Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Uma das lições básicas das Ciências Sociais, pela qual passa em grande medida a refutação do cientismo, é a de que a realidade social não é um laboratório, ou seja, não é possível utilizar o método experimental, pelo que não se pode decalcar o método científico das Ciências Naturais. Claro que a Ciência Política não foge à regra. Mas eu estou em crer que esta lição está cada vez mais desactualizada. Possivelmente, tratar-se-á de uma inovação realizada pela Relvas School of Political ScienceQue o diga António Borges. Mas deixando de lado a hipótese de os cientistas políticos poderem ver-se na iminência de terem que rever os seus métodos de análise, o que fica mesmo da abordagem experimental à praxis política, operada nos últimos dias a respeito da privatização da RTP, é um amadorismo sofrível. Eu preferia manter intacta a lição e que fôssemos poupados a trapalhadas que os spinners de serviço na blogosfera e no Facebook lá vão tentando disfarçar - mal, porque amadoramente, o que não deixa de estar em sintonia com o governo. Infelizmente, os politiqueiros parecem preferir a opção contrária.

publicado às 00:08

Coisas que aprendemos hoje (ontem) com pessoas da Relvas School of Political Science que detêm opiniões sobre os dois assuntos que se seguem: um bispo das Forças Armadas, ainda que desbocado, não pode exercer a liberdade de expressão, parecendo as suas afirmações, ainda que descabidas, um crime de opinião passível de punição exemplar. Já um Ministro pode fazer ameaças a jornalistas e ser um trapaceiro no que diz respeito ao currículo académico que não há problema algum - vai na volta e isso até é revelador de nobres traços de carácter. Como eu gostava de conseguir sondar os misteriosos critérios que presidem aos juízos de valor de certas cabecinhas...

 

Entretanto, Manuel António Pina é simplesmente certeiro:

 

«A reacção do ministro Aguiar-Branco, tomando as dores dos "alguns" a quem D. Januário insistentemente se reporta, traiu-o: mandou o bispo escolher entre "ser bispo (...) e ser comentador político". O mesmo que Salazar queria que D. António Ferreira Gomes fizesse.»

publicado às 01:17

Desta feita vindos da pena do João Miranda, que se revela mais um aprendiz de Maquiavel. Enquanto há tempos, por aqui, íamos debatendo a fonte da moralidade, numa perspectiva de transcendência vs. imanência, o João Miranda, de uma só assentada, resolve um dos principais problemas filosóficos, com uma leitura desactualizada e simplista da separação entre a política e a moral de Maquiavel, e encarando como fonte de legitimidade das normas morais e, no caso, das trapaças relvistas, o facto de Sócrates ter sido reeleito após ser conhecido o caso da licenciatura na Independente. Ou seja, é como dizer que se outro rouba e não é apanhado, eu também posso roubar e não há nada de errado com isso. Isto até não seria surpreendente, se viesse de um socialista, mas é verdadeiramente admirável para um liberal. Tocqueville, Acton, Stuart Mill, Hayek e outros devem estar a rebolar-se de riso nas respectivas tumbas.

 

Leitura complementar: Vários posts sobre a Relvas School of Political Science

publicado às 13:07

Depois de Duarte Marques transformar Miguel Relvas em animal irracional, ou seja, sem a capacidade de intencionalidade, temos o PMF a censurar as vozes internas do PSD que criticam Relvas - comparando a situação com o caso da licenciatura de Sócrates, em que não se ouviram vozes críticas no PS -, o que consubstancia mais um atentado à liberdade individual em nome da defesa da futebolítica, que é como quem diz "é malandro, mas é do nosso clube, logo temos que o defender e a ética e a moral que se lixem." Pelo meio, PMF, com argumentação inabalável, junta-se à meia dúzia de iluminados que vão dizendo que o caso da licenciatura de Miguel Relvas é um não assunto - raios partam os teimosos idiotas, vulgo, esmagadora maioria da sociedade portuguesa, que pensam o contrário. Por outro lado, já ia fazendo falta dar destaque à sempiterna tese da cabala, papel que coube hoje a Carlos-é-difícil-ser-liberal-em-Portugal Abreu Amorim

 

Entretanto, Filipe Nunes Vicente resume bem esta Silly Season política:

 

«Se percorrerem os blogues e as colunas de opinião, verificarão que os alinhados com o governo desempenham  hoje o mesmíssimo papel que os sócráticos  desempenhavam  ainda há ano e meio:

 

1) Passos é um excelente homem e o melhor PM que o país já teve.

