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A minha assumida estupidez, impede a imediata percepção dos circunlóquios da alta política nacional. Anteontem, pelas 20.01h, escutei o Sr. Francisco Assis reclamar uma grandiosa vitória eleitoral para o seu partido. Tendo as projecções iniciado a contabilidade com 34%, saldou-se a mercadoria numa folgadíssima hegemonia nacional de 31,5% dos votos expressos, coisa capaz de ter entusiasmado o sr. Seguro a tirar "festivas ilações" do sucesso. Muitos gritos de mudança! - mudança!, vitória! vitória!, palmas ensurdecedoras, mas em eestranho e claro contraste com os semblantes a lembrar Napoleão a bordo do Bellerophon.
Menos de quarenta e oito horas decorridas desde essa réplica da épica batalha de cerco de Viazma-Briansk, eis que surge o Sr. Costa pronto para alijar o actual secretário-geral de quem Sócrates disse ser intocável, porque vencedor. Como o PS é parecido com o PSD. Dir-se-ia mesmo serem gémeos separados à nascença.
Que vtória tão estranha...
Seria excelente se nos explicassem melhor o porquê dessas facilidades.
Entretanto, chegámos a um tal momento de pressas para a "retorna", que já nada servirá para contentar os esfomeados. Se PPC agora oferecesse uma casa grátis a cada português, um ordenado mínimo de 10.000€ e 12 meses de férias vitalícias, os que "de lá saíram ainda há pouco", os rutilantes Brilhante Dias que nos trouxeram a estes dias sombrios, achariam que tal não seria suficiente. Entretanto, a receita proposta é aquela indigestão garantida e já experimentada: mais túneis, mais comboios - TGV escondido com carruagem restaurante de fora -, enfim, o regresso ao pré-troika.
Brilhantemente, Brilhante conclui que "hoje não é a hora do investimento. Para ser a hora do investimento era preciso também ser a hora da credibilidade e da confiança e, infelizmente, essa hora ainda não chegou". Aqui está um desabafo em sensata auto-crítica.
Nunca depositei grandes esperanças na performance de Seguro enquanto líder da suposta oposição, mas depois da apresentação deste pequeno show de platitudes fiquei definitivamente convencido de que o actual líder (?) do Partido Socialista é uma autêntica nulidade que, em boa verdade, só lá está porque o putativo oposicionista, o Costa de Lisboa, decidiu, sabe-se lá porquê, dedicar o seu futuro político à apologia da obra socrática. Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita, como sói dizer-se.