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Aldrabices no protectorado

por Nuno Castelo-Branco, em 20.07.13

 

Mesmo podendo ter sido outra a realidade dos factos, esta é a imagem que passa para a opinião pública.

 

Bem podem todos os partidos intervenientes virem agora tentar explicar a declarada farsa em que gostosamente andaram durante uma semana. Nunca houve qualquer hipótese de "acordo", porque em ambos os campos não havia vontade para o realizar. Vendo a realidade como ela é, não se pode discutir o indiscutível, verificando-se a situação em que Portugal se encontra. Esta não se cinge ao âmbito da economia e das finanças, mas também ao posicionamento político do país, em total submissão  e dependência à luminosa ideia frustrada de "Europa". 

 

Todos estão a mentir. O PSD sentou-se à mesa e sabia que apenas poderia mentir quando afirmava pretender discutir fosse o que fosse, precisamente o programa imposto pela tutela internacional. A inépcia da gente do PSD para lidar com a política dura, revelou-se na cretina atitude de ter deixado ao seu rival a primazia na comunicação ao país, anunciando o fracasso dos demorados encontros. Como podem estes políticos serem tão declaradamente incapazes?

 

O CDS necessariamente mente, temeroso das consequências taxistas das apressadas tomadas de posição de há apenas pouco menos de duas semanas. Consta que Paulo Portas terá sabido da nomeação da nova titular das Finanças através de um singelo sms. Logo surgiu a vingança que ocasionou colossais prejuízos ao país. A estupidez, reserva mental e falta de nível da generalidade dos agentes políticos do regime, chegou a um ponto sem retorno.

 

O PS é então o campeão da aldrabice, tomada esta como ponto primeiro para o gizar de qualquer programa que remotamente possa assemelhar-se a um caderno de encargos para um futuro governo. Foi para a mesa do "acordo" para não ser lapidado pela opinião pública. Sentou-se à dita mesa de "negociações" exigindo aquilo que muito bem sabe ser impossível, pois queiram ou não queiram os optimistas profissionais, não há dinheiro disponível e aquele parcimoniosamente distribuído, provém de cofres alheios. Seguro deveria reunir-se com os estrangeiros que comandam os nossos destinos e publicamente apresentar-lhes as suas famosas "propostas". Ficaríamos todos plenamente cientes acerca da seriedade das mesmas. 

 

Falta o residente de Belém. Procurou atirar o odioso para cima da partidocracia, quando ele próprio gizou um golpe baixo - alguns consideram-no magistral! - e desresponsabilizador da sua duvidosa magistratura. Pois enganou-se redondamente. Sendo um dos mais longevos jogadores deste póquer de taberna, deveria saber estarem os partidos mais que aptos a emulá-lo na arte da representação e assim, muito informalmente, foi precisamente o que o PSD, PS e CDS fizeram. Os milhares de milhões perdidos pelas Bolsas e juros de dívida, o enodoar da reputação nacional pelos jornais estrangeiros, de pouco ou nada serviram. Não salvaram Cavaco Silva de mais uma contrariedade para resolver já amanhã.

 

publicado às 18:08

Samuel, não existe qualquer caça a bruxas... caçadoras!

por Nuno Castelo-Branco, em 07.01.12

Diz-se que no vale do Nilo, ainda há quem adore o deus Aton, participando em cerimónias evocativas durante os períodos de tempestades solares ou do solstício. Na Índia as vacas são sagradas, assim como algumas espécies de macacos que saltitam de telhado em telhado, obrando livremente sobre pedras de templos bem carcomidos pelo passar dos séculos. Há quem acredite em discos voadores, na Terra oca, na base nacional-socialista de um IV Reich na Antártida, enquanto outros com um sentido mais prático das coisas, agremiam-se em sociedades discretas e infinitamente mais eficazes. Para colocar um ponto final quanto a este desinteressante tema, apenas queria deixar uma sucinta resposta que todos possam facilmente entender, de tão visíveis são as evidências.

 

O meu querido amigo Samuel cita o Prof. Adelino Maltez que nos lembra a história de um "GOL (que) não começou em 1910. Foi fundado e existe continuadamente desde 1802. Já esteve em 1806-1808, na luta contra Junot, em 1817, 1820 e por aí fora. Sempre com a liberdade."

 

Terá sido assim? Claro que não, senão vejamos: 

 

Para sermos mais correctos, quando o país inteiro já tinha conhecimento do Tratado de Fontainebleau que destronava a Casa de Bragança e retalhava o nosso território em proveito de franceses e espanhóis, o embrião do GOL  foi receber Junot às portas de Lisboa, logo escrevendo uma carta a Napoleão a implorar um Rei - da "casa" Bonaparte ou um sargentão serviçal de ocasião - para Portugal. Os irmãos ainda tiveram o topete de enviar uma deputação a Baiona e não sendo suficiente tal protesto de amizade por quem ocupava o país saqueado e o reduzia a um governo-geral, os então pouco discretos convivas, foram entusiasticamente arregimentar-se na Legião Portuguesa ao serviço do invasor depredador da Pátria. Chegaram mesmo a participar na III Invasão Francesa e nas campanhas de Bonaparte na Prússia e na Rússia. Isto tem um nome, vem no dicionário e a palavra começa pela letra T. Sabe-se que nas últimas décadas consiste num termo que caiu em desuso, mas nem por isso deixa de surgir na lista das ignomínias mais repulsivas.


Quanto ao presente caso que tantos aborrecimentos tem dado a quem há oito gerações manda no nosso país, há quem entre para estas organizações, com o límpido fim da promoção de grandes ideais enunciados e que  afinal poderão resumir-se a três. Também se conhece o pendor que outros têm por cerimónias iniciáticas, fardamentas exóticas, arquitecturas que agradariam a Cecil B. DeMille ou senhas e contra-senhas que nos remetem para os tempos da nossa infância. Tudo isto é natural e tão trivial como os clubes de modelismo, de arqueiros ou recriação de torneios medievais.

 

A partir do momento em que se conspira contra a legalidade constitucional - repito, constitucional - do Estado, promove-se a eliminação física do soberano, a perseguição a um amplo sector da população portuguesa - a Igreja "concorrente" e os seus seguidores -, indiscriminadamente se prende e coage aqueles que se pretende ver afastados do poder, estamos então perante uma situação bem difícil de resolver, se é que tem resolução. Neste caso que tem varrido a imprensa na última semana, as discretas entidades surgem ligadas aos interesses económicos - cá está o vil metal em causa, daí o frenesim - , ao espiolhar da vida pública e privada dos cidadãos, assim como ao claro prejuízo do interesse e formal dignidade do Estado. Para que sejamos claros quanto a um aspecto relevante, os já nada discretos, lesam a "concorrência" no campo da economia. Colocar amigos em lugares onde os concursos não passam de um pro forma, afastar outros em benefício da irmandade e para cúmulo, tentar obter-se o controlo das instituições estatais detentoras de armas, da informação e defesa do Estado, é demais. 

 

Não há qualquer margem para um exagero e não existe caça às bruxas, até porque de facto quem governa Portugal há dois séculos, é a Maçonaria. Se ela naturalmente sofre de lutas e rançosos ódios intestinos, rotineiramente fazendo cair os seus próprios regimes - nem precisamos de enumerar quais -, tal se deve em primeiro lugar, à necessidade de reciclagem para que "algo mude". Ainda ontem, o Sr. Arnaut proclamava com orgulho, os inestimáveis serviços prestados à pátria e à liberdade, procurando reduzir a isto, a acção que o GOL tem na conformação desta nossa sociedade tão desigual e injusta. Se apenas se pretende contabilizar os sucessos que fizeram o seu tempo, qual foi a verdadeira razão para o violento desencadear da destruição da Monarquia Constitucional, qual a razão para a queda das 1ª e 2ª Repúblicas - bem ao contrário daquilo que querem fazer crer, o Estado Novo contou com muitos e bons irmãos, a começar pelo longevo Chefe do Estado e o Presidente da Assembleia Nacional - e chegando aos nossos dias, o actual estado de desagregação do esquema vigente? 

