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Os que estão em negação.

por Nuno Resende, em 12.03.21

A realidade da pandemia mostrou dissensões que, em tempos de catástrofe, afloram mais rapidamente. Posto à prova, o Homem torna-se rato ou leão, com respeito para a diversidade do reino animal, sem distinções que hoje possam suscitar acusações de xenofobia ou, neste caso, “animalofobia”.
Tais dissensões levaram à formação de posições, naturalmente extremadas, e devidamente baptizadas pela vox populi: os covideiros, grosso modo os hipocondríacos e, do outro lado os negacionistas, todo aquele que nega, se opõe ou desvaloriza a pandemia de sars-cov-2.
Mas, muito embora, a designação negacionista tenha sido aproveitada do termo que designa os que recusavam a acreditar no Holocausto, a expressão é diferente quando aplicada no presente por ser mais heterógena do que quando aplicada a alguém que nega a História. Uma coisa é negar o que não vemos, aquilo do qual nos afastamos no tempo, outra é negar a evidência do que vemos e vivemos. Há gente a morrer à nossa volta e existimos (a palavra é esta, não vivemos, nem sobrevivemos, existimos, apenas) num tempo de suspensão de liberdades individuais que, dizem-nos, se justifica como principal estratégia sanitária.
Mas há ainda outro tipo de negacionistas: os que vivem em negação, os que acham que vai ficar tudo bem, os que consideram que o vírus desaparecerá (como se algum vírus, algum dia, alguma vez tivesse desaparecido) e os que acreditam verdadeiramente que daqui a 2, 3 ou 10 anos, o mundo voltará ao normal anterior. Não é por nada que se utiliza já, e bem quanto a mim, a expressão “novo normal”. O novo normal é a normalização do controlo das massas, a higienização do pensamento individual e o recuo em relação a modos de vida anteriores a 2020, nomeadamente o turismo, os grandes eventos.
A Globalização sofre agora um rude golpe: parece não estar a sucumbir à mão de políticas proteccionistas, mas perante estratégias higienistas seculares de quarentena, confinamento e guetização. Voltamos ao longínquo ano de 1021.

publicado às 16:01

Parabéns ao PCP!

por Nuno Resende, em 06.03.21

O Partido Comunista Português, fundado em 1921, é um dos pilares essenciais para a construção da democracia em Portugal. Ninguém o pode negar. Foi fundamental para opor-se à ditadura e ao Estado Novo e, depois de 25 de Abril de 1974, tornou-se uma das forças essenciais para regular o equílibrio da democracia embora cedendo à vertigem do poder absoluto, característica genética da sua filosofia.

Posto isto, 100 anos depois da sua fundação ainda que o PCP mostre a decrepitude do seu conservadorismo, partido plenamente instalado no sistema e ainda há pouco tempo parte dele através da Geringonça, cada vez mais brando na sua forma de faz oposição, sobrevive. É natural. Cem anos pesam na mobilidade de qualquer um e das muletas já passou à cadeira de rodas. Não obstante querer trazer sangue novo com o recente candidato apresentado à presidência da república - vontade de mostrar sangue novo em corpo velho - tem vindo a ser punido pelo eleitorado, mesmo o mais fiel, como se viu pelos resultados das recentes eleições.

No entanto, num ano já cumprido de plena pandemia, não deixou de se fazer ouvir, lutando contra os embargos aleatórios que suspenderam a democracia e silenciaram os oponentes ao novo situacionismo. O Primeiro de Maio de 2020 cumpriu-se, assim como a Festa do Avante. Nem a Igreja Católica, com milénios de intervenção directa nas consciências dos indivíduos, levou a melhor frente ao vírus e aos estados de emergência, aceitando a asseptização social e deixando-se vencer pelo cientismo instalado. 

Perante o vírus, mais do que nunca, é certo que deus morreu. O PCP, embora esteja moribundo, não.

E por isso, os parabéns que lhe dirijo e as celebrações que animam as ruas (ainda que semidesertas das nossas principais cidades) são mais do que merecidos.

publicado às 11:29

O segundo confinamento e o ensino (II)

por Nuno Resende, em 21.01.21

Se o governo toma decisões aos bochechos por causa do mau aconselhamento dos cientistas que participam nas reuniões do Infarmed, ou ao sabor da opinião pública e dos comentadores de serviço, em qualquer dos casos talvez devesse parar para avaliar da sua função, autoridade e utilidade. Um governo que, numa semana diz que não fecha o comércio todo, depois fecha o comércio todo, que não fecha as escolas, depois fecha as escolas, só pode ser um caso grave de saúde mental.

