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A morte da esperança

por João Almeida Amaral, em 04.12.15

 

Sá-Carneiro.jpg

 foto Jornal Lamego

Não me recordo, eram talvez 20,30 quando a emissão da RTP foi interrompida. Julgo que anunciaram um acidente com uma pequena aeronave no aeroporto de Lisboa, na zona de Camarate. Pouco depois apareceu Freitas do Amaral. Em tom combalido,anunciou a morte de todos os que viajavam a bordo do Cessna. Terminou pedindo para todos os que assistiam rezassem  com ele um Pai Nosso. 

Francisco Sá Carneiro tinha 46 anos , era um jovem político, tinha fundado o PPD.

Eu tinha 18 anos estudava num ano novo a que chamaram propedêutico, tinha menos 28 anos que ele.

Hoje tenho mais 8 anos. 

Com ele morreu a esperança da minha geração. Independentemente de nunca ter militado no PPD ,Francisco Sá Carneiro era o homem em quem depositávamos a esperança de enterrar o PREC de uma vez por todas, (a ele devemos a extinção do Conselho da Revolução). 

Sei que  muita gente, por ter nascido depois, não sente com a mesma intensidade, o que ele representava para um jovem de 18 anos.

Ao longo da vida, vivi envergonhado com a postura de muita gente no PPD,PS e CDS  . Nenhuma comissão de inquérito provou o assassinato. 

Deixo algumas questões:

  • Foi o primeiro português (julgo que único) a fazer frente aos EUA em relação ao BA4 (base dos Açores)
  • Foi o primeiro , Primeiro Ministro de Portugal a ter uma relação cordial com um Presidente ,(Machel) de uma Ex-colónia (Moçambique)
  • Samora Machel morreu da mesma forma e pouco tempo depois (apenas o piloto sobreviveu o que também é estranho)
  • A AD foi por si desenhada 
  • Alguns dos seus mais próximos são hoje independentes de esquerda , sendo raro, democratas cristãos tornarem-se adeptos de partidos e ou alianças com comunistas e trotskistas

Cada um o recordará com entender. 

Para mim a sua morte foi o fim da esperança na recuperação do meus país. 

  

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publicado às 18:39

O pensionato da República

por João Pinto Bastos, em 28.12.13

Se em Espanha há, da banda esquerda, gritos, lapadas, e mamas ao léu contra quem ousa dizer "sí, Rajoy, tienes razón", em Portugal, o cerne do debate incide, presentemente, sobre a traição de uns e a conversão de outros. Como diria o outro, é tudo uma questão de rapanço no tacho, que, a esta hora, pouco ou nada tem para oferecer às goelas insaciáveis dos comensais do costume. A coisa tem, na verdade, alguma piada, mais que não seja pelo despudor com que alguns, neste momento, defendem o que, há um ano ou dois, virulentamente apostrofavam. O caso de Pacheco Pereira é sintomático, mas, em boa verdade, cansativo. O deslize do ferreira-leitismo para o louçãnismo mais extremista só não é, politicamente falando, mais grave porque o mesmo resultou do imenso despeito pessoal com que Pacheco olha os patos bravos que, actualmente, dirigem o PPD passista. Pacheco é um caso perdido, daí que não valha a pena gastar muita tinta com o sábio da Marmeleira. Mais preocupantes são os casos de Ferreira Leite, Bagão Félix, e António Capucho, entre outros, pelo revanchismo pútrido que denotam. Há, neste regime, uma linha vermelha que qualquer governo, seja de direita ou de esquerda, jamais poderá ultrapassar: a linha dos direitos adquiridos. Por outras palavras, se alguém ousa tocar nas prebendas e nos privilégios dos profissionais políticos que vivem "disto" há já vários anos, cai o carmo e a trindade. É assim que funciona a democracia abrileira: muitas palmadinhas nas costas, pensões altíssimas para quem passa a vida a dizer que a austeridade mata, e muito ódio aos yuppies que, desafortunadamente, e por falta de alternativas mais interessantes, foram obrigados a tomar conta do imenso desaforo criado por estes heróis da causa pública. Em resumo, muita parra e pouca uva. E é assim, deste modo cavernoso e vingativo, com muitos avisos e desinformações dos pensionistas da República, que Portugal vai afrontando a batuta confiscatória da Maria Luís, engolindo taxas, IVAs a 20 e tal por cento, e insolvências a mil e tal à hora. Um país, como se vê, frequentável. 

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publicado às 01:01

Tenho a forte convicção - ou, pelo menos, esperança - que daqui a uns anos o discurso político em Portugal será bafejado por um conjunto de indivíduos que em termos de teoria política estão bem mais preparados para fazer corresponder as políticas públicas à teoria e à realidade do que a comummente chamada "Geração de Abril" e os seus sucedâneos - falta apenas saber se até lá entramos na bancarrota ou não. Portugal precisa de uma grande mudança (para que fique tudo como está, diria Lampedusa) em toda a escala, no que diz respeito à arquitectura constitucional e administrativa, e alternativas não faltam, falta apenas vontade política - a qual também não poderá nunca vir daqueles que se sentam à mesa do orçamento do dinheiro dos contribuintes.

