas afinal que querem mais? O resto resolve-se.)

 

publicado às 23:00

A Lisboa Arruinada, no Portugal dos Pequeninos

por Nuno Castelo-Branco, em 07.10.11

Da autoria do leitor Besta Imunda, o seguinte comentário que não admite réplica:

 

"...por outro lado, e falando em pagar a conta, o compadre Costa prepara-se - segundo rumores chibados a que tive involuntariamente acesso - para iniciar mais uma ronda de morosas e dispendiosas obras de modificação do sentido do trânsito nas transversais à Av. da República: a ideia parece ser refazer as placas centrais, destruídas por Sampaio e por Joãozinho-Soares, e 'devolver' o trânsito em ambos os sentidos a essas já muito martirizadas artérias; tudo justificado com a proposta 'verde' de plantar árvores nessas placas centrais. E é bem; e ecológico. Até porque, no processo, as árvores plantas nos passeios actuais, que já têm quase 20 anos, serão agora arrancadas e assassinadas de novo. Esta aparentemente justa e benfeitora obra tem - como não podia deixar de ser - um objectivo: fazer mais estacionamento ao centro, chular mais os automobilistas, estrangular mais o trânsito, preparar a cobrança de portagens à entrada de Lisboa, encher tudo de parquímetros da "Famiglia Soares" e atravancar ainda mais as ruas de soldados, cobradores e extorsionistas da EMEL - a empresa que serve de fachada de legitimidade. Esta nobre campanha de obras (para a qual a CM não tem dinheiro...) depende de uma engenharia financeira em que, obviamente, quem tomará a dianteira será o Grupo Espírito Santo ou outros prestamistas-negros. Os paisagistas, os 'jardineiros', os arquitectos, os biólogos que sabem que as árvores estão sãs e rijas serão silenciados quando for adiantado nas têvês que "as árvores de Lisboa, nas Av. Novas, têm um misterioso fungo que as ataca e que por isso têm de ser substituídas". Já as anteriores, que foram criminosamente cortadas no tardoz da Casa da Moeda, "estavam doentes e a morrer", mas eu vi directamente que o tronco estava saudável e forte: quando a meio dessas operações (há 12 anos?) fiz notar isso a um 'fiscal', fui prontamente afastado por um agente da municipal - bem treinado, agressivo e zeloso. Lisboa é definitivamente o quintal do PS, da esquerda-nobre-e-hereditária do Campo Grande, da esquerda do Zé, dos Costas, dos compadres; e gerida como uma esponja de dinheiro pública - captando, cativando, absorvendo, roubando ao que faz verdadeiramente falta. O Governo Central devia extinguir a CML, tomar conta dela, fazer dela um ministério que no OE de 2012 teria de apertar o cinto e dedicar-se ao essencial. E atirar a crassa malta de políticos-sugadores dependentes dela para um cárcere sombrio.

Ass.: Besta Imunda "

publicado às 13:29

Em vias de extinção

por Nuno Castelo-Branco, em 30.12.10

Devido a guerras como esta e esta, a República deverá ser extinta. Para bem da saúde pública.

publicado às 14:42

Republicano catrapiscanço no alheio

por Nuno Castelo-Branco, em 15.07.10

 

 

 

Não costumo entrar em polémicas quanto a posts alheios, mas neste ano de um centenário que envergonha aqueles que o comemoram por qualquer tipo de razão - onde o preconceito e o interesse material ocupam a primeira linha -, surgem recorrentemente prosas eivadas das habituais pechas atiradas á cara daquilo que pensam ser os "pobres monárquicos" deles.

 

Este post do João Gonçalves, consiste num perfeito exemplo daquela propaganda surda que já é velha e relha, engendrada nos costistas tugúrios fumarentos e de acres odores, decerto mercê dos eflúvios vinháticos que acompanhavam as assassinas conspiratas que arruinaram um prometedor século. Nunca tomarei o João Gonçalves como um jacobino, porque nunca o foi, nem poderá sê-lo. Num plano infinitamente inferior, aqueles que hoje insistem em orgulhosamente reivindicar o vergonhoso labéu, não fazem a mais remota ideia de tudo o que o termo encerra na sua dimensão política e pior ainda, humana. Não é disso que se trata. Embora com alguns amistosamente prive, o João tem por regra não gostar dos monárquicos, umas vezes "porque sim", outras vezes "porque não". Temos de aceitar a excêntrica teima sem revidar no mesmo tom, até porque esta insistência na nossa universal "estupidez e pobreza de espírito", advirá do secreto reconhecimento do contrário daquilo em que insiste. É uma homenagem que o João Gonçalves não quer reconhecer ou prestar. Ele sabe que todos bem o compreendemos.