2) A oposição é antipatriótica e adepta do quanto pior melhor.

3) Está a fazer-se  que tem de ser feito em nome dos melhores interesse do país.

4) Os media lançam ataques soezes sobre os queridos governantes.

5) A oposição quer ganhar na secretaria  o que perdeu nas urnas.

6) Os críticos têm sempre uma agenda pessoal e inconfessável.» 

publicado às 13:10

Haja dó

por Samuel de Paiva Pires, em 15.07.12

Duarte Marques diz que Miguel Relvas sempre disse aos militantes da JSD para não seguirem o exemplo dele, para estudarem primeiro e meterem-se na política depois. A sério? Mas Relvas nem chegou a estudar! Ah e diz também que a culpa é da lei de Mariano Gago. A lei está mal feita, é certo - a meu ver nem devia existir. Mas Relvas aproveitou-a. Poderia não o ter feito. O que continua a acrescer ao chico-espertismo da personagem. Se realmente norteasse a sua vida pela busca do conhecimento, fazia um curso a sério. A seguir só falta dizerem que Relvas é uma vítima do governo PS que fez a lei.

publicado às 20:24

Numa democracia onde imperasse o estado de direito, a Universidade Lusófona já há muito que estaria sob investigação, se não tivesse já sido fechada. Não só pelo caso Miguel Relvas, mas também. Enquanto este diz que está de consciência tranquila por tudo ter sido feito dentro da legalidade (rejeitando, como é da Relvas School of Political Science, aquele ensinamento básico que nos diz que nem tudo o que é legal é legítimo), os últimos desenvolvimentos parecem indicar o contrário, o que não surpreenderá quem tiver assistido às recentes intervenções públicas de Manuel Damásio, verdadeiramente lamentáveis - e a quem nos permitimos a ousadia de recomendar a leitura de "The Idea of a University", de Michael Oakeshott. 

 

Entretanto o Correio da Manhã enveredou pelo jornalismo de sarjeta, que o Pedro já muito bem repudiou. Verdadeiramente lamentável.

publicado às 10:25

Relvas School of Political Science

por Samuel de Paiva Pires, em 12.07.12

Depois de termos tido a Alfama e a Jugular School of Economics, esta última liderada na blogosfera pelo João Galamba, parece-me justíssimo que exista a Relvas School of Political Science (RSPS). Até ver, o Rodrigo Moita de Deus será o mais forte candidato a líder blogosférico desta. Para começo de teorização desta escola, ficamos a saber, como o Corcunda salientou, que não existe distinção entre Ciência e Política, entre teoria e prática, o que significa provavelmente a maior revolução da disciplina, quiçá até a sua dissolução nos moldes em que a conhecemos, ficando por saber o que é que acontece ao carácter científico da análise da política.

 

Outra contribuição igualmente interessante é esta do Rodrigo Saraiva, através da qual ficamos a saber que a ERC provavelmente possui a divina capacidade da omnisciência, sendo mais ou menos equiparada aos Deuses do Olimpo, devendo as suas declarações ser consideradas como verdades absolutas - e quem não concordar só pode estar errado.

 

E para finalizar - por agora, claro -, uma das minhas contribuições favoritas até ao momento é desenvolvida pelo PMF e Luís Naves, que enterram definitivamente esse arcaísmo da ética da virtude, adoptam o consequencialismo, e rejeitam completamente esse princípio weberiano básico que nos diz que legalidade não é necessariamente sinónimo de legitimidade. É o que se pode chamar de ética da batata

 

Com tantos e tão interessantes contributos ainda na sua fase embrionária, a Relvas School of Political Science promete tornar-se a grande escola de Ciência Política em Portugal. Só espero que um dia a possamos exportar.

publicado às 14:15






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas