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Portugal e as prioridades angolanas

por John Wolf, em 24.10.13

Aqueles que afirmavam sem reservas que Angola precisa mais de Portugal do que Portugal de Angola, enganaram-se redondamente. Pensavam eles que seria apenas uma questão de tempo até aquele país vir comer à mão do paizinho e que a relação de irmãos de língua se iria normalizar. Pelos vistos não é o que está a acontecer; o ministro de relações exteriores declarou de um modo inequívoco que há parceiros mais vantajosos do que Portugal. Os governantes nacionais assentaram a sua política externa na premissa de que os países africanos de língua oficial portuguesa teriam uma inclinação natural para manter viva a relação histórica, mas não é o que está a acontecer. Porque razão deve Angola ser europeísta? Desde a guerra colonial que estabeleceu ligações com actores não europeus. A África do Sul e os EUA sempre tiveram presença económica e financeira em Angola. A URSS também andou lá metida. Os cubanos também. Ou seja, Angola há muito tempo que mantém relações com diferentes interlocutores. China é outro parceiro que necessita daquilo que Angola tem em abundância - petróleo. Este encadeamento de eventos, contrário ao interesse nacional luso, decerto que não irá ficar por aqui. Embora não haja um mapa cor de rosa a ligar Angola a Moçambique, é muito provável que a eclosão de um conflito civil neste último vá produzir o mesmo tipo de efeito nas intenções políticas e geo-estratégicas de Portugal. Por outras razões, fazer negócio em Moçambique poderá se tornar impraticável. Em vez da saída do Euro, Portugal é o elo mais fraco de uma outra utopia e parece estar a ser demovido, removido. Durante anos fomos levados a crer que Portugal era o "homem-forte" da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, mas aquele projecto produziu parcos resultados. O projecto de Acordo Ortográfico é sinónimo da especial virilidade de agentes "estrangeiros" que estão pouco interessados nos valores culturais e nas prerrogativas de Portugal. O Brasil que já bateu o pé aos EUA, não terá problema algum em sacudir um país com um mercado interno de pouco mais de 10 milhões de consumidores. Um país que plantou reticências de mentalidade à vinda de trabalhadores brasileiros e agora antagoniza o seu futuro deve ter algum cuidado nos passos seguintes que tomar. Se formos ver bem a coisa, cada vez que Portugal se coloca em bicos de pé a coisa corre mal. Aos poucos, Portugal parece ir perdendo o espaço vital que afinal nunca foi seu. Embora já tenha havido ilustres a declarar o fim do colonialismo, parece que apenas agora a efectiva materialização desse rompimento está a acontecer. Portugal irá decerto reagir às mais recentes declarações do ministro angolano, mas na minha opinião talvez deva ficar quietinho para não agravar ainda mais a situação. O timing político de Portugal é péssimo. Os angolanos que detêm poder de compra não estão para chegar ao continente. Já cá estão e detêm importantes quotas de representação nas decisões económicas de importantes empresas. Portugal tornou-se refém. Os seus sistemas de gestão já foram infiltrados e tomados por parceiros tidos como convenientes. No fundo, a questão tem a ver com ética. A falta dela. Desde a libertação democrática que a divisa tem tido a voz mais alta. Portugal não quis saber e agora coloca as questões que deveria ter apresentado em sede de due diligence. Uma espécie de inquérito preventivo para acautelar o interesse nacional. A cautela - nos dias que correm-, parece estar na ordem do dia, mas chega tarde. O que está a acontecer tem mais a ver com; depois de casa roubada trancas à porta.

publicado às 10:52






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