 

Pela leitura do Portugal dos Pequeninos, adivinhamos o dilema do J.G. Dia após dia, vergasta os seus imaginativos colegas de república, de uma forma impiedosa e jamais vista em qualquer mísero e despiciendo blog thalassa. Se hoje o sr. Cavaco é um candidato a regenerador herói de uma pátria sem remissão, amanhã o presidencial silêncio ou longa complacência diante do 1º ministro, é severamente criticado como escabrosa, oportunista e adivinhada pusilanimidade. O J.G. bem tranquilo poderá ficar e no dito cavalheiro insistir em votar, porque não se tratará de qualquer deficiência de carácter do titular da inútil e risível instituição, mas tão só de simples calculismo cumpridor de prazos eleitorais. Chame-se o homem Cavaco, Soares, Alegre, o "concorrente a porteiro da ONU" Sampaio ou até, Thomaz, o recurso à reserva mental e ao dito que afinal se pretendeu não dizer, é a trivial constância que garante o sistema. Nada mais interessa e toda a vida pública depende deste vai e vem de casos em ricas casas, bastas vezes criados à volta de uma sopinha fria e evocadora da escusável memória do venerando vencedor de Verdun. Nisto são os republicanos excelsos peritos na vigarice e levam a palma do justo vencedor antecipado.

 

Na verdade, os nossos esquemáticos mariannistes andam gorgulhantes com a sua má sorte. Não lhes bastando ter um representante que não passa de um apagado, desinteressante, mal relacionado e bacoco fait-divers de subúrbio e ainda por cima sucessor de uma mão cheia de sonoros e caríssimos nadas - que embora protestando, o João também é forçado a pagar até que a fatal ampulheta decida o fim da sinecura -, a "velha situação monárquica do bigode retorcido" que tão bem lhes serviu, para sempre desapareceu. Consistiu este fogo de artifício, na converseta tonitroada pela sacra aliança daquilo que de mais desprezível teve a caceteira turbamulta do sistema do 5 de Outubro, com as miasmáticas águas paradas da 2ª república. Goebbels não faria melhor. Mas factos são factos e deles não podemos alhear-nos. Não só o sucessor da Coroa significa exactamente o oposto daquilo que o João insiste em fazer crer, como entre as hostes do azul e branco se contam aos centos os filiados teimosos, com leitura e uma preparação que fazem empalidecer o conhecido currículo verde-rubro, adquirido nestas negociatas regimentais em que a república de telejornal há muito se tornou. O insulto torna-se assim gratuito e tem o esperado efeito de boomerang, pois é com um certo gáudio que os monárquicos lêem e divulgam as obras dos historiadores que J.G. tanto gosta de evocar - como Fátima Bonifácio e Rui Ramos - que nos últimos anos têm prestado um grande serviço à verdade de uma História que deliberada e despudoradamente tem sido muito mal contada.

 

Bem vistas as coisas, o João deveria até manifestar a sua felicidade pela Situação, uma vez que diária e descoroçoadamente confirma as escassas alterações climáticas de permanente guerra civil partidista, sem a qual o nosso bairrismo político não pode sobreviver. Eternamentee à compita pelo mata e esfola, os republicanos "de esquerda" desprezam e desrespeitam o sr. Cavaco sempre que a oportunidade surge - bastará lermos o que dele se escreve e diz -, tal como os "republicanos de direita" se desunharam ao longo de vinte anos, em espalhar notícias de negociatas de marfins, constelações de diamantes caídos em florestas jâmbicas, fundações privadas erguidas com dinheiros públicos, geracionais nepotismos vários, negócios de extinta colónia dos mares do sul da China, ou suspeitos terrenos camarários e andares de luxo em qualquer Bagatella do centro lisboeta. Neste campo do boato, qualquer taxista alfacinha, faz o pleno de uma tradição que o felizmente defunto, mas mal enterrado PRP inaugurou em Portugal. A luta política "por Bem de Belém" não pode passar sem estas pequenas e tão humanas misérias, onde luxos nababos vão alternado com calculadas modestas marquises anodizadas e assim por diante, num eterno bailinho dos pergamóides de hoje, com os veludos do amanhã.

