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O Presidente da República Portuguesa fala como se estivéssemos no reino da Dinamarca. Fala como se fosse noruguês. Explica-se como se fosse sueco. Mas Cavaco Silva esquece que é português e parece não conhecer Portugal. Os deputados ganham mal? Ganham menos do que os seus pares por essa Europa fora? O senhor presidente parece esquecer, de um modo conveniente, que os senhores deputados têm "negócios por fora" em quase todos os sectores da economia. Durante anos a fio os excelentíssimos senhores parlamentares da nação serviram-se de um magnífico acervo de influência e informação privilegiada para fazer florescer os seus afazeres privados. Cavaco Silva fala de dinheiros como um micro-economista de meia-tigela quando deveria evocar e defender princípios maiores. Se tivesse um pingo de sentido de ética, teria referido as benesses granjeadas por políticos no exercício das suas funções e que transitaram indevidamente para o sector privado. Aqui temos o melhor exemplo de parceria público-privado no seu sentido mais perverso, abarbatado. O deputado trabalha uns anos na bancada do partido e ao largar a cadeira leva consigo uma agenda carregada de contactos e noções claras de onde deve investir o seu esforço no sector privado. A haver transferências de dinheiros, estas deveriam acontecer noutro sentido. Directamente do bolso dos políticos para o erário público, como compensação pelas vantagens decorrentes da vida política. Falemos de um regime de exclusividade no exercício de cargos públicos, e a coisa muda de figura. Nesse caso poder-se-ia aceitar a ideia de um cheque salarial mais chorudo. Mas a tentação é grande. Querem mais e sempre mais. Cavaco Silva, já sabemos, é tonto, e não sabe, nem nunca soube, interpretar o sentimento nacional. O homem fala sem dúvida de salários mínimos, mas enganou-se nos destinatários dessa proposta laboral.