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Após a decisão do colectivo de juízes sobre o prisioneiro 44 com base nos fortes indícios de culpabilidade do ex-PM, estranha-se a total ausência de reacções por parte de responsáveis do PS, por parte de ex-ministros do seu governo, de pessoas que trabalharam com ele ou de outros com responsabilidades políticas. Não há um. UM!
Sei lá, uma a manifestação de vontade de que seja feita justiça, um reafirmar do "à politica o que é da política patata patati..." sem quaisquer ambiguidades, a defesa da honra de um governo, ou de um partido, ou de alguém que não quer que pairem sombras sobre a sua respeitabilidade. Zero.
Compreende-se o choque do PS, perante o apertar do cerco a José Sócrates, não se compreende a apoplexia, a ausência de damage control ou o assobiar para o alto.
O PS não há meio de descolar do PSD mas parece-me que a continuar com a cabeça enfiada na areia vai finalmente descolar... no sentido descendente... em prol dos auto-proclamados irmãos do Syrisa, claro.
Duarte Lima, José Sócrates e Ulisses provavelmente têm mais em comum do que julgam. Mas há mais, muitos mais, que padecem da mesma doença do enriquecimento. A ideia de que é possível encontrar um atalho financeiro, um modo de meter dinheiro ao bolso de um modo pouco convencional, e em grande parte dos casos, de forma ilegal, criminosa. Na análise do perfil psicológico de sujeitos com esta inclinação, devemos levar em conta alguns traços dominantes. A noção de que se pode subalternizar o concidadão, inferiorizá-lo através de fintas e esquemas de decepção. É com isso que lidamos de um ponto de vista estrutural, e que infelizmente podemos observar a montante e a jusante na cadeia alimentar da sociedade portuguesa. Mas o caçador furtivo acaba por se tornar a presa das suas próprias armadilhas. É nessa fase de desenvolvimento que Portugal se encontra - morde a sua cauda. As detenções e condenações devem fazer parte da normalidade ética do país. Apenas desse modo se pode cumprir um dos desígnios fundamentais da democracia - o funcionamento eficaz do sistema de justiça. Bem sei que Portugal é um país de paixões - daqueles que se encontram ao lado dos justos e dos outros que se alinham com os prevaricadores. Cada um é livre de fazer as escolhas que entender, mas em última instância porá em causa a sua liberdade e contribuirá para arrastar ao fundo o seu país. Não se dormem em casas alheias, mesmo aquelas que se encontrem em Paris. A casa de Évora tem dono - pertence aos portugueses.