 

Conheço o João Gonçalves há perto de trinta anos e gabo-lhe a coerente e comprovadamente desinteressada fidelidade à causa do Partido. Sendo um impenitente não-filiado PSD friendly - como já se definiu -, compreende-se este constante permanecer no terreno, evocando simbólicos actos de cavaleiros de outras eras, em que o putativo vencedor permanecia em campo após a refrega, atestando uma vitória. Mas afinal, trata-se de uma vitória de quem, ou mais importante ainda, de quê? Poderá o João explicar? É que ainda poucos entenderam para onde nos pretende levar.

 

Não tardaremos em compreender. Com Cavaco já em afanoso guignol antes do bater da hora, a desértica e presidencial campanha aproxima-se, sentando-se os "pobres monárquicos" mudos e quedos na primeira fila, mas prestos e lestos para o desfrute do espectáculo que se adivinha.

 

Passando adiante dos política e republicanamente despojados comentadores do ciberespaço, numa frase se lobriga aquilo que a república foi, é e jamais poderá deixar de ser. Os agentes do barrete frígio, empanturram-se de um conceito de forma que apenas será tida como boa, se o "seu" presidente estiver disponível para a partilha de feudos, lataria aposta nas lapelas dos 10 de Junho, aplicação da mobilidade em direcção a uma pública gamela, comendadorias amigas, catrapiscanço secretário em ocioso gabinete de estudo, ou assessorias anexas. É esta a limusínica república que querem e que no fundo, bem merecem. Sobretudo, é a república que ouvidos de mercador faz aos lancinantes protestos de um cada vez mais evidente Portugal dos Pequeninos. Será assim tão difícil o João reconhecer que não tem lugar entre "isto"?

 

Então, mais não se rale e aproveite bem o verão, desobedecendo a qualquer patético pacóvio que de arreganhada tacha lhe recomende férias dentro de portas. Se puder, parta para mais civilizado destino, talvez uma não muito longínqua, irreverente e transbordante de auto-estima Monarquia.

publicado às 11:38

A "alternativa"...

por P.F., em 14.03.10
Ao espreitar para o congresso do dito partido da "Oposição", vejo ladrar um papagaio, consta que presidente da "jota" a lamuriar-se do "desemprego jovem", da diminuição do "subsídio jovem" e que os "jovens portugueses têm menos emprego e muito trabalho precário (...)".
De resto gasta as energias a babar-se a dizer mal do Sócrates (com uma chusma de chavalada com uma cara e postura de estúpidos que só visto a ladrar "JSD! JSD!) sem saber em que aspectos deve atacá-lo.
É este o futuro da alternativa? F***-**!!!

publicado às 01:06

  Leia na íntegra  A Q U I  e  A Q U I

publicado às 22:05

Um Portugal dos Grandes

por Nuno Castelo-Branco, em 13.08.09

Cliquem  A Q U I   !

 

 

  

"E depois, nem tudo são tristezas: também temos as nossas festas! E para as festas tudo nos serve: o 1º de Dezembro, a outorga da Carta, o 24 de Julho, qualquer coisa contanto que celebre uma data nacional. Não em público - ainda não podemos fazer -, mas cada um em sua casa, à sua mesa. N'esses dias colocam-se mais flores nos vasos, decora-se o lustre com verduras, põe-se em evidência a linda e velha Bandeira, as Quinas de que sorrimos e que hoje nos enternecem - e depois, todos em família, cantamos em surdina, para não chamar a attenção dos espias, o velho hymno, O Himno da Carta ... E faz-se uma grande saúde a um futuro melhor!"

 

Eça de Queiroz, A Catástrofe

publicado às 18:42

Primitivismo (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 01.07.09

 

Tinha pensado aguardar a réplica do Tiago Moreira Ramalho para depois aprofundar o assunto respondendo também ao João Gonçalves. No entanto, como afazeres académicos me ocupam a mente e não gosto de deixar questões pendentes, decidi apenas trazer à colação alguns pontos que podem contribuir para esta discussão sobre o recurso a métodos de tortura com vista a combater o terrorismo.