 

E uma dessas necessárias mudanças é a refundação da direita portuguesa, sob a égide de um partido verdadeiramente de direita liberal e conservadora. A palavra chave é o "verdadeiramente": um partido que não tenha medo de assumir que é de direita, liberal e conservador, e que não continue a dizer-se social-democrata e a ser subserviente à esquerda e às suas políticas que nos vão levando para o abismo.  Um partido que tenha quadros de valor  e não idiotas úteis e especialistas em golpadas; que saibam do que falam e se desprendam do velhinho discurso da social-democracia, que, na verdade, pertence de todo o direito ao PS.  Talvez não fosse mal pensado, como sugere José Manuel Moreira, voltar a utilizar a sigla PPD, para mais tarde deixar cair o PSD. Pelo meio, talvez refundir o PPD e o CDS/PP num só partido com uma clara definição e distinção ideológica dos restantes - esta seria uma hipótese para talvez tentar recuperar alguma da credibilidade que há muito o sistema partidário perdeu. É também necessário acabar com os complexos do povo de que tudo o que é de direita é mau e tudo o que é de esquerda é bom, algo bem mais complicado de alcançar, mas que sem uma refundação do discurso político-partidário torna-se, certamente, tarefa impossível.

 

Até lá, apetece transcrever na íntegra muito daquilo que vou lendo, especialmente das crónicas de José Manuel Moreira, agora que finalizei a leitura da obra Leais, Liberais & Imparciais, e que me debruço sobre a caipirinha aroniana do Henrique Raposo.

 

Sobre a necessidade de termos jovens quadros que saibam o que fazem, transcrevo aqui uma parte do artigo de José Manuel Moreira intitulado "Os Pequenos e a Praia Grande", acerca de um convite que aceitou para ser orador numas jornadas da JSD há uns anos:

 

 

"Foi uma experiência única, para não mais esquecer. Ninguém tirava um apontamento, o pessoal parecia estar ali a fazer um frete, e mais preparado para a praia e a noite do que para o duro trabalho de reflexão política.

Desconfiei até que, para a sala estar sempre mais ou menos composta, havia uma espécie de rotação de jovens, talvez para permitir, por turnos, a cada um fazer outras coisas mais interessantes do que aturar os oradores convidados.

Como seria possível esta gente estar preparada para enfrentar os problemas do País com este desinteresse pela discussão dos princípios e fundamentos da política e das políticas? A resposta veio logo a seguir, com a incoerência, a inconsistência e, por fim, a trapalhada de que os governos do PSD deram mostras. A vitória de Sócrates surgiu assim naturalmente; a surpresa veio só de o seu programa ser tão social-democrata.

Só que os "sociais-democratas" do PSD ainda não descobriram, talvez porque lhes falta preparação política, que o espaço da social-democracia já está ocupado, e bem, e que o futuro depende agora de serem capazes de forjar um novo espaço onde possam explorar alternativas ao modelo de Estado de Bem-estar.

Um prestigiado académico de esquerda, Patrick Dunleavy, costuma dizer que o principal desafio aos fundamentos do modelo socialista e social-democrata de sociedade, está na argumentação filosófica e teórica desenvolvida pela escola austríaca de economia e pela teoria da escolha pública.

Será por isso difícil fazer verdadeira oposição a Sócrates se se vive na ignorância sobre as bases dessa argumentação. Mas, infelizmente, é dessa ignorância que tanto as bases vencedoras como as elites perdedoras do PSD, dão sobejas provas, ainda que mostrem saber como compensar a carência de ideias com excesso de intriga, jogadas de bastidores, golpes baixos e ultrapassagens rápidas."

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publicado às 00:31

Ainda a retórica democrática de algibeira

por Samuel de Paiva Pires, em 01.03.09

Na caixa de comentários ao meu post, André Ferreira faz um excelente diagnóstico:

 

Caro Samuel,

Quando olhamos à nossa volta e nos perguntamo sobre o que vemos não podemos deixar de verificar a decadência instalada em Portugal! Essa decadência origina-se num sistema democrático débil, baseado em interesses sectários e onde os partidos já pouco dizem no sentido em que não representam hoje o País real. O PS tenta confundir-se com uma imagem da democracia que não é sua.

Arriscaria ainda mais dizer que, pudendo ter sido importante na transição democrática, não foi sequer o mais importante dos partidos. O então PPD, por exemplo, foi-o em maior extensão: teve de provar a democracia, governando sempre nas épocas de grande adversidade. Com um fundador a morrer em circunstâncias ainda hoje obscuras, teve de governar num país socialista de Constituição e limitado pelo PREC, onde forças anti-democráticas como o PCP detinham grande força. Ou o CDS, que foi dado como descendente do regime cessante, perseguido e assaltado como se de vulgar bando criminoso se tratasse.

Outro aspecto interessante é a propaganda: os partidos democráticos de verdade não têm tais máquinas propagandísticas, nem se declaram donos da verdade absoluta. Não agem de forma goebeliana contra os demais e não crêem em formas de democracia dirigista.

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publicado às 22:18






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