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Socialismo e Cold-Troika

por John Wolf, em 29.04.14

O sociólogo Carvalho de Silva, na sequência de um exaustivo estudo, finalmente apresenta o relatório ao público - "Portugal vai continuar entroikado". Não tenhamos dívidas, perdão, dúvidas: os efeitos do programa de ajustamento far-se-ão sentir muito para além das datas estipuladas pelo entusiasmo da propaganda política. A própria expressão "programa" talvez merecesse ser reformada e substituída por "residência". Dizem que o tempo cura, mas falamos de quanto tempo de tratamento? O tempo suficiente para o PS tomar o poder, o PSD destronar o PS, o CDS coligar-se com o BE, pelo menos dois governos se demitirem, três presidentes da república e quatro dezenas de eurodeputados serem eleitos, três presidentes da comissão europeia serem indigitados, e por aí fora (a imaginação não conhece limites). De que forma pode Portugal circum-navegar a inevitável presença da Troika? Sair da União Europeia e do Euro e mandar à fava a vocação europeia? Avançar com um projecto de salvamento europan-periférico, criando mecanismos monetários com países que se encontram em condições económicas e sociais semelhantes? A questão a que o país está obrigado a responder, transcende mandatos de governação, ciclos de alternância em tons de rosa-laranja-azul, conquistas partidárias, desaires ideológicos, promessas e veleidades. A situação exige (parafraseando Eça de Queiroz) "macróbios da terra" - gente grande capaz de perspectivar um futuro maior que o ego, maior que a vontade de derrotar os adversários. De um modo indistinto, sem enviesamento ideológico, não fará diferença alguma qual a mascote de eleição. É óbvio que a desmama da Troika trará consequências que serão mitigadas nas décadas que se seguem (décadas, ouviram bem). O cold-Troika (cold Turkey) não será fácil, porque, sem o desejar, Portugal caiu na dependência do traficante. As doses financeiras permitiram manter o país vivo, em estado de transe, abananado pelas exigências do dealer, incrédulo em relação ao estado a que chegou - derreado. Ora um farmacéutico catita como António José Seguro até pode esfregar as mãos de contente (antecipando belos resultados eleitorais europeus), mas seria muito melhor que entendesse o que significa ser um junkie (não falo de junk bonds, lixo). Nem de longe nem de perto, o senhor que se segue, percebe as regras do jogo, do jugo. Prestem muita atenção às promessas de mundos e fundos - poços sem fundo.

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publicado às 09:37





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