 

Desde já, dizer que não sigo as opiniões e escritos de Ana Gomes, por razões óbvias. Quanto a Rorty, confesso que pouco conheço o pensamento deste, embora como saberá quem habitualmente me lê, tenha uma certa inclinação para o relativismo e para a irreverência, o que acabou por caracterizar a vida de Rorty. E obviamente que sendo eu um humanista por definição, parece-me bastante acertado o ensinamento deste de que um acto cruel é o pior que um ser humano pode cometer,  embora seja possível admiti-lo em determinadas circunstâncias - o que não ficou claro no meu post anterior é que me referia a actos de tortura psicológica, de que mais adiante falarei. Claro que partindo de um ponto de vista relativista isto pode ser interpretado abusivamente e degenerar em "rousseaunices" - e tal como notou Isaiah Berlin, Rousseau foi o maior inimigo da liberdade e inspirou os totalitarismos, que obviamente abomino e considero execráveis -, pelo que não é de admirar o carácter polémico das interpretações de Rorty. Leituras e estudos mais aprofundados são uma necessidade para que possa falar sobre tal com propriedade, pelo que assumindo que "só sei que nada sei", como diria Sócrates (o filósofo, claro), prefiro escusar-me a entrar por aí e falar apenas sobre o pouco que eventualmente sei. Também me escuso para já a falar sobre os ensinamentos do Professor Adriano Moreira ou de outros Professores da casa que orgulhosamente frequento enquanto estudante (o ISCSP), que ficarão para um próximo post. 

 

Assim sendo, começo por esclarecer que uma das razões pela qual sinto uma certa reverência pelo papel que a Monarquia representou na nossa História, consiste no facto daquele regime ter sabido acompanhar as grandes correntes de pensamento ao longo dos séculos e como dizia Eça - plenamente correspondido por Herculano, Garrett, Camilo, Antero ou Castilho -, a Monarquia portuguesa cumpriu plenamente todo o programa liberal, isto é, a adequação do edifício constitucional-legislativo português, ao seu tempo. Entre muitas medidas que considero progressistas, estão o fim da tortura física e a abolição da Pena de Morte, esta última, pioneira em todo o mundo. De facto, a tortura física deixou de existir pelo menos até 1910 e a instauração do regime da I República trouxe um sem número de punições vexatórias, espancamento, confissões forçadas em sede de policia e toda uma violência urbana que não podendo ser considerada per se como tortura, era contudo muito próxima desta, dada a evidente coacção moral permanente que geralmente degenerava no crime contra a integridade física da vítima (a título de exemplo vejam este artigo, ou ainda este).

Por outro lado, já a II República, mais conhecida por Estado Novo, tem um capítulo importante reservado a um certo tipo de práticas reiniciado em Portugal pelos Formigas Brancas e que culminou nas actividades da PVDE/PIDE/DGS. O João Gonçalves é um assumido admirador de Salazar, sem que isso queira dizer partilhar do mesmo ponto de vista que o presidente do Conselho perfilhava, ou seja, os tais "bons safanões dados a tempo", que redundaram naquilo que se sabe e de que já tantas vezes por aqui escrevi em análises ao Estado Novo. Esse foi obviamente o ponto fraco do regime que aliás, vulgarizou o recurso à confissão forçada pelos tais safanões a tempo.

Também na II República e com a guerra do Ultramar, em África as autoridades enveredaram pelo tal tipo de "tortura" a que me queria referir e que infelizmente omiti por descuido. Consistia na chamada "acção psicológica" e no campo mais vasto da acção junto das populações, a "acção psico-social", de matriz nitidamente norte-americana (experimentada no Vietname, por exemplo), com o abundante  recurso ao diálogo, administração de substâncias  destinadas "a soltar a língua" e que deixavam o acusado fisicamente incólume. Muitas vidas se salvaram desta forma, tanto da parte daqueles que eram o objecto da subversão, como dos próprios acusados. É certo que isto não pode coincidir com a chamada lavagem ao cérebro de que os soviéticos foram entusiastas, pois pressupõe sequelas a longo prazo. Agora, o que há a discutir é a verdadeira hipótese que o nosso "mundo livre" terá para se defender, se acima dos extensos articulados referentes aos Direitos, não existirem outros que permitam a própria defesa daqueles. O recurso à acção psicológica é assim legítimo, escusando-se pelo contrário, tal como referi anteriormente, o deplorável espectáculo oferecido pelas imagens de mero divertimento sádico em Abu-Ghraib, decerto mais próprias de diversões sexuais a que os carcereiros se ofereciam e que nada tinham que ver com uma política deliberada por parte dos superiores.


O que o Ocidente não poderá tolerar, sob a pena de completo afundamento diante da subversão, é o sentimento de impunidade de quem todos os dias atenta contra a segurança geral do Estado, logo das gentes, em nome de pretextos  exógenos à nossa sociedade. O caso do Reino Unido é paradigmático. Os terroristas deverão ter a plena consciência de que não ficarão impunes e isto servirá de dissuasão, pois a própria ideia de em caso de captura ser forçado a delatar sem sequer sofrer violência física - evitando o chamado "martírio" -, pode ser fundamental.

publicado às 00:41

Primitivismo

por Samuel de Paiva Pires, em 30.06.09

 

(imagem "roubada" ao João Gonçalves)

 

O João Gonçalves, que tenho o hábito de ler diariamente, apesar do estilo de análise demasiado personalista e pouco holística, estrutural e abstracta em relação ao estado de coisas a que chegámos, mas que pelo corajoso e livre espírito que detém e que o tornam num exemplo de combate e resistência contra a dormência em que vivemos merece a maior das considerações, julga poder aferir-se o primitivismo dos portugueses pelo facto de 40% destes concordarem com a tortura como método de combate ao terrorismo.

 

Não sendo, obviamente, a favor da tortura indiscriminada sobre indivíduos inocentes ou sobre os quais não existem provas das acusações de envolvimento em actividades terroristas, e sabendo-se da existência de diversas Convenções sobre o tratamento deste tipo de suspeitos, Convenções essas que pouco mais fazem do que propagandear os Direitos Humanos - sem correspondência prática (sempre a falta de autenticidade e de correspondência entre o discurso e a prática de que fala o Professor Adriano Moreira) pois não há acordo sobre o que esses são e a haver um eventual acordo corre-se o risco  de incrementar o que Robert Kagan considera como a constante ingerência nos assuntos internos de estados soberanos (O Regresso da História e o Fim dos Sonhos), eventualmente fazendo perigar a ordem mundial tal como já escrevi aqui, não deixando no entretanto de nos providenciar anedotas como esta -, não posso deixar de considerar que em determinados casos, e comprovado o envolvimento dos indivíduos em actividades terroristas, a tortura pode acabar por ser um método justificável e inclusive necessário in extremis. Só quem não está por dentro dos segredos de estado  e da realidade pura e dura das questões de terrorismo internacional - eu obviamente não estou, mas sou um realista e pessimista antropológico no que diz respeito às relaçoes internacionais - pode considerar o contrário.

 

Barack Obama e o seu director da CIA, Leon Panetta, são a evidência mais crua de que a realidade se sobrepõe aos moralismos e idealismos, wishful thinking de um punhado de militantes e alegados arautos da bondade, muitos deles manipulando factos históricos a seu bel-prazer para esconder o que eram as fomes, gulags e campos de concentração, outros tantos defendendo o multiculturalismo mas só no que lhes interessa (bem de acordo com os seus double standards), acabando por defender oprimidos terroristas que, a título de exemplo, só querem exterminar uma nação inteira - é só atentar nas louçanadas bloquistas e de outros que tais que passam a vida a defender os simpáticos senhores do Hezbollah ou do Hamas.

 

A questão central deveria recair sobre o ónus da prova, isto é, efectivamente considerar-se que todo e qualquer indivíduo é inocente até prova em contrário, e não partir da presunção de culpa que parece ter constituido o mote da detenção de muitos dos prisioneiros em Guantanamo. É ainda necessário não deixar ao livre arbítrio de meros soldados a decisão sobre o recurso a métodos de tortura - o que se passou em Abu Ghraib é execrável e inqualificável -, e utilizá-los apenas quando se encontrem reunidas e verificadas determinadas condições restritas que garantam o carácter de excepcionalidade do recurso a estes métodos.

 

A vida não é um mar de rosas e a sociedade internacional muito menos. O Estado ainda detém o weberiano monopólio da violência legítima e possui como atribuição fulcral o providenciar a segurança aos seus cidadãos. Se isso implica recorrer a métodos de tortura para desmantelar células terroristas e evitar atentados que matam centenas ou milhares  de inocentes (em analogia poder-se-á considerar tal como uma legítima defesa preemptiva) - leia-se Fareed Zakaria em O Mundo Pós-Americano explanar sobre a eficácia das medidas de combate ao terrorismo internacional no pós 11 de Setembro -, então eu prefiro continuar a ser um primitivo de acordo com o padrão de julgamento moral do João Gonçalves. No dia em que todos os seres humanos forem naturalmente bondosos, em que cristãos, judeus, muçulmanos, ateus e todos os povos do mundo convivam pacificamente entre si e não se prestem a atentar contra a vida de outros através de actos terroristas, serei o primeiro a opor-me ao recurso à tortura. Até lá, primitivo, pessimista e realista continuarei. Eu e mais umas quantas centenas de milhões de pessoas no planeta, Barack Obama incluido.

