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O ministro dos negócios estrangeiros de Portugal teve uma "conversa dura" com o seu homólogo venezuelano à margem do festival da ONU - ameaçou o acervo jurídico de uma nação inteira. Santos Silva parece ter sido mais aluno de Sócrates e muitos menos de Joana Marques Vidal. Invadindo o domínio jurisdicional da Venezuela, transgredindo territórios de soberania, o menê português demonstra a sua falta de fé no sistema policial e de justiça daquele país, aclamado glorioso e triunfante pelos camaradas revolucionários do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Se os Pingaderos Doceros portugueses daquele país praticaram dumping ou outra modalidade de concorrência desleal, cabe à Venezuela inicar su processo Marquez. Santos Silva parece esquecer que deve proteger os interesses de 250.000 portugueses que pernoitam naquele país em demolição acelerada, e não criar um efeito de bola de neve a partir da deliquência de meia-dúzia de batatas podres. Ou seja, ao querer mostrar serviço e que é patrioso, para consumo doméstico e quiçá para fazer boa figura em Nova Iorque, Santos Silva arrisca ser esmagado por medidas mais drásticas de securitização daquele país. Se Maduro é uma espécie de Putin dos pobres, Santos Silva é o gerente de uma cadeia de supermercados especializada na distribuição de bananas. Por vezes se torna difícil distinguir as repúblicas dos bananas.

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publicado às 20:03

A arte dessacralizada

por João Pinto Bastos, em 11.12.12

 

 

D
Domingo é sempre um óptimo dia para visitar o nosso património museológico. O tempo é mais distendido e a atenção é redobrada. Por isso, escolhi este dia para efectuar uma breve visita à Fundação de Serralves. Visita essa, que visava, sobremodo, o cumprimento de um desejo que eu acalentava há muito: a apreciação in loco da obra de Julião Sarmento. A ansiedade era grande, a decepção foi gigantesca. Porém, nada do que vi me surpreendeu deveras. Não sou crítico de arte, nem pretendo ser, contudo, posso afirmar, com alguma certeza, que as manifestações contemporâneas do fenómeno artístico - já sei que algumas das aventesmas do meio irão apodar-me de perigoso reaccionário - são, em maior ou menor grau, o triunfo absoluto do nada. Do nada peçonhento, do nada que desmoraliza e amoraliza. Não chegámos aqui por acaso. O percurso que nos trouxe a esta degradação artística tem uma história bem determinada. Não é o objectivo desta posta escalpelizar esses motivos, no entanto, a genealogia da degradação é um ponto incontornável em qualquer diagnóstico que se queira certo e fiável. Fiquei particularmente desiludido com a vacuidade da obra de Sarmento. Sei bem que esta asserção é polémica e passível de contraditório, mas, o que observei, e considero aqui todos os suportes da sua obra - a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, a instalação, a performance -, permitiu-me recordar algo que sempre tive como uma verdade indesmentível: a representação do erotismo banalizou-se. Trivializou-se inapelavelmente. A plasticidade e fragmentação das obras representadas, em que as imagens são compaginadas com citações literárias bem esgaravatadas, reduzem-se a um todo comum coroado na afirmação de um erotismo chão completamente desprovido de sensibilidade. Um erotismo carregado de choque e de vulgaridade sensaborona. A representação dos sexos é um bom termómetro do que foi referido atrás. Há, no conjunto da obra exposta, uma certa banalização no tratamento do sexo, no destino dado às figurações do íntimo e do impenetrável. A própria indecifrabilidade das figurações e representações aduz, a meu ver, mais um elemento de trivialização em algo que, por natureza, não é trivializável. Tenho um parti-pris de princípio relativamente à arte contemporânea. Nas suas diversas representações - a arte informal, a body art, a arte conceptual, o minimalismo, etc. - falta à arte hodierna um princípio de Beleza, um significado poderoso que capte o mistério da Vida, que represente e não desfigure.  Em suma, que refute o império do kitsch. Há alguns dias atrás o Samuel de Paiva Pires citou Mario Vargas LLosa que, numa passagem interessante, dizia que "actualmente tudo pode ser arte e nada o é, segundo o soberano capricho dos espectadores, elevados, devido ao naufrágio de todos os padrões estéticos, ao nível de árbitros e juízes que outrora só certos críticos detinham." No fundo, a deriva da arte é o sinónimo mais inclemente do declínio irreversível de uma civilização assente, em simultâneo, na trivialização da vida, no ocaso do mistério, no desprezo das grandes verdades, e, por último, no menoscabo brutalizado da beleza indizível da existência. A obra de Sarmento, respeitável como qualquer outra, é uma mera centelha no meio da fogueira aberta. Mas é, concomitantemente, um bom exemplo, desta feita meramente nacional, do declínio induzido por uma cultura estribada no facilitismo generalizado. Sair disto será difícil. 


P.S.: Veja-se esta amostra  http://mademoisellecaetanodiaz.blogspot.pt/2012/10/a-procura-de-juliao-sarmento-em.html

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publicado às 01:27

E que tal poupar um pouco

por Cristina Ribeiro, em 24.07.09

 

nas milionárias visitas de Estado, mais próprias de um país rico, e pôr de lado o necessário para trazer de volta ao seu lugar de origem a secretária que Ruhlmann, o arquitecto e decorador francês, virtuoso da Arte Déco, criou para a residência do 2º conde de Vizela, a actual Fundação de Serralves, que, vinda dos EUA, ali está exposta, e se encontra à venda?

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publicado às 13:56






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