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Sete anos, sete vidas e um escudo

por John Wolf, em 15.04.13

Tenho um pressentimento em relação ao desfecho da triste história que aflige o país. Um sentimento vago e instintivo, próximo do élan da opinião. Um juízo que se desloca sem causar grande alarido. Tenho algumas reservas em relação ao nascimento de uma nova mentalidade nacional. Portugal voltará a ser o que sempre foi. Sete anos, sete vidas. O prolongamento do prazo para o país cumprir os seus compromissos financeiros é, no meu entender, um presente envenenado. Uma extensão do prazo de validade da austeridade, por outras palavras menos simpáticas. Um alibi que pode ser invocado para justificar remédios que se tornam crónicos, quiçá paliativos. O tempo adicional que foi anunciado como vitória estrondosa serve o presente de um modo débil e dilui-se no futuro - o local e a hora onde Portugal tem um compromisso na agenda da sua sobrevivência, desenvolvimento. O bónus cria a ilusão de alívio junto do público em geral. Funciona como uma anestesia genérica que não deixa marca. No fundo, e citando o exemplo do filósofo Nassim Taleb; "será a distinção entre um choque frontal a 50 kms/h ou 50 embates a 1kms/h". À medida que sub-repticiamente deixam infiltrar no foro psico-social dos contribuintes a soma de males menores (que não matam mas que moem), eternizamos a noção de um modelo condenado à sua vacuidade, à justificação que morde a própria cauda. Por outro lado, e analisado de um modo político, o alongamento do prazo funciona como fita-cola para comprometer seja qual for o governo de Portugal. Sete anos dizem respeito a pelo menos dois ciclos políticos. Agarra os principais partidos de Portugal e transforma-os, sem o desejarem, num bloco central alternativo às ordens de uma força maior. Acho curioso que os planos quinquenais nunca tenham deixado de existir. Serão pouco quinquenais em termos temporais, mas que existe uma entidade que define o futuro dos outros, não tenhamos dúvidas que existe. O problema que se coloca a um conjunto de Estados relaciona-se precisamente com essa super-estrutura que não reside no reino da soberania. Portugal, e outros países caídos em desgraça, devem rapidamente reaver a sua política monetária. E readquirir uma das mais importantes ferramentas de execução governamental. Não me parece que haja muito mais que possa ser remendado com concessões, migalhas atiradas pelo chefe para o capacho dos súbditos. Dadas as condições em que se encontra Portugal, não constituirá surpresa se uma força substantiva se consolide em torno da ideia de um escudo protector. Um escudo.

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publicado às 10:27






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