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Governar um país não é o mesmo que dirigir uma empresa

por Samuel de Paiva Pires, em 28.09.19

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For, save with the very exceptional man, success in private life is not an adequate introduction to public office. The motivation of action is too different, the relation to other persons is too different also. It is not specialists in a departmental line whom the president requires as colleagues, but men who can take the kind of view he is compelled to take of the kind of problem with which he has to deal. The successful private lawyer - Mr. Ickes is a notable exception - can rarely think in this way; still less can the successful business man who is usually of little value in politics because that blending of wills in the give and take of compromise which is a large part of its essence is rarely a quality that distinguishes him. It is, above all, the quality the politician learns from handling matters of public responsibility. He comes to realize that words, there, are checks upon public account which there must be cash to meet, if credit is to be maintained. He learns, too, that decisions in politics differ from most decisions in private life, because they have to be defended with arguments that are certain to be attacked by the other side with all the resources at their disposal. That is why I think the cabinet of politically trained men will be indispensable to any president who is not himself so extraordinary that he could almost dispense with a cabinet altogether; and, Lincoln perhaps apart, there has been no such president in the history of the United States.

(também publicado aqui.)

publicado às 19:37

Sarampos e dictomias portuguesas

por John Wolf, em 19.04.17

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Há várias décadas que venho observando por esse mundo fora a simplificação apaixonada, a redução de equações complexas a tábuas rasas de tudo ou nada, certo ou errado, preto ou branco, sim ou não. Portugal até oferece aos seus tele-espectadores um programa conceptualmente ridículo - Prós e Contras -, um exercício que dispõe em campos opostos partes de um mesmo universo de considerações. A "vacinação ou não vacinação" já deve fazer parte do alinhamento básico da Fátima Campos Ferreira que munir-se-á de um Adalberto, um George e uns tantos hippies requisitados ao Bloco de Esquerda para a próxima emissão daquele formato. São radicalizações extremadas desta natureza que fuzilam as excepções de que é feita a humanidade. Qual bem maior qual interesse público versus ego existencial alternativo, privado.  Não é assim que funciona. O mundo não é visceralmente vegetariano nem augustamente carnívoro - à terça há frango, ao domingo percebes. Vejamos então onde nos conduz esta nova discussão de contemplações. Se o sarampo bate aos pontos Torremolinos. Se Tires arremessa Marcelo para o promontório uber-moralista do certo ou errado. Nesta hora de constrição epidémica, e com a fé como pano de fundo, relativizemos  Einstein. Somos pequenos. E geralmente erramos. Quase sempre.

publicado às 21:01

Tragam as pipocas

por Samuel de Paiva Pires, em 22.12.14

Carlos Abreu Amorim afirma que já não é liberal, as reacções entre alguns liberais e até pessoas de outros quadrantes político-ideológicos não se fizeram esperar, mas talvez o melhor mesmo seja ler este texto de Rui A. de onde se pode retirar uma ilação que não fica necessariamente patente no mesmo, mas que há já algum tempo venho afirmando: público e privado, Estado e mercado, são duas faces de uma mesma moeda, pelo que nem tudo o que é público é bom ou mau, tal como nem tudo o que é privado. Como diria Montaigne, bem e mal coexistem nas nossas vidas. O mundo - e a condição humana - é um bocadinho mais complicado e menos ingénuo do que o preto e branco e tudo ou nada que muitas almas ditas liberais tendem a ver. Por outras palavras, menos Rothbard e mais Hayek só faria bem a muita gente. 

publicado às 10:44

Da atmosfera intelectual corrente

por Samuel de Paiva Pires, em 30.10.12

Parece que de há uns anos a esta parte o debate público está dominado pelas oposições entre mais austeridade ou menos austeridade, menos estado ou mais estado, público ou privado. Infelizmente, porém, raramente se discute verdadeiramente o que subjaz a estes conceitos e quantificações, ou seja, não se qualifica aquilo de que se fala, pelo que muitas pessoas acabam a falar para as paredes ou a falar com outras sobre coisas que embora tenham o mesmo nome, podem e têm mesmo entendimentos diferentes e até divergentes. O debate público português (e talvez mesmo o europeu e até o americano) está afunilado e esgotado. Pior que a pobreza económica, só a pobreza intelectual. "Isto dá vontade de morrer", como diria Herculano, ou pelo menos de nos exilarmos voluntariamente como ele. É que como diria Cícero, "Se temos uma biblioteca e um jardim, temos tudo o que precisamos."

publicado às 15:23

Porque refundar é preciso

por Samuel de Paiva Pires, em 06.09.12

Por estes dias, o que fragmenta politicamente os portugueses e cria facções são as dicotomias entre público e privado, privatização ou não da RTP, aumento ou não de impostos. Entediante e sintomático do pensar baixinho que domina o Portugal troikado. Mas não surpreendente. Quando se nivela a polis por baixo, rebaixando a democracia ao nível de um qualquer relvado que providencia sustento a coelhos, continuando o trabalho dos que ao longo de décadas politicamente nos abalroaram, financeiramente arruinaram e moralmente esmagaram, o resultado não pode ser outro que o estado a que chegámos. Sem nos refundarmos, só nos afundaremos ainda mais.

publicado às 13:09

Feriados

por Samuel de Paiva Pires, em 20.06.10

(imagem picada daqui)

 

Não é por nada, mas esta história toda em torno dos feriados já chateia. Não há nada mais importante para discutir? O défice, a dívida externa, por exemplo. O verdadeiro problema não é a existência de feriados a mais ou a menos. O verdadeiro problema do país é o mesmo desde há 900 anos: falta de produtividade. A juntar a outro relativamente mais recente: Estado a mais. Podíamos não ter feriado algum, nem férias, que mesmo assim não conseguiríamos pagar o despesismo estatal. E não é a cortar em feriados que se vai aumentar a produtividade. Essa passa pela mudança de mentalidades, por maior liberdade económica e, por conseguinte, menor peso do Estado na economia e no bolso dos trabalhadores e empresas.

 

A única razão por que se discute esta questão é apenas para continuar a manter um Estado que promove a desigualdade em favor dos bolsos de milhares de "boys" e funcionários públicos que pouco ou nada fazem para além de serem fantoches de jogos eleitoralistas dos primeiros - aliás, não é por acaso que a proposta vem da bancada socialista. Porque, perguntem a qualquer pequeno ou médio empresário, não há horários, feriados ou fins-de-semana quando se tem um negócio próprio. E eu sei do que falo, pois exemplos de pequenas empresas na família não me faltam.

 

Deixem-se desta discussão de um fait-divers e lembrem-se do essencial: reduzir o Estado e aumentar a produtividade (do sector público principalmente, que o privado está cada vez mais desmoralizado e em crise pelo agravamento de impostos com o objectivo de pagar as asneiras dos (des)governantes - e a concorrência que gera aumentos de produtividade no sector privado também só se consegue num ambiente em que os impostos não penalizam demasiado as empresas). Pelo caminho, concentrar os esforços do Estado naquelas que devem ser as suas tarefas primordiais - saúde, educação, segurança e justiça -, também não era mal pensado.

publicado às 21:55






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