publicado às 20:02

Portugal dos Pequeninos: o livro.

por Nuno Castelo-Branco, em 04.06.09

 Imperdoável, este desleixo. Até agora, não tinha ainda anunciado o lançamento do livro do João Gonçalves, no qual surgem os melhores textos publicados naquele blog de leitura quotidiana que é o Portugal dos Pequeninos. Estive em Portimão e assim não pude comparecer ao evento que reuniu muita gente destas lides. Ao João Gonçalves, aqui vai um abraço de felicitações, porque o estímulo, esse, é-lhe dado em grandes doses por quem "pode, quer e manda"!

publicado às 11:09

Engraçadíssimo...

por Nuno Castelo-Branco, em 01.06.09


Há coisas que não convém que passem despercebidas. A "casa da democracia", vulgo Assembleia da República, como não tem mais nada para fazer, aprovou esta fantástica Resolução. O que é que "resolveram", pois, os deputados da Nação? Decidiram criar e desenvolver (juro) «uma fábrica de ideias» na administração pública. É um naco de prosa imperdível. O léxico inclui termos tão extraordinários e "modernos" como «importação da inovação para a linha da frente», «melhorar de forma incremental», «abordagem estruturada de geração e de aceleração da implementação no terreno de ideias inovadoras», «estimular a geração de ideias», «incubar e experimentar as ideias/projectos»

publicado às 22:48

    

 

Estes comentário deixado pelo Joshua, diz tudo aquilo que há para dizer.

 

Serenamente, há a dizer que os frutos da República, da 1.ª, da 2.ª e da 3.ª, falam por si. E o que dizem do nosso brio, independência económica, auto-estima, não é nada lisonjeiro e muito menos auspicioso num movimento descendente clamoroso, desde a violência incial à imoralidade e emporcalhamento presentes.

Se a obra de uma República são os novos pergaminhados de sangue colorido, saqueadores dentro dos lóbis instituídos da Política 'republicana', gestores e burocratas ignorantes e eticamente mal-formados, que põem e dispõem dos cidadãos, precarizando-os, explorando-os ignobilmente, estamos conversados acerca da capacidade da espécie humana, sob uma república, em fomentar tiranias de toda a sorte logo num país tão brando quanto historicamente com todas as condições para ser sólido - este Portugal actual perdido do Portugal de outrora. 

O grande paradoxo é que os políticos da República nos não salvaguardam nem defendem dos empórios abusadores. Pelo contrário, colaboram com eles, com toda a sorte de interesses ilegítimos, esvaziadores da nossa autonomia e afirmação. Cavaco, por exemplo, decorativamente caro como é, não serve de escudo nem de «basta» à deriva totalitarizante que o ignorantolas Sócrates personifica e que alastra sebosamente, lembrando o pior e mais sabujo do salazarismo, que não de Salazar. Cavaco, ele mesmo, titubeou enquanto PM na defesa firme dos nossos interesses, alinenando-os.

Talvez um Rei plebiscitado e aclamado sem dúvida olhasse melhor pela salvaguarda integral dos nossos interesses globais. Talvez protegesse e mantivesse intocáveis os cidadãos portugueses contra o que a Farsa Republicanesca hoje a 'reger-nos' e a fomentar cegueiras e obedencialismos irreflectidos, venal como é, pôde alguma vez aspirar.

Os argumentos inteligentíssimos e luminosos dos defensores fanáticos de uma organização regimental como a republicana são irrelevantes quando contrariados pela vida miserável em que afundam centenas de milhar de portugueses. Palavras e argumentos não chegam para defender-nos de homens sem escrúpulos alcandorados a representantes nossos, erros de casting, corruptos e sem credibilidade, e essas palavras e esses argumentos também não colocam sobre a nossa mesa vazia Pão, Dignidade e Justiça suficientes. 

O ataque do João a características superficiais em D. Duarte Pio não faz qualquer justiça ao conhecimento e amor que ele tem do Portugal total, um com desígnio e com Têmpera, assim como dos portugueses de todos os quadrantes, incluindo os da diáspora, excluídos perpétuos do direito a uma Pátria tão Carnal no território como Espiritual na majestosa Língua nossa.