E ao ouvirmos o presidente da república dizer que se pensava que a pandemia acabava em Outubro de 2020, temos completa esta nave dos loucos.

A vacina chegou primeiro que a noção a Portugal, infelizmente continuará facultativa  e circunscrita a um grupo reduzido de indivíduos - o que significa que nada ou muito pouco adiantará numa população maioritariamente não vacinada e sujeita ao contágio e disseminação do vírus (de que adianta fechar as escolas hoje, amanhã e depois, se o vírus continuar nas salas de aula?). Não custaria menos vacinar pelo menos 80% da população do que sujeitar o país a uma crise económica sem precedentes?

O que é pena é que entre tantos cientistas, comentadores televisivos, peritos em epidemiologia e saúde pública, nenhum tenha a coragem de nos dizer que não, não vai ficar tudo bem e que este segundo confinamento há-de ser um de muitos que no futuro ainda hão-de acontecer.

  

  

publicado às 19:30

O segundo confinamento e o ensino (I)

por Nuno Resende, em 17.01.21

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O segundo confinamento em Portugal deixou de fora todos os graus de ensino, o que levou a um coro de críticas por parte de sectores da ciência e da sociedade – sem que saiba muito bem quem constitui estes sectores.

O que a pandemia nos tem ensinado é que há poucas certezas, mesmo as que vêm acompanhadas por certificações de fiabilidade ou estudos científicos. Todos os dias a comunicação social embarca numa difusão de dados desactualizados, não validados ou ainda não devidamente revistos por pares, fazendo assunções generalistas e lançando confusão e pânico na opinião pública.

Sobre os técnicos ou cientistas que participam nas reuniões do INFARMED, sabemos pouco ou quase nada. O que é certo é que parecem faltar ali geógrafos, sociólogos, antropólogos, demógrafos e até filósofos, por que não? Faltam conhecer declarações de interesses de muitos dos comentadores e tudólogos que na televisão debitam opiniões.

E sobre os anónimos mais críticos em relação à abertura das escolas, pouco nos dizem as redes sociais quando fazemos uma leitura na diagonal dos comentários mais frequentes. Certamente que plataformas como o Facebook conseguem desenhar o perfil de grupos de indivíduos segundo as suas reações (os famosos botões de gosto etc.ª). Mas é possível vislumbrar por ali algumas explicações para a ânsia de fechar tudo, assentes quase todas na pouca capacidade crítica para filtrar a informação que todos os dias entra nos seus olhos e ouvidos, quer pelos media digitais, quer tradicionais. Medo puro, uns, inabilidades várias que o conforto do trabalho em casa permite colmatar, outros.

As escolas estão abertas desde Setembro, mas só em Janeiro os casos de contágio e morte por covid-19 dispararam. Muitos culparam o Natal, mas a verdade é que a curva ascendente começou em finais de Agosto e inícios de Setembro, muito antes de todos os graus de ensino estarem em pleno funcionamento (as Universidades públicas abriram quase no final de   Setembro) e basta olhar para um país não cristão, onde o Natal não tem o peso social e comercial para perceber que a tendência de crescimento contínua, por exemplo os Emiratos Árabes Unidos, com uma população e um calendário lectivo semelhante ao de Portugal. O vírus segue o seu caminho, provavelmente com um itinerário a outros vírus de infecção respiratória, de cariz sazonal. Todas as barreiras que se lhe põem no caminho são como travar água com uma peneira. Pode atrasar a passagem da água mas não a veda.

A 6 de Agosto de 2020 o ECDC europeu lançou um guia sobre a transmissão em contexto escolar que refere algumas das questões já conhecidas, como a reduzida prevalência de sintomas e desenvolvimento da doença COVID-19 em crianças. Não descarta a transmissão na comunidade escolar, mas refere «if appropriate physical distancing and hygiene measures are applied, schools are unlikely to be more effective propagating environments than other occupational or leisure settings with similar densities of people».  E acrescenta-se: «There is conflicting published evidence on the impact of school closure/re-opening on community transmission levels, although the evidence from contact tracing in schools, and observational data from a number of EU countries suggest that re-opening schools has not been associated with significant increases in community transmission».

