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...em fantasia, desta vez enrosca-se num vira de palavras sempre passíveis de qualquer tipo de interpretação. Já não lhe basta o Domingo, todos os dias são Domingo.
Afirma que convidou Passos Coelho para seu vice, mas perante a negativa do actual 1º ministro, agora tagarela a substância e a partilha do poder. O que quer dizer com substância - matéria regimental bastante malcheirosa e susceptibilizando perigosas escorregadelas -, não se sabe, mas partilha do poder, isso sim, conhecendo-se o palmarés das hostes do bloco central, entendemos muitíssimo bem ao que se refere. Era possível concretizá-la, mas dado o clima que à época se vivia, apenas um suicida se atreveria a uma aliança de antemão já crivada de ferros-velhos, betão lombos abaixo, pescado intragável, cassetes riscadas e outras estórias de revista.
O irascível comentadeiro de fim de semana pode dizer o que bem lhe apetecer, até mesmo insultar quem durante uns tantos anos lhe aparou os golpes, despejando a germânica farta cornucópia de teres e haveres. Bem sabemos onde e como tudo começou e a quem tudo, tudo devem. Eles também sabem.
Como em 2011 ficámos cientes, a todos convidou, ansiando permanecer no poder com ou sem a troika. Do BE ao CDS qualquer um serviria, todos eram "carrascão do mesmo barril".
Felizmente não teve uma coligatória Dona Branca a quem se insinuar.
O cursus honorum do político profissional na partidocracia portuguesa é o exemplo mais saliente da gritante ausência da palavra Liberdade na narrativa ideológica oficial. Desde o beija-mão rastejante até à obediência servil às chefias partidárias, que atravessa curiosamente todos os estamentos etários, a carreira política é uma fonte inesgotável de arrivismo. Como explicar, por exemplo, a ascensão do atrevimento ignorante nas juventudes partidárias do centrão? O problema da liberdade em Portugal não se reduz apenas à deficiente concepção dos institutos da propriedade e do contrato. O problema é bem mais agudo e começa na Política. Na política com P maiúsculo. Na incompreensão, perigosa e letal, de que a democracia só funciona se for devidamente temperada pela lei e pelo direito. O principal problema deste "torpe dejecto de romano império" é a fraqueza do Estado de Direito. Sem ele, o despotismo e a corrupção dos costumes serão, inevitavelmente, uma realidade tangível. Já estamos nesse estádio. E digo mais, caso não atalhemos de vez esta putrefacção generalizada acontecer-nos-á aquilo que Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) diz na passagem em baixo, citando Ezequiel: "abençoado é aquele que, em nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale da escuridão, pois ele é verdadeiramente o protector do seu irmão e aquele que encontra as crianças perdidas. E Eu atacarei, com grande vingança e raiva furiosa aqueles que tentam envenenar e destruir os meus irmãos. E saberão que eu sou o Senhor quando eu tiver exercido a minha minha vingança sobre eles"- Ezequiel 25:17. Os germes do totalitarismo andam por aí, ocultos sob a neblina da ilusão. E por mais que tentemos negar o óbvio, a liberdade encontra-se ameaçada. Seja no estupro económico do país, seja no abastardamento da democracia pela costumeira imundície dos pastores do regime, a liberdade está a sofrer vários abalos. E, mais cedo ou mais tarde, a gana de ter um Pastor que nos comande será infinitamente maior que a vontade de agir e viver em, e com, Liberdade. Cuidado.