Vejo por todo o lado demasiado respeito e consideração por bolas de sebo pensantes e por figuras de altíssima fealdade moral bem abonados de rendimentos e bem avençados por blaterar ilustres dejectos: de modo nenhum nelas se inscreve D. Duarte Pio. Todos têm direito a pronunciar-se ao menos uma vez desastradamente sobre um Regime Monárquico Restaurado, muito mais adequado às vicissitudes do nosso tempo calamitoso por muito que abominem esse único Êxodo com Êxito: nada obstará a que por fim a Monarquia Portuguesa se venha a impor com absoluta delicadeza e naturalidade, numa resdescoberta pela Doxa Nacional de caminhos novos que nos salvem da actual Decadência Moral Devorista Infrene da 3.ª República, a qual capturou quase toda a Política, muita Opinião a soldo, por sua vez sequestradas ambas pelo Dinheiro que compra consciências e subverte o recto pensar.

Hoje é preciso ter imensa Fé e Esperança para recusar o óbvio: que Portugal, no caminho que segue, esteja a extinguir-se. Marcha lenta. Marcha fúnebre. 

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Não venha este “Presidente” nas vésperas das próximas eleições apelar ao voto dos portugueses. Ele é que é o exemplo paradigmático da abstenção. Não tenho memória de alguém tão "abstido" como este (P)residente. Abstem-se em tudo, de tudo !
Tem-se na conta de que é um ser superior, o “Sol” da super estrutura do poder. Ensaia a presença, ávido de palco. O palco tem limites, quanto mais não seja o da bondade do actor. Já não há ária que nos cante com pretensa e pretensiosa máscara de seriedade que não seja objecto de riso, em harmonia e contraponto com alguns “conselheiros” ditos de Estado. Nisto, o actor (P)residente é exímio em palco.

publicado às 23:59

O João Gonçalves interpretou-me mal

por Nuno Castelo-Branco, em 19.05.09

 

 O João Gonçalves é uma daquelas recordações que conservo dos tempos de juventude. Conheço-o há praticamente um quarto de século e isto não é coisa irrelevante, dada a facilidade com que nestes dias se esquecem caras e nomes e pior que tudo, os amigos.

 

Sendo um grande blog de referência, o Portugal dos Pequeninos segue coerentemente a sua linha política, aproximando-se do PSD, o maior partido da oposição.  É assim natural que o João Gonçalves defenda o seu presidente - neste caso Cavaco Silva -, mantendo desta forma o discurso com a frontalidade que lhe é reconhecida. Elogios constantes a um partido, podem sem qualquer dúvida ser considerados como uma forma de propaganda e em democracia, isto não só é perfeitamente legítimo, como desejável. Em Portugal fazem falta cidadãos empenhados que não pertencendo à estrutura "comensal" do poder instalado, participem activa e desinteressadamente na vida política. O João Gonçalves é um deles e fá-lo de forma corajosa e abnegada. É uma das minhas leituras diárias e indispensáveis. Confesso mesmo que é através do Portugal dos Pequeninos que tomo conhecimento de muitos episódios desta autêntica tragicomédia em que a república portuguesa se transformou. Assim sendo, considero o contributo do João como um autêntico serviço público, rivalizando com os canais televisivos de notícias. Mas o seu post de hoje, intitulado "Os Nossos Pobres Monárquicos", consistiu apenas numa lógica reacção em defesa do presidente do seu partido de eleição. É natural.

 

O meu post de ontem parece ter desagradado de sobremaneira. Alegadamente, fui incorrecto com a figura do do presidente e confesso que se tal aconteceu, foi intencionalmente. Não o insultei, ou caluniei, limitando-me a sarcasticamente comentar a irrelevância de uma chegada a um local de celebração. É que neste ponto, a figura do homem prof. Cavaco Silva, é distinta daquela outra que por vezes surge como representante do regime. Dados os condicionalismos - por vezes bastante gravosos e injustos - a que a Igreja católica tem sido submetida há décadas, o actual presidente representa para o bem e para o mal, um certo estado de coisas. A própria delimitação de um Estado que já ultrapassou o estatuto laico para se aproximar acintosa e provocadoramente de um ateísmo militante - e protector de outros credos que visam liquidar a Igreja em Portugal -, causa evidente desconforto em largas franjas da sociedade, onde mesmo os não praticantes - como eu próprio - encontram na tradição cristã, a essencial base de sustentação da própria identidade histórica nacional. 