É claro que, no caso de crianças nem sempre é possível conseguir cumprir as advertências de distanciamento, higienização, etc. Mas também já percebemos que, no caso de adultos será impossível garantir a longo prazo um controlo efectivo dos comportamentos humanos, obrigando à sua repetição durante meses ou anos, como se espera venha a acontecer com esta pandemia.

Mais à frente o mesmo documento conclui: «Closures of childcare and educational institutions are unlikely to be an effective single control measure for community transmission of COVID-19 and such closures would be unlikely to provide significant additional protection for the health of children». Faz, ainda, esta advertência: «A number of organisations have identified various negative impacts on children’s wellbeing, learning opportunities and safety caused by school closures. These range from the interruption of learning and the exacerbation of disparities and mental health issues to an increased risk of domestic violence. The negative impacts particularly affect children from vulnerable and marginalised population groups». O Diogo Martins do Ladrões de Bicicletas explicou isto e muito mais , assim como a Raquel Varela e ambos têm sido trucidados por medrosos primários.

No que se refere às Universidades, a sua população é maioritariamente adulta, reunindo faixas etárias dos 17 aos 66 anos. A população docente será mais vulnerável à doença, e a taxa da incidência é efectivamente mais elevada para indivíduos entre os 20 aos 29 anos. Todavia o risco de mortalidade só é verdadeiramente uma ameaça a partir dos 75 anos.

Os números não dizem nada se não forem tidos em conta outros aspectos que advêm da aplicação de medidas de confinamento em aprendizagem. A primeira experiência mostrou-nos que, num caso de emergência, foi possível lançar mão das tecnologias para minimizar os estragos de um fechamento completo das instituições de ensino, quando estas não estavam preparadas para um regresso adaptado à vida em pandemia. Aulas à distância que de repente pareceram um milagre, já existiam desde os cursos por correspondência, passando pela telescola e à Universidade Aberta, mas sempre como alternativa ou ferramenta paralela à aprendizagem presencial.

A ideia de Universidade assenta na de academia, na reunião, no diálogo presencial e gregário, não na transmissão impessoal de informação hoje em zeros e uns, imagem e som. As ferramentas digitais são importantíssimas, mas não substituem o contacto interpessoal. A própria União Europeia estava a investir, antes da pandemia, cada vez mais em formas de mobilidade a aproximação de estudantes, investigadores e professores. Ninguém participa num congresso internacional apenas para publicar um texto (há quem o faça, infelizmente), mas para viajar, conhecer outros investigadores e visitar outros lugares.

O confinamento é uma espécie de homeopatia, que a própria ciência combate. Vai dando a impressão da mitigação, de bálsamo quando as coisas correm mal, mas nunca trará a cura. É apenas uma forma de interrupção da vida. Neste momento sobrevivemos, não vivemos. E aplicar estas medidas à educação resultará a médio e longo prazo ou na abertura de um fosso maior entre privilegiados (os que acedem às ferramentas digitais) e os que por alguma razão não conseguem estar a par do a maior parte das vezes complexo mundo

Já uso ferramentas digitais em contexto pedagógico ao tempo suficiente para perceber o valor das mesmas. Mas elas trazem um presente envenenado: o seu manuseio necessita de formação complementar, nem sempre possível, nem sempre acessível e, sobretudo, quase sempre impossível de conciliar com os programas curriculares já estabelecidos. De resto, nem todos os cursos são teóricos, nem totalmente compatíveis com este tipo de aprendizagem em-linha.

Apesar de já manusear relativamente bem ferramentas como o Moodle, o ZOOM, o Google Team e outras plataformas e softwares para ensino à distância, eu e os meus colegas fizemos em Março-Abril um esforço notável para não deixarmos para trás o que já estava em andamento. Superamos muitos desafios, mas ficou clara a ideia de que aquilo foi um momento, uma excepção, não a regra.