 

Lá estarão muitos idealistas e como agora se usa dizer, gente solidária? Certamente. Participarão nas tertúlias aqueles que apenas metafisicamente se preocupam com o devir da humanidade? É bem provável. 

 

O pior será o resto que sempre se soube, aquilo que agora se sabe e a incógnita enroupada de secretismo que talvez jamais vira á luz do dia, ou utilizando um termo mais próprio desta temática, da alvorada de uma manhã sem nevoeiro. 

 

A discussão está aí bem renhida e logo na imprensa que se julgava domesticada. Consiste num tema tão válido como o da gripe das aves, da doença dos pézinhos, do aeroporto na desértica margem sul, ou o TGV. Fale-se, debata-se o assunto, pois havendo limpidez, dissipar-se-ão receios ou desconfianças.

publicado às 19:51

A mesma trupe de sempre

por Nuno Castelo-Branco, em 16.04.11

Parece estar a desenhar-se uma estranha coligação entre o PS de Sócrates - afinal, 97% do Partido - e os sectores sempristas do PSD. Estes últimos já "empernam" com António Costa e tentam derrubar Passos Coelho. A única forma de o conseguir, será prejudicar a sua liderança através de um resultado duvidoso nas eleições de Junho. Para que tudo fique na mesma, os Pachecos, Leites, Mendes e outras tantas esfarrapadas camisetas cavaquistas, encontraram um bom mote para palavra de ordem: Fernando Nobre, o tal que de génio da nação, passou a ser um "oportunista", o "ignorante da política", o "idiota que não conhece o programa do PSD" - que por sinal, estando em fase de redacção, nem sequer a imprensa  conhece -, "o incoerente". É claro que os gramofones sousatavaristas colocados ao dispor pelo Sr. Balsemão, tocam o mesmo disco riscado, distraindo as atenções gerais. Ontem à noite, Sra. Ana Gomes também tonitruou ribombantes baixezas que a deixam ao nível dos pregões do Mercado do Bolhão.

 

As listas do PSD podem ter integrado alguns independentes, mas esqueceram Partidos cujos milhares de votos dispersos pelo todo nacional, poderão fazer a diferença na eleição de alguns deputados. O MPT e o PPM, têm sido parceiros ideais para a contabilização necessária no método de Hondt e os seus deputados eleitos nas listas do PSD, são mais valiosos e leais que um sem número de "social-democratas", semi-analfabetos e encartados nas carolices da jogatina das traições de clube. 

 

Poderão os media fazer o chinfrim que bem quiserem, mas isso não será o suficiente para nos distrair das imagens que diariamente nos chegam à hora do almoço: uns fulanos dos "negócios", os tais tutores que de pasta em punho chegam aos departamentos do Estado. Estrangeiros e com vontade de darem razão aos dichotes que circulam mundo inteiro, humilhando os portugueses. Se já abertamente o fazem na nossa própria terra, o que será fora de portas?

 

Mas há quem não se distraia, quem não se esqueça e principalmente, quem não perdoe. 

 

publicado às 12:32

Para "grande surpresa" de António Costa - como se acreditássemos... -, a aberração será mesmo construída. Sob ameaça de instauração de um processo judicial, o promotor imobiliário conseguiu o que queria, ou seja, a construção de um mostrengo inútil, horroroso, digno mictório para qualquer transeunte. O pior de tudo, consistiu na escabrosa abstenção dos "partidos da direita" na Cãmara Municipal de Lisboa que para cúmulo da cobardia, alegaram que "não compete aos vereadores avaliar a natureza artística da obra, mas sim agir em conformidade com a lei".

 

Mais uma vitória da coligação Costa/Salgado/Zé, com os seus oportunos "abstencionistas da direita". Não há tino, nem direito.

 

Saiba tudo acerca do que se passa aqui e aqui.

publicado às 08:00

As "comissões" pró-TGV

por Nuno Castelo-Branco, em 23.11.10

Pelos vistos e como habitualmente, o PSD caiu. Os senhores comissionistas do Centenário, devem estar a esfregar as mãos de contentes. Aí vem TGV(€)!

 

* Já agora, o futuro comandante da Armada, bem podia iniciar o seu mandato alinhando a esquadra no Tejo, fazendo hastear a Bandeira azul e branca  e exigindo a imediata entrada do FMI. Uns tiros de salva de honra bastariam, para uma correria geral aos heli-portos de certos palácios.

publicado às 20:21

A nova censura

por Nuno Castelo-Branco, em 03.09.09

 

 

A liberdade de imprensa tem sido uma das pedras fundamentais da legitimidade do regime. A censura do famoso lápis azul, pareceu concitar a unanimidade de todos os sectores oposicionistas da 2ª república e nos anos subsequentes ao 25 de Novembro de 1975, existiu uma efectiva liberdade de imprensa, embora esta fosse reservada aos signatários do ameaçador pacto que o MFA obrigou a sociedade civil a aceitar como condição sine qua non.

 

Assumindo a verdade incontornável dos grupos económicos terem desempenhado a necessária função de investimento para a garantia da influência na opinião pública, assistiu-se a uma  apreciável pluralidade de publicações, desde A Rua de Manuel Maria Múrias, até aos abertamente comunistas O DiárioDiário de Lisboa. Embora o tom geral seguisse a quase obrigatória linha PS-PSD-PC-UDP conducente ao "socialismo da Constituição", assistia-se à influência que alguns jornalistas exerciam sobre os correspondentes sectores políticos. Por exemplo, seria hoje impensável a existência de uma Vera Lagoa que pelas arremetidas semanais em O Diabo trazia muitas dezenas de milhar de lisboetas à Avenida, manifestando-se no dia da Restauração de 1640. Um símbolo de resistência e de vitória sobre um PREC ainda bem presente na mente de todos, era olhada com o sobranceiro e auto-intelectualizado desdém pelos detentores da verdade daquele tempo, plasmada no eixo Expresso - O Jornal. Já o chamado centrão indicava a sua futura hegemonia nestes nossos dias, mas contemporizava fatalmente com os vencidos do pró-sovietismo que conquistara de assalto as redacções, editoras e casas de impressão. Quem não se recorda dos cortes ao subsídio do papel, ou da recusa da impressão, distribuição ou venda de alguns  periódicos? Estas operações silenciadoras consistiram numa outra forma de censura, contornando um preceituado constitucional tornado vazio de substância e pior ainda, transmitiam a mensagem da necessidade do silêncio de alguns para a consolidação da democracia emergente!

 

Agora e em véspera de eleições, deparamos quotidianamente com uma outra versão censória. Se a omissão do noticiário inconveniente é impossibilitada por este ou aquele agente com poder para impor o seu ponto de vista à audiência, procede-se a uma rápida mas cuidadosa cosmética que perpetue a opinião única, sintetizada nas duas facções daquele que afinal é o mesmo partido, o buraco negro PS-PSD. Os painéis de comentadores - surgem como politólogos - , apesar de apresentarem a priori nomes que formalmente chegam de díspares sectores "ideológicos", obedecem todos, muito estranhamente, a uma certa padronização no que respeita ao apontar da conveniência de certa política, ou melhor - e isto é o que está em causa -, dos homens a escolher para a sua aplicação. Julga-se inevitável a resignação ao mal menor. A contemporização para com o estado de coisas e a difícil escolha entre dois mesmos, obedece então à lógica que fará prevalecer aqueles que melhor posicionados estão para a outorga da necessária recompensa pela colaboração. É esta uma forma de censura como qualquer outra, embora embalada numa artificiosa diversidade que apenas serve para apontar um só caminho.  Torna-se este sonegar de notícias ainda mais grave, quando é evidente a absurda e acintosa intervenção que pretende coagir ou anular o princípio da separação de poderes, calendarizando o exercício daqueles, segundo a conveniência de uns tantos.

 

Consiste tudo isto,  na plena confirmação  dos velhos tiques autoritários herdados da república de 1910. Sendo impossível a destruição de jornais, o espancar de jornalistas e a censura prévia, o refinamento de processos confirma a adequação do modo ao tempo. Gente escolhida, perfeitamente industriada e paga. Nada de novo.

publicado às 18:43






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