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Via Coyote e Cato, fiquei a saber que a filial francesa da Google foi condenada em tribunal (em primeira instância) por, supostamente, ter "abusado da sua posição dominante" ao oferecer, de borla, o serviço de mapas conhecido por Google Maps. A entidade queixosa é uma empresa francesa, uma tal Bottin Cartographes que, pretendendo obter uma contrapartida monetária da disponibilização de um outro serviço de web mapping, se acha vítima de concorrência "desleal"! Esta particular história ainda não acabou (a Google recorreu da sentença) mas a argumentação da autora da acção é já muito velha. Tão velha que já Frédéric Bastiat lhe dedicou expressamente um capítulo no seu elenco de sofismas económicos: uma sátira intitulada A petição dos fabricantes de velas, candelabros, lanternas, etc. Vale a pena lê-la na íntegra mas não resisto a transcrever a seguinte passagem que bem ilustra o ridículo do costumeiro arrazoado argumentadeiro e como tudo sempre acaba por se resumir à tentativa de influenciar o poder do Estado em favor dos "peticionários", dos lobbys, dos grupos de pressão, dos corruptores do poder:
«Sofremos a intolerável concorrência de um rival estrangeiro que beneficia, ao que parece, de condições tão superiores às nossas, para a produção de luz, que dela inunda o nosso mercado nacional a um preço fabulosamente baixo; pois, assim que ele surge, a nossa venda cessa, todos os consumidores se lhe dirigem, e um ramo da indústria francesa, cujas ramificações são inumeráveis, é subitamente atingido pela mais completa estagnação. Este rival, que não é senão o sol, faz-nos uma guerra tão encarniçada, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Albion (boa diplomacia nos tempos que correm!), tanto mais que tem por essa ilha orgulhosa uma deferência que se dispensa de ter para connosco.

 

Pedimo-vos pois a gentileza de criardes uma lei que ordene o encerramento de todas as janelas, lucernas, frestas, gelosias, portadas, cortinas, postigos, olhos-de-boi, estores, numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das boas indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país, que não poderia sem ingratidão abandonar-nos hoje a uma luta tão desigual.»
Já poucos se recordarão, mas foi o que ficou conhecido como "a guerra dos browsers" que quase levou à destruição da Microsoft - e de Bill Gates - durante o segundo mandato da administração Clinton. O "crime" da Microsoft? Atrever-se a oferecer, de borla, o seu browser integrado no sistema operativo Windows quando outros, como a Netscape, pretendiam ganhar dinheiro vendendo o seu próprio browser.

 

_______________________

 

Leitura complementar: France Fines Google: Is Atlas Shrugging?

publicado às 19:29

A não discriminação e a estupidez

por Eduardo F., em 22.12.11
Edição em PDF
No Reino Unido, é prática das seguradoras exigir às condutoras do sexo feminino um prémio de seguro automóvel inferior ao dos homens. A razão de ser desta discriminação radica no facto das automobilistas terem, estatisticamente estabelecida, uma taxa de sinistralidade inferior à dos seus pares masculinos.

 

Sucede que existe uma directiva da união europeia relativa à "igualdade de género" que, segundo entendimento do Tribunal de Justiça Europeu, torna ilegal a prática de tal discriminação. O resultado, segundo se pode ler aqui, é que os prémios de seguro automóvel, cujos titulares sejam mulheres se agravarão, por ano, em cerca de 900 milhões de libras esterlinas. De nada valeu a argumentação do governo britânico!

 

Vemos assim destruída, a bem de uma idiotice "politicamente correcta" levada avante por burocratas, toda a lógica económica de um negócio que assenta na determinação e diferenciação do risco. (Via EUReferendum)

publicado às 02:28

O mito da desregulação financeira

por Samuel de Paiva Pires, em 15.12.11

Aconselha-se vivamente a leitura deste artigo e deste paper, ambos datados de 2009, sobre um mito papagueado por muita gente.

 

Anthony Randazzo:

 

«Given all the talk of deregulation, you would expect to find dozens of deregulating laws put in place over the past few years. Surprisingly, there have only been three major deregulatory actions in the past 30 years. Ultimately, the data points to bad regulation as complicit in the creation of the financial crisis, not deregulation.»

 

(...)

 

Had mark-to-market regulations been more flexible banks would have had more time to raise capital and sell assets. Had Wall Street firms not seen Washington as a lender of last resort that would bail out investments gone awry, they would have managed their risk better. Had capital reserve ratios been higher banks and investment institutions would have had more liquidity when prices dropped (though some firms, like AIG, simply became insolvent and wouldn't have been saved by higher reserves). Or, if qualified special purpose entities—an off-balance sheet accounting method—had required more transparency, banks would have had to keep more risky mortgages on their books, subject to reserve requirements.

 

Indeed, even if these three deregulations had no caveats explaining away their supposed link to the current financial crisis, they would still hardly constitute a historical trend. In contrast, historical periods of high regulation have proven decidedly unfavorable. Financial sector regulation during the 1970s was much heavier than today, and that did not prevent stagflation, with unemployment reaching nine percent in May 1975 and inflation nearly topping 14 percent.

 

Similarly, Europe currently boasts some of the world's tightest financial sector regulations, and its banks have suffered just as much, if not more than American banks in this recession. European banks made the same bad bets, the same poor investments, and the same over-leveraged mistakes—despite more regulation and government oversight.

 

However, the answer is not increased layers of government oversight. Giving regulators increased oversight of hedge funds, forcing the standardization of derivatives, or creating a systemic risk council will cause more harm than any good. Neither will expanding the Fed's powers ex post facto. Richard Fisher, President of the Federal Reserve Bank of Dallas, told the Wall Street Journal last month that regulators had enough authority to prevent a crisis. They simply failed to do so.

 

A far more prudential regulatory response is to fix broken rules—like the government has done with mark-to-market—and to have regulating agencies do a better job of oversight for 21st Century financial products. In a world of continually innovative investment strategies, flexible regulation from a loose government hand will prove most beneficial to a sustainable economy. The worst thing Washington could do is buy into the false history of phony deregulation and create more oppressive rules and stifling agencies that extend our economic struggles.»

 

 

Peter J. Wallison:

 

«The causes of the financial crisis remain a mystery for many people, but certain causes can apparently be excluded. The repeal of Glass-Steagall by GLBA is certainly one of these, since Glass-Steagall, as applied to banks, remains fully in effect. In addition, the fact that a major CDS player like Lehman Brothers could fail without any serious disturbance of the CDS market, any serious losses to its counterparties, or any serious losses to those firms that had guaranteed Lehman’s own obligations, suggests that CDS are far less dangerous to the financial system than they are made out to be. Finally, efforts to blame the huge number of subprime and Alt-A mortgages in our economy on unregulated mortgage brokers must fail when it becomes clear that the dominant role in creating the demand—and supplying the funds—for these deficient loans was the federal government.»

publicado às 00:35

Vejo Vítor Ramalho na TVI24 a explicar o porquê do manifesto soarista de hoje. Lanço um desafio muito simples a todos os que "querem corrigir as leis económicas" regulando os mercados: concretizem essa ideia vácua. O que querem regular? Porquê? E como? Digam só uma medida concreta do que pretendem fazer, vá lá, não deve custar muito.

publicado às 21:34






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