Compreendido o vírus, o seu perigo e a forma de minimizar o contágio, foi possível estabelecer uma situação de compromisso que permitisse uma alternância entre ensino à distância e ensino presencial, uma espécie de ensino misto, que resultou perfeitamente bem durante o semestre. Mas num curso como o de História da Arte, ficaram de fora as aulas de campo, as idas aos museus, à maioria das bibliotecas e os arquivos. Por muito que se possa visitar um museu em-linha, descarregar livros ou documentos em PDF, todos nós sabemos que isso não substitui o contacto, a observação directa ou a apreciação sensorial.

Voltar atrás neste compromisso é por em risco um ano lectivo já marcado pela carga emocional de todos os dias sermos confrontados com números de mortos e infectados, obrigações e deveres que se alteram quinzenal ou semanalmente e sentirmo-nos observados e acusados de infracções no é que é, provavelmente, uma das maiores máquinas mais intensas de comunicação e propaganda alguma vez dirigida à Humanidade.

É de prever que os confinamentos se tornem regulares, integrando, talvez, uma rotina social, como as máscaras. Entrevê-se isso, por exemplo, na entrevista a Henrique Barros, da Universidade do Porto. Ano após ano seremos conduzidos a uma nova normalidade, justificada pelo possível colapso do SNS – como se a cada confinamento, os profissionais de saúde recuperassem prontos para mais um período de «acalmia». Já ninguém estranha que os confinamentos sejam pedidos como pão para a boca, mas as vacinas, facultativas, cheguem, apenas. Já ninguém estranha que as medidas aplicadas sejam, provavelmente ineficazes na sua maioria, mas a sua aplicação seja como um placebo ou uma terapêutica homeopática.

Já ninguém estranha muita coisa, até porque os tempos não são para estranhar, são para aguentar e calar. Alguns médicos são os novos torquemadas que em vez de ameaçaram com fogo e com a danação da alma, ameaçam com ventiladores e com a morte do corpo.

Mas que não nos tirem as escolas e a liberdade para ensinar e aprender, nos dias que correm o último reduto para se questionar. Pode ser que a próxima pandemia já não tenha que utilizar métodos medievais para a conter, mas se ainda for preciso utilizá-los, ao menos que os possamos discutir desassombradamente.

 