 

Os monárquicos fazem propaganda? Fazem, apesar das barreiras erguidas por preconceitos criados por uma outra propaganda, essa sim feroz, acintosa, vulgar, destruidora de reputações pela mentira, extorsão e violência física. A coacção moral a que o país tem sido sujeito nos últimos 130 anos é conhecida e deu frutos. O descrédito das instituições, foi culpa do movimento republicano. O achincalhar do bom nome dos titulares de cargos públicos, foi património fundador do "movimento republicano". A subversão da legalidade constitucional, foi o programa fundamental dos republicanos. A primazia do interesse partidário sobre o interesse nacional - as algazarras pré e pós Ultimatum, por exemplo -, têm a indelével chancela republicana. Culminando, a inauguração do sangrento ciclo de assassinatos que destruiu a pacífica e normal convivência democrática, atirando Portugal para um desastroso século XX/XXI, tem o fedorento borrão republicano.

 

Continua a propaganda verde-rubra a querer fazer crer sermos todos um bando de tontos semi-analfabetos. É uma gratuita ofensa que não nos atinge, porque embora existam excêntricos dentro das nossas fileiras, são-no em diminuto número, se compararmos com as hordas de imbecis e trogloditas com que todos os dias deparamos no desempenho de altas funções da república. Presidentes falhados e cercados de controvérsias de contornos turvos; ministros que se sucedem a um ritmo alucinante, mal sabendo da real situação daqueles que dizem querer governar; um sistema de justiça republicana que descambou no que se sabe; um país deixado no caos por um assumido desordenamento territorial suicida; o fracasso republicano na educação cívica que aliás, contribuiu em muito para liquidar. E poderíamos continuar indefinidamente, até porque ainda recentemente, o país assistiu com gáudio, à estrondosa derrota dos republicanos num frente-a-frente, onde os sempre vilipendiados monárquicos dominaram o debate.

 

Temos gente nas embaixadas, nos ministérios, bibliotecas públicas, fundações, tribunais e universidades. Embora anónimos para os comentadores e fazedores de opinião, conheço alguns que se dedicam apaixonadamente ao serviço público, Por Portugal, coisa hoje tão rara que se torna suspeita de loucura. Professores reputados, cientistas, artistas, atletas, são tantos, tantos aqueles que se reclamam hoje de monárquicos, porque na Monarquia vêm talvez a derradeira oportunidade para um "começar de novo", isto é, aquele lampejo de vida num corpo que vai definhando e perdendo a razão de ser.

 

Muita sorte tem a república portuguesa em defrontar tais monárquicos como adversários irredutíveis, mas cumpridores da Lei. Aqui neste campo, não medram Buiças, nem Costas ou Almeidas fabricantes de bombas. Não perdemos um segundo sequer a conjecturar obras vergonhosas do calibre de um Marquês da Bacalhoa que neste Portugal de hoje, poderia reproduzir-se em dúzias de obras do mesmo - ou ainda pior - escabroso conteúdo. Não existe gente capaz de um milésimo das canalhices a que o nosso país se submeteu durante décadas a fio, sem poder castigar de forma severa e plenamente merecida, os energúmenos que atentavam contra o interesse colectivo. De uma pequena réplica da tolerante Inglaterra, Portugal foi pelos republicanos transformado num tugúrio de malfeitores da pior espécie. Vivemos hoje com essa herança que ainda pagamos bem caro.

 

Ao contrário daquilo que os republicanos dizem e repetem acerca do Duque de Bragança - não o conhecendo minimamente, ou pior ainda, fazendo de conta jamais terem escutado a sua mensagem, já antiga de trinta anos - nunca insultámos ou inventámos qualquer calúnia a respeito de Soares, Sampaio ou Cavaco. Deixamos esse tipo de actividades para os republicanos que antipatizam com as ditas figuras político-partidárias. Não ofendi o professor Cavaco Silva. Limitei-me a picar com um simples palito, a figura do bastante contestável chefe de um estado de coisas que parece ter chegado ao fim dos seus dias de história. Apenas isso.

publicado às 00:02

Ana aos gomos

por Nuno Castelo-Branco, em 03.09.08

 Este texto, caso fosse escrito por um homem daria origem a uma chuva de impropérios por parte de quem o originou.

publicado às 13:19






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