publicado às 20:00

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Negacionismo foi a designação encontrada pelos meios de comunicação social para apontar todo aquele que nega ou não acredita na pandemia de SARS-COV-2. Para além destes existem, ainda, os conspiracionistas e os fascistas, designações mais antigas e correntes que apontam um largo espectro de cibernautas ou comentadores.
Estamos perante um fenómeno em nada novo. O espaço cibernético abriu caminho a uma longa trupe de indivíduos que encontrou o lugar ideal para defender, difundir e confirmar as suas teorias, muitas delas alimentadas ao longo dos anos pelo cinema de Hollywood e por nomes famosos da literatura esotérica, de consumo fácil e atractiva pelos elementos nela contidos: explicações simples para o misterioso, o incógnito ou o inexplicável.
Acreditar que a pandemia é, ou uma patranha, ou não acreditar nela é uma idiotice fácil de desmontar. Primeiro, ninguém acreditaria verdadeiramente que alguém produzisse um vírus para o «soltar» na humanidade, com intuito de prejudicar selectivamente países ou culturas. 
Depois, porque todos nós vivemos, desde Março, uma experiência que dificilmente poderia ser uma farsa. Todos vimos nas televisões os camiões com caixões em Itália, a contagem dos já milhões de óbitos, as urgências cheias, os profissionais de saúde exaustos e os confinamentos por todo o mundo. Não há imaginação que planeasse este panorama, nem as televisões mentiriam de uma forma tão consistente e abrangente. Neste mundo de inverdades digitais as televisões foram o grande recurso para saciar as nossas eventuais dúvidas.
Verdade: nunca esta palavra foi tão reclamada. A Verdade, coisa tão subjectiva como o seu contrário, tem sido invocada por alguns para desmascarar a situação em que vivemos. Para alguns há uma narrativa oficial, política, científica que mente e que deturpa o tempo em que vivemos. Uns insistem na estranha origem do vírus, outros recusam a sua letalidade, outros ainda que não passa de uma “gripezinha”. Como foi possível surgir esta frente, hoje aficandamente combatida pela comunicação social e por alguns médicos, como o Doutor Gustavo Carona?
Creio que a explicação poderá ser encontrada na forma como a comunicação da pandemia tem sido gerida quer pelos cientistas, quer pelos políticos, quer pelos media. Desde o início que todos conduziram errónea e erraticamente campanhas diversas: primeiro a do “vai ficar tudo bem”, mensagem que alimentou as parangonas de jornais e revistas e ocupou o tempo de antena de chorosos pivots televisivos . Nunca na história recente da Comunicação Social se viu tamanha campanha sentimentalista que deixou os media fragilizados na sua função de imparcialidade e objectividade pedida a uma ocasião como esta. Seguiu-se-lhe uma falsa sensação de acalmia que derivou num verão quase tranquilo, sem surtos ou casos graves. Excepções atrás de excepções, políticos e jornalistas contribuíram para um discurso confuso, errático, por vezes imperceptível e pouco sério: eis a uma das explicações para o exponencial crescimento de movimentos “pela verdade”. De facto, ninguém detém a Verdade nesta discussão entre fanáticos conspiracionistas e hipocondríacos esquizofrénicos, mas quer de um lado quer de outro, o desvario tomou proporções incontroláveis devido a meses de uma infrene campanha de desinformação.
Neste momento, uma pretensa segunda vaga (ou a continuação da primeira, acentuada pelo crescente número de testes) colocou os hospitais numa situação de ruptura. Fala-se já em escolher quem vive e quem morre, num twist macabro e irónico quando a discussão sobre a Eutanásia está na ordem do dia.
Mas o reflexo de outras escolhas já está na rua, nas manifestações de ontem, no Porto, e hoje em Lisboa. É que se os médicos, os cientistas e os políticos se responsabilizam directa ou indirectamente pelas escolhas de quem vive ou morre nos hospitais, certamente nunca se responsabilizarão pela destruição da vida individual e colectiva de jovens que vêm os seus empregos eliminados pelas políticas aplicadas na contenção de uma doença que avança desenfreadamente mesmo com o estabelecimento de várias formas de controlo. Nem a comunicação social será responsabilizada por alimentar e alimentar-se desta frenética campanha de desinformação. Um autêntico frenesi de desespero que lhes é devolvido pelos teóricos da conspiração e negação e que os media exploram como apenas mais um sensacionalismo dos muitos que lhe garantem sustento. Infelizmente os media tornaram-se um poder absoluto sem qualquer tipo de oposição ou resistência.
Ora, sem vacina ou terapêuticas adequadas conter o avanço da pandemia é como segurar uma fuga de água com uma peneira. E se, como a Comunicação Social tem divulgado abundantemente, houver sequelas nos doentes covid-19, vislumbra-se um futuro de milhões de inválidos que contribuirão para o enfraquecimento dos Serviços Nacionais de Saúde.
Até vacina chegar à maior parte da população do planeta (um, dois, três anos?) entre formas de aplanar as sucessivas curvas, muitos milhões serão aplicados nestas medidas que apenas remedeiam, durante semanas ou meses, a destruição do tecido social e económico. Até quando um estado como o da República Portuguesa aguentará este tipo de investimento?
Não se pode colocar o dilema entre a saúde e a economia, como se a saúde de uma população fosse apenas uma doença que se trata no dia de hoje, ou a curto e médio prazo. O empobrecimento social resultará em graves problemas sanitários que saem da esfera meramente biológica, como o que vivemos hoje, contribuindo ainda mais para o acima descrito enfraquecimentos dos sistemas de saúde.
Por isso, o leque de escolhas é, como escrevemos, muito mais alargado: não se decide apenas pela vida no imediato, nos cuidados intensivos, decide-se pela vida de milhões de pessoas, algumas delas tão jovens que, ou ainda em formação, ou no início do seu período de empregabilidade já viram truncadas as suas esperanças próximas futuras.
O panorama parece desolador e é-o de facto. Mas entre a desinformação e a errância dos actos, convinha respirar fundo e pensar a longo prazo. Pois o tempo que o vírus veio para ficar e as ondas de choque da sua chegada serão sentidas daqui a muitos anos. Era importante que começássemos a preparar um futuro mais saudável e não um presente remediado, investindo em mais recursos humanos e equipamentos sanitários. Bem vamos precisar destes quando já nos tivermos habituados à presença do Sars-cov-2 mas as consequências da sua chegada ainda se fizerem sentir entre nós. 

publicado